Blogs e Colunistas

Arquivo de 7 de junho de 2012

07/06/2012

às 20:31 \ Sanatório Geral

Milagre brasileiro (245)

“Na última década, 40 milhões de brasileiros ascenderam à classe média, sem abusar de nossos recursos naturais”.

Dilma Rousseff, durante a discurseira no Dia Mundial do Meio Ambiente, informando que, graças ao padrinho Lula e à afilhada presidenta, 40 milhões de pobres foram promovidos a integrantes da classe média sem deixarem a pobreza e sem que o governo precisasse cortar uma única árvore.

07/06/2012

às 20:22 \ Feira Livre

‘O novo furo (furado) da Carta Capital’, por Flavio Morgenstern

PUBLICADO NO SITE IMPLICANTE

FLAVIO MORGENSTERN

“Amicus Plato, sed magis amica verita.”
(Amigo de Platão, mas ainda mais amigo da verdade.)
– Aristóteles, Ética a Nicômaco

A reportagem de capa da Veja dessa semana mostra que o PT distribuiu um “manual” para companheiros na CPI. É algo completamente legal, só um pouco vexatório, ainda mais para o partido que antes se arrolava o dono da ética ─ hoje já prefere advogar-se dono do país.

O braço midiático do PT não gostou de passar vergonha. Cynara Menezes, da Carta Capital, foi avisada por um seguidor no Twitter de que o “manual” continha material que estava no blog Brasil 247, aquele mistifório criado por Daniel Dantas para detonar seus adversários ─ e que acaba servindo bastante para municiar o PT. Sua conclusão veio antes de um raciocínio escorreito e passou reto por consequências que foi incapaz de calcular: para ela, seria uma prova “por A + B” de que “o jornalismo da Veja é ruim” e de que o documento é “suposto”, não sendo um “documento” sem aspas por ser “um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros”.

Se tal fosse verdade, seria fácil processar Veja por forjar um documento oficial. O documento que a revista mostra vem com o brasão da República. Seu uso é obrigatório nos papéis de expediente, nos convites e nas publicações oficiais de nível federal, de acordo com a lei 5.700/71. Não é um papel que você pega em branco com o símbolo em qualquer xerox e escreve o que quiser embaixo. Tampouco pode-se usar o símbolo em qualquer informe comunicativo só pra ficar mais supimpa: apenas entidades governamentais federais podem fazer uso do brasão. Nem mesmo paraestatais, como Banco do Brasil ou Petrobrás podem utilizar o símbolo. Há inclusive decisão no sentido de coibir entidade de despachantes que utilizava o brasão da República em seus documentos sob pena de multa diária de 10 mil reais.

Não é o tipo de informação que Cynara pesquisou antes de afirmar, de estro próprio e inconsequentemente, que era um papel “que utilizou selo da república na hora de xerocar. simplérrimo.” ─ idéia difícil de sustentar em uma realidade regida pela Constituição Federal e pelas Leis de Newton.

Em outras palavras, se a reportagem de Cynara Menezes tivesse algum pingo de veracidade, seria nitroglicerina prestes a explodir. Poderia ser o maior escândalo midiático do hemisfério. Não seria um erro como “fingir que um site financiado pelo PT é propaganda do próprio PT”. Seria um crime federal seríssimo capaz de fechar as portas da terceira revista mais lucrativa do planeta. Mas, para tristeza de Cynara, não é isso que ela tem em mãos.

O Ctrl C + Ctrl V da Carta Capital

Quando recebeu a “notícia” pelo Twitter (é este o modus operandi do “jornalismo investigativo” cartacapitalista), Cynara não pensou nem pesquisou o assunto. Apenas escreveu um texto afirmando que a concorrente “parece ter perdido toda a noção de ridículo”, emendando que os trechos que a revista publica “são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula”. Ora, estranho seria se mudasse ─ aí então seria uma prova falsa. A blogosfera progressista iniciou umahashtag entre as pessoas que querem verbas públicas para seus blogs e censura estatal na imprensa, afirmando que Veja divulgava informações antigas e consabidas ─ como o Manifesto Comunista ou o Decálogo Bíblico.

Mas não passou pela cabeça de nossa heroína que, afinal, um documento oficial que trambicou entre petistas de alto gabarito pode, muito bem, ter sido feitooriginalmente com material de sites ─ isto é, quem copiou os tais blogs foi o próprio PT, e Veja apenas teve acesso ao documento que os petistas montaram (por que isso não aventou nem como hipótese pela caçuleta de nossa protagonista?). Ademais, se é para usar informações falsas, mas com aparência de complicadoras para chantagear membros da oposição, quem com um QI maior do que 68 iria pensar em escavucaroutro lugar, que não os blogs dos amigos do presidente Lula e da companheirada muy amiga da Carta Capital? Talvez tenha até rolado um ciuminho por nenhuma reportagem da própria Carta Capital ser arrolada no documento. O caso, então, é que simplesmente descobriu-se (ou alguém soprou a resposta) qual a origem do documento apresentado por Veja, jogando ao vento uma afirmação genérica e mentirosa de que a Veja apresentou um “suposto ‘documento’”.

Quatro dos cinco parágrafos do texto de Cynara são “provas” da verdadeira origem oculta, misteriosa, obscura, arcana e danbrowniana do documento. Todos eles citações de sites terminados com “CLIQUE AQUI”. Uma forma bem curiosa de “jornalismo” pra quem reclama dos concorrentes fazerem tudo na base do Ctrl C + Ctrl V… para piorar a sua bricolagem, coloca links sem aviso para conteúdo restrito. É uma forma fácil de diferenciar um jornalista de um blogueiro que, por acaso, escreve para uma revista.

Todavia, o busílis deixou a tese cartacapitalista numa estúpida sinuca de bico. A partir deste momento, temos duas hipóteses mutuamente excludentes à vista.

Primeira hipótese: o “documento” é falso e o jornalismo da Veja é ruim: o que, na prática, significa afirmar que Veja forjou um documento que não existia. Na verdade, a revista da Abril estaria tentando manchar a imagem ilibada de petistas, pois seu jornalismo “copiou sites” como o Brasil 247 (que acusou a revista de… “plágio”). Segundo essa hipótese doidivanas, Cynara acabou de descobrir o maior trambique jornalístico do Brasil e um dos maiores do mundo. Resta apenas processar a revista e se tornar um ícone mundial, o que Cynara não parece ter muita coragem de fazer ─ fora auferir um lucrinho mocorongo diante de seus pares fanáticos ─ porque há certos paradoxos a serem desatados.

Segunda hipótese: o documento é verdadeiro, porém não é um documento, só para se poder falar mal da Veja: por essa hipótese, a reportagem de Cynara deu um belo tiro no pé (exatamente como a reportagem de capa de Veja demonstra, diga-se). O documento que circulou entre petistas é que foi copiado de blogs e sites, portanto deve-se reclamar com a falta de criatividade do PT, e parabenizar VEJA pelo jornalismo correto e que “não muda uma vírgula” do que vê (na verdade, é uma foto de um documento, e não uma transliteração).

Há ainda uma complicação, que aparentemente Cynara não percebeu ao tecer suas algaravias: ao descobrir a fonte do documento (que é incapaz de provar que inexiste, a não ser colocando aspas entre a palavra, como uma criança fechando os olhos para fazer sumir o que vê diante de si), acabou provando… a existência do documento (então, qual o motivo da choradeira com o semanário da Abril?). Tudo o que conseguiu fazer foi impugnar o conteúdo, que pode ter sido copiado de qualquer lugar. Já o meio Cynara não desdiz. Na prática, ficou pior a emenda: além de confirmar que o PT fez o que a Veja afirma, ela ainda por cima revela que eles plagiaram o comunicado todo. Ao tentar acusar a Veja (ao invés de acusar o montador do documento) de Ctrl C + Ctrl V, não percebe que seu “jornalismo investigativo” se prova apenas um Ctrl F. Mas vá explicar isso pra quem quer acreditar em estatismo a qualquer custo…

É bem provável que Cynara não tenha calculado todas essas conseqüências de sua, digamos, “reportagem” ─  muito menos o quanto demonstrou estar muito além das raias do ridículo. Assim, foi baixando a bola no decorrer do dia, trocando uma tentativa de vender a primeira hipótese por um remendo na segunda. Surgiu uma idéia band-aid de emergência: não era bem um documento (mesmo com brasão da República), era um…clipping (sic). Há de se admitir que não foi a pior desculpa do dia, já que o senador Cristovam Buarque, após divulgar site erótico pelo Twitter por engano, afirmou: ”Devo ter digitado algum número errado. Vou consertar agora mesmo”… medalha de prata para Cynara.

07/06/2012

às 18:33 \ Sanatório Geral

Família é tudo

“Bens para mim são meus filhos. Sou pai de 11 filhos. Não tenho nada em meu nome”.

Walter Paulo Santiago, empresário e dono de uma faculdade em Goiânia, durante o depoimento na CPI do Cachoeira, insinuando que comprou a mansão do governador Marconi Perillo, pagando em dinheiro vivo, depois de vender dois tios, três primos, uma cunhada e cinco sobrinhos.

07/06/2012

às 15:33 \ Sanatório Geral

Três por cento (2)

“Há um tempo para falar e um tempo para silenciar. Agora não é hora de falar. Estou tranquila”.

Marta Suplicy, senadora pelo PT de São Paulo, com cara de quem pretende falar da candidatura de Fernando “Três por Cento” Haddad depois da derrota do companheiro na eleição de outubro.

07/06/2012

às 12:47 \ Sanatório Geral

Memória seletiva

“Em 2008, Paes era um cidadão que eu pouco conhecia. Por não conhecer, eu tinha dúvida em apoiá-lo. Mas fui convencido pelo Sérgio Cabral. Não me arrependo de ter pedido voto e farei isso de novo em 2012 com muito mais convicção”

Lula, durante o comício desta quarta-feira no Rio de Janeiro, sobre o prefeito carioca Eduardo Paes, fingindo que não conhecia o deputado tucano Eduardo Paes, que em 2005, como integrante da CPI dos Correios, acusou o então presidente de chefiar a quadrilha do mensalão.

07/06/2012

às 9:43 \ Sanatório Geral

Três por cento

“Eu duvido que alguém tenha saudade dos tempos de Fernando Henrique Cardoso”.

Fernando Haddad, ao recitar o que o chefe mandou dizer sobre FHC, garantindo que os brasileiros só têm saudade do padrinho Lula e dos ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor, cabos eleitorais do candidato a prefeito de São Paulo que o dono do PT escolheu.

07/06/2012

às 6:38 \ Sanatório Geral

Passarinho esperto

“Um passarinho me contou agora que o deputado Amauri do PT cumpriu tarefa do PT em acordo com o PSDB. Querem desviar o foco da corrupção da Delta”.

Protógenes Queiroz  (PCdoB-SP), no Twitter, sobre o parecer favorável à sua inclusão entre os investigados, argumentando que a CPI do Cachoeira deve concentrar-se exclusivamente na turma da Delta em vez de perder tempo com um ex-delegado ligado a comparsas de Carlinhos Cachoeira.

07/06/2012

às 2:17 \ Sanatório Geral

Assédio telefônico

“Tenho que ficar quieta, por favor, me preservem”.

Marta Suplicy, senadora pelo PT de São Paulo, pedindo a Lula, Fernando Haddad, Eduardo Suplicy e demais companheiros que parem de abarrotar a caixa postal do seu celular com apelos para que participe da campanha eleitoral do candidato a prefeito que o Chefe Supremo escolheu.

07/06/2012

às 0:17 \ Direto ao Ponto

Inquieta com a crise, Dilma culpa essa gente que transforma marolinha em tsunami e antecipa o julgamento dos mensaleiros

“Quem aposta na crise, como alguns apostaram há quatro anos atrás (sic), vai perder de novo”, esbravejou Dilma Rousseff na segunda-feira, ressuscitando o misterioso inimigo interno denunciado por Lula do primeiro ao último dia de governo. Como o tsunami teima em ignorar a ordem do governo para virar marolinha, a afilhada resolveu botar a culpa na mesma assombração que atazanava o padrinho em dezembro de 2008. “Tem gente que vai deitar rezando: ‘Tomara que essa crise pegue o Brasil pra esse Lula se lascar’”, indignou-se no comício de todo santo dia o maior dos governantes desde Tomé de Souza.

