Blogs e Colunistas

22/01/2010

às 1:30 \ Internet

Redes sociais: diferentes formas de interagir na web

Redes sociais

Nem Orkut nem Facebook. Os atletas do Manchester United e do Manchester City, importantes clubes ingleses, estão proibidos de fazer parte de qualquer rede social na internet. O motivo alegado pelos dirigentes é que diversos perfis falsos dos jogadores foram encontrados na web recentemente. De fora dos sites de relacionamento, esses jogadores ingleses deixam de fazer parte de um universo de pelo menos 260 milhões de pessoas que frequentem ambientes virtuais de sociabilidade ao redor do mundo - somente no Brasil as redes sociais alcançam 29  milhões de usuários.

As novidades e os fenômenos relacionados a essa nova forma de interação social começaram a ganhar as páginas de VEJA em 2004. Naquele ano, chamava a tenção a crescente popularidade do Orkut que, muito à frente de seus concorrentes, contava com 2 milhões de usuários ao redor do planeta. Na época, programas que reuniam amigos ou pessoas com interesses comuns não eram propriamente uma novidade. A inovação promovida pelo Orkut era possibilitar a cada usuário montar uma página com seu perfil. O padrão acabou servindo de modelo à maioria das redes sociais que surgiram posteriormente e fez do Orkut o pioneiro de uma nova geração de serviços de comunicação interpessoal.

Um ano e meio depois do surgimento do Orkut, os sites de relacionamentos já eram tão presentes na vida de seus usuários que promoveram uma verdadeira mudança em seu comportamento. As redes sociais virtuais haviam criado novos paradigmas. Hoje, na vida conjugal, por exemplo, há quem veja na internet uma nova maneira de ser infiel. Já na educação, as redes se tornam ferramentas de interação entre aluno, professores e pais.

As novidades, porém, não pararam por aí. As possibilidades oferecidas pelo Orkut já não pareciam suficientes aos olhos dos americanos Tom Anderson e Chris DeWolf. A dupla de programadores reinventou os sites de relacionamentos ao oferecer aos usuários novos recursos, como a criação de blogs, a veiculação de canções e a divulgação de vídeos caseiros. O sucesso do MySpace era sem antecedentes: em um ano, havia quadruplicado seu número de visitantes e contava, em fevereiro de 2006, com 68 milhões de filiados. A preferência dos brasileiros, porém, ainda era pelo Orkut. Para esses usuários, a má notícia era o novo mecanismo que identificava as cinco últimas pessoas a circular em cada página.

Mas se os sites de redes sociais ainda guardavam alguma ligação com o mundo real, o Second Life, um misto de jogo e site de relacionamentos, permitiu um mergulho ainda mais profundo no mundo virtual. Criado em 2002, mas desperto de prolongada hibernação só em 2005, o programa deu a muitos a oportunidade de viver uma versão idílica da própria vida. Reportagem de VEJA de abril de 2007 contava a experiência de Tatiana Lacerda e Victor Salles, que criaram seus avatares – bonequinhos que são a encarnação virtual dos usuários – e, nos fins de semana, em casa, cada um com seu computador, passavam até doze horas no Second Life: ela na pele da curvilínea Tatjana e ele, do marombado Viktor.

Recentemente, a excessiva exposição a que estão sujeitos os usuários em sites como o Orkut mostrou-se nem sempre benquista. O Facebook, lançado em 2004 por Mark Zuckerberg, então aluno da Universidade Harvard, deve grande parte de seu sucesso ao fim dessa exibição desvairada. Oferecendo mais privacidade aos usuários, o Facebook conquistou anônimos e famosos, como o presidente americano Barack Obama, que usou as redes sociais como cabo eleitoral nas eleições americanas de 2008.

A exemplo da disputa eleitoral nos EUA, os políticos brasileiros já começam a usar os sites de relacionamento para fazer campanha. A sensação da vez é o Twitter, serviço de troca de mensagens curtas com até 140 caracteres que se tornou uma febre mundial. Somente no Brasil, o número de “tuiteiros” chega a 10 milhões, a imensa maioria bem-educada e moradora do Sul e do Sudeste. Com tanta visibilidade, twittar é correr o risco de digitar o que não deve, a quem não deve. Nessa arena, diversas celebridades e personalidades, além de acumular seguidores, acumulam também gafes. William Bonner, do Jornal Nacional, já registrou sua “pérola” no Twitter ao escrever:  ”Esqueci o que ía perguntar”, assim, com acento. Com humor, retratou-se: “Escrevi ia com acento. Velho e analfa”.

Em 16/6/2004: Gincana de popularidade
Em 25/1/2006: Trair e teclar é só começar

Em 12/4/2006: Orkut agora com trilha sonora
Em 3/5/2006: Emergência nacional
Em 18/4/2007: A vida como ela não é
Em 8/8/2007: Bisbilhoteiro não entra

Em 8/7/2009: Os laços (fracos) da internet
Em 18/11/2009 Conectados para aprender
Em 25/11/2009: Brinquedo dos famosos
Em 23/12/2009: A disputa na arena digital

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

2 Comentários

  1. Rodrigo

    -

    22/01/2010 às 16:56

    Imagino quantas redes sociais existem.
    Para mim, o melhor para informação é Twitter e Facebook.
    Para me divertir e conversar é o Wooxie, que é uma imitação
    do Twitter, assim como o Koornk (o mascote é uma galinha).
    Mas uma rede social para fazer sucesso depende muito
    do design também.
    Eu freqüento essas que citei, pois são interessantes aos olhos.

  2. Thomas

    -

    22/01/2010 às 16:33

    A “evolução” das redes sociais, por assim dizer, é surpreendente. Não só isso, mas também a influência que acabaram tomando na vida das pessoas ao redor do mundo. É um evento realmente fantástico, mas que ainda precisa de muita regulação.

    Do que adianta possuir uma página do orkut se não há boa conduta nos fóruns de comunidade? Além daqueles que usam para fins de pedofilia, crimes, etc.

    As redes sociais ainda podem ser muito mais do que elas são. E junto da evolução delas, é necessária também a evolução da sociedade. Espero que a sociedade brasileira consiga manter o passo.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados