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31/08/2012

às 9:30 \ Realeza

Diana: a morte transformou em mito a ‘princesa do povo’

Há exatos quinze anos, morria Diana Spencer, mãe dos príncipes William e Harry. Diana foi vítima de um acidente de carro em Paris, em 1997, aos 36 anos. Até hoje, a morte prematura da princesa segue provocando dúvidas: teria Diana recebido o tratamento correto no hospital? Também persiste a tese conspiratória de que o acidente teria sido encomendado pela realeza britânica, ávida em se livrar da princesa problemática. A seguir, confira a reportagem de VEJA sobre o acidente, em 1997, e confira os desdobramentos das investigações.

Em VEJA de 10/9/1997: Nos braços do povo
Ela se casou com o futuro rei e foi formidavelmente infeliz. Mas entre o momento em que foi apresentada ao mundo, como a professorinha de olhar faceiro, e as horas de luto em que seu caixão seguiu pelas ruas de Londres, Diana Spencer conseguiu o que a mais ambiciosa das mulheres nem ousaria sonhar. O que em vida já se sabia amplificou-se excepcionalmente depois que a tragédia, absurda, incompreensível, como todas as tragédias, cruzou o seu caminho num túnel de Paris. Morta, ela vergou as regras da monarquia. Quando sua ex-sogra, a rainha da Inglaterra, apareceu na televisão para fazer um pouco confortável discurso, ninguém teve dúvida. A princesa morta era mais poderosa do que a rainha viva. O inquérito que apura as causas do acidente com o Mercedes-Benz S 280 que se espatifou a quase 200 quilômetros por hora no pilar de um túnel, matando Diana, o namorado e o motorista, tinha 350 páginas. Estão indiciados como suspeitos um motoqueiro e nove fotógrafos, acusados de ter contribuído para o desastre ao perseguir o automóvel. Vão se passar ainda alguns meses antes que se possa reconstruir com exatidão os detalhes mais íntimos da tragédia. Com o que já se sabe da apuração, pode-se dizer que imprevidências, erros e fatalidades somadas levaram à morte a princesa Diana.

O que aconteceu depois
O funeral da princesa, realizado uma semana depois da tragédia, atraiu 1 milhão de pessoas nas ruas próximas à Abadia de Westminster, e foi acompanhado por 2,5 bilhões de pessoas pela televisão. Como a legislação francesa exige que acidentes ocorridos no país sejam apurados pelas próprias autoridades locais, o caso foi investigado em Paris, e não em Londres. Três meses depois do acidente, porém, a imprensa sensacionalista entrou no alvo das autoridades inglesas, que lançaram um novo e rígido código de conduta. Depois de dois anos, a França concluiu seu julgamento sobre o caso. A culpa foi atribuída ao motorista Henri Paul, que dirigia em velocidade incompatível com a pista e estava bêbado e drogado, com nível de álcool no sangue quatro vezes maior do que o permitido. O motoqueiro e os nove fotógrafos citados na ação não foram punidos: sofreram uma reprimenda, mas se livraram de qualquer ação criminal.

O pai do namorado da princesa Dodi Al Fayed, Mohamed Al Fayed (dono da loja Harrods), pediu a revisão do caso. Não obteve sucesso: em novembro de 2003, os fotógrafos Christian Martinez, Fabrice Chassery e Jacques Langevin foram inocentados da acusação de terem violado a privacidade de Diana e Dodi, ao fotografarem os corpos do casal dentro do carro. A derrota, porém, não impediu Al Fayed de seguir espalhando teorias conspiratórias sobre a morte de Diana. Desde o acidente, ele lançou uma campanha contra os membros da família real, aos quais chamou de nazistas e dráculas. Fayed já afirmou que Diana estava grávida, que Dodi comprara um anel de noivado para ela e que seu pai era um rico comerciante – o laudo da necropsia desmente a gravidez, ninguém jamais viu o tal anel e o pai de Fayed trabalhava, na verdade, como bedel de escola.

Em 2003, no entanto, a divulgação de cartas da princesa escritas ao ex-mordomo Paul Burrell revelaram que ela temia ser alvo de um golpe planejado. Numa mensagem redigida dez meses antes de sua morte, Diana dizia estar vivendo a “fase mais perigosa” de sua vida, e que alguém estaria “planejando um acidente” em seu carro, com “falhas nos freios e sérias lesões na cabeça”. Conforme reportou depois o tablóide Daily Mirror, ela se referia ao príncipe Charles. Na correspondência revelada pelo mordomo, Diana diz ainda que o plano deveria “abrir caminho para Charles se casar” — o que de fato ocorreria, mas apenas em 2005 ,quando, depois de anos de estável relação, o príncipe se uniu a Camilla Parker-Bowles. Burrell, aliás, tornou-se uma peça chave no caso. Em 2002, levado a julgamento por roubar objetos da princesa no palácio onde ela morava, acabou absolvido por intervenção direta da rainha Elizabeth II.

Motivados pelas novas revelações, Mohamed Al Fayed e outros defensores de uma investigação inglesa reforçaram sua pressão em favor da abertura de um inquérito público em Londres. No dia 6 de janeiro de 2004, a Inglaterra abriu, enfim, dois inquéritos sobre a morte da princesa e de seu namorado. A Justiça inglesa, no entanto, só começaria a apurar o caso de fato em outubro de 2007. Seis meses e 240 testemunhas depois, a investigação judicial britânica chegou à mesma conclusão que os inquéritos que a antecederam: Diana morreu num trágico acidente provocado pelas generosas doses de uísque e antidepressivos ingeridas por seu motorista.

Essa versão delirante ganhou força também entre os britânicos. Em 2008, um em cada três ingleses acreditava que a história é outra, ainda mais sombria: o príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth, não queria que Diana se casasse com um muçulmano (Dodi) e ordenou ao serviço de inteligência inglês que a matasse. Nessa tese conspiratória, espiões e assassinos de aluguel perseguiam o carro no dia fatídico e um dos fotógrafos usou uma luz estroboscópica para cegar o motorista. Foi, portanto, triplo assassinato.

Não é possível afirmar que a princesa Diana morreu por ser quem era – sempre pairará uma dúvida cruel: os ferimentos sofridos por ela no acidente de carro em 31 de agosto de 1997 seriam fatais de qualquer maneira ou o resgate demorou mais ainda por envolver a mulher mais famosa do mundo? Em entrevista a VEJA, o médico brasileiro que ajudou no atendimento à princesa falou sobre as medidas heroicas – e os erros de atendimento – após o acidente que a matou. Para Leonardo Esteves Lima, o socorrista que atendeu Diana ainda no local do acidente foi vítima da chamada “síndrome de esmeraldite” – tentou tratar Lady Di como uma esmeralda, e não apenas uma paciente comum. Por causa disso, optou por procedimentos diferentes do padrão em acidente do tipo. Se tivesse dado a Diana o tratamento usual, talvez a princesa tivesse sido poupada.

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4 Comentários

  1. Gabriela Santana

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    30/12/2012 às 16:14

    Queiram me desculpar, mas esta história de conspiração é ridiícula!Diana foi vítima da própria imaturidade, passionalidade e irresponsabilidade. Por que ela e o namorado não ficaram, no hotel, que era de propriedade do pai de Dodi Al Fayed? Por que sair, se eles sabima, que um monte de paparazzi estavam do lado de fora? Por que se expor desta maneira? Por que eles pediram para o motorista se recolher e depois o chamaram de volta para a fatídica viagem? Por que eles não usavam cinto de segurança? Por que imprimir tanta velocidade ao carro? Ora, o motorista, pensando estar liberado do trabalho, comeu, bebeu o quanto quis. Dodi provocou os paparazzi, dizendo que eles jamis os alcançariam. Diana envolveu-se com um playboy pra lá de problemático…Enfim, Diana cometeu vários erros e o pior deles foi correr atrás do Príncipe Charles o quanto pôde para fisgá-lo. Casou-se com ele ciente que Camilla era a mulher da vida dele. Ela era muito imatura, intrigante e manipuladora. Ela tinha qualidades, mas vamos olhar os defeitos e deslizes dela, afinal, ninguém é santo!

  2. Elis R. Souza

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    15/10/2012 às 19:11

    Sempre achei a situação que envolveu a morte da princesa muito estranha. Um motorista de um milionário como Dody Al Fayed, dirigir drogado e bebado é muito estranho. Esse atendimento médico feito fora dos padrões que devriam ser feitos também. Os fotógrafos devriam ser punidos, afinal de contas boa parte do acidente ocorreu devido a atuação deles. Enfim, tudo muito estranho, penso que não foi investigados de acordo e muito conveniente para o Príncipe Charles e sua atual esposa(ex amante)que conseguiram realizar seus desejos, mas em cima de muita dor e desgraça alheia. Eu penso que a justiça divina vai se fazer presente, nãoi sei como, mas vai. E para finalizar meu desabafo, pois era fã da princesa, desejo uma vida mais harmonica e abençoada para os seus filhos e sejá lá onde ela estiver com o Dodi, talvez em um plano superior, que ela tenha conseguido superar essa vioência que foi cometida contra a sua vida e das pessoas que estavam naquele carro.

  3. tokuharo suzuki

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    29/02/2012 às 2:18

    a isca para que ocorrece um acidente fatal nao seria o motorista? que gostava de beber e de drogar-se conforme as noticias…foi verificado a quantidade de alcool e qual o tipo de droga ingerido? o motorista nao foi atraido para o tunel fatal,sabendo que a 200km/hora,descida ,cheios de palitos,e curvas ,conforme o relato de Marcio A macedo.Enfim como suspeita os Britanicos, ai ainda tem!

  4. marcio alvarenga macedo

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    01/07/2011 às 16:02

    Já que vocês publicaram a entrevista com o médico que ajudou no atendimento e reacenderam o assunto acidente da princesa Diana, aproveitem para tecer alguns comentários sobre aquela obra prima da engenharia francesa que é um túnel em descida, em curva e um paliteiro de colunas sem um mísero guard-rail para impedir choques frontais.De quebra, uma análise sobre o olhar condescendente com o que costuma vir de ruim de países ricos e desenvolvidos.

 

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