21/10/2010
às 7:02 \ FutebolPelé: relembre a trajetória de um mito do esporte brasileiro
Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, completa 70 anos neste sábado, dia 23. A vida do rei do futebol é marcada por grandes conquistas: ele acumula três Copas do Mundo, dois campeonatos mundiais de clubes e mais de 1.300 gols. Tantas vitórias, somadas à sua genialidade dentro de campo, lhe renderam o título de atleta do século, em 1981. VEJA acompanha a trajetória do rei do futebol desde suas primeiras edições, em 1968.
Em dezembro daquele ano, uma reportagem de capa revelava: o rei já estava cansado da fama. E muitos tentaram, de fato, derrubar o mito. Depois da Copa de 1966 não faltou quem anunciasse a morte do rei. Mas era justamente quando tudo ficava mais difícil que Pelé demonstrava sua força. Uma vez, no Peru, estava machucado no joelho, saiu no início do segundo tempo. A torcida queria queimar o estádio. Pelé mudou de roupa novamente e voltou a campo. Na seleção brasileira também jogou com febre, com a cabeça enfaixada, com o joelho machucado.
Graças a Pelé, Edson conseguiu tudo o que tem e foi tudo o que queria ser: o maior ídolo popular de seu país, o mais famoso atleta de sua geração em todo o mundo. Era esse o tamanho da ambição do garoto magricela, de orelhas de abano e joelhos salientes que um dia saiu de Bauru levando consigo a imagem do pai, craque frustrado, e as orações da família, que via nele um predestinado. Queria ser um craque, ver o nome e as fotos nos jornais. “Era a sua maior ambição”, diz Jair Rosa Pinto, antigo meia-armador da seleção, que viu Pelé começar no Santos, em 1957 – “um crioulinho inibido e inseguro”.
Um dos maiores momentos de sua carreira viria em 1969: o milésimo gol. Edgard Andrada, goleiro do Vasco da Gama, foi quem ganhou a chance de sofrê-lo num pênalti quase indefensável. E o próprio Pelé teve tempo de ensaiar cuidadosamente os seus últimos gestos. Enquanto ajeitava a bola para o chute, enquanto media a distância até as traves, enquanto sentia dentro de si todos os aplausos de 70.000 pessoas que gritavam seu nome no Maracanã, ele teve tempo de pensar uma última vez no seu maior momento. Feito o gol, Pelé chorou. E continuou chorando por muito tempo ainda, num banco do vestiário que ganhou seu nome.
Dois anos mais tarde, depois de conquistar o tricampeonato mundial de 1970, o craque anunciou que deixaria a seleção brasileira. Foi o primeiro passo para deixar o futebol. Pelé, porém, só pendurou as chuteiras definitivamente em 1977, quando era jogador do time americano New York Cosmos. Ele não se aposentou, é claro, sem ajudar o clube a conquistar o campeonato daquele ano. Pelé chegou aos Estados Unidos em 1974, com o objetivo promover o futebol entre os americanos.
Mas a aposentadoria não o colocou no ostracismo, pelo contrário. Ele tornou-se ainda mais famoso e muito mais rico do que quando jogava futebol. Como mostrou VEJA em 1993, Pelé é muito, muito mais famoso do que se imagina. Somente naquele ano, levado por compromissos empresariais, o brasileiro Edson Arantes do Nascimento carregou o personagem Pelé a 42 países. Avistou-se com vinte chefes de estado. Quase todos, humildemente, pediram seu autógrafo.
No período entre o auge e a aposentadoria de Pelé, surgiram alguns jogadores geniais, como o holandês Johan Cruyff e o argentino Diego Maradona. Nenhum conquistou tantos títulos quanto ele. Parte do sucesso de Pelé pode ser creditada ao fato de ele ter vivido os períodos áureos da seleção brasileira e do Santos. Explicar seu êxito pela excelência das equipes em que atuou é injusto. Na entrevista concedida por ele a VEJA em 2001, Edson constatava que será difícil aparecer outro Pelé. Será mesmo.
Em VEJA de 13/8/1997: Havelange está gagá
Em VEJA de 10/1/2001: “Não haverá outro Pelé”
Em VEJA de 4/3/2009: “É bom ser exemplo”
Em VEJA de 23/8/1995: O criador vence a criatura
Em VEJA de 22/12/1993: À sombra das chuteiras milionárias
Em VEJA de 20/11/1991: Na lista do século
Em VEJA de 20/5/1981: Atleta do século
Em VEJA de 28/9/1977: Pelé se prepara para a aposentadoria
Em VEJA de 7/9/1977: A vida de Pelé nos EUA
Em VEJA de 9/10/1974: Pelé abandona o futebol
Em VEJA de 14/7/1971: Édson, Dico, Pelé, Édson
Em VEJA de 24/6/1970: Brasil, para sempre
Em VEJA de 26/11/1969: Alegrias de um futebol-festa
Em VEJA de 11/12/1968: Edson, o superpelé
Tags: copa do mundo de 1970, edson arantes do nascimento, new york cosmos, Pelé, santos, seleção brasileira, vasco ds gama



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4 Comentários
Marcio Manoel
-24/10/2010 às 11:01
O Brasil tem de se considerar um Olimpo, pois só nesses lugares é que aparecem os Deuses. Prova disso é que para aqui veio Pelé, que mostrou sua Divindade e sua perfeição através do futebol.
Portanto não percam tempo em comparações, já que não se deve nem se pode comparar homens e Deuses. O minimo a que se pode chegar diante de tamanha genialidade, é chama-lo de Rei ou Magestade.
Só nos resta dizer: obrigado Deus Pelé.
Marcio Manoel.
Gladstone
-23/10/2010 às 15:40
UM CARA PARA SER LEMBRADO SEMPRE, APENAS COMO REI DA BOLA. SÓ.
Itamar da Silva
-21/10/2010 às 15:53
O Santos já teve Robinho, agora Neymar, mas jamais vai ter outro Pelé.