24/12/2010
às 13:37 \ PolíticaOrestes Quércia: o poder no PMDB e a marca da corrupção
Desde o início da atuação política, ainda como líder de movimento estudantil, Orestes Quércia não conseguia esconder o gosto pelo poder, prestígio e influência que os cargos de comando são capazes de oferecer. O caminho que decidiu seguir, então, foi o que o levasse aos mais altos círculos da política nacional. Foi vereador, prefeito, deputado estadual, senador e governador, mas conseguiu ter papel destacado nos bastidores políticos principalmente graças à atuação partidária, no PMDB paulista. A força da máquina peemedebista no estado mais rico do país, porém, não foi suficiente para impulsionar a ambição de chegar à Presidência. No período em que esteve mais próximo desse objetivo, acusações de corrupção minaram qualquer chance de sucesso numa disputa nacional.
Em 1990, Quércia chegava ao fim do seu mandato de governador com um saldo de muitas obras e grande popularidade entre os eleitores. Conseguiu transferir o prestígio ao sucessor indicado, Luiz Antônio Fleury Filho, que seria eleito para o mandato seguinte. Parecia esta em trajetoria ascendente, rumo a voos maiores. Só parecia. Em novembro de 1992, VEJA mostrou como o político bom de urna se complicou ao tentar explicar como ficou milionário ocupando cargos públicos. Na ocasião, de acordo com os dados oficiais, seu patrimônio total era de 52 milhões de dólares. As suspeitas de envolvimento com corrupção só cresciam.
Alguns meses depois, em maio de 1993, VEJA publicava outra grande reportagem sobre o político – desta vez, para mostrar seu acentuado declínio. Desmoralizado pelas denúncias de enriquecimento ilícito e corrupção e às voltas com uma rebelião dentro do partido que controlou com mão de ferro até o impeachment de Collor, ele renunciava à presidência do PMDB, desistia do comando da legenda e acusava seu afilhado Fleury Filho de traição. No ano seguinte, a fama de campeão de votos foi esfarelada, com uma derrota feia na disputa para a Presidência e outro revés dos peemedebistas na disputa para o governo de São Paulo, eleição vencida pelo rival Mario Covas. Em péssima fase, ameaçou agredir um jornalista durante um programa de TV ao vivo.
Em 1996, ele já era uma companhia que ninguém mais queria ter – enfraquecido, tinha perdido influência e relevância. “Eu pensei em me afastar, estava paralisado até uns cinco meses atrás”, reconheceu naquele tempo. “Mas é difícil sair da política.” A força eleitoral do PMDB, porém, deu fôlego novo a Quércia alguns anos depois. Nas negociações em torno das candidaturas à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, Quércia foi procurado por Itamar Franco, de olho na vaga peemedebista na disputa. A aliança, porém, não funcionou, e Itamar não emplacou a volta ao poder.
Em 2002, Quércia tentou conquistar uma vaga no Senado, mas acabou sendo derrotado na eleição. Ganhou lugar apenas no “parque dos dinossauros”, que foi como VEJA definiu o clube dos velhos políticos derrotados naquele pleito – além de Quércia, também perderam Maluf, Brizola, Newtão, Collor… Na eleição seguinte, porém, uma surpresa: Quércia voltava a ser cortejado pelos postulantes à Presidência. Símbolo da corrupção na política, ele agora era recebido por Lula no Palácio do Planalto – e recebia o tucano José Serra em sua casa. Era um desfecho no mínimo inusitado para uma carreira política cheia de altos e baixos – e de um apetite voraz pelo poder, ao lado de quem quer que fosse.
Em 1988, por causa da notoriedade dos métodos de Quércia, alguns peemedebistas ilustres – como Fernando Henrique Cardoso e o próprio Serra – deixaram o PMDB e, pregando uma atuação ética na política, fundaram um novo partido, o PSDB. Em 2006, com o assédio tucano por seu apoio, Quércia se dava ao direito de divulgar outra versão para a dissidência de quase vinte anos antes: “Eles não me atacavam por corrupção, mas porque eu dominava a política de São Paulo e não dava espaço para mais ninguém”. As divergências com o PT, partido que Quércia já classificou de “fascista”, também chegam ao campo da ética. Um diálogo exemplar foi travado entre Quércia e Lula na eleição de 1994. “Lula nunca dirigiu nem um carrinho de pipoca”, acusou Quércia. Três eleições depois, lá estava o peemedebista, na sede da Presidência, com o mesmo Lula.
Em 12/9/1990: Quércia joga em seu calendário
Em 11/11/1992: Quércia todo enrolado
Em 6/5/1993: A queda de um político
Em 12/10/1994: O mito virou farinha
Em 27/7/1994: Circo desastrado
Em 14/8/1996: Quércia vira a companhia que ninguém quer
Em 15/08/2001: Nos braços de Quércia
Em 16/10/2002: Barrados pelas urnas
Em 7/6/2006: O que o PT e o PSDB mais querem?
Tags: corrupção, FHC, Itamar Franco, Lula, Orestes Quércia, pmdb



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5 Comentários
Esequias Alves Dias
-02/01/2011 às 6:55
Se levasse junto diversos outros políticos de sua estirpe com certeza o país teria um grande ganho em moralidade. Se acontecesse sobraria mais dinheiro pra saúde, educação, segurança, infraestrutura e outras coisas mais em que somos carentes e que são indispensáveis ao desenvolvimento do Brasil. Sugiro uma reportagem mostrando as grandes falcatruas que existiram ate agora e o que aconteceu, que penalidade teve cada infrator e em quanto o erário foi ressarcido.
Edson Flavio Cardoso
-31/12/2010 às 12:10
A veja deveria fazer matéria com os seguintes títulos: O POVO QUER SABER A ORIGEM DO ACÚMULO PATRIMONIAL DO PRESIDENTE LULA; outra: O POVO QUER SABER A ORIGEM DO ACÚMULO PATRIMONIAL DE SARNEY. Enfim, poderiam fazer matérias sobre o tema de cada figura politica destacada. Estariam fazendo um grande serviço a nação e, quiça,despertando a sociedade para se criar um órgão de combate exclusivo à corrupção.
julio ferreira
-29/12/2010 às 16:48
O médico, advogado e cientista fluminense Aniceto Martins defendeu tese de mestrado, provando, cientificamente que “corrupção faz mal a saúde e que os corruptos morrem de câncer, coração, etc”.
A trajetória de Quércia é mais um exemplo dos estudos de AM.
Veja deve fazer matéria com Aniceto, hoje aposentado do INSS.
Vanderci Pedro Segatto
-28/12/2010 às 8:52
É facil acabar com os corrupitos do Brasil, isto é se Deus desse uma mansinha e chamassem estes malandros logo que os mesmo começassem a corrupição, infelismente temos que esperar a vontade de Deus, porque a justissa brasileiras não vai conseguir eliminar os corrupitos.
Carvalhão
-24/12/2010 às 18:07
Fundo de poço de político tem mola.Taí,se não fosse acometido da grave doença que o levou hoje,Quércia provavelmente estaria eleito senador por São Paulo.O mesmo PT que não lhe deu tréguas no passado,hoje presta homenagens.