Blogs e Colunistas

02/04/2012

às 7:47 \ Internacional

Malvinas: 30 anos da guerra entre Argentina e Grã-Bretanha

Guerra das Malvinas

As Ilhas Malvinas – Falkland, em inglês – ficam a cerca de 500 quilômetros do litoral argentino, mas são administradas e ocupadas pela Grã-Bretanha desde 1883. Por isso, o arquipélago sempre foi motivo de tensão entre os dois países, que entraram em guerra em 1982. Derrotada em dois meses de conflito, a Argentina se rendeu e os britânicos seguiram como donos do território onde vivem hoje cerca de 3.000 pessoas. O confronto completa 30 anos nesta segunda-feira, com um protesto marcado em Buenos Aires. Recentemente, a presidente argentina Cristina Kirchner decidiu reclamar novamente a soberania sobre a ilha, o que reacendeu o clima de tensão entre as duas nações.

Apesar do impasse, a tensão recente não lembra em nada a estretégia da ditadura do general Leopoldo Galtieri que, em 1982 tomou as Malvinas pela força militar, interrompendo 149 anos de controle da Grã-Bretanha sobre as ilhas. Naquele ano, o mundo assistiu a uma guerra entre dois países separados por 13.000 quilômetros de mar, em um ponto perdido no mapa-mundi e em torno de um objetivo que até então era incapaz de valer um tiro.

Desde o início da guerra, deflagrada oficialemente com o primeiro bombardeio britânico, a superioridade estava com a rainha Elizabeth II, que tinha uma frota moderna e centralizada, com navios pequenos e rápidos. Para enfrentar – e vencer – essa guerra era preciso ter força econômica, poderio militar e coesão política, tudo que faltava à Argentina e sobrava a sua rival. Com os primeiros ataques ainda vindos do mar, a guerra ameaçava tranformar-se em um pesadelo para o país latino-americano antes mesmo do combate chegar à terra firme.

Menos de 20 dias depois do primeiro ataque e de impor um bloqueio naval que isolou a argentina nas Malvinas, os ingleses chegaram ao continente. A bandeira britânica voltou a tremular no território ocupado até então pela rival. Era o começo do fim da arriscada aventura militar lançada pela Argentina. Era também o clímax da lenta agonia que por quase dois meses arrastou duas nações para uma guerra de carne e osso. A partir de então, Argentina e Inglaterra se enfrentaram com força total. A vantagem estava do lado britânico. Em Buenos Aires, o chanceler argentino Nicanor Costa Méndez sintetizou a situação de seu país nas Malvinas: “Apesar de tudo, acredito em milagres”, disse parafraseando a última página do diário de Anne Frank.

O milagre não veio e a rendição argentina foi assinada em junho de 1982, menos de três meses depois da ocupação. “Foi duro, muito duro. Para um soldado deve ser o momento mais doloroso da sua vida. O que se deve pensar quando se tem a responsabilidade  de vida e morte sobre 10.000 homens? Frente às evidências, o melhor seria a rendição. Mas uma rendição honrosa”, disse semanas mais tarde o general  Mario Benjamín Menéndez em entrevista exclusiva à VEJA. Como comandante das forças argentinas nas ilhas, foi ele quem assinou a rendição de seu país.

Revisitada por VEJA quatro anos após o fim do confronto, as Malvinas ostentavam uma condição bastante singular. As ilhas eram então o único teatro de guerra no mundo onde o número de civis mortos se contava nos dedos de uma mão – três mulheres vítimas de bombardeio –  e o único também onde as condições de vida melhoraram  tão logo terminou a guerra. Na reportagem, seus habitantes lamentavam a guerra, mas acreditavam que com os britânicos a prosperidade era maior. As melhorias trazidas pela guerra iam desde a uma agência bancária até um moderno sistema de comunicações. “Finalmente chegamos ao século XX” resumiu na época uma morador. “Existe um futuro bom para nós”, garantiu.

Em 14/4/1982: A guerra pelas Malvinas
Em 5/5/1982: Malvinas, a prova de força
Em 26 /5/1982: Começa a invasão
Em 18/8/1982: Moral da derrota
Em 21/5/1986: Agora, melhor que antes

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

22 Comentários

  1. Marcos

    -

    14/10/2012 às 16:03

    O Brasil que se prepare porque está chegando a hora dos Americanos invadir o nosso território.FERNANDO DE NORONHA é um ponto estratégico,porque as FORÇAS ARMADAS DO BRASIL não se prepara para uma eventual crise!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. paulo

    -

    05/08/2012 às 16:34

    Ok quando os EEUU tirem o amazonuas do Brasil , acho justo que Argentina apoie o Brasil ao funal e uk pais sulamericano , e o unico pais que peita as potencias de frente . Conto com ajuda dos hermanos ja que sim i

  3. PAULO CESAR CACHOEIRA DE MELLO

    -

    26/05/2012 às 21:50

    Pelo péssimo exemplo que o governo da Argentina deu em confiscar a petroleira da Espanha, imagino que com as Malvinas não é diferente….

  4. nilza castilho freitas

    -

    21/04/2012 às 14:47

    É terrivel mas os ingleses continuam fazeno que sempre fizeram! Invadindo países e mares p/roubarem como fazem hoje os EU. Até quando?

  5. julio santos

    -

    02/04/2012 às 16:47

    Na vida existe hora para tudo. A hora, para o Brasil, é de usar bem a riqueza que Deus lhe deu, preparar seu povo para o futuro. O Brasil também deve se preparar para desempenhar seu papel no mundo e isso passa pelo reaparelhamento da máquina e industria militar. Não existe país forte sem forças armadas fortes…e não existe poderio militar dependente de industria e tecnologia militar estrangeira. Daqui a uns dez anos a opinião do Brasil em um assunto como esse das ilhas Malvinas poderá fazer os generais ingleses coçar a cabeça…por enquanto, melhor nos concentramos em nossos problemas internos e deixar que a Argentina cuide do assunto Falklands.

  6. emilio martins

    -

    02/04/2012 às 11:12

    Nossa geração vivenciou tudo isso. O Governo Argentino de então não só foi derrotado na Guerra da Malvinas como também foi na Guerra que travava internamente. O plano de recuperação intelectual e econômico da Argentina naufragou no Atlântico Sul antes mesmo de ser concluído, os vencedores retalham condenando homens com as mínimas condições do contyraditório e ampla defesa. O que tudo isso tem haver com o Brasil. Muito! Aquí, o plano não naufragou nas águas do Atlântico Sul, muito pelo contrário, foi concluído e se elegeu pelo voto direto o Presidente. Historiadores distorcem a verdade e alimentam as agressões, como vimos nos últimos dias,a homens de cabelos brancos que deram tudo de si para que o Brasil chegasse ao onde chegou com uma economia estável, um Estado Democrático de Direito sólido, um lugar onde as famílias pudessem criar seus filhos.

  7. Cláudio Henrique

    -

    21/08/2011 às 11:05

    Não sou deacordo com a invasão da Argentina as ilhas Malvinas, pois sou a favor da diplomacia. Mas acredito que não só a Argentina mas a América Latina como um todo deve se armar e se modernizar para enfrentar adversidades futuras. Nó não podemos ser ditados por nações estrangeiras, seja elas de onde forem. Temos que ter soberania e capacidade de defesa se for necessario. Temos que em geral se modernizar e adquirir materias de defesa de ponta, modernos e capazes de perssuádir o inimigo. O Brasil precisa envestir mais em defesa, em material bélico. Precisamos de uma marinha de guerra poderosa, uma força aéria com capacidade de defesa e ataque e um exército moderno e numeroso para um país continental como o Brasil!!! Cláudio Henrique!

  8. Dijalma

    -

    15/12/2010 às 12:33

    a argentina so e rival do brasil no futibol fora isso nao a motivo pra eles nao gostaren de nos afinal somos aliados. quanto as maovinas nao e probrema nosso nossa preucupasao deve ser com o presao e a amazonia mas axo que devemos nos unir com os paises vizinhos para defender nosa soberania na america do sul

  9. Dijalma

    -

    15/12/2010 às 11:08

    E EU EZAGEREI MAS AXO QUE NINGEM TEM O DIREITO DE ESPRORAR A RIQUEZA DOS OUTROS DESCUNPE PELA MINHA FAUTA DE EDUCASAO

  10. geraldo

    -

    10/11/2010 às 15:47

    Caso o Brasil enfrentasse uma guerra, a Argentina não pensaria duas vezes em aproveitar a situação para usurpar alguma coisa de nós. A verdade é que eles nem gostam de nós. O Brasil deve-se preucupar com nós brasileiros. Quanto mais longe de evo, chaves, lugo, correa e etc… melhor para nós.

