Blogs e Colunistas

Arquivo de 17 de abril de 2012

17/04/2012

às 23:33 \ Sanatório Geral

Traseiro traumatizado

“Houve um incidente com um funcionário da Fifa, mas considero que esse episódio está encerrado”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, identificando como “funcionário” o secretário-geral da Fifa, Jérôme Walcke, para fingir que nem lembra o nome de quem desferiu aquele inesquecível pontapé e que a dor no traseiro já passou.

17/04/2012

às 23:19 \ Direto ao Ponto

Se o mensalão foi uma farsa, por que Lula e Dilma não reconduziram ao ministério o acusado de comandar a quadrilha?

Se o mensalão foi uma farsa, como ensina o Grande Pastor e repete o rebanho, então também não existiu nenhuma quadrilha. Se não existiu quadrilha, então também não houve chefe de quadrilha. Se não houve chefe de quadrilha, então não existiram motivos para que José Dirceu atendesse prontamente à ordem de Roberto Jefferson ─ “Sai daí rápido, Zé!” ─ e caísse fora da Casa Civil. Se o pai de todos os escândalos não passou de invencionice da oposição e da imprensa golpista, então a Procuradoria Geral da República embarcou num embuste. Se tratam como caso sério o que é só uma farsa, então os ministros do Supremo Tribunal Federal são farsantes também.

Encadeadas, tais deduções berram que Lula e seus devotos nunca tiveram motivos para  condicionar ao desfecho do processo dos mensaleiros a reparação devida ao mais injustiçado dos companheiros. Essa constatação convida a duas perguntas. Por que Lula, que jura ter enxergado a pérfida trama dos inimigos ainda em 2005, não reconduziu Dirceu ao ministério? E por que Dilma Rousseff teima em manter o camarada de armas longe do grupo de “articuladores políticos” que aceita até um Gilberto Carvalho ou uma Ideli Salvatti? Uma só resposta liquida a dupla interrogação: porque nem os chefes supremos acreditam na versão que apaga da história a ladroagem colossal.

Os fabricantes da teoria da farsa sabem que os farsantes são eles.

17/04/2012

às 21:39 \ Sanatório Geral

Critérios técnicos (3)

“Eu não me interesso por arraia-miúda”.

Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, durante uma reunião com diretores da empresa em 2009, gravada por um ex-sócio, explicando por que não paga propinas também aos porteiros e ascensoristas dos prédios onde consegue contratos com gente graúda.

17/04/2012

às 20:44 \ Direto ao Ponto

Rui Falcão, Ideli, Mercadante, Dutra, Demóstenes e Protógenes lutam na enquete pelo título de Homem sem Visão de Abril

Confira os resultados do 1° turno na seção Homem sem Visão e exerça na enquete o direito de votar sem remorso em candidatos que ninguém merece. Que vença o pior!

17/04/2012

às 20:33 \ Homem sem Visão

Rui Falcão vence 1° turno e disputa na enquete o troféu de abril com Mercadante, Ideli, Dutra, Demóstenes e Protógenes

Rui Falcão, entre Dirceu e Agnelo, acompanha a apuração do primeiro turno

“Dedico esta vitória a todos os companheiros mensaleiros vítimas de uma armação da do Cachoeira, do Demóstenes e da imprensa golpista”, piscou 78 vezes Rui Falcão durante a frase de abertura do discurso que comemorou a vitória no primeiro turno da eleição do HSV de Abril. Estreante no concurso, o presidente do PT teve um desempenho de impressionar veteranos campeões: com 61% do total de votos, conseguiu o dobro do índice da segunda colocada, Ideli Salvatti. “O chefe tem uma carta na manga para fazer bonito na enquete”, confidenciou um dos 321 assessores do candidato vitorioso. “Ele vai revelar que o sigilo bancário do caseiro Francenildo foi estuprado por  Carlinhos Cachoeira, a mando do Demóstenes Torres”.

A mais animada no local da apuração era a vice Ideli (16%), que vai festejar a performance com um passeio de lanche no Lago Paranoá. Na reta final, o berreiro à procura de uma ideia contará com o apoio de Altemir Gregolin, ex-ministro da Pesca e pai da ideia de comprar a frota de lanchas. Com 2% do total, o companheiro catarinense protagonizou um fiasco superado apenas pelo naufrágio do senador Cyro Miranda,primeiro candidato da história do HSV a não obter um único voto.

Disputadas a socos, pontapés, dedo no olho e puxões de cabelo, as vagas restantes contemplaram campeões que prometem acirrar a briga de foice no segundo turno. O terceiro colocado foi Aloízio Mercadante (13,5%), seguido por José Eduardo Dutra (12%), Demóstenes Torres (10%) e Protógenes Queiroz (10%). Além de Gregolin e Miranda, ficaram de fora Agnelo Queiroz (5%) e Roberto Requião (2%).

Já começou a votação na enquete, leitores-eleitores! Atenda ao chamamento da pátria! Cumpra o dever cívico de votar sem remorso em candidatos que ninguém merece! Que vença o pior!

17/04/2012

às 20:04 \ Direto ao Ponto

A cachoeira deságua num delta que ameaça transformar Cabral em flagelado político

Por que o governador Sérgio Cabral anda tão inquieto com a instauração da CPI do Cachoeira? Por saber que a cachoeira deságua num delta que pode inundar o Palácio Guanabara e transformar em flagelados políticos os donos do poder no Rio de Janeiro. Mais detalhes no post de agosto de 2011 reproduzido na seção Vale Reprise.

17/04/2012

às 17:39 \ Feira Livre

‘A verdadeira operação abafa’, editorial publicado no Estadão

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA TERÇA-FEIRA

A tática dos lulopetistas de acusar os adversários políticos de praticar as malfeitorias que eles próprios cometem é sobejamente conhecida, mas chega a ser desconcertante o caradurismo da operação abafa que suas lideranças estão tentando instaurar diante da iminência do julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Temerosa de que a Suprema Corte venha a confirmar a existência do maior escândalo de corrupção da história da República, a cúpula petista tenta por todos os meios ─ inclusive a pressão sobre os ministros do STF ─ desqualificar as acusações que pesam sobre os 38 réus do processo e, por meio das mais deslavadas chicanas, provocar a postergação do julgamento para 2013. Com isso estariam os petistas, no mínimo, se poupando de maior desgaste político em ano eleitoral e permitindo a prescrição de muitas das denúncias.

A operação abafa lulopetista se desenvolve em dois planos: o político, com a tentativa de desqualificar perante a opinião pública as acusações que pesam sobre os mensaleiros, sob o argumento cínico de que eles fizeram o que “todo mundo faz”; e o jurídico, técnico, no qual procuram demonstrar tanto a existência de vícios processuais que precisam ser corrigidos quanto a inexistência de provas suficientes contra réus como o notório José Dirceu.

Para demonstrar o que todo mundo sabe ─ que corruptos existem em todo canto ─ os petistas assumiram até mesmo o risco de apoiar a CPI do Cachoeira, que está sendo constituída para investigar o envolvimento do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com governantes e políticos. Pretendem, é claro, atingir o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, e fazer barulho em torno do envolvimento do senador oposicionista Demóstenes Torres com os negócios do bicheiro. E não se pejam de alegar que os principais veículos de comunicação do País estão envolvidos ─ ora vejam ─ numa operação abafa destinada a acobertar os malfeitos do desmoralizado senador goiano.

A direção do partido foi muito longe, muito depressa. Tanto que a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, queixou-se da precipitação e dos termos da nota oficial do PT e chegou a pedir a Lula que não jogue mais lenha na fogueira. Como se sabe, Lula não vê a hora de destruir politicamente o seu desafeto Marconi Perillo. Dilma, no entanto, se preocupa com os respingos de lama que a CPI certamente jogará no governo que preside.

Os petistas apressados tentam confundir delitos diferentes cometidos por gente da mesma espécie. O caso Demóstenes é uma coisa ─ e os culpados precisam ser punidos -, enquanto o mensalão é outra coisa ─ e os culpados precisam ser igualmente punidos. Os dois casos têm origem na mesma cultura que leva à apropriação indébita dos bens públicos e à desmoralização das instituições. Mas são delitos que precisam ser examinados e julgados, cada um a seu turno.

No que diz respeito ao STF, os petistas confiam, sempre movidos por seu enraizado sentimento de patota, no fato de que a maioria dos atuais ministros foi nomeada por Lula e Dilma. É uma expectativa que não honra a tradição de absoluta isenção partidária com que os juízes da Suprema Corte historicamente se comportam no desempenho de suas altas responsabilidades. Mas, a julgar pelo que circula na área do partido do governo, o próprio Lula estaria empenhado em fazer pressão sobre os ministros, já que é o maior interessado em evitar que a existência do maior escândalo de corrupção de seu governo seja confirmada pela Suprema Corte.

De qualquer modo, se já não bastassem os reiterados exemplos de rigor lógico e técnico em seus julgamentos ─ como destacamos recentemente em editorial sobre a decisão de que não constitui crime o aborto de fetos anencéfalos -, tudo indica que o STF está convencido de que é mais do que chegada a hora de se pronunciar sobre o escândalo do mensalão, conforme revelou o ministro Carlos Ayres Britto, que na próxima quinta-feira assume a presidência do STF. “É preciso julgar com brevidade, porque há o risco de prescrição”, disse ele. Para tanto, o processo precisa ser julgado até o dia 6 de julho, para evitar que a decisão final da Corte só venha a ser proferida no próximo ano.

17/04/2012

às 17:39 \ Sanatório Geral

Ah, bom! (335)

“O áudio não representa o que a Delta e seus controladores pensam”.

Fernando Cavendish, disfarçado de “nota de esclarecimento da Delta Construções”, sobre a reunião em que contou o que faz para conseguir contratos com ou sem licitação, explicando que diz o que não pensa e que não acredita no que diz.

17/04/2012

às 17:36 \ Feira Livre

‘A denúncia revisitada’, por Dora Kramer

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA TERÇA-FEIRA

Antonio Fernando de Souza, ex-procurador-geral da República

DORA KRAMER

A ideia de Lula e companhia de convencer a sociedade em geral e o Supremo Tribunal Federal em particular de que as ocorrências registradas sob a rubrica “mensalão” não passaram de uma urdidura da oposição mancomunada com a imprensa municiada de informações por bandidos sofre de um erro de origem.

Para se concordar com a tese é preciso aceitar por consequência que a Procuradoria-Geral da República que ofereceu a denúncia em 2006 e o Supremo Tribunal Federal que no ano seguinte houve por bem transformá-la em processo, são cúmplices de uma farsa e, portanto, farsantes.

Antes de se cometer uma leviandade dessa dimensão conviria aos interessados fazer a leitura, senão das 136 páginas ao menos das 12 primeiras nas quais o então procurador-geral Antonio Fernando de Souza resume o que as investigações o levaram a concluir.

O procurador começa descrevendo a cena deflagradora do escândalo: um diretor dos Correios (Maurício Marinho), gravado em vídeo em conversas “para ilicitamente beneficiar um suposto empresário interessado em negociar com os Correios, mediante contratações espúrias, das quais resultariam vantagens econômicas tanto para o corruptor, quanto para o grupo de servidores e dirigentes da ECT que Marinho dizia representar”.

Prossegue o procurador relatando como o então presidente do PTB e deputado, Roberto Jefferson ─ “acuado, pois o esquema de corrupção e desvio de dinheiro estava focado num primeiro momento em dirigentes dos Correios indicados pelo PTB” ─ forneceu os detalhes iniciais, “esclarecendo que parlamentares que compunham a base aliada recebiam, periodicamente, recursos do Partido dos Trabalhadores em razão do seu apoio ao governo federal, constituindo-se o que se denominou como mensalão”.

A atuação, segundo consta da denúncia, ocorria de duas formas: o loteamento político dos cargos públicos, o que Roberto Jefferson denominou “fábricas de dinheiro”, e a distribuição de uma “mesada” entre os parlamentares.

“Relevante destacar, conforme será demonstrado nesta peça, que as imputações feitas pelo ex-deputado Roberto Jefferson ficaram comprovadas”, aponta Antonio Fernando de Souza.

Segundo ele, o cruzamento de dados bancários e a quebra de sigilos “possibilitaram a verificação de repasses de verbas a todos os beneficiários” relacionados no inquérito. “Na realidade, as apurações foram além, evidenciando engendrados esquemas de evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro”.

No trecho mais conhecido, no qual se destaca a expressão “sofisticada organização criminosa”, o procurador ─ baseado no “conjunto probatório do presente inquérito” ─ traça o retrato da “estrutura profissional montada para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta além das mais diversas formas de fraude”.

Cita nominalmente José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e Silvio Pereira (já excluído do processo) como responsáveis, na condição de “dirigentes máximos do partido”, por desvios cujos objetivos eram “negociar apoio político, pagar dívidas pretéritas do partido e também custear os gatos de campanha e outras despesas do PT e dos seus aliados”.

Tudo isso para “garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores”.

Os detalhes de como foi feito isso, a descrição minuciosa de ações, dos mecanismos utilizados por intermédio do dito publicitário Marcos Valério para atender à “demanda criminosa”, o conluio com bancos privados, com dirigentes de empresas estatais estão expostos nas 136 páginas da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República.

Peça aceita pelo STF não como fator de condenação, mas como conjunto de indícios suficientemente robustos para a abertura do processo.

No julgamento os ministros do STF podem até concluir pela falta de provas bastantes contra os réus. Pode inocentá-los ou deixá-los impunes por força de prescrição de penas. Mas de burla com toda certeza não se pode qualificar a narrativa em tela.

17/04/2012

às 14:43 \ Sanatório Geral

Critérios técnicos (2)

“Ó! Nem precisa tanto dinheiro não. Eu sou muito competente nisso. Senador fulano de tal, se me convidar, eu boto o dinheiro na tua mão”.

Fernando Cavendish, dono da Delta, durante uma conversa com diretores da empresa em 2009, gravada por um ex-sócio, explicando o que deve fazer um dono de empreiteira para construir 11 em cada 10 obras encomendadas pelo governo do Rio.

 

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