Blogs e Colunistas

14/01/2010

às 1:38 \ Tragédias

Terremotos: duras tragédias e solidariedade global

Terremoto de Kobe, em 1995

Na noite da terça-feira, um terremoto de 7,3 graus de magnitude atingiu o Haiti, destruindo a capital do país, Porto Príncipe, e interrompendo boa parte dos meios de comunicação na região. Justamente por isso, as autoridades encontram dificuldades para divulgar um balanço oficial sobre o número de mortos. A brasileira Zilda Arns, 75 anos, médica pediatra e fundadora da Pastoral da Criança, foi uma das vítimas fatais da tragédia. A morte de militares brasileiros na região foi confirmada pelo governo.

Em 2008, tragédia semelhante arrasou a China. Um abalo sísmico de 7,9 pontos nas escala Richter – cuja energia liberada equivale a 900 bombas atômicas como a que destruiu Hiroshima – teve uma face predominante: a de milhares de crianças e adolescentes soterrados pelos tijolos e vigas de concreto de suas escolas, destruídas pelo terremoto. Num país que adota e fiscaliza rigorosamente a política do filho único, as cidades mais afetadas pelo terremoto praticamente perderam uma geração inteira de cidadãos. Tragédia assim, a China só havia visto em 1976, quando um terremoto matou cerca de 800.000 pessoas e varreu a cidade de Tangshan do mapa.

Também no lado oriental do globo, um violento terremoto de 7,2 graus arrasou a cidade japonesa de Kobe, matando mais de 4.500 pessoas em 1995. A devastação colocou abaixo o mito das construções à prova de abalos e expôs o despreparo das autoridades japonesas da época, além de ter provocado uma destruição incalculável no segundo maior porto do Japão. Em reportagem, VEJA publicou o drama de diversos dekasseguis – brasileiros que tentam fazer um pé-de-meia por meio do trabalho pesado no Japão. Muitos assistiram, impotentes, à morte de filhos, amigos e companheiros.

Em 1989, o cenário foi a cidade de São Francisco. Segundo depoimento de moradores, o terremoto de 6,7 pontos produziu num dos mais belos cartões-postais dos Estados Unidos um quadro de medo, morte e destruição. Em diversos pontos da cidade, diversas vias elevadas desmoronaram, esmagando centenas de carros e seus ocupantes. “Eu tive a impressão de que o cineasta George Lucas havia assumido o comando e que eu estava num filme cheio de efeitos especiais“, descreveu a situação um americano a VEJA.

Vizinho aos EUA, o México sentiu a terra tremer em 1985, no pior terremoto de sua história. Com 7,8 graus de magnitude, a hidrelétrica de Itaipu na época levaria dois meses para produzir energia equivalente a que fez o México tremer naquele ano. Dada sua superpopulação, suas construções compactas e as particularidades de seu terreno, a Cidade do México, capital do país, foi a mais atingida pelo tremor. A destruição foi tamanha que chegou, inclusive, a ameaçar a Copa do Mundo de 1986, que aconteceu no país.

Com quase 2.000 anos de existência e raízes da antiga Pérsia, a cidade iraniana de Bam viu metade de sua população ser dizimada em um terremoto em 2004. A cidade histórica quase desapareceu do mapa depois que a terra tremeu por 12 segundos e derrubou tudo no chão -  as construções novas, porém frágeis, e as erguidas com a milenar técnica dos tijolos de barro. O número de mortos foi estimado em 40.000, pouco menos que os 50.000 que haviam morrido em outro terremoto no Irã, em 1990.

Já no Brasil, pequenos tremores de terra são raros e quando acontecem, assustam a população. O susto mais recente aconteceu em 2008, quando um tremor de terra que durou seis segundos atingiu quatro dos estados mais populosos do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Muita gente ficou assustada. Moradores de prédios desceram para a rua, com medo de uma catástrofe. Segundo os geofísicos, não havia motivo para tanta apreensão. O terremoto, que ocorreu no Oceano Atlântico, a 210 quilômetros da costa brasileira, teve magnitude de 5,2 na escala Richter. Dezenas de terremotos de magnitude similar ocorrem no mundo toda semana e não chamam atenção porque raramente causam danos.

Em 21/5/2008: A tragédia das crianças
Em 25/1/1995: Morte que veio do ventre da Terra
Em 25/10/1989:Terremoto II, tragédia em 15 segundos
Em 25/9/1985: Temor e tragédia
Em 7/1/2004: A cidade dos mortos

Em 30/4/2008: Foi só um susto

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

6 Comentários

  1. josé carlos

    -

    26/01/2010 às 23:17

    A natureza apenas está mostrando sua força, nós é que ainda não entendemos, ou a ignoramos o poder que ela tem. Assim, como temos esquecido de “DEUS” temos destruimos diariamente a mãe natureza. Que pena.

  2. Desiree Serafim

    -

    19/01/2010 às 12:15

    Alguns dizem que esta havendo uma selecao natural, outros o juizo de Deus sobre algumas nacoes, ja outros, a populacao da terra, esta colhendo o que plantou durante anos de destruicao da natureza…fica aqui a nossa duvida!!!Salve-se quem puder…So JESUS pra nos salvar do pior, que ainda esta por vir!!!

  3. Mari

    -

    19/01/2010 às 8:58

    É não está facíl e cada dia que passa a coisa fica ainda pior a natureza está furiosa com o ser humano e que infelizmente mesmo com tudo isso não se toca e continuam fazendo o errado eu acho que agora é tarde e não tem mais volta aos poucos o mundo será devastado pelo poder da nossa mãe natureza.

  4. José Bueno

    -

    17/01/2010 às 9:05

    Muito triste o ocorrido no Haiti e registro aqui meu pesar com mais essa tragédia.
    É so assistir a TV, ler os noticiários que podemos ver que a maioria está relacionada com a Natureza,quando os seres humanos vão se dar conta que ou cuidamos desse planeta ou deixaremos de existir?

  5. Gislene Camacho

    -

    16/01/2010 às 22:56

    A natureza esta mostrando sua força, o homem nunca vai conseguir superar a força da natureza.
    Só sabemos destruir, só que devemos construir.
    A humanidade necessita acordar antes que seja tarde, e desapareça.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados