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Arquivo de 2 de agosto de 2012

02/08/2012

às 22:22 \ Sanatório Geral

Futebol e mensalão

“Ontem estivemos juntos com as minhas irmãs e acabamos falando mais do Corinthians”.

Zeca Dirceu, filho de José Dirceu e deputado do PT do Paraná, explicando que a família, no momento, não quer falar de time que está perdendo.

02/08/2012

às 22:15 \ Direto ao Ponto

Segundo debate ao vivo sobre o julgamento do mensalão começa às sete da noite

A conversa com Reinaldo Azevedo, Marco Antonio Villa e Roberto Podval, que inaugurou a série de debates sobre o julgamento do mensalão transmitidos ao vivo pelo site de VEJA, ficará disponível no começo da tarde desta sexta-feira. O segundo programa entrará no ar hoje à noite, assim que for encerrada a sessão do Supremo Tribunal Federal. O destaque do dia é o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que terá cinco horas para a acusação.

02/08/2012

às 20:21 \ Sanatório Geral

Campanha publicitária

“O mensalão é a maior peça de marketing político produzida na História recente do Brasil”.

Jilmar Tatto, líder do PT na Câmara dos Deputados, garantindo que a roubalheira descoberta em 2005 tornou seu partido conhecido em todo o Brasil e em várias partes do mundo.

02/08/2012

às 18:21 \ Sanatório Geral

Cliente ideal

“Delúbio é o cliente ideal. Comecei a explicar para ele o que falaria em sua defesa no STF e ele disse: ‘Não quero saber. Confio em você”.

Arnaldo Malheiros, advogado de Delúbio Soares, em entrevista ao Terra Magazine, revelando que foi autorizado por Delúbio Soares a inventar o que quisesse.

02/08/2012

às 16:12 \ Sanatório Geral

Padrinho sem tempo

“Tenho mais coisas para fazer do que isso”.

Lula, ao lhe perguntarem se vai assistir ao julgamento do mensalão, explicando que, como está concentrado na escolha de candidatos a prefeito ou vereador, não tem tempo para acompanhar o Big Brother Brasil da Bandidagem, estrelado pela quadrilha que sempre apadrinhou.

02/08/2012

às 15:37 \ Direto ao Ponto

O ministro Lewandowski só leu o palavrório que Márcio Thomaz Bastos ditou

A tabelinha obscena entre Márcio Thomaz Bastos e Ricardo Lewandowski comprova que o revisor do processo do mensalão não conseguiu sequer esperar o começo do jogo para transferir-se do time de ministros para a equipe de advogados de defesa liderada pelo doutor favorito da bandidagem dolarizada. Lewandowski demorou mais de cinco anos para concluir o parecer encomendado em 2007. Levaria pelo menos dois para redigir o palavrório desta tarde se Bastos não tivesse cuidado de tudo: o ministro, como berra o texto, limitou-se a ler o que o advogado ditou.

O Supremo Tribunal Federal não vai devolver à primeira instância a maioria dos mensaleiros, como querem os parceiros unidos na luta pela absolvição dos culpados. Mas a dupla já conseguiu adiar por um dia o começo efetivo do julgamento. E Lewandowski pagou mais uma prestação da dívida contraída com Marisa Letícia ─ foi a primeira-dama quem lembrou ao maridão que uma vizinha em São Bernardo tinha um filho que era doutor e muito sabido ─ e com o então ministro Thomaz Bastos, que aprovou a indicação para a vaga no STF.

Não há data marcada para o acerto de contas entre o ministro e o país que presta. Mas a cobrança virá.

02/08/2012

às 12:37 \ Sanatório Geral

Está no DNA

“Ele foi massacrado, humilhado, teve a imagem dilacerada o tempo todo em capas de jornais e revistas”.

Zeca Dirceu, filho de José Dirceu e deputado do PT do Paraná, deixando claro que tem tanto apreço pela verdade quanto o pai.

02/08/2012

às 12:03 \ Feira Livre

‘O julgamento da História’, um artigo de Demétrio Magnoli

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA

DEMÉTRIO MAGNOLI

“O mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”, segundo a definição do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no seu memorial conclusivo, começa a ser julgado hoje pelo STF. A palavra “história” está um tanto desgastada. Quase tudo, de casamentos de celebridades a jogos de futebol, é rotineiramente declarado “histórico”. O adjetivo, contudo, deve ser acoplado ao julgamento do mensalão ─ e num duplo sentido. A Corte Suprema está julgando os perpetradores de uma tentativa de supressão da independência do Congresso Nacional e, ao mesmo tempo, dará um veredicto sobre um tipo especial de corrupção, que almeja a legitimidade pela invocação da História (com H maiúsculo).

Silvio Pereira, o “Silvinho Land Rover”, então secretário-geral do PT, tornou-se uma figura icônica do mensalão, pois, ao receber o veículo, conferiu ao episódio uma simplória inteligibilidade: corruptos geralmente obtêm acesso a “bens de prazer” e a “bens de prestígio” em troca de sua contribuição para os esquemas criminosos. No caso, porém, o ícone mais confunde do que esclarece. “Vivo há 28 anos na mesma casa em São Paulo, me hospedo no mesmo hotel simples há mais de 20 anos em Brasília, cidade onde trabalho de segunda a sexta”, disse em sua defesa José Genoino, então presidente do PT e avalista dos supostos empréstimos multimilionários tomados pelo partido.

Genoino quer, tanto por motivos judiciais quanto políticos, separar sua imagem da de Silvinho ─ e não mente quando aborda o tema da honestidade pessoal. Os arquitetos principais do núcleo partidário do mensalão não operavam um esquema tradicional de corrupção, destinado a converter recursos públicos em patrimônios privados. Eles pretendiam enraizar um sistema de poder, produzindo um consenso político de longo alcance. O episódio deveria ser descrito como um acidente necessário de percurso na trajetória de consolidação da nova elite política petista.

José Dirceu, o “chefe da quadrilha”, opera atualmente como lobista de grandes interesses empresariais, não compartilha o estilo de vida monástico de Genoino, mas também não parece ter auferido vantagens pecuniárias diretas no episódio em julgamento. O então poderoso chefe da Casa Civil comandou o esquema de aquisição em massa de parlamentares com o propósito de assegurar a navegação de Lula nas águas incertas de um Congresso sem maioria governista estável. Dirceu conduziu a perigosa aventura em nome dos interesses gerais do lulismo ─ e, imbuído de um característico sentido de missão histórica, aceitou o papel de bode expiatório inscrito na narrativa oficial da inocência do próprio presidente. Há um traço de tragédia em tudo isso: o mensalão surgiu como “necessidade” apenas porque o neófito Lula rejeitou a receita política original formulada por Dirceu, que insistira em construir extensa base governista sustentada sobre uma aliança preferencial entre PT e PMDB.

A corrupção tradicional envenena lentamente a democracia, impregnando as instituições públicas com as marcas dos interesses privados. O caráter histórico do episódio em julgamento deriva de sua natureza distinta: o mensalão perseguia a virtual eliminação do sistema de contrapesos da democracia, pelo completo emasculamento do Congresso. A apropriação privada fragmentária de recursos públicos, por mais desoladora que seja, não se compara à fabricação pecuniária de uma maioria parlamentar por meio do assalto sistemático ao dinheiro do povo. Os juízes do STF não estão julgando um caso comum, mas um estratagema golpista devotado a esvaziar de conteúdo substantivo a democracia brasileira.

No PT, “Silvinho Land Rover” será, para sempre, um “anjo caído”, mas o tesoureiro Delúbio Soares foi festivamente recebido de volta, enquanto Genoino frequenta reuniões da direção e Dirceu é aclamado quase como mártir. O contraste funciona como súmula da interpretação do partido sobre o mensalão. Ao contrário do dirigente flagrado em prática de corrupção tradicional, os demais serviam a um desígnio político maior ─ um fim utópico ao qual todos os meios se devem subordinar. São, portanto, “heróis do povo brasileiro”, expressão regularmente usada nas ovações da militância petista a Dirceu.

O PT renunciou faz tempo à utopia socialista. Na visão do “chefe da quadrilha”, predominante no seu partido, o PT é a ferramenta de uma utopia substituta: o desenvolvimento de um capitalismo nacional autônomo. Segundo tal concepção, o lulismo figuraria como retomada de um projeto deflagrado por Getúlio Vargas e interrompido por FHC. Nas condições postas pela globalização, tal projeto dependeria da mobilização massiva de recursos estatais para o financiamento de empresas brasileiras capazes de competir nos mercados internacionais. A constituição de uma nova elite política, estruturada em torno do PT, seria componente necessário na edificação do capitalismo de Estado brasileiro. Sobre o pano de fundo do projeto de resgate nacional, o mensalão não passaria de um expediente de percurso: o atalho circunstancial tomado pelas forças do progresso fustigadas numa encruzilhada crucial.

A democracia é um regime essencialmente antiutópico, pois seu alicerce filosófico se encontra no princípio do pluralismo político: a ideia de que nenhum partido tem a propriedade da verdade histórica. Na democracia as leis valem para todos – mesmo para aqueles que, imbuídos de visões, reclamam uma aliança preferencial com o futuro. O “herói do povo brasileiro” não passa, aos olhos da lei, do “chefe da quadrilha” consagrada à anulação da independência do Congresso. Ao julgar o mensalão, o STF está decidindo, no fim das contas, sobre a pretensão de uma corrente política de subordinar a lei à História – ou seja, a um projeto ideológico. Há, de fato, algo de histórico no drama que começa hoje.

02/08/2012

às 9:26 \ Sanatório Geral

Bom candidato

“Como? Mensalão? Não sei o que é isso!”

Luís Inácio Adams, mistura de prenome-homenagem com marca de chiclete que chefia a Advocacia Geral da União, revelando que é um fortíssimo candidato à próxima vaga no Supremo Tribunal Federal.

02/08/2012

às 6:08 \ Sanatório Geral

Pesadelo refilmado

“O ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercado Comum do Sul tem alguma semelhança com o dia em que este povo do Brasil elegeu como seu presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Hugo Chávez, presidente da Venezuela e bolívar-de-hospício, confessando que é o protagonista da refilmagem de um tenebroso disaster movie.

 

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