Blogs e Colunistas

Arquivo de 16 de fevereiro de 2012

16/02/2012

às 23:33 \ Sanatório Geral

Paixão de Carnaval

“Já estou vendo as matérias amanhã: ministro da Fazenda cai”.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, pronto para desfilar no Carnaval de Brasília fantasiado de Carlos Lupi e berrando “Eu te amo, Dilma!”

16/02/2012

às 21:04 \ Sanatório Geral

Toga em parafuso

“Nem aos militares ocorreu fazer uma lei dessas”.

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, ensinando que a Lei da Ficha Limpa é pior que ditadura.

16/02/2012

às 20:50 \ Direto ao Ponto

A Chanchada do Orçamento, os jornalistas federais e os repórteres do Brasil Maravilha

O elenco sofre mudanças cosméticas a cada eleição, mas o roteiro é sempre o mesmo. Estrelada pelo segundo ano consecutivo por Dilma Rousseff, a Chanchada do Orçamento começa em fevereiro, com a mentira de sempre: o governo resolveu fazer dramáticos cortes no imenso bolo de dinheiro, reduzindo corajosamente as verbas reservadas a emendas parlamentares para preservar os investimentos. Enquanto o ministro da Fazenda explica que a medida contempla os interesses nacionais, deputados e senadores da aliança governista chiam, rosnam, urram ou miam. E os jornalistas federais ─ amparados em reportagens assinadas por gente que não duvida de nada ─   celebram o espetáculo da austeridade administrativa proporcionado pela supergerente que Lula inventou.

Como tem ocorrido desde 2003, todas as verbas serão liberadas até dezembro. Primeiro em conta-gotas, para garantir a aprovação de urgências particularmente caras ao Planalto e seus parceiros. Depois em boladas bilionárias de assustar maquinista de trem pagador, para que nenhuma cláusula do contrato de aluguel deixe de ser cumprida e se chegue ao final invariavelmente feliz ─ para os canastrões em cena. Enquanto os parlamentares governistas retribuem o pagamento dos atrasados com sucessivas cerimônias do amém, jornalistas federais, de novo com o endosso dos repórteres a favor, celebram a astúcia da superexecutiva que aprendeu com o padrinho como é que se faz política.

Como tudo que o Planalto patrocina, a Chanchada do Orçamento é uma tapeação de quinta categoria. É tão medíocre, redundante e tediosa quanto a performance dos profissionais das redações que, por vassalagem, esperteza ou idiotia, endossam sem reparos nem retoques as fantasias dos  pais-da-pátria. O Brasil decente merece uma imprensa muito melhor. Os jornalistas federais e os repórteres a serviço do Brasil Maravilha têm a imprensa que merecem.

 

 

16/02/2012

às 19:33 \ Direto ao Ponto, Sem categoria

Escola de samba da turma da Esplanada dos Ministérios já tem nome, hino e uma trinca da pesada na comissão de frente

Confira as últimas novidades da grande atração do Carnaval de Brasília na seção O País quer Saber.

16/02/2012

às 19:10 \ O País quer Saber

Conheça o hino em ritmo de frevo e os destaques da comissão de frente da Escola de Samba Acadêmicos da Roubalheira

Ilustração: Luiz Roberto

Postado em 16 de fevereiro de 2012

Por decisão da maioria dos leitores, a escola de samba formada pela turma da Esplanada dos Ministérios foi batizada de Acadêmicos da Roubalheira. Entusiasmados com a fundação da Ala das Graciosas, os diretores da entidade carnavalesca festejaram, nesta quinta-feira, outras duas notícias igualmente auspiciosas. Primeira: os integrantes da escola aprovaram por unanimidade o hino em ritmo de frevo sugerido pela coluna (confira no áudio abaixo). Segunda: o triângulo composto por Gilberto Carvalho, Christiane de Araújo e José Antonio Dias Toffoli (que posaram juntos para o comentarista Luiz Roberto) aceitou desfilar logo atrás da comissão de frente.

 

16/02/2012

às 18:40 \ Sanatório Geral

Lei do silêncio

“Passei seis anos e meio no Ministério da Educação e não precisei fazer críticas a meus antecessores para realizar o meu trabalho”.

Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, explicando que, como evitou comentar as lambanças protagonizadas pelos antecessores Cristovam Buarque e Tarso Genro, espera que o sucessor Aloízio Mercadante faça de conta que nem ouviu falar nos naufrágios do Enem, no livro que ensina que falar errado está certo, no livro que ensina que 10 menos 4 é igual e 7 e no livro que acusa Monteiro Lobato de racismo, fora o resto.

16/02/2012

às 18:09 \ Direto ao Ponto

Sardenberg: ‘A sorte é que sempre tem alguém em situação pior que a gente’

Carlos Alberto Sardenberg desmonta as alquimias numéricas e as comparações espertas produzidas pelo ministro Guido Mantega para anabolizar a economia do Brasil Maravilha registrado em cartório. Confira na seção Feira Livre.

16/02/2012

às 17:14 \ Direto ao Ponto

Demétrio Magnoli: ‘Aos 32 anos, o PT alcançou um estado de equilíbrio sustentado no rochedo da mentira’

A visita de Dilma Rousseff a Cuba, a greve da Polícia Militar baiana e a privatização dos aeroportos demonstram que o PT afundou no pensamento duplo. Confira na seção Feira Livre.

16/02/2012

às 16:36 \ Sanatório Geral

Atecnia cearense

“Nem sempre uma atecnia significa que a pessoa não tenha uma conduta ilibada. Hoje, no serviço público, as pessoas são multadas por conta de atecnias, mas isso não quer dizer que a pessoa não seja séria.”

Cid Gomes, governador do Ceará, capturado pelo comentaristas Hermenegildo Barroso ao defender o afilhado Hélio Parente, novo conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, condenado pelo mesmo tribunal por atraso de prestação de contas, acrescentando mais um verbete ao dicionário da novilíngua petista: “atecnia” é um palavrão que revoga atropelamentos da lei cometidos por parceiros de palanque.

16/02/2012

às 15:47 \ Feira Livre

‘Tudo é relativo, mas…’, um artigo de Carlos Alberto Sardenberg

PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

Carlos Alberto Sardenberg

A sorte é que tem sempre alguém em situação pior que a gente. Como tudo na vida é comparação, fica fácil melhorar o desempenho, qualquer tipo de desempenho. Está se achando meio burro por não entender a dívida grega? Tranquilo. Tem gente que se espanta antes. “Aquele grego não te pagou? Manda pro pau”.

Aliás, é mais ou menos o que o governo alemão quer fazer, mas não vem ao caso aqui. O fato é que até a Grécia encontra países e povos em situação pior. E nem precisa uma nação africana desgraçada pelos conflitos internos. Por exemplo: o FMI e a União Européia acham que o salário mínimo grego é muito elevado (retirando competitividade da economia) e querem reduzi-lo para cerca de 570 euros ao mês. Isso dá R$ 1.300, o dobro do brasileiro e certamente maior que em todo mundo emergente. “Acha ruim? Pois vai trabalhar pelo mínimo lá no Rio” ─ pode dizer uma autoridade aos manifestantes em Atenas.

E se lá eles conseguem, imaginem o que se pode fazer com os números brasileiros, muito superiores. Acrescentem aí a especial habilidade do ministro Guido Mantega em escolher as comparações, digamos, mais positivas ─ e, pronto, o Brasil não perde de ninguém. O Brasil, em geral, não. O Brasil dele, da presidente Dilma e de Lula. Antes, perdia tudo. Por exemplo: o mundo está desacelerando neste ano, enquanto o Brasil, na “contracorrente”, segundo nota no site do Ministério da Fazenda, enfia o pé na tábua.

Verdade. Segundo o FMI, o mundo crescerá 3,3% em 2012, contra os 3,8% do ano passado. E peguem logo a China. Pois é, também desacelerou em 2011 e agora está crescendo em ritmo menor ainda.  Só que o andar para trás da China significa crescer 8,2% (contra 9,2% do ano passado). E a Índia cai de 7,4% para apenas 7%. Já o “pra frente Brasil”, no caso, significa avançar dos 2,9% estimados para 2011 para… quanto mesmo?

O ministro Mantega diz que vamos para 4,5% ─ um “belo crescimento” ─ se a Europa não atrapalhar. E se atrapalhar, 4%, o que estaria bom. Já no Banco Central, que também é governo, o pessoal acha que o país deve conseguir fazer uns 3,5%. Fora do governo, a previsão é ainda um pouco menor. Para o FMI, o Brasil cresce neste ano ao ritmo de 3%.

Mas se a gente deixar de lado esses detalhes dos números, a comparação continua de pé. O mundo vai para trás, a gente para a frente, ainda que seja de pouquinho para pouco. Não se pode querer tudo, certo?

Bom, mais ou menos. Ocorre que há países importantes também acelerando. Estados Unidos, por exemplo, cresceram 1,7% no ano passado e devem subir para 2%, com viés de alta. O Japão, recuperando-se do tsunami, também vem em ritmo mais forte. Assim, a frase mais correta seria: todo o mundo desacelera, menos alguns países como os EUA e Japão, além do Brasil é claro. É o nosso novo G-3.

Verdade também que estamos comparando o que aconteceu com o que acreditamos (ou dizemos) que vai acontecer. É outro método de melhorar o desempenho, comparar a dura realidade com um futuro espetacular, como os 4,5% do ministro. Em 2011, aí sim, é universal, todo o mundo desacelerou, inclusive, acreditem, o Brasil. Só que nosso tombo foi maior. O PIB, que se expandira a 7,5% em 2010, deve ter crescido menos de 3% no ano passado. Este número também nos coloca na rabeira dos emergentes.

Águas passadas, diz o ministro, esperem por 2012.

Dizem que, em economia, tanto no pessoal quanto no macro, deve-se adotar o pessimismo ou, relaxando, pelo menos algum ceticismo. Esperando o pior ou temendo o perigo, as pessoas e governos preparam-se melhor. O otimista, acreditando que vai dar tudo certo, arrisca-se além da conta e, assim, contrata prejuízos.

Por outro lado, como mostram ainda mais pesquisas recentes, economia é psicologia. O baixo astral derruba, sim, a atividade econômica. E se for assim, as autoridades econômicas têm o papel adicional de animar o país. “Vamos lá pessoal, aos shoppings, às fábricas, que a coisa vai bombar” ─ parece nos dizer o animado Mantega.

O problema é ele acreditar mesmo na animação e não se concentrar nos importantes problemas o país deveria enfrentar. Porque, vamos falar francamente, o Brasil não é um caso excepcional. Vai bem naquilo que vão bem muitos emergentes que fixaram bases estáveis na macroeconomia e vendem muito para a China. E vai mal como os outros, na baixa competitividade de suas indústrias.

Também aqui se pode dizer que tem gente pior. Mas chega uma hora em que a pessoa, a sós, precisa se comparar com … ela mesma.

 

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