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	<title>Acervo Digital - VEJA.com</title>
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	<description>Os fatos e personagens mais importantes do país e do mundo nas páginas de VEJA</description>
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		<title>Em dia: a disparada dos valores nos grandes leilões de arte</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 11:29:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giancarlo Lepiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[EM DIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Um leilão realizado na noite de quarta-feira em Nova York quebrou um recorde histórico: uma obra de arte foi arrematada por 120 milhões de dólares, o maior valor já registrado numa disputa desse tipo. A tela, uma das quatro versões de O Grito, de Munch, entra na lista das obras de arte mais caras da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2012/05/o-grito-munch-sothebys.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9971" title="O Grito, de Munch, na Sotheby's" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2012/05/o-grito-munch-sothebys.jpg" alt="Funcionários da Sotheby's seguram a tela 'O Grito', de Munch, que bateu um recorde em leilão realizado em Nova York: 120 milhões de dólares" width="600" height="400" /></a></p>
<p>Um leilão realizado na noite de quarta-feira em Nova York quebrou um recorde histórico: uma obra de arte foi arrematada por 120 milhões de dólares, o maior valor já registrado numa disputa desse tipo. A tela, uma das quatro versões de <em>O Grito</em>, de Munch, entra na lista das obras de arte mais caras da história. O assunto foi tema de uma reportagem de capa de VEJA em 8 de abril de 1987. Na ocasião, o valor que assombrava o mundo era muito menor: 36 milhões de dólares por um Van Gogh. Hoje, 25 anos depois, essa tela não está nem entre as vinte mais caras do mundo.</p>
<p><span id="more-9891"></span></p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p><strong>O que dizia a reportagem de VEJA</strong></p>
<p><img class="alignleft" src="http://veja.abril.com.br/imagem/em-dia/2007/leiloes-arte-52421.gif" alt="" width="100" height="128" />Noventa e sete anos após seu dramático suicídio com um tiro no peito, Vincent Van Gogh arrebentou todas as barreiras financeiras do mercado de arte imagináveis até hoje. Um de seus sete quadros intitulados <em>Girassóis</em> &#8211; mais precisamente uma tela de 100 centímetros por 76 centímetros pintada em janeiro de 1889 &#8211; foi arrematado pela estratosférica cifra de 36 milhões de dólares. Mesmo para um mercado de arte galopante, que ao longo dos últimos doze meses ultrapassou três vezes a mítica barreira dos 10 milhões de dólares, o arremate da semana passada pareceu assombroso. Paira sobre os <em>Girassóis</em> uma pergunta: afinal de contas, o que há neles que valha 36 milhões de dólares? Resposta: nada. No entanto, se 36 milhões de dólares forem pendurados numa parede, só poderão atrair curiosidade, enquanto uma obra de arte, de qualquer valor, permite ao espírito humano aqueles momentos de visita ao interior de suas sensações e deixa estranhas marcas em sua memória. A perseguição que o dinheiro faz à arte continuará, mas sempre terminará por mostrar aquilo que as pessoas que acreditam nele acima de tudo menos gostam de ver: a sua incapacidade de servir como medida universal. Afinal de contas, é até possível que o dinheiro possa comprar tudo. O que ele não consegue é medir tudo.</p>
<p><strong>O que aconteceu depois</strong></p>
<p>O recorde batido pelos <em>Girassóis</em> de Van Gogh foi apenas o primeiro numa longa série de negócios com valores espantosos no mercado internacional de arte. No mesmo ano em que a reportagem de VEJA foi publicada, uma outra tela do mestre holandês, <em>Os Íris</em>, foi arrematada num leilão da Sotheby&#8217;s, em Nova York, por 53,9 milhões de dólares. Em 1990, um magnata japonês, Ryoei Saito, tornou-se o proprietário das duas telas mais caras do mundo na época &#8211; ele pagou 78,1 milhões de dólares por um Renoir na Sotheby&#8217;s e outros 82,5 milhões pelo <em>Retrato do Doutor Gachet</em>, de Van Gogh, na casa Christie&#8217;s. Nos anos seguintes, a valorização continuou e novos recordes foram quebrados &#8211; a disputa tornava-se cada vez mais acirrada. O mercado se expandiu de vez na virada do século, com a atuação cada vez mais forte de compradores da Ásia, da Rússia e do Oriente Médio, que se juntaram aos colecionadores tradicionais na briga pelas obras mais valiosas. Para esses novos milionários, as telas dos grandes mestres tornaram-se importantes símbolos de status, objetos que representam seu crescente poder financeiro. Se antes os leilões eram disputados por colecionadores de três ou quatro países, agora são representantes de vinte ou trinta nações, e não apenas de continentes desenvolvidos. Com o aumento da procura por obras de arte famosas e a enorme valorização desse tipo de peça, mais e mais colecionadores colocaram trabalhos importantes à venda. Resultado: um mercado ainda mais quente. E nem a crise financeira internacional iniciada nos anos 2000 freou essa valorização &#8211; afinal, para os maiores bilionários do mundo, obras de arte famosas são um investimento seguro e cobiçado, pois, além do valor material que não varia de acordo com as marés das bolsas, há o status de possuir uma imagem conhecida no mundo todo.</p>
<p>Esse processo culminou em três quebras de recorde consecutivas em 2006. Foram três vendas privadas, fora de leilão: um Gustav Klimt de 135 milhões de dólares, um Willem de Kooning de 137,5 milhões e, finalmente, um Jackson Pollock de 140 milhões de dólares. A tela do pintor americano, de 1948, tornou-se a mais cara da história à época &#8211; seu preço foi equivalente ao dobro do valor atualizado dos <em>Girassóis</em> de Van Gogh. Vinte anos depois do leilão histórico que foi assunto de capa em VEJA, os leilões com altos valores já eram muito mais comuns: em maio de 2007, em uma só semana, duas telas foram arrematadas por valores similares ao preço atualizado dos Girassóis: 71,7 milhões de dólares pela obra <em>Green Car Crash (Green Burning Car I)</em>, de Andy Warhol, e 72,8 milhões de dólares por <em>White Center (Yellow, Pink and Lavender on Rose)</em>, de Mark Rothko, ambas de propriedade do magnata David Rockefeller e leiloadas pelas casas Sotheby&#8217;s e Christie&#8217;s em Nova York. A tela de Rothko custou três vezes mais que o recorde anterior para um trabