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Arquivo de 2 de abril de 2012

02/04/2012

às 22:58 \ Direto ao Ponto

A renúncia do presidente húngaro, os doutores malandros e a grande tabelinha entre Celso Arnaldo e Deonísio da Silva

A aula-relâmpago de Deonísio da Silva sobre a renúncia do presidente húngaro e os doutores malandros foi enriquecida com um comentário do jornalista Celso Arnaldo Araújo que merece reprodução neste espaço. Acompanhem a tabelinha entre os dois craques. (AN)

Deonísio, meu caro

Lembrança irrepreensível, na forma e na oportunidade, como sempre. Com que então um magiar que nunca tínhamos visto mais gordo ou menos douto, dá uma lição de Ph.D (o D aqui não de Doctor, mas de Decência) em gente nossa que só bota banca de doutor?

O plágio do presidente húngaro ocorreu há 20 anos e, convenhamos, não é grave o suficiente para induzir suicídio, nem na época nem tão tardiamente — mesmo porque, sabe sobre o que versava a tese? A história dos Jogos Olímpicos. No entanto, o presidente Pál Schmitt (nome estranho para um húngaro, não?) preferiu a renúncia a assistir, segundo ele, à divisão do país.

Sim, o país estava eticamente dividido ─ por causa de uma tese de doutorado sobre os Jogos Olímpicos defendida há 20 anos por um homem que, numa carreira aparentemente lisa e reta, chegou a presidente há dois anos e que, também ao que parece, exercia suas funções (menores, num regime parlamentarista como o húngaro) com razoável dignidade.

Aqui, a vergonhosa defesa de tese do atual ministro da Educação não deixou ninguém vermelho – os examinadores não renunciaram nem ao almoço daquele dia depois de referendar, com louvor, a tese encomiástica de Mercadante. Foi, digamos assim, uma tesinha — sem o menor tesão acadêmico. Uma jogada pra torcida — no caso, a banca amestrada — que valeu o título. A rigor, não foi uma defesa de tese, mas uma tese de defesa do governo Lula, por um de seus áulicos.

Tudo bem. Aloízio Mercadante hoje é, de fato e de direito, Professor Doutor. Nada há a fazer. Se plagiou, plagiou a mediocridade de si mesmo. Mas o sacrifício do presidente húngaro, caro Deonísio, me obriga a revolver o caso do falso doutorado da presidente Dilma.

Lembra você? O título constava de seu currículo oficial e, numa entrevista que deu ao Roda Viva ainda candidata, ouviu o apresentador desfilar seus atributos acadêmicos e ela nem piscou ao saber-se detentora de “doutorado em Economia pela Unicamp”.

Mais tarde, descobriram que o doutorado curricular de Dilma só existia no mundo do trem-bala. E tudo ficou por isso mesmo. Mas, a meu ver, o caso dela é mais grave que o do imolado Pál que, bem ou mal, escreveu fisicamente uma tese e compareceu à presença de uma banca. Talvez não tivesse percebido o alcance de seu plágio. Talvez estivesse com pressa de terminar o trabalho. Há vários “talvez” nessa história de 20 anos atrás.

Pois Dilma, é certo, não defendeu tese alguma — de sua lavra ou de outrem. Simplesmente inventou-a, ou permitiu que a inventassem, bem como seu efeito prático, o doutorado, que ganhou vida numa única folha de papel. Isso não soa familiar? Coisas desse governo que só existem no papel ofício? Conhece alguma?

O fato é: a presidente Dilma só não é doutora hoje porque descobriram que ela não é doutora. Simples assim.

Mas confesso, Deonísio: no fundo eu gostaria que Dilma tivesse concluído seus estudos e defendido o título que nunca defendeu e nunca teve. E como eu gostaria de fazer parte da banca examinadora! Seria um momento histórico: examinar uma economista, no momento de almejar o mais alto grau da hierarquia acadêmica, que expressa muita dificuldade em defender a tese de uma única ideia.

Há, inclusive entre os colaboradores desta coluna, confrontados diariamente com o dilmês, quem duvide de seu próprio diploma universitário em língua portuguesa – e reivindique sindicâncias a respeito. Não chego a tanto. Conheço, e você também, médicos, engenheiros, jornalistas e até professores que não sabem escrever um recado de duas linhas.

Se bem que, presidente, é a primeira…

Abraço

Celso Arnaldo

02/04/2012

às 21:00 \ Sanatório Geral

Queixa justa

“É gritante a disparidade de tratamento e apuração de escândalos por parte da imprensa e das autoridades responsáveis pelas investigações quando se trata de governos e políticos da oposição. Este é um vício perigoso e que deve ser combatido, na busca de um tratamento isonômico dos escândalos”.

José Dirceu, guerrilheiro de festim e chefe da quadrilha do mensalão, convencido de que a mídia golpista anda dando tanto espaço a Demóstenes Torres para esconder as proezas aquáticas da frota de lanchas de Ideli Salvatti e seus pescadores de propinas.

02/04/2012

às 19:00 \ Sanatório Geral, Sem categoria

Boa pergunta

“O que faz um papa?”

Fidel Castro, na conversa com o Papa Bento XVI, que perdeu a chance de perguntar o que faz um ditador-de-Adidas.

02/04/2012

às 17:52 \ Direto ao Ponto

Releia o artigo que prenunciou o silêncio do senador que traiu o Brasil decente

A coluna publicou há apenas 21 dias o primeiro post sobre as relações promíscuas entre o senador Demóstenes Torres e o bandido Carlinhos Cachoeira. Por ter prenunciado o silêncio do parlamentar que decepcionou o Brasil decente, o texto merece ser reproduzido na seção Vale Reprise. Confira.

02/04/2012

às 17:50 \ Direto ao Ponto

A aula-relâmpago de Deonísio da Silva

Como sempre, Deonísio da Silva foi direto ao ponto. Confiram mais uma aula-relâmpago do grande escritor:

O presidente da Hungria acaba de renunciar porque falsificou sua tese de doutoramento, embutindo nela mais de uma centena de páginas de um pensador búlgaro que escrevera em francês. Lula jamais correu esse risco porque nunca escreveu nada, sequer um bilhete. Mas o ministro da Educação, Aloízio Mercadante, como defendeu sua tese? Constituindo uma banca de funcionários a ele subordinados para aprovar um texto mal ajambrado a que chamou de tese! E alguns deles em seguida foram promovidos. Por ele, pelo recém-doutor! FHC tem razão: sempre existiu corrupção no Brasil, mas os rumos que ela tomou ultimamente deixam-nos todos apreensivos.

Voltei. Mário de Andrade anda mais atual do que nunca: pouca saúde e muita saúva (no poder), os males do Brasil são. (AN)

 

02/04/2012

às 16:54 \ Sanatório Geral, Sem categoria

Pesadelo demográfico

“Os bons homens já morreram”.

Pedro Simon, senador do PMDB gaúcho, nas páginas amarelas de VEJA, dispensando-se de acrescentar que os ruins e os péssimos vivem cada vez mais e melhor.

02/04/2012

às 16:48 \ Direto ao Ponto

Falta saúde. E as saúvas estão no poder

“Só quando se puserem na cadeia os poderosos que tenham sido condenados por crimes de colarinho branco, o temor, não da vergonha, mas do cárcere coibirá os abusos”, ensina o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no artigo reproduzido na seção Feira Livre. É isso. Sobram corruptos e falta gaiola. O resto é conversa fiada.

Mário de Andrade valeu-se de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, para resumir em quatro palavras os males do país em que viveu o grande escritor: pouca saúde e muita saúva. Fora do Sírio-Libanês e de outros hospitais cinco estrelas, a saúde continua em falta. E as saúvas estão no poder.

02/04/2012

às 16:28 \ Feira Livre

‘Jaz insepulto’, por Ricardo Noblat

PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

RICARDO NOBLAT

A essa altura, quem são as mais ostensivas vítimas do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), acusado pela Polícia Federal de ser sócio do ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira na exploração de jogos ilegais em Goiás?

Ora, são os 44 senadores estúpidos que hipotecaram solidariedade a ele quando Demóstenes ocupou a tribuna do Senado para jurar inocência.

Reagiram como sempre. E de suas bocas saíram as costumeiras palavras de desagravo com as quais socorrem amiúde colegas em dificuldades.

Foram feitos de bobo por um ator de primeira linha. Tamanho era o seu talento que, ao ser desmascarado, admitiu, aparentando resignação e traindo uma ponta de melancolia:

─ Eu não sou mais o Demóstenes.

Qual? O que imaginávamos que existia?

Enganou o distinto público numa atuação soberba como político acima de qualquer suspeita. E também a nós, jornalistas, céticos por obrigação.

Em momento algum nos perguntamos: poderá haver político tão ficha limpa?

Era uma preciosa fonte de informações. E isso basta para amolecer o coração do mais duro entre nós. O mensalão ocorreu nas nossas barbas. E se não fosse Roberto Jefferson…

O Senado é um luxuoso e exclusivo clube freqüentado por 81 privilegiados cidadãos. Todos ali se protegem apesar das diferenças políticas. Todos ali praticam os mesmos crimes.

Os que não praticam sabem quem o faz, mas fingem não ver. Em 188 anos de funcionamento do Senado, somente um senador foi cassado ─ Luiz Estevão de Oliveira (PMDB-DF), acusado de mentir aos seus pares.

Com a experiência de ex-chefe do Ministério Público de Goiás, Demóstenes mentia com engenho e arte. Há pouco, mentiu da tribuna do Senado grosseiramente. É por isso que morreu e sabe disso. Mas ainda jaz insepulto.

Resta-lhe ganhar tempo e torcer para que o acaso faça uma surpresa. Aos que pensam que renunciará ao mandato para abreviar a própria agonia, digo: esqueçam a hipótese.

Se renunciasse, baixaria à sepultura. Pior: na condição de ex-senador, não mais seria julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ficaria ao alcance de decisões de qualquer juiz da primeira instância.

Demóstenes coleciona inimigos em toda parte. Foram presas 30 pessoas suspeitas de integrar a quadrilha comandada por Cachoeira. Uma vez sem mandato, por que ele não acabaria preso pela mesma razão?

Existe uma boa chance de o STF declarar nulas as provas apresentadas pela polícia contra Demóstenes.

O grampeado foi Cachoeira. Mas o que ele disse ou ouviu de Demóstenes só poderia ser usado contra Demóstenes com a prévia autorização do STF.

Há duas semanas, Demóstenes acalentava a esperança de não ser julgado pelo Senado. O julgamento ali é político. Tem a ver com as idiossincrasias dos senadores.

Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, comunicou a gente de sua confiança no Congresso que o governo não tinha interesse na cassação do mandato de Demóstenes.

Era preferível continuar convivendo com ele de crista baixa a correr o risco de agitar os ânimos no Senado. Os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) se ofereceram para ajudar Demóstenes. Não deu certo.

Jayme Campos (DEM), senador por Mato Grosso, é o presidente em exercício do Conselho de Ética do Senado.

O PSOL pediu a cassação de Demóstenes. Jayme poderia arquivar o pedido, empurrando o problema com a barriga. Não topou.

Pedro Taques (PDT), outro senador por Mato Grosso, é voto certo pela cassação de Demóstenes. Jayme e ele podem disputar o governo do Estado em 2014. Sabe como é…

Do início da última semana para cá, abriu-se a torneira das revelações capazes de embaraçar Demóstenes ainda mais.

Resultado: a banda sadia do Senado largou-o de mão. E o DEM anunciou que irá expulsá-lo.

Diante disso, fazer o quê?

Então o governo recuou de sua intenção inicial. O PT pediu a cabeça de Demóstenes. E Sarney e Renan deram o caso por perdido.

Cumpram-se os trâmites previstos para tais ocasiões.

02/04/2012

às 8:11 \ Sanatório Geral

Tem mais

“O Fernando Haddad vai surpreender”.

Lula, na entrevista à Folha, avisando que os naufrágios do Enem, os livros didáticos que ensinam que 10 menos 4 é igual a 7 ou que falar errado está certo, a transformação de Monteiro Lobato em racista e o aumento do analfabetismo, fora o resto, não esgotaram o estoque de espantos do candidato a prefeito escolhido pelo dono do PT para deixar São Paulo em perigo.

02/04/2012

às 5:30 \ Sanatório Geral

Verbete novo (47)

“Trocaram o ‘toma lá, dá cá’, pelo ‘é dando que se recebe’”.

Rubens Bueno, deputado federal pelo PPS do Paraná e líder do partido, confirmando que a base alugada não para de ampliar o Glossário da Novilíngua Lulista.

 

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