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Arquivo de 24 de julho de 2012

24/07/2012

às 21:28 \ Vídeos: Entrevista

Andrea Matarazzo: por que um ex-ministro resolveu ser vereador em São Paulo

Na primeira parte da conversa, Andrea Matarazzo ─ ex-ministro, ex-embaixador do Brasil na Itália, ex-secretário estadual e ex-coordenador das subprefeituras de São Paulo ─ conta por que decidiu ser vereador. Habituado a enfrentar entraves burocráticos, uma de suas prioridades é simplificar e modernizar a legislação. “Não é razoável uma poda de árvore levar até dois anos”, exemplifica.

No segundo bloco, Andrea Matarazzo comenta a imagem negativa da Câmara dos Vereadores e lamenta a desinformação que esconde atraentes singularidades da capital paulista: “Ninguém sabe, por exemplo, o que a Cratera de Colônia”, diz, referindo-se a uma relíquia geológica localizada em Parelheiros, no extremo-sul da cidade.

Na terceira e última parte da conversa, o entrevistado fala sobre as precariedades do sistema de locomoção urbana. Para Matarazzo, o metrô é essencial, mas o transporte por ônibus é ainda mais importante para os paulistanos e merece investimentos muito maiores.

 

24/07/2012

às 21:07 \ Sanatório Geral

Dedo em repouso

“Eu sou igual ao doutor Delúbio, nunca endureci o dedo para ninguém e não vai ser agora, às vésperas do julgamento”.

Marcos Valério, deixando claro que, se o dedo algum dia endurecer, o que não vai faltar é gente para apontar.

24/07/2012

às 19:44 \ Homem sem Visão

Dias Toffoli vence o primeiro turno e enfrenta Odair Cunha, Ana Arraes e Antonio Patriota na enquete que vai apontar o HSV de Julho

“Quero agradecer a todos os que me estimulam a participar do julgamento da AP 470″, emocionou-se o ministro Dias Toffoli ao ser informado oficialmente da vitória no primeiro turno da eleição do Homem sem Visão de Julho. Sempre chamando o mensalão pelo codinome “AP-470″ (“Usar aquela palavra é pré-julgamento”, explicou), o ex-advogado do PT, ex-assessor de José Dirceu e ex-servidor de Lula liderou a votação (com 28% do total) por não enxergar nenhum motivo para declarar-se impedido de absolver os réus companheiros.

Segundo colocado com 22% dos votos, Odair Cunha espera superar o companheiro ministro já no reinício das sessões da primeira Comissão Parlamentar de Investigação instaurada para não investigar governistas. O bom desempenho do deputado do PT mineiro é atribuído à incapacidade de enxergar do lado esquerdo. “Vou radicalizar no segundo turno”, prometeu o relator da CPI. No seu parecer, Odair Cunha pretende propor a entrega de diplomas de honra ao mérito a companheiros injustamente acusados, como Agnelo Queiroz, ou vítimas de boatos, como Sérgio Cabral.

Com uma sensacional atropelada na reta final, Ana Arraes foi homenageada pelos leitores-eleitores com um honroso terceiro lugar. “Mamãe nem teve tempo para se inscrever oficialmente”, festejou o governador Eduardo Campos. “Faço questão de cumprimentar a Comissão Organizadora por ter respeitado a vontade popular”. Por ter enxergado um exemplo de probidade numa tremenda negociata armada por dois mensaleiros, a ministra do Tribunal de Contas da União conseguiu 14% dos votos. “Com a autorização do meu filho, vou considerar regulares todas as obras irregulares do PAC”, prometeu a campeã.

Também com 14% da votação, Antonio Patriota cumprimentou-se por ter empatado com Ana Arraes. “Nem percebi que ela vinha por fora”, confessou o chanceler que enxerga uma ditadura no Paraguai, uma democracia em Cuba e um déspota esclarecido em Hugo Chávez. Ficaram fora do segundo turno Guido Mantega (11%), Raul Filho (5%) e Marconi Perillo (3%). A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) foi lembrada por descobrir só agora que o partido a que se filiou não é de direita, nem de esquerda e nem de centro. Delúbio Soares transformou-se no primeiro candidato da história do concurso que não recebeu nenhum voto.

