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11/02/2013

às 11:58 \ EM DIA, Religião

Em Dia: o pontificado incompleto de Bento XVI

Ele foi escolhido para suceder um dos papas mais carismáticos e marcantes da história recente da Igreja. Prometia lutar para reconquistar parte do rebanho de fiéis na Europa, o berço do catolicismo. Esbarrou na tempestade de escândalos que manchou a imagem do Vaticano nos últimos anos. E chocou o mundo ao decidir interromper subitamente seu papado por causa da idade avançada – ao contrário do que fez João Paulo II, que usou o anel do pescador até o último suspiro. Em abril de 2005, já se acreditava que o pontificado de Bento XVI seria mais curto, um período de transição sem mudanças visíveis no cotidiano da Igreja. A previsão se concretizou – mas sob circunstâncias que ninguém seria capaz de prever.

O que dizia a reportagem de VEJA

O papa panzer, o pastor alemão. “Um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor.” Num ponto qualquer entre as alcunhas pejorativas que lhe foram aplicadas nos jornais e a maneira modesta como se referiu a si próprio, depois do anúncio público de que ele havia sido eleito o 265° pontífice da Igreja Católica, se encontraria a verdade sobre o cardeal Joseph Ratzinger, papa Bento XVI. Onde ficaria exatamente esse ponto só seria possível verificar no decorrer do seu pontificado, provavelmente mais curto que o anterior, visto que o novo ocupante do Trono de Pedro assumia aos 78 anos. João Paulo II tinha 58 quando foi feito papa. Mas um fato era incontestável: em Roma, Bento XVI realizou prontamente o milagre de fazer com que João Paulo II se tornasse uma página virada na história. O severo e reservado guardião da doutrina mostrou-se afabilíssimo nos seus contatos com a multidão - e parecia ter tomado gosto em fazê-lo. Os cardeais reformistas gostariam que a Igreja permitisse a ordenação de mulheres e anseiam por um afrouxamento nas condenações aos métodos contraceptivos, ao aborto e ao reconhecimento legal do casamento entre homossexuais. Porque o Vaticano é contra tudo isso que está aí, argumentam eles, o catolicismo vem sangrando há vários anos, especialmente na Europa, onde o rebanho diminui a cada ano. Como não conseguirão nada disso sob Bento XVI, os reformistas tendem a crer que a Igreja permanecerá congelada durante o seu pontificado. Dessa perspectiva, o catolicismo teria começado a viver um inverno com uma duração, na mais branda hipótese, de quatro a cinco anos, até que Bento XVI seja enterrado nas grutas vaticanas.

O que aconteceu depois

Ao eleger papa o alemão Ratzinger, a Igreja Católica optara pelo apego à pureza doutrinária e à tradição como estratégia para se impor a um mundo volátil e de frágeis valores morais. Em uma missa celebrada pouco antes do conclave que o colocou no Trono de Pedro, o então cardeal conclamou a Igreja a permanecer imune ao conceito de relativismo (que iguala em importância todas as religiões), às ideologias modernas e modas filosóficas. O viés conservador, entretanto, não impediu Bento XVI de surpreender fiéis e vaticanistas. Logo em seu primeiro discurso aos cardeais, o novo papa sinalizou aprovar uma questão muito cara aos reformistas e esconjurada pelos conservadores: a da colegialidade no governo da Igreja, doutrina pala qual tenta-se estabelecer uma participação mais ativa de bispos e padres em todo o mundo, em oposição a uma centralização absoluta do Vaticano. Previa-se, ainda, que o novo papa não teria a mesma sanha santificadora de João Paulo II, que em seu pontificado bateu recordes de beatificações e canonizações. Uma de suas primeiras medidas foi abrir o processo de beatificação justamente de João Paulo II. Para isso, Bento XVI mudou as regras do direito canônico – teoricamente, ele deveria ter esperado cinco anos para iniciar o processo. Levando seu pontificado de maneira discreta, o papa lançou sua primeira encíclica – uma espécie de carta que os papas mandam aos membros da Igreja sobre assuntos que consideram relevantes para a cristandade – apenas em janeiro de 2006. Intitulado “Deus Caritas Est”, o documento versava sobre o amor de Deus pelos humanos e dos humanos entre si. Sua conclusão: amor mesmo é o que se transcende e se dispõe à renúncia e ao sacrifício em favor do ser amado, seja ele o cônjuge, no sacramento do matrimônio, seja Deus, por meio da religião.

