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04/02/2011

às 7:10 \ Saúde

Câncer: ontem, um inimigo invencível; hoje, um mal curável

Três décadas atrás, a ciência apenas tateava na compreensão do câncer. Com o passar dos anos, porém a medicina venceu várias batalhas contra a doença e passou a entendê-la melhor. Com isso, os estigmas que cercam esse mal também estão sendo demolidos. Foram instituídas até mesmo datas para lembrar a importância da prevenção e combate à doença. Esta sexta-feira, por exemplo, é o Dia Mundial do Câncer – instituído pela União Internacional de Combate ao Câncer em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os notáveis avanços nos tratamentos estão derrotando o câncer e fazendo com que ele perca a imagem sombria de predador. O câncer ainda é um desafio para a medicina, mas a vida dos doentes e de suas famílias tornou-se muito mais suportável com a compreensão mais precisa do que ela acarreta. Isso fica claro ao se comparar a situação de quem sofria do mal na década de 70 e nos dias de hoje:

Em 4/4/1973: Uma tragédia brasileira
Ao menos 200.000 brasileiros são anualmente sorteados, segundo estimativas oficiais, na sinistra loteria do câncer – um número que deverá saltar em 1975, pelos cálculos menos pessimistas, para 520.000 casos. Um terço dos pacientes morrerá no primeiro ano após contrair a doença, alguns serão definitivamente curados, outros terão um incerto período de sobrevida. Por trás dessas histórias de dúvida angustiante, há duas tristes certezas – a ignorância e a falta de recursos estão na base da tragédia brasileira do câncer. Porque são exatamente os cânceres de maior incidência no Brasil – colo uterino (34%), pele (22%), mama (11%) e cavidade bucal (10%) – os de mais fácil diagnóstico e maiores possibilidades de cura.

Com ou sem esperanças, o fato é que o brasileiro canceroso tem obstáculos formidáveis a vencer. Mesmo depois da cura total ou parcial, sua reintegração na sociedade esbarra no muro do preconceito, problema que geralmente ocorre quando o paciente sofreu, na cirurgia, mutilações graves que o tornam incapacitado para o trabalho ou uma figura “agressiva” ao ambiente. Mas para quem não pode pagar seu internamento, e encontra sempre lotados os leitos gratuitos, o drama é certamente maior. Estes, cancerosos irrecuperáveis ou não, vivem sob a suspeita de que sofrem de um mal contagioso. E, recusados até mesmo pelos abrigos oficiais, obrigados a recolhê-los, dificilmente encontram um canto onde possam simplesmente, morrer.

Em 23/6/2010: Uma vitória da vida
De fato, está longe de ser uma banalidade ouvir que se é hóspede de um tumor maligno. Mas também é verdade que isso deixou de significar, necessariamente, a emissão de um atestado de óbito. Para a desmitificação da doença, contribuem – e muito – os depoimentos de gente famosa, como José Alencar e Hebe Camargo, que resiste à doença com bravura e otimismo

Invencível o câncer não é mesmo, enfatize-se. Hoje, 75% dos casos flagrados em estágio inicial podem ser curados. Quarenta por cento a mais em relação ao que ocorria na década de 70. Isso, na média. O índice de remissão total no tratamento de um tumor como o de fígado, antes altamente letal, hoje é de 85% – contra 35% na década passada. Resultados tão exuberantes estão fazendo com que os pacientes comecem a falar abertamente da doença, com uma esperança que aviva em si próprios e em seus semelhantes a disposição para enfrentar o câncer – melhorando, assim, o grau de adesão às terapias, num círculo virtuoso que ajuda a elevar as estatísticas de cura. Nesse sentido, as celebridades atingidas pela doença têm dado um bom exemplo ao expor sua luta.

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3 Comentários

  1. Márcia A. Di Bernardo

    -

    26/06/2011 às 10:57

    POr favor, pode me informar onde encontro cacina BCG oncológica, pois no Hosp.Brigadeiro está em falta, sem previsão de chegada!
    Desculpe se fugi ao tema, não é ignorância e sim desespero!
    Só a título de informação é p/ meu marido que retirou um tumor cancerígeno da bexiga.

    Abraços

    Márcia


 

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