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Arquivo de 5 de julho de 2012

05/07/2012

às 22:08 \ Sanatório Geral

Escravidão voluntária

“O PT quer vassalagem. Eles só conhecem o ‘Vem a nós’. Querem destruir o PDT, como estão fazendo com o PC do B. Mas, com o PSB, não vão fazer”.

Ciro Gomes, sobre a relação entre o PT e os partidos aliados, revelando que, como foi tratado assim nos anos em que foi ministro de Lula, pode enquadrar o parceiro no artigo que pune o trabalho escravo.

05/07/2012

às 20:17 \ Sanatório Geral

Pecador enigmático

“Para me investigar ilegalmente se utilizou tecnologia de ponta. Para me punir estão sendo usados métodos medievais. Existir bode expiatório é indigno do Senado”.

Demóstenes Torres, senador sem partido, no palavrório desta terça-feira, ao denunciar a diferença do tratamento que lhe dispensaram a Polícia Federal e a Casa do Espanto, sem explicar se o bode expiatório preferiria ser investigado com o uso de métodos medievais ou punido com a utilização de tecnologia de ponta.

05/07/2012

às 18:35 \ Sanatório Geral

País do Carnaval

“Somos parceiros. Não somos subalternos, nem vassalos, nem sublegenda”.

Ciro Gomes, sobre as novas relações entre o seu PSB e o PT, começando os ensaios para desfilar no Carnaval da Sapucaí fantasiado de Princesa Isabel.

05/07/2012

às 17:59 \ Feira Livre

‘Custo Lula (2)’, por Carlos Alberto Sardenberg

PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Uma das broncas do então presidente Lula com a Vale estava no assunto siderúrgicas. A companhia brasileira deveria progredir da condição de mero fornecedor de minério de ferro para produtor de aço, tal era o desejo de Lula.

Quando lhe argumentavam que havia um problema de custo para investir no Brasil ─ e não apenas em siderúrgicas ─ o ex-presidente apelava para o patriotismo. As empresas privadas nacionais teriam a obrigação de fabricar no Brasil.

Por causa da bronca presidencial ou por erros próprios, o fato é que a Vale está envolvida em três grandes siderúrgicas ─ ou três imensos problemas ─ conforme mostra em detalhes uma reportagem de Ivo Ribeiro e Vera Saavedra Durão, no Valor de ontem. Em Marabá, no Pará, o projeto da planta Alpa está parado, à espera da construção de um porto e de uma via fluvial, obrigação dos governos federal e estadual, e que está longe de começar. No Espírito Santo, o projeto Ubu também fica no papel enquanto a Vale espera um cada vez mais improvável sócio estrangeiro. Finalmente, o projeto de Pecém, no Ceará, está quase saindo do papel, mas ao dobro do custo original.

E quer saber? Seria melhor mesmo que não saísse. Acontece que há um excesso de oferta de aço no mundo e, mais importante, os custos brasileiros de instalação das usinas e de produção são os mais altos do mundo. Não, a culpa não é só do dólar nem dos chineses. Estes fazem o aço mais barato do planeta, com seus métodos tradicionais. Mas o aço brasileiro sai mais caro do que nos EUA, Alemanha, Rússia e Turquia, conforme um estudo da consultoria Booz.

A culpa nossa é velha: carga e sistema tributário (paga-se imposto caro até durante a construção da usina, antes de faturar o primeiro centavo), burocracia infernal e custosa, inclusive na disputa judicial de questões tributárias e trabalhistas, e custo da mão de obra.

Dados do economista Alexandre Schwartsman mostram que os salários estão subindo no Brasil na faixa de 11 a 12% anuais. A produtividade, estimado 1,5%. Ou seja, aumenta o custo efetivo do trabalho, e mais ainda pela baixa qualificação da mão de obra. Jorge Gerdau Johanpeter, eterno batalhador dessas questões, mostra que a unidade de trabalho por tonelada de aço é mais cara no Brasil do que nos EUA.

Não há patriotismo que resolva. Mas uma boa ação governamental ajudaria. Reparem: todos os problemas dependem de ação política e, especialmente, da liderança do presidente da República. Trata-se de reformas tributária e trabalhista, medidas legais para arejar o ambiente de negócios, simplificar o sistema de licenças ambientais, reforma do Judiciário e por aí vai, sem contar com um impulso na educação.

Se isso não anda, é falha de governo, não do mercado. A crise global é a mesma para todo mundo, mas afeta os países diferentemente, conforme suas condições locais. O Brasil precisaria turbinar os investimentos, mas não há como fazer isso num ambiente tão desfavorável e tão custoso. O governo cai então no estímulo ao consumo e no protecionismo para barrar e/ou encarecer os produtos estrangeiros. De novo, não conseguindo reduzir o custo Brasil, aumenta o custo mundo.

A situação é ainda mais grave no lado dos investimentos públicos. Uma das obras de propaganda de Lula era a Ferrovia Norte-Sul, tocada pela estatal Valec. Pois o Tribunal de Contas da União verificou que o dormente ali saía por R$ 300, enquanto na Transnordestina, negócio privado, ficava por R$ 220.

O atual presidente da Valec, José Eduardo Castello Branco, nomeado há um ano, depois das demissões por denúncias de corrupção, conta ainda que vai comprar a tonelada de trilho por R$ 2 mil, contra o preço absurdo de R$ 3 mil da gestão anterior, que vinha lá do governo Lula.

Claro que um presidente da República não pode saber quanto custa uma tonelada de trilho, muito menos o preço de um dormente. Nem pode acompanhar as licitações. Mas o ritmo “vamo-que-vamo” imposto pelo ex-presidente, junto com o loteamento político das estatais, criou o ambiente para os malfeitos e, mais importante, porque mais caro, para os enormes equívocos na gestão dos projetos.

O diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, general Jorge Fraxe, também nomeado por Dilma para colocar ordem na casa, conta que encontrou contratos de obras no valor de R$ 15 bilhões ─ ou “15 bilhões de problemas”.

Quando o mundo vai bem, todos crescendo, ninguém repara. Quando a coisa aperta, aí se vê o quanto não foi feito ou foi feito errado.

05/07/2012

às 16:16 \ Direto ao Ponto

A foto do beija-mão ajudou a Interpol

Já não se fazem cavalheiros dessa estirpe, murmura a expressão de Dilma Rousseff enquanto contempla o homem que se inclina para beijar a mão que a dele já capturou. No rosto da mulher que se derrete com tanta gentileza, não há vestígios da rabugenta vocacional. A carranca armada ainda no berço foi provisoriamente demitida para abrir espaço a sinais emitidos por corações em descompasso.

Os olhos estão semicerrados. Os lábios se comprimem como se ensaiassem um selinho. O queixo que se projeta para acompanhar de perto o suave encontro da boca do gentleman de filme antigo com a pele de uma dama adestrada em colégio de freiras. Tanta doçura torna quase irreconhecível a mulher fotografada de frente. O homem fotografado por trás, e só do pescoço para cima, esse todos sabem quem é: Paulo Maluf, claro.

A festinha no jardim da mansão anunciou que Maluf é o mais recente amigo de infância de Lula. O beijo na mão acaba de avisar que o antigo satã do PT sente pela afilhada o mesmo afeto desinteressado que devota ao padrinho. Fernando Haddad, beneficiário da aliança pornográfica com o chefão do PP (e dono de cobiçadíssimos 95 segundos no horário eleitoral gratuito), merecia um lugar nessa foto.

Foi o candidato a prefeito que Lula escolheu quem explicou que o novo e o velho resolveram acasalar-se depois de descobrirem que são muitas e relevantes as afinidades ideológicas. “É natural que os partidos que apoiam o projeto do governo estejam comigo”, recitou Haddad. Por enquanto, Maluf nem perguntou que projeto é esse. Para fechar negócio com o PT, bastou-lhe saber o tamanho do cofre da secretaria do Ministério das Cidades que ganhou de presente.

Para azar do cavalheiresco aliado, a cena do beija-mão embutiu uma informação sempre útil a quem espreita gente procurada pela Interpol. Neste momento, cópias da foto já estão nas mãos de todos os agentes espalhados pelos 180 países prontos para extraditar para os Estados Unidos o brasileiro caçado pela Justiça americana. A polícia internacional sabe faz tempo como Maluf é de frente e de perfil. Agora também já sabe como é Maluf por trás.

05/07/2012

às 16:11 \ Sanatório Geral

O DNA não falha

“Acho que cassação de mandato tem que ser feita em votação secreta para não ser sujeita a pressões”.

Lobão Filho, senador pelo PMDB do Maranhão, único a votar contra a proposta que extingue o voto secreto para os casos de perda de mandato de deputados e senadores, informando que faz questão de absolver Demóstenes Torres e fingir que o condenou sem que ninguém descubra que se trata de um legítimo herdeiro de Edison Lobão, vulgo “Magro Velho” .

05/07/2012

às 13:37 \ Direto ao Ponto

O comentário de 1 minuto saúda o campeão

Ontem, 4 de julho, pela primeira vez o comentário de 1 minuto para o site de VEJA tratou exclusivamente de futebol. Confiram:

Também me considero vitorioso. Mas a festa é da torcida corintiana. Tomara que o meu Palmeiras, daqui a pouco, mostre a mesma competência.

05/07/2012

às 12:55 \ Sanatório Geral

Dialeto maranhense

“Essa coisa do voto aberto ou do voto secreto não conspira contra o desejo popular”.

Lobão Filho, senador pelo PMDB do Maranhão, único a votar contra a proposta que extingue o voto secreto para os casos de perda de mandato de deputados e senadores, ensinando que, no dialeto falado na capitania governada pelo presidente da Casa do Espanto, “desejo popular” quer dizer vontade da Famiglia Sarney.

05/07/2012

às 5:03 \ Sanatório Geral

Tudo explicado (965)

“Não há uma única testemunha que fale de mensalão, a não ser o ex-deputado Roberto Jefferson, cassado por mentir ao Congresso”.

José Luiz de Oliveira Lima, advogado de José Dirceu, insinuando que Silvio Land Rover Pereira propôs o cumprimento de uma pena alternativa em troca da exclusão do processo do mensalão porque foi ameaçado de morte por terroristas tucanos e submetido a sessões de tortura comandadas pessoalmente por FHC.

05/07/2012

às 2:52 \ Sanatório Geral

Doutor de ficção

“Essa denúncia do procurador-geral é a mais fantástica peça de ficção”.

José Luiz de Oliveira Lima, advogado de José Dirceu, sobre as acusações que pesam sobre os réus do mensalão, jurando que seu cliente só viu de perto uma quadrilha nas festas juninas em Passa Quatro, onde nasceu a aprendeu ainda criancinha que o PT “não róba nem dexa robá”.

 

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