Três meses depois, Bento XVI causou revolta nas comunidades islâmicas de todo o mundo ao citar, durante uma aula magna proferida na Universidade de Regensburg, na Alemanha, uma polêmica passagem medieval. O papa defendia a tese de que a fé deve andar de mãos dadas com a razão, não com a violência. Para exemplificar, citou Manuel II Paleólogo, imperador bizantino do século XIV. “Mostre-me o que Maomé trouxe de novo e encontraremos apenas coisas más e desumanas, como a ordem para espalhar pela espada a fé que ele pregava”, disse o imperador a um intelectual muçulmano. Apesar de o papa ter deixado claro que não necessariamente concordava com o imperador, suas palavras foram rapidamente tiradas do contexto e divulgadas como uma ofensa direta ao Islã e seu profeta. Multidões de muçulmanos enfurecidos atiçadas por clérigos belicosos tomaram as ruas no Paquistão, na Indonésia e em quase todo o Oriente Médio, pedindo, literalmente, a cabeça do sumo pontífice. Desde então, o papa explicou algumas vezes que foi mal interpretado, que respeita o Islã e que gostaria de manter o diálogo com os representantes dessa religião. Prova disso foi a visita que fez à Turquia, onde, sorridente, tirou os sapatos na Mesquita Azul e rezou virado para Meca, como fazem os muçulmanos. Além de se encontrar com o patriarca ortodoxo - aliviando um cisma cristão que já dura 1.000 anos - e pedir ao Islã maior tolerância para as minorias cristãs, Bento XVI ainda surpreendeu ao declarar-se favorável à entrada do país na União Européia, algo a que se opunha quando era cardeal. Antes de viajar à Turquia, porém, o papa escolheu o cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes para o cargo de prefeito da Congregação para o Clero, um dos mais importantes na hierarquia da Cúria Romana. Espécie de ministro de Bento XVI, sua função é monitorar, do Vaticano, a ação dos padres em todo o mundo. Em março de 2007, o papa publicou a sua primeira exortação apostólica, intitulada Sacramentum Caritatis (Sacramento do Amor). No documento, que serve de orientação a sacerdotes e fiéis, o papa sublinhou a necessidade de valorizar aspectos da tradição litúrgica católica, definiu o segundo casamento de pessoas divorciadas como uma “chaga” social, e reafirmou a oposição à eutanásia, ao aborto e à união gay.

No mesmo ano, ele fez sua primeira visita ao Brasil como papa. A marca de sua passagem pelo país foi justamente a defesa inequívoca dos valores católicos, sem concessões nem meias palavras. A mensagem que Bento XVI trouxe ao país foi serena, mas enfática. Ele não abriria mão dos princípios morais, o cerne da doutrina católica, para atrair um imenso contingente de ovelhas desgarradas. Preferia um rebanho menor, mas seguidor dos mandamentos da Igreja. Quem apenas se declarava católico não lhe interessava. Nos anos seguintes, porém, a grande marca do pontificado de Bento XVI até aquele momento, a defesa da doutrina, começaria a se apagar. Uma polêmica entrevista em 2010 provocou confusão: o papa dizia que o uso de um preservativo por uma prostituta para proteger a ela e a seu cliente do vírus HIV era aceitável, já que constituía a aceitação da responsabilidade moral dela. O Vaticano garantiu que o papa não pretendia usar a declaração para sinalizar que aceitava os contraceptivos. Ainda assim, a entrevista reacendeu a discussão em torno da recusa da Igreja a permitir que os fiéis usem métodos de contracepção, mesmo que com o objetivo de evitar as doenças sexualmente transmissíveis. Essa, contudo, acabou sendo uma questão secundária na reta final de seu papado. Os escândalos de abusos sexuais cometidos por integrantes da Igreja acabaram sendo uma chaga muito mais profunda. As denúncias já vinham sendo feitas havia anos, antes mesmo de sua escolha como sucessor de João Paulo II. Em 2010, porém, o assunto ganhou muito mais força, graças à divulgação de uma série de provas inequívocas de abusos cometidos por sacerdotes em países como Áustria, Bélgica, Holanda, Noruega e, pior, o próprio país do papa, a Alemanha.

Um dos casos, aliás, foi indiretamente ligado a ele – enquanto Ratzinger era arcebispo de Munique, um padre pedófilo foi remanejado para outra função que permitia que ele continuasse tendo contato com jovens fiéis. Os escândalos foram decisivos para minar um dos grandes objetivos do pontificado do alemão: fortalecer o catolicismo na Europa, o berço da religião (a escolha do nome Bento, o mesmo do santo padroeiro do continente, foi atribuída justamente a esse desejo). Ao anunciar sua renúncia, de forma absolutamente inesperada, em fevereiro de 2013, Bento XVI amargava uma constatação dolorosa: o número de fiéis na Europa, ao invés de crescer, diminuiu, principalmente por causa da indignação provocada pelos numerosos escândalos que abalaram a Igreja. Conforme já cogitava a reportagem de VEJA em abril de 2005, o pontificado de Bento XVI foi, de fato, muito mais curto do que o de João Paulo II. Também foram confirmadas as previsões de manutenção da ordem e da ausência de mudanças radicais na vida da Igreja. O desfecho do papado, no entanto, foi o mais inesperado possível – se João Paulo II rejeitou a hipótese de renúncia e permaneceu no cargo até a morte, deixando claro que seus problemas de saúde não seriam suficientes para impedir que ele cumprisse sua missão, Bento XVI – que acompanhou muito de perto todos os passos do drama do crepúsculo do antecessor – entrega seu anel de pescador ainda em vida.

02/03/2010

às 9:26 \ Religião

Igreja Católica: escândalos que abalaram o Vaticano

A Ordem dos Salesianos de Dom Bosco, na Holanda, anunciou na segunda-feira que realizará uma investigação sobre abusos sexuais cometidos há quase 40 anos por religiosos contra alunos de um colégio interno de Arnhem, no leste do país. Há alguns anos, denúncias do tipo deixaram de ser novidade dentro da Igreja Católica.

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19/12/2009

às 17:41 \ Religião

Jesus: os mistérios alimentam a fé no filho de Deus

Crucificação, de Tintoretto

De uma forma ou de outra, a história de Jesus Cristo chegou a todos os cristãos que vivem no mundo hoje. Pode não haver relíquias suficientes nem evidências incontestáveis que comprovem quem foi e o que realmente fez o profeta de Nazaré. Mas são justamente os mistérios em torno do filho de Deus que alimentam a fé de milhões de pessoas em todo o mundo. Há, contudo, os que buscam preencher as lacunas deixadas na história do messias. O resultado são milhares de pesquisas que buscam responder às perguntas: quem foi e o que realmente fez Jesus Cristo?

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