  11. luiz

    -

    30/09/2010 às 12:19

    OS FATOS FALAM POR SI SÓ!! VAMOS ANALISAR!
    a Argentina nunca foi dona das ilhas Falkland(Malvinas)!! Elas sempre pertenceram à Inglaterra, Antes mesmo da época que a Argentina era colônia da Espanha!! A tomada das malvinas pelo General Leopoldo Galtieri(ditador argentino), foi uma intenção de desviar a atenção do povo argentino pela insatisfação pela ditadura que era cruel na Argentina. O próprio povo da ilha Falkland, prefere está junto a Inglaterra. O BRASIL fez certo em não se envolver nessa aventura oportunista do ditador Argentino!!!

  12. Vitorio

    -

    03/03/2010 às 5:19

    Brasil não deve se meter nessa história, não temos nada a ver com isso…cuidemos de nossos problemas que não são poucos.

  13. Luciene

    -

    25/02/2010 às 19:47

    A Argentina e a Grã- Bretanha lutaram muito pelo poder pelo petroleo que acabou numa guerra horrivel em que muitos sofreram ,muitos MORRERAM.Isso tem que acabar o mais rapido possivel. Pesso isso em nome de todos os argentinos de Buenos Ares.

  14. Moises Andrade

    -

    24/02/2010 às 12:07

    Não tenho duvidas que o nosso Pai dos Pobres é capaz de uma loucura como enviar soldados para lutar ao lado de los hermanos em um eventual confronto com os ingleses. E não duvido também que o nosso povo tão esclarecido quanto vai apoiar nosso guia e protetor.
    Os ingleses devem estar se borrando, mas nada como inserir o Brasil no mundo.

  15. João

    -

    23/02/2010 às 21:10

    As ilhas Falkland nunca foram território argentino (exceto durante o breve período de ocupação nos anos 80). Os britânicos colonizaram as ilhas muito antes de a Argentina existir como país. É mais ou menos como se o Brasil resolvesse entrar em guerra com a França e anexar a Guiana Francesa simplesmente por estar mais perto. Além disso, os habitantes da ilha têm pavor até de pensar em cair sob administração dos hermanos.

  16. Nei Duclós

    -

    23/02/2010 às 20:48

    Lula não considera a Grã-Bretanha como legitima proprietária das Falklands porque está a 13 mil quilômetros das ilhas, ao contrário da Argentina, que está a apenas 450 km. A Argertina fica ao lado do Brasil. Temos direito á Argentina?

  17. luciana silva

    -

    23/02/2010 às 20:05

    Totalmente de acordo com Rubens Patrick.

  18. Vitor

    -

    23/02/2010 às 16:01

    É difícil imaginar as Falklands sendo território argentino. Os falklanders não tem interesse em tornarem-se cidadãos argentinos e são orgulhosos de serem cidadãos britânicos.

    Salve Elisabeth Regina, Rainha do Reino Unido e da Commonwealth!

  19. Silvano Febroni

    -

    23/02/2010 às 15:45

    PERDERAM A GUERRA,
    entao, é FALKANDS, that´s it.
    ainda não entendi pq a imprensa brasielira fica falando Malvinas, como se fosse Argentina,
    E os nativos já escolheram, TO BE INGLISH.

  20. Rubens Patrick

    -

    23/02/2010 às 13:16

    É dificil imaginar as Malvinas (Falckland) como território Britânico. Sou brasileiro e apoio a determinação Argentina de ter o SEU território novamente anexado a sua federação. Uma pena que esta ação atual não seja mais do que uma atitude populista de um governo desastrado.

  21. Jorge Eduardo

    -

    23/02/2010 às 11:42

    Estamos voltando no tempo ou a desculpa do aquecimento global está reaquecendo o já quente comercio mundial de armas, somado ao imperialismo britânico que nunca se intimidou com nações unidas ou algo parecido, é petrodolar e acabou!!!

  22. v.b.p.f.

    -

    23/02/2010 às 8:36

    Sintético e bom esse texto. O que é melhor para a população? Administração Argentina ou Inglesa? Não deve ser tão dificil a resposta.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados