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1 minuto com Augusto Nunes: Cinco meses depois de ter comparado Eduardo Campos a Collor, Lula finge chorar a morte do ‘homem público de rara e extraordinária qualidade’

ATUALIZADO ÀS 11h16 A grande seita dos cínicos deveria ao menos poupar a família de Eduardo Campos do espetáculo do farisaísmo, registrou o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, depois de registrar a colisão frontal entre dois palavrórios de Lula sobre o mesmíssimo ex-aliado que ousou desgarrar-se do rebanho. No primeiro, despejado […]

ATUALIZADO ÀS 11h16

http://videos.abril.com.br/veja/id/f90c1fd25ce4cc8bfaf72dd4e20603c9?

A grande seita dos cínicos deveria ao menos poupar a família de Eduardo Campos do espetáculo do farisaísmo, registrou o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, depois de registrar a colisão frontal entre dois palavrórios de Lula sobre o mesmíssimo ex-aliado que ousou desgarrar-se do rebanho. No primeiro, despejado em março numa conversa com empresários, o ex-presidente enxergou em Eduardo Campos uma versão pernambucana do Fernando Collor de 1989.

(Em 1993, numa entrevista ao jornalista Milton Neves, o agora amigo de infância de Collor disse o que pensava do arrivista escorraçado do cargo pela pressão popular. Segue-se um trecho transcrito sem correções: “Ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra”)

Nesta quarta-feira, numa nota encomendada a algum assessor capaz de escrever, o ex-presidente resolveu compensar o insulto que Campos ouviu em vida com uma promoção póstuma. Segundo Lula, o Brasil acabou de perder “um homem público de rara e extraordinária qualidade” na queda do Cessna que, caso se espatifasse cinco meses atrás, teria apenas dispensado o país de perder o sono com uma reencarnação da figura que descreveu no parágrafo anterior.

Ou coisa pior, vinham avisando os disparos dos bucaneiros alocados pelo PT no front da internet. A fuzilaria se intensificou em janeiro, com publicação na página do partido no Facebook de um artigo que retrata Eduardo Campos como “um playboy mimado”, “um tolo deslumbrado”, “um ambicioso que traiu Lula, Dilma e a memória do avô Miguel Arraes”. Fora o resto.

O serviço sujo se estendeu à área de comentários, infestada de militantes que amam concluir o desfile de adjetivos grosseiros com a ofensa anabolizada por letras maiúsculas e o buquê de pontos de exclamação: CANALHA!!!!! Surpreendidas pela morte do alvo, as milícias redescobriram em segundos que Eduardo Campos era um bom companheiro. Os generais do lulopetismo já veem no Judas de ontem um forte candidato à canonização. Dilma só não chorou na TV por falta de treino. E a tropa toda ensaia com muita aplicação a cara de viúva inconsolável recomendada a penetras de velório.

Em países afeitos ao convívio dos contrários, ninguém estranha a presença de líderes de distintos partidos na cerimônia do adeus a um velho adversário. Se a luta pelo poder obedece a regras civilizadas, se não são permitidos golpes abaixo da cintura, não há razão para constrangimentos. Esse rito ecumênico só acontece em países que erradicaram a selvageria política. Não é o caso de um Brasil governado por gente que acha que, numa eleição, só é proibido perder.

Lula divide o país em “nós”e “eles”.  “Nós” são os que se curvam sem mugidos aos desígnios do chefe. “Eles” são o resto, e como restos merecem ser tratados. Os celebrantes de missas negras revogaram o sentimento da honra e removeram a fronteira que separa a crítica dura do agravo que fere a alma. Alguém precisa ensinar-lhes que infâmias imperdoáveis não são anuladas por notas hipócritas.

Até lá, os cínicos profissionais continuarão aparecendo nos velórios dos afrontados com o mesmo desembaraço que exibem em festanças no clube dos cafajestes.

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  1. Comentado por:

    Blumenau

    Augusto.
    Ouvi o lulla rosnar na globo news que vai com a esposa no velório dar um abraço na. Renata.
    Eduardo Campos e sua linda família merece verdadeiras manifestações de carinho. Mas infelizmente tem essas malas que se expõe ao ridículo extremo,não respeitam a dor ….
    É fazem o diabo…..

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  2. Comentado por:

    Wyngolet.