A briga de foice no escuro chegou à enquete, leitores-eleitores! Dias Toffoli, Odair Cunha, Ana Arraes e Antonio Patriota já estão trocando socos e pontapés na luta pelo troféu! Não percam a chance de votar sem remorso em gente que ninguém merece! A votação será encerrada em 1° de agosto! Que vença o pior!

 

24/07/2012

às 18:57 \ Direto ao Ponto

Os desmentidos de Marcos Valério confirmam que Lula precisa tratar com muito carinho a caixa preta mais perigosa do país

Como revelou a edição de VEJA desta semana, o grão-mensaleiro Marcos Valério comunicou a amigos de Lula que, se não fosse tratado com o carinho que merece a mais perigosa caixa-preta do país, poderia ceder à tentação de contar detalhes de conversas que teve com o ex-presidente antes da descoberta do mensalão. Nesta segunda-feira, instado pelo portal Terra a comentar a reportagem, Valério confirmou a ameaça com duas frases grávidas de entrelinhas.

“Eu sou igual ao doutor Delúbio, nunca endureci o dedo para ninguém e não vai ser agora, às vésperas do julgamento”, começou o declarante. “Eu não tenho nenhum confidente em Brasília, principalmente lá, onde não vou há anos”, terminou. Traduzidas as frases, o que se ouve são dois desmentidos que ratificam e ampliam as informações divulgadas por VEJA.

A primeira lembra aos interessados que, como Delúbio Soares, Valério sabe muito e não contou nada, está pagando sozinho por pecados coletivos e espera que os danos morais e financeiros sejam devidamente compensados. Ao frisar que nunca endureceu o dedo, está dizendo que poderia ter feito o contrário. O indicador só enrijece se existe algo ou alguém a apontar. Não fez isso e não fará às vésperas do julgamento, sublinha. Mas nada impede que faça depois. Depende do desfecho do caso.

Ao afirmar na segunda frase que não tem confidentes em Brasília e não aparece por lá há alguns anos, Valério confirma outra informação da reportagem: os encontros com Paulo Okamotto e Luiz Eduardo Greenhalgh, que repassaram o recado a Lula, ocorreram em São Paulo. Não foi necessário reaparecer no local do crime. Antes da descoberta do esquema criminoso, ele passava mais tempo em Brasília do que em Belo Horizonte e entrava sem bater em gabinetes inacessíveis para a gente comum. Até ser reduzido a caso de polícia e descobrir como é passar a noite na cadeia.

Em setembro de 2011, nas alegações finais apresentadas ao Supremo Tribunal Federal pela defesa de Marcos Valério, o advogado Marcelo Leonardo afirmou que o elenco formado por 38 réus do processo do mensalão só ficará completo com a incorporação do protagonista ausente. Dois trechos do documento resumem a ópera:

“É um raríssimo caso de versão acusatória de crime em que o operador do intermediário aparece como a pessoa mais importante da narrativa, ficando mandantes e beneficiários em segundo plano”, escreveu o advogado. “Alguns, inclusive, de fora da imputação, embora mencionados na narrativa, como o próprio presidente LULA”.

“A classe política (…) habilidosamente deslocou o foco das investigações dos protagonistas políticos (LULA, seus ministros, dirigentes do PT etc) para o empresário (…) dando-lhe uma dimensão que não tinha e não teve”.

Letras maiúsculas são gritos gráficos. As duas vogais e a consoante reprisada do LULA amplificam as ameaças sussurradas ou apenas insinuadas pelo diretor financeiro do bando. A drenagem do pântano não foi além das margens. Os principais personagens escondem segredos há sete anos. Nenhum tem tanto a dizer quanto Marcos Valério.

24/07/2012

às 18:57 \ Sanatório Geral

Pedra no caminho

”Que mal esse homem fez ao Estado, à União, às pessoas? Ele é uma pessoa maravilhosa, que só ajuda as pessoas”.

Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, garantindo que o maridão só não foi canonizado porque o Código Penal continua em vigor.

24/07/2012

às 15:59 \ Feira Livre

‘Mensaleiros no tribunal’, um artigo de Marco Antonio Villa

PUBLICADO NO GLOBO DESTA TERÇA-FEIRA

MARCO ANTONIO VILLA

Depois de longa espera, finalmente o Supremo Tribunal Federal vai julgar o processo do Mensalão. A demora é só mais uma demonstração de quão ineficiente é o Judiciário. A lentidão é a maior característica do poder que devia ser célere, eficiente e, principalmente, justo. E não é por falta de recursos. Não. Basta observar as folhas de pagamento que, com muita dificuldade e depois de muita pressão do Conselho Nacional de Justiça, estão sendo divulgadas.

Os poderes Executivo e Legislativo estão maculados pela corrupção até a medula. Não há dia sem que apareça uma denúncia sobre o desvio de recursos públicos ou ao favorecimento de interesses privados. Os olhos do cidadão acabam, em um movimento natural, se dirigindo para o Judiciário. É um gesto de desespero e de impotência. Porém….

Não há otimismo que consiga reverter este quadro, ao menos a curto prazo. Vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana. Daí a enorme responsabilidade do STF no julgamento do Mensalão. Em 2005 fomos bombardeados por reportagens e entrevistas sobre o caso. O mais triste para os valores republicanos foram as sessões da CPMI dos Correios. Muitos depoimentos foram transmitidos ao vivo. Foi estarrecedor ouvir depoentes que tratavam de desvios de recursos públicos, de pagamento de campanhas eleitorais (como a presidencial de 2002) e da compra de apoio político no Congresso, com enorme tranquilidade, como se toda aquela podridão fizesse parte do jogo político em qualquer democracia. E quem agisse de forma distinta não passaria de um ingênuo. Em resumo, a ideia propagada pelos depoentes era de que política sempre foi assim.

Contudo, no decorrer dos trabalhos da CPMI, o clamor da opinião pública foi crescendo. A crise política se instalou. Alguns parlamentares do PT, envergonhados com a revelação do esquema de corrupção, saíram do partido. O presidente Lula foi à televisão e pediu, em rede nacional, desculpas pela ação dos dirigentes partidários. Disse desconhecer que, nas antessalas do Palácio do Planalto, tinha sido planejado o que ficou conhecido como Mensalão. Falou até que tinha sido traído. Não disse por quem e nem como.

O relatório final da CPMI pedindo o indiciamento dos responsáveis foi encaminhado à Procuradoria Geral da República. A aprovação foi comemorada. Em sinal de triunfo, o relator foi carregado pelos colegas. Para a oposição, o presidente Lula estava nas cordas, à beira de um nocaute. Caberia, disse, na época, um dos seus líderes, levá-lo sangrando até o ano seguinte para, então, vencê-lo facilmente nas urnas. Abrir um processo para apurar o crime de responsabilidade colocaria em risco o país. Estranha argumentação mas serviu para justificar a inépcia oposicionista, a falta de brio republicano e uma irresponsabilidade que só a história poderá avaliar.

Em 2007 o STF aceitou a denúncia. Foi uma sessão bizarra. Advogados se sucediam na tribuna defendendo seus clientes, enquanto os ministros bocejavam, consultavam seus computadores, conversavam, riam e ironizavam seus colegas. Dois deles ─ Ricardo Lewandovsky e Carmen Lúcia ─ chegaram a trocar mensagens especulando sobre os votos dos ministros e tratando outros por apelidos. Eros Grau foi chamado de “Cupido” e Ellen Gracie de “Professora”. O ministro Cupido, ou melhor, Eros Grau, chegou ao ponto de mandar um bilhetinho para um advogado, um velho amigo, e que estava defendendo um dos indiciados. Teve advogado que falou por tempo superior ao regimental e, claro, como não podia deixar de ser, fomos quase sufocados pelo latinório vazio, a erudição postiça, tão típica dos nossos bacharéis. Em certos momentos, a sessão lembrou um animado piquenique. Pena, que ao invés de um encontro de amigos, o recinto era da nossa Suprema Corte.