Em outro post irretocável, meu amigo e vizinho Reinaldo Azevedo fez a recomendação avalizada por qualquer brasileiro sensato: “A presidente poderia renunciar a esta péssima herança deixada por Lula: atribuir dificuldades objetivas enfrentadas pelo governo a uma espécie de urucubaca ou de macumba feita pelos ‘inimigos’”, escreveu Reinaldo. “Quem são ‘eles’, soberana? Quem, afinal, ‘aposta na crise’ ou, sei lá, torce contra o Brasil?’” Quem faz parte do que Lula continua chamando de “essa gente”?, acrescento.

Fora Lula e Dilma, ninguém sabe. O que se pode inferir da discurseira da dupla é que se trata de uma gente muito rancorosa. Desde o dia da posse, repetiu Lula durante oito anos, essa gente sonhou com o fracasso do migrante nordestino que ocultava o estadista incomparável (e o futuro doutor honoris causa). Essa gente ficou especialmente assanhada a partir de 2007, quando passou a torcer para que a crise nascida e criada em território ianque engolisse o torneiro-mecânico enviado pela Divina Providência para inventar o Brasil Maravilha.

Tudo bem que essa gente exibisse olheiras de galã de cabaré por sonhar acordada com o fiasco daquele que se mostrou mais esperto que Getúlio Vargas, mais sedutor que JK, melhor que todos os antecessores desde a chegada das caravelas, incluídos três governadores-gerais, um príncipe regente e dois imperadores. O intolerável é descobrir que essa gente transferiu para a criatura o ódio ao criador e agora torce para que a crise afogue Dilma Rousseff. Isso é coisa de traidor da pátria, inimigo da nação, quinta-coluna de quinta categoria.

Quem topa até morrer afogado desde que o timoneiro também afunde com o barco não merece o anonimato concedido por Lula e endossado por Dilma. Quem é essa gente?, querem saber milhões de brasileiros. Só os detentores do segredo sabem o nome completo, a data e o local do nascimento, além do estado civil de cada um dos sócios desse abominável clube do contra.

Essa gente certamente não inclui os banqueiros, todos felizes com os lucros obtidos ou por obter. Tampouco os industriais, principalmente os que lucram no setor automobilístico, cada vez mais animados com o pronto-socorro financeiro que o Planalto mantém aberto 365 dias por ano. Muito menos os comerciantes, eufóricos com os sucessivos pedidos do governo para que a freguesia gaste o que não tem. Também estão fora de suspeita os agricultores, que logo estarão exportando alimentos para o planeta inteiro.

Os miseráveis ainda à espera de vaga nas divisões superiores só precisam ter paciência. Os pobres promovidos a integrantes da nova classe média acham que, se melhorar, estraga. A velha classe média nem quer ouvir falar em crise: morre de medo do desemprego, da inflação, da erosão do poder de compra, sobretudo da suspensão das viagens anuais a Buenos Aires. Os reacionários golpistas e os grã-finos paulistas estão muito preocupados em salvar o que têm para perder tempo em conspirações.

Sobram os eternos pessimistas que ainda dão as caras nas pesquisas de opinião. É preciso saber quem são esses 3% ou 45% de maus brasileiros. Parece pouca gente, mas seu poder é muito. Com a indispensável contribuição de governantes ineptos, falastrões, atarantados e tão arrogantes quanto medíocres, essa gente consegue até transformar marolinha em tsunami. E acaba de conseguir a antecipação do pesadelo que Lula tentou empurrar para 2013: o julgamento do mensalão vai começar em 1° de agosto.

Os donos do poder farão a travessia da temporada eleitoral lidando simultaneamente com a crise econômica, o BBB dos mensaleiros e a CPI do Cachoeira e da Delta. O cenário inquietante atesta que Lula e Dilma têm razão: essa gente é um perigo.

 

 

 

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