Blogs e Colunistas

Arquivo de fevereiro de 2010

28/02/2010

às 19:42 \ Sanatório Geral

Conta tudo, Zé!

“Se o PT acredita que vai sair desta história sem ser chamuscado, está muito enganado”.

José Roberto Arruda, animando o Brasil que presta com a emissão de mais um sinal de que vai arrastar no naufrágio a companheirada que enriquece no bordel fantasiada de normalista.

28/02/2010

às 19:14 \ Direto ao Ponto

E se Uribe imitasse Zelaya?

Neste fim de fevereiro, a Suprema Corte da Colômbia fez exatamente o que fez em março de 2009 a Suprema Corte de Honduras: vetou a realização de um plebiscito cujo resultado poderia permitir a candidatura do presidente da República a outro mandato. Nos dois casos, a decisão ─ corretíssima ─ foi anunciada com a campanha pela sucessão em andamento.

O colombiano Alvaro Uribe ─ que ficaria ainda melhor no retrato se nem tivesse pensado numa segunda reeleição ─ reagiu como deve reagir um democrata: “Aceito e acato a sentença da Suprema Corte”, resumiu. A disputa presidencial seguirá seu curso sem sobressaltos. Como um caudilho aprendiz, o hondurenho Manuel Zelaya ignorou o veto do Poder Judiciário, continuou tramando o golpe, acabou deposto por crimes contra a Constituição e foi expulso do país. Nos meses seguintes, fez o que pôde para que o processo eleitoral naufragasse.

Vale a pena imaginar o que faria o Brasil se Uribe imitasse Zelaya e também acabasse destituído. A imprensa e o governo continuariam a chamá-lo de “presidente democraticamente eleito”? Os defensores das normas constitutionais seriam tratados como “golpistas”? Os companheiros Lula e Hugo Chávez costurariam mais uma trama destrambelhada para alojar Uribe na embaixada do Brasil em Bogotá? A dupla de vizinhos trapalhões se negaria a reconhecer o governo do novo presidente escolhido nas urnas?

Não para todas as perguntas, sabe até a gravata borboleta que torna Celso Amorim um pouco mais ridículo em saraus no Exterior. O Itamaraty deste começo de século não obedece a princípios, não respeita códigos éticos. Cumpre o regimento interno do clube dos cafajestes e atende a interesses subalternos. Não faz gestões, faz jogadas.  A Era Lula instituiu a diplomacia da canalhice.

28/02/2010

às 17:00 \ Sanatório Geral

Vale replay

“O Brasil precisa desta CPI!”.

José Dirceu, em 1999, quando era deputado federal e presidente do PT, exigindo aos berros a instauração da CPI do Telemar, sem saber que 11 anos mais tarde estaria rezando para que a polícia e a Justiça esquecessem histórias que envolvem a mesma estatal, a Eletronet e o facilitador de negócios Jay Dee.

28/02/2010

às 16:57 \ História em Imagens

A fantasia em frangalhos

Se é verdade que sonhava com o Prêmio Nobel da Paz, o presidente Lula pode esquecer a fantasia depois do vergonhoso endosso às violências da ditadura dos irmãos Castro. Neste vídeo, cubanos residentes em Miami acusam o amigo de Fidel de cumplicidade na morte de Orlando Zapata Tamayo. Confiram:

28/02/2010

às 15:25 \ Sanatório Geral

Deputado da Meia

“Os vídeos repetidamente apresentados são maldosos e visam confundir o telespectador”.

Leonardo Prudente, aquele que só não enfiou maços de dinheiro vocês sabem onde, na carta em que renunciou ao mandato, explicando que, se o video que mostra a gatunagem fosse exibido uma única vez, os telespectadores entenderiam que se tratava de um comercial das meias Lupo.

27/02/2010

às 18:32 \ Sanatório Geral

Mesma famiglia

“Se o PT pode usar o rolo compressor para desconvocar a Dilma Rousseff, por que o governador José Roberto Arruda não pode usar a base aliada em sua defesa?”

Alberto Fraga, deputado e secretário de Transportes do Distrito Federal, lembrando ao país que a diferença entre a Turma do Panetone e a base alugada no Senado ─ composta por gente como Romero Jucá, José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor, Paulo Duque, Wellington Salgado, Almeida Lima e outros fora-da-lei ─ é que só a primeira foi filmada.

27/02/2010

às 17:59 \ Direto ao Ponto

Pequeno Dicionário da Novilíngua Lulista (2)

O show de criatividade do timaço de comentaristas já mudou o nome do dicionário. Em vez de Breve, virou Pequeno ─ palavra que vai acabar sumindo se a turma da coluna mantiver o ritmo. A seguir, mais 11 verbetes:

Aloízio Mercadante. Companheiro inventor da retirada triunfal, da rendição vitoriosa e da revogação do irrevogável.

bagre-do-Madeira. Espécime da fauna aquática amazônica especializado em ataques terroristas a hidrelétricas do PAC.

Bolsa Família. Maior programa de compra oficial de votos do mundo.

camarada de armas.  Companheiro diplomado em cursinho de guerrilha que só disparou tiros de festim; guerrilheiro que ainda não descobriu onde fica o gatilho do fuzil. (Ex.: Dilma Rousseff e José Dirceu são camaradas de armas.)

ditadura do proletariado. Forma superior de democracia, tão avançada que dispensa o povo de votar ou dar palpites porque os companheiros dirigentes sabem tudo o que o povo quer.

Fernando Henrique Cardoso. 1. Ex-presidente que, embora tivesse ampla maioria no Congresso, fez questão de aprovar a emenda da reeleição com a compra de três votos no Acre só para provocar o PT. 2. Governante que, depois de oito anos no poder, só conseguiu inaugurar a herança maldita.

FHC. 1. Grande Satã; demônio; capeta; anticristo;. satanás; diabo. 2. Assombração que vive aceitando debater com Lula só para impedir que o maior governante de todos os tempos se dedique à construção do Brasil em tempo integral. 3. Sigla que, colocada nas imediações do SuperLula, provoca no herói brasileiro efeitos semelhantes aos observados no Super-Homem perto da kriptonita.

MST. 1. Entidade financiada pelo governo para fazer a reforma agrária com a substituição de terras produtivas pela agricultura familiar. 2. Movimento formado por lavradores que não têm terra e, por isso mesmo, não sabem plantar nem colher.

ou seja. Expressão usada pelo Primeiro Companheiro para avisar que, por não saber o que dizer, vai berrar o que lhe der na cabeça.

pedra fundamental. Obra do PAC inaugurada antes de começar a ser construída.

perereca. Espécie de batráquio adestrada em criadouros tucanos para ações de sabotagem contra viadutos do PAC.

É só o começo. Ao trabalho, amigos.

27/02/2010

às 16:16 \ Sanatório Geral

Honduras é Brasil

“Eu aprendi também a não dar muito palpite sobre as atitudes do governo dos outros. Porque, muitas vezes, a gente mete o dedo onde não deveria estar metendo o dedo”.

Lula, capturado pelo comentarista Joe ao explicar por que não dá um pio em defesa dos perseguidos políticos cubanos e remetido ao Sanatório com o seguinte parecer: “Como ele não para de se intrometer em Honduras, deve estar pensando que aquele país já foi anexado ao Brasil e fica logo ali, ao lado do Acre”.

26/02/2010

às 23:44 \ Sanatório Geral

Escuridão bolivariana

“Ainda estamos aqui, não desaparecemos”.

Hugo Chávez, depois do apagão no palácio presidencial que interrompeu por 80 segundos a transmissão de uma entrevista pela TV, disfarçando com a gracinha a vontade de condenar à morte por enforcamento os técnicos enviados pelos governos do Brasil e de Cuba para resolverem a crise energética da Venezuela.

26/02/2010

às 23:16 \ Direto ao Ponto

O soldado do povo é comandado pelo facilitador de negócios

“Preciso dele como facilitador de negócios”, ouvi no fim de 2005 do empresário que acabara de fechar contrato com a Consultoria JD ─  J de José, D de Dirceu, o ex-capitão do time de Lula demitido em agosto da chefia da Casa Civil e cassado pela Câmara dos Deputados no  começo de dezembro. A expressão fora usada meses antes pela dona do Banco Rural, Kátia Rabelo, para definir o tipo de serviço que lhe prestava Marcos Valério, gerente-geral do mensalão.  ”Ele conhece muita gente importante no governo”, explicou Kátia durante o depoimento no Congresso.

Se o primeiro facilitador de negócios conhecia muita gente, o segundo conhece muito mais, pensei enquanto ouvia detalhes do acerto. A boa vida de executivo seria assegurada pela mensalidade de R$ 20 mil e pelo reembolso das despesas com viagens e refeições, sozinho ou acompanhado. A chave da porta da fortuna estava na ”taxa de sucesso” especificada numa das cláusulas. A cada negócio consumado, o facilitador embolsaria uma porcentagem de bom tamanho. Nos meses seguintes, duas ou três transações no mundo da telefonia deram certo. Recorrer aos préstimos de Jay Dee, como passaram a chamá-lo executivos da empresa que acham mais bonita a pronúncia da sigla em inglês, foi uma ótima jogada.

Até terça-feira passada, também pensava assim o empresário Nelson dos Santos, dono da Star Overseas Ventures, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens, que fechou há dois anos um contrato com a Consultoria JD. Deve ter mudado de ideia ao topar com a manchete no alto da primeira página da Folha  de S. Paulo. O país ficou sabendo que, entre 2007 e 2009, ele pagou R$ 620 mil (R$ 20 mil por mês, de novo) para que José Dirceu o ajudasse a reanimar a semimorta Eletronet, empresa de que se tornou o principal acionista privado por um punhado de reais.

Santos ganharia pelo menos R$ 200 milhões se a ressurreição da Telebrás incluísse a compra  dos 16 mil quilômetros de cabos de fibra óptica pertencentes à Eletronet. Contratado para convencer o governo de que o negócio atende aos interesses da pátria, Jay Dee fez um bom trabalho. Em julho passado, o presidente Lula avalizou publicamente a ideia. O endosso de Dilma Rousseff chegou neste janeiro. O final feliz parecia logo ali quando apareceu uma manchete no meio do caminho.

Em vez de aumentar a conta bancária com outra taxa de sucesso, Dirceu deverá ampliar a colossal coleção de fiascos inaugurada em 1968. Líder estudantil, conseguiu namorar a única espiã da ditadura militar e resolveu que o congresso clandestino da UNE, com mais de mil participantes, seria realizado em Ibiúna, com menos de 10.000 moradores. Encomendou 1.200 pães por manhã ao padeiro que nunca passara dos 300 por dia, o comerciante procurou o delegado, o doutor ligou para a Polícia Militar e a turma toda acabou na cadeia.

Exilado na França, trocou a Rive Gauche pelo cursinho de guerrilheiro em Cuba, aprendeu a fazer barulho com fuzis de segunda mão e balas de festim, declarou-se pronto para derrubar o regime militar a bala, percebeu que a coisa andava feia assim que cruzou a fronteira, esqueceu a luta no campo e foi à luta em Cruzeiro do Oeste, interior do Paraná, com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Mello. Engraçou-se com a dona da melhor butique do lugar, entrincheirou-se no balcão do Magazine do Homem e só em 1979 a mãe do filho de cinco anos descobriu que Carlos Henrique, conhecido no bar da esquina como Pedro Caroço, era o soldado do povo José Dirceu de Oliveira.

Presidente do PT, escolheu Delúbio Soares para cuidar da tesouraria. Chefe da Casa Civil, escolheu o amigo Waldomiro Diniz para lidar com os pedintes do Congresso. Atirado à planície pelo escândalo do mensalão, queimou-se de vez ao prometer incendiar o país com o exército dos movimentos sociais e conseguiu ser cassado por uma Câmara dos Deputados que não pune sequer os integrantes da bancada do  PCC.  Acabou virando corretor de negócios feitos por patrões que, na hora de tratar os detalhes do acerto, esperam as crianças saírem da sala e vão à janela conferir se algum camburão estacionou por perto.

Quem se dedica a tal ofício tem de ser discreto. Dirceu achou possível lucrar com a atividade   sem abandonar a discurseira contra a burguesia exploradora, sem renunciar à luta pelo controle do PT, sem arquivar a saudade dos tempos de primeiro-ministro, sem despir o uniforme de comandante guerrilheiro. Essa flor de esquizofrenia está na origem da manchete da Folha. Enquanto JD cuidava de facilitar o negócio da Eletronet, José Dirceu escrevia em seu blog que a compra da empresa pelo governo é indispensável ao progresso da nação.

“É uma trama forjada para prejudicar o governo Lula”, declamou na terça-feira o companheiro que se gaba de ser convocado frequentemente pelo chefe para receber missões especiais. “Estão querendo envolver a Dilma no caso da Eletronet”, acaba de recitar nesta sexta o coordenador da campanha presidencial da Mãe do PAC. Como se verá no post que completa este relato, tanto Dilma quanto Lula foram efetivamente envolvidos na manobra mais que suspeita. Não pela elite golpista, nem pela imprensa reacionária ou por louros de olhos azuis. Entraram no caso de braços dados com o trapalhão vocacional.

É a última do Zé Dirceu. Logo será a penúltima


 

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