Apesar do clima descontraído, a denúncia foi aceita. E o processo se arrastou por um lustro. Deve ser registrado que, inicialmente, eram quarenta acusados e foram utilizados todos os mecanismos ─ que são legais ─ protelatórios. No final do ano passado, o ministro Joaquim Barbosa entregou ao presidente do STF o processo. De acordo com o regimento foi designado um ministro revisor. A escolha recaiu em Ricardo Lewandovski, o mesmo que, na noite da aceitação da denúncia, em 2007, foi visto e ouvido ─ principalmente ouvido ─ ao celular, em um restaurante de Brasília, falando nervosamente que a tendência dos ministros era “amaciar para José Dirceu”, um dos acusados. Mas que, continuou o advogado de São Bernardo, a pressão da mídia teria impedido o “amaciamento” (curioso é que nessas horas a linguagem é bem popular e o idioma de Virgílio é esquecido). O mesmo Lewandowski ficou seis meses com o processo. Foi uma das mais longas revisões da história. Argumentou que o processo era muito longo. Mas isto não impediu que realizasse diversas viagens pelo Brasil e para o exterior durante este período.

Depois de muita pressão ─ e foi pressão mesmo ─ , o ministro revisor entregou seu relatório. Só que, dias antes, o presidente Ayres Brito reuniu os ministros e estabeleceu o calendário do julgamento. Registre-se que Lewandovski não compareceu à reunião, demonstrando claramente sua insatisfação. O ápice das manobras de coação da Corte foram as reuniões de Lula com ministros ou prepostos de ministros. Se o Brasil fosse um país sério, o ex-presidente ─ que agora nega o que tinha declarado em 2005 sobre o Mensalão ─ teria sido processado. Mas, diria o otimista, ao menos, teremos o julgamento público do maior escândalo de corrupção da história recente.

24/07/2012

às 15:55 \ Sanatório Geral

Boa explicação

“Haddad nunca participou de um processo eleitoral, então ele não pode ter ‘recall’. Quem está aparecendo agora é quem já participou de outras eleições”.

Edinho Silva, presidente estadual do PT, sobre os resultados das pesquisas de intenção de voto, explicando que o companheiro Fernando Haddad só poderá ter ‘recall’  em julho do ano que vem, quando será lembrado pela retumbante derrota que sofrerá daqui a 70 dias.

24/07/2012

às 12:55 \ Sanatório Geral

Movimento pró-corrupção

“A Secretaria de Juventude do PT-DF convoca toda a militância para ouvir e compreender a explanação da defesa do companheiro Delúbio Soares, fazendo um debate ético e democrático, isento de manipulação midiática”.

Texto do convite para a manifestação de apoio a Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e da quadrilha do mensalão, ato público que vai oficializar o nascimento, nesta terça-feira em Brasília, do Movimento pela Impunidade dos Companheiros Corruptos.

24/07/2012

às 9:37 \ Sanatório Geral

Revolucionário de botequim (2)

“Ele tinha me chamado para pescar e, quando voltamos para a  minha casa, minha mãe disse para ele: ‘Carlos, corre para o hospital que seu filho nasceu”.

Teodorico Picinatto, amigo de José Dirceu, na entrevista ao Estadão desta segunda-feira em que contou como vivia em Cruzeiro do Oeste o revolucionário disfarçado de Carlos Eduardo Gouveia de Mello, ou “Pedro Caroço”, revelando que, no momento do nascimento do filho, o guerrilheiro de festim continuava a luta contra a ditadura enfrentando um perigoso cardume de lambaris.

24/07/2012

às 8:28 \ Feira Livre

‘O dentro sem fora’, por Ferreira Gullar

PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO DESTE DOMINGO

FERREIRA GULLAR

Se há uma pessoa fascinada pelo Universo e ao mesmo tempo grilada com ele, sou eu. Isso começou no dia em que, num curso particular, o professor me revelou a existência da Terra e do Sistema Solar. Saí da aula atordoado.

E era natural, uma vez que, até então, o mundo para mim eram as ruas de São Luís com seus sobrados e, sobretudo, o trecho em que eu morava, com as árvores da Quinta dos Medeiros, o bananal do sítio do Fiquene e, lá longe, o Matadouro e o Areal, por onde às vezes vagabundava.

E vinha agora o professor me dizer que a Terra era redonda, coberta de oceanos e que o Sol era uma estrela em torno da qual ela girava. A Terra é que gira e não o Sol? Mas eu via o Sol surgir por detrás da Camboa, passar por cima de nossa casa e ir descendo em direção ao rio Bacanga. Cansei de vê-lo ─ uma bola de fogo ─ desaparecer atrás do manguezal.

Agora, vem esse professor e me garante que é a Terra que gira em torno do Sol e que, como ele, é redonda ─  uma bola. Ou seja, nada batia com o que eu percebia. Por isso fiquei atordoado, mas, com o tempo, me habituei. Desde que o bananal continuasse lá onde sempre esteve, que eu pudesse ir tomar banho na praia do Olho d’Água e jogar bola no Campo do Ourique, pouco se me dava se a Terra fosse redonda e girasse.

Foi o que disse a mim mesmo, mas o problema estava criado. De vez em quando, olhava o Sol e imaginava a Terra girando em volta dele, com seus oceanos. E a água não derrama?! Pior: a Terra girava numa velocidade de 107 mil quilômetros por hora ─ cem vezes mais veloz que um jato ─ e, no entanto, para mim, ela estava parada! Tive que ir atrás de livros que me explicassem melhor essas coisas.

E desse modo, com as leituras e a reflexão, aprendi a distinguir entre a experiência que os sentidos nos oferecem e o conhecimento científico. O resultado foi que, em lugar da desconfiança, vieram a aceitação e o fascínio.

À medida que me informava melhor, entendia as leis cósmicas que regem o funcionamento do Universo, que foi se tornando uma realidade assustadora e deslumbrante.

Aprendi que os planetas alteram a forma do espaço em volta deles e que isso influi na propagação da luz, e soube dos buracos negros, onde tudo some, sugado por uma força inimaginável. Até a luz é engolida. Some e vai para onde? Não sei nem me informaram.

Mas estes são detalhes, pois o fundamental é responder à questão que intriga a todos: como foi que tudo começou? A resposta é conhecida com o Big Bang, ou seja, a explosão que deu origem ao universo. Bem, para mim, o Big Bang pode ter dado origem às galáxias e a tudo o mais; porém, como o nada não explode, havia antes alguma coisa que explodiu.

E não é que agora, com a notícia de que foi afinal confirmada a tal partícula bóson de Higgs ─ apelidada de “partícula de Deus” ─ minha suspeita se confirma? O que nasceu da tal explosão foi só o universo atual, ou seja, o Big Bang não é a origem de tudo. Isso se entendi bem o que significa o bóson de Higgs.

Os cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) é que detectaram essa nova partícula subatômica, a que faltava para completar o Modelo Padrão da Física.

A teoria de Higgs, formulada em 1964, previa a existência de 32 partículas fundamentais, das quais 31 já tinham sido detectadas, menos uma, o bóson, responsável, logo após o Big Bang, pelo surgimento da massa, que viria constituir tudo o que existe, das galáxias aos planetas, das estrelas ao seres vivos.

Noutras palavras, não é que antes do Universo não existisse nada: existia apenas a energia que, por alguma razão, explodiu, gerando os prótons, elétrons etc., que formam os átomos e formariam a matéria cósmica. O que possibilitou a agregação dessas partículas, criando assim a massa, foi o bóson, conforme a teoria de Higgs.

Agora, como surgiu a energia que fez surgir o bóson que fez surgir a massa que constitui o universo, ninguém sabe. Disso os cientistas não falam, e com toda a razão. Mas disso sobra-me uma certeza: por ser infinito, o universo não tem fora, só dentro. Como já dissera Parmênides (século 5º a.C.), o um é um e não é dois.

 

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