    Salve Augusto Nunes.
    Sensacional,
    isto que é escrever de carreirinha;
    “Os generais do lulopetismo já veem no Judas de ontem um forte candidato à canonização. Dilma só não chorou na TV por falta de treino. E a tropa toda ensaia com muita aplicação a cara de viúva inconsolável recomendada a penetras de velório”.
    Mas, é tanta falsidade, é tanto cinismo, imagine, se, se pudesse apagar estes doze anos de nossa história. Deixar vago, o espaço, que a Dilma antes, preenchia na parede.
    Disse certa vez é “A Fenda no Tempo” um acidente paradoxal que estas pessoas estejam no poder.
    Hoje, na ânsia ver pessoas aquelas, que infestam as telas da TV nos trazer uma notícia boa um alento a minha tristeza, decepcionei-me.
    Não quero e não gostaria de ligar a TV e ver jornalistas ou comentaristas e repórteres derramando lágrimas ao vivo isto, não.
    No entanto, gostaria de ver mais respeito e um pouco, um pouco apenas, de emoção e menos gargalhadas e sorrisos tão largos.
    Este jornalismo visto hoje, como víamos nas televisões americanas do século passado em que, os apresentadores eram faces mutantes entre, o sorriso e o não sorrir, a interpretação da noticia de acordo com a sua emocionalidade, que se mal feita causa-nos asco, sem dúvida.
    Num momento, uma pausa, muda-se, de câmera e os sorriso desaparece ponto, fim da notícia triste, muda-se de câmera, abre-se, um sorriso de orelha a orelha e uma notícia alegre ou idiota.
    Ora! Augusto! Foram decretados três dias de Luto Oficial em todo o País e aquele estúdio de televisão também, é um País.
    Não se precisa sorrir de mais ou sorrir de menos, o bastante seria comportarem-se, como brasileiros. Afinal, um homem um brasileiro deu sua vida, pois, estava trabalhando mais, para os brasileiros, pois, até, perdeu sua vida o que comprova a premissa.
    Aquela imagens deveria se pensar também, chegariam à casa do Eduardo Campos que neste caso, merecia mais respeito, afinal, o País e sua gente estão de luto. Se algum repórter não sabe isto, se chama “CIVISMO” praticada por cidadãos inteligente, fraternos e honrados.
    A televisão é uma péssima escola e os professores televisivos analfabetos em civilidades.
    Ora! Precisamos de mais qualidade e cidadania pois, não apenas, uma família está de luto. São várias famílias que, neste momento sofrem tanto, que o planeta se tornou pequeno para caber-lhes, tamanho o sofrimento na perda de um pai; um amigo, um filho, um esposo ou apenas, um candidato à presidência do meu país que perde a sua vida tão drasticamente, que sua família não poderá reconhecê-lo, para beijar-lhe, a face pós-mortem, em despedida. Viver é aprender a sentir.
    Talvez, a sociedade brasileira precisa acordar e entender que, o que está acontecendo para esta convulsão social e na política, não tenham dúvida é pela desatenção aos princípios de fraternidade e amor ao próximo.
    Não sentiram o baque no coração destes, que morreram, como também, por mais de 50.000 mortos todos os anos no Brasil – E La Nave Va.
    Qual dor sinto por aquelas famílias;
    Quanta saudade pelos que perdi;
    Quantas lágrimas rolaram pelo pranto;
    Que suas ausências me fizeram sentir.
    Grato.

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  3. Comentado por:

    Wyngolet.

    Caro Augusto Nunes.
    Eles não aprendem.
    Alguns PTralhas são cegos, surdos, mudos e analfabetos. Eta povinho!
    Vão estudar analfabetos.

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  4. Comentado por:

    Charles A.

    Texto inspirado e brilhante como sempre,prezado Augusto Nunes! É difícil lutar contra a brutalidade,a incompetência e a ignorância quando há tantos interesses escusos e sinistros cercando esse partido-legião demoníaca com palavras.Mas elas têm a força de um canhão(não estou falando da dilma) quando proferidas ou digitadas por gente brilhante! Lulla não sabe dizer duas palavras com sentido.O que significa: ““um homem público de rara e extraordinária qualidade”? Que qualidade é esta a que elle se refere? Mais genérico do que isso só a dipirona sódica 500mg da medley…

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  5. Comentado por:

    Charles A.

    Erro! Correção do comentário 15/08/2014 às 0:01: onde se lê “Lulla não sabe dizer duas palavras com sentido”, leia-se :”Lulla não sabe pei… duas palavras com sentido”

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