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Arquivo de 2 de julho de 2012

02/07/2012

às 21:01 \ Direto ao Ponto

O caso do prefeito de Palmas confirma que não é fácil a vida de sherloque governista

Confrontado com o vídeo que mostra o prefeito de Palmas, Raul Filho, protagonizando cenas de safadeza explícita em parceria com Carlinhos Cachoeira, o relator da CPMI, Odair Cunha, incorporou a brasileiríssima figura do detetive de chanchada e entrou em ação. Em vez de enxergar um delinquente a convocar, só viu um companheiro a socorrer.

“É mais uma incursão da organização criminosa, isso precisa ser investigado pela comissão”, concedeu o deputado do PT mineiro ao topar com a performance do petista tocantinense. Investigado sem pressa: para saber se Raul Filho deve ou não ser convocado pela CMPI, Odair Cunha acha indispensável “realizar um pente fino nos contratos celebrados pela prefeitura de Palmas, para saber se o grupo do bicheiro foi beneficiado”.

É dura a vida de um sherloque governista: a cada adversário que Odair fisga na cachoeira, aparecem três ou quatro espécimes criados nos aquários do PT ou da base alugada. Ainda em combate para livrar do cadafalso os governadores Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral, e para impedir que Fernando Cavendish conte o que sabe sobre a bancada da Delta, Odair preparava-se para descansar durante o recesso de julho quando Raul Filho irrompeu no pântano.

O esforçado parlamentar deve examinar a hipótese de anunciar que só Marconi Perillo e Demóstenes Torres pecaram, jurar que Carlinhos Cachoeira e Fernando Cavendish também são coisa de FHC, dar os trabalhos por encerrados e colocar um ponto final na CMPI. Se continuar agindo assim e o Congresso sucumbir a um surto de seriedade, o relator pode acabar enquadrado como comparsa. Nesse caso, o doutor Márcio Thomaz Bastos vai ganhar outro cliente. E mais alguns milhões de reais.

02/07/2012

às 19:40 \ Homem sem Visão

Inscrito irregularmente, o hors concours Márcio Thomaz Bastos vence a enquete, mas fica fora da finalíssima de dezembro

“Gostaria de dedicar este galardão…”, começou a discursar Márcio Thomaz Bastos quando foi interrompido por um integrante da Comissão Organizadora incumbido de transmitir o recado da presidência da coluna aos participantes da festa de premiação do Homem Sem Visão de Junho. Em consequência de um suspeito descuido da CO, foi permitida a inscrição do advogado que, por ter conquistado o título de HSV de 2011, deveria ter sido promovido a hors concours em janeiro ─ e excluído das disputas mensais.

Por decisão da presidência da coluna, a Comissão Organizadora foi suspensa por duas semanas, ao fim das quais será concluído o inquérito aberto para apurar o caso. Embora autorizado a guardar o prêmio em sua sala de troféus, o vencedor da eleição de junho não participará da finalíssima de dezembro. O senhor Carlos Augusto Ramos, patrocinador da candidatura do ex-ministro, não terá de volta o dinheiro investido na campanha.

O advogado preferido da bandidagem de estimação venceu com 63% dos votos válidos, seguido por Ratinho (20%), José Dirceu (11%) e Nelson Jobim (6%). “Vou denunciar essa maracutaia na entrevista com Dilma Rousseff”, prometeu Ratinho. José Dirceu está convencido de que foi vítima de outra manobra envolvendo a elite golpista, o imperialismo americano e a mídia reacionária. “Vou mobilizar os movimentos sociais e os militantes”, esbravejou. Nelson Jobim, refugiado no seu escritório em Brasília, não fez declarações.

O rigoroso inquérito já está em andamento, leitores-eleitores! A luta de foice de julho já começou! Vários mensaleiros estão no aquecimento para entrar na campanha! Quem será o conquistador do troféu? Como sempre, que vença o pior!

 

02/07/2012

às 17:59 \ Sanatório Geral

Tendência mundial

“No mundo todo, compram-se aliados de forma diferente, oferecendo-lhe cargos e não dinheiro, como se fala na acusação”.

Arnaldo Malheiros Filho, advogado de Delúbio Soares, ensinando que a quadrilha do mensalão limitou-se a fazer o que fazem rotineiramente políticos e empresários dinamarqueses, belgas, norte-americanos, noruegueses e britânicos, além dos que agem nos países do Mercosul.

02/07/2012

às 17:17 \ Feira Livre

‘As investidas da tigrada’, editorial do Estadão

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEGUNDA-FEIRA

É a velha história. Para se vingar do governo que resiste a dar-lhes as verbas, os cargos e a “participação” nas decisões que vivem exigindo, políticos nominalmente aliados da presidente Dilma Rousseff tratam de emplacar projetos nas áreas mais diversas, cujo traço comum é inflar o gasto público. De quebra, fazem bonito para as suas clientelas em potencial ─ os interesses organizados que se beneficiarão dos gastos.

O que há de novo na presente temporada de caça ao tesouro, que beira o frenesi por ser este um ano eleitoral, é que na dianteira das sortidas está o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, do mesmo PT de Dilma. Com companheiros assim, ela não precisa de adversários que deem curso a “aventuras fiscais”, como disse, ou tenham “a soberba de achar que podemos brincar à beira do precipício” ─ a crise externa a que também o País é vulnerável.

Na própria cúpula do PT, Maia é criticado por seu “apetite de gafanhoto”, noticiou o jornal Valor. O seu grupo ambicionava uma diretoria da Petrobras, uma vice-presidência do Banco do Brasil e a presidência do fundo previdenciário da instituição, o Previ. Mas são enxames que atacam o erário. Na terça-feira, uma comissão da Câmara aprovou proposta que eleva a 10% do PIB, ao longo de dez anos, o dispêndio nacional com a educação. Atualmente é a metade disso. O impacto previsto quando a meta for alcançada é da ordem de R$ 230 bilhões por ano. O governo precisará mobilizar governadores e prefeitos para derrubar a extravagância no Senado.

No dia seguinte, o Planalto teve de despachar às pressas ao Congresso o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a sua colega de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para sustar outra brincadeira à borda do abismo, endossada por Marco Maia. Apesar de apelos em contrário, ele havia mantido na ordem do dia o projeto que reduz de 42 para 30 horas a jornada semanal de trabalho dos profissionais de enfermagem. A redução acarretaria um gasto extra de R$ 7,2 bilhões anuais. A custo, a votação acabou adiada.

Outra bomba desativada ─ temporariamente ─ foi a votação da proposta que acaba com o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias pelo INSS. A regra aumenta a permanência na ativa do trabalhador que pretenda obter o teto do benefício. O fator é um remendo, mas a sua abolição, desacompanhada de uma reforma da Previdência, engordará o déficit do sistema, ao provocar uma corrida às aposentadorias. Maia havia incluído a matéria na pauta da sessão de quarta-feira. O governo ficou de apresentar uma alternativa para ir a plenário em agosto.

As ameaças se multiplicam. As pragas poderão devastar até mesmo o arranjo institucional envolvendo as finanças dos Três Poderes. Na última semana, passou em surdina numa comissão especial da Câmara um projeto de emenda constitucional que acaba com o teto salarial no serviço público em todos os níveis da Federação. Atualmente, o teto é fixado pelo governo. Na mesma linha do “liberou geral”, a Comissão de Finanças da Casa acaba de endossar a enormidade, aprovando duas emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que subtraem poderes do Executivo, de modo a permitir o aumento de despesas sem a sua autorização.

Em um caso, Judiciário e Legislativo ficam autorizados a incluir no Orçamento da União gastos com aumentos salariais de seus membros. Os valores mencionados no texto representarão em 2013 um acréscimo de R$ 9,3 bilhões nos gastos de custeio da máquina, à revelia do Planalto. A segunda emenda à LDO cria um fundo de R$ 1 bilhão para projetos do Congresso e da Justiça sem previsão orçamentária.

Essas aberrações não estão fadadas a se consumar. A gastança sem teto, por exemplo, dependerá do apoio de 60% dos deputados e senadores em duas votações, conforme o rito regimental para a aprovação de emendas constitucionais. Mas o seu bloqueio exigirá da presidente da República mais do que exortações aos parlamentares sobre o imperativo do realismo numa conjuntura internacional adversa e duradoura. Parcelas da base aliada pouco se importam com os efeitos das “aventuras fiscais” que promovem. A ver como ─ ou se ─ Dilma conseguirá domar a tigrada.

02/07/2012

às 15:40 \ Sanatório Geral

Pânico no circo

“Ele disse para mim que tem muito o que falar, que ele quer contribuir. E pediu para falar para o Brasil que ele tem o que dizer”.

Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, espalhando o pânico na CPI batizada com o nome do marido, incluídos os delinquentes que investigam, os que já são investigados e os ainda por investigar.

02/07/2012

às 13:36 \ Sanatório Geral

Quadrilheiros desunidos

“Quem tem que responder por isso é o Delúbio”.

Luiz Fernando Pacheco, advogado de José Genoíno no processo do mensalão, ao reiterar que o presidente do PT não sabe que critérios usou o tesoureiro Delúbio Soares para distribuir o dinheiro,  confirmando a suspeita de que a quadrilha não estará tão unida no banco dos réus do Supremo Tribunal Federal.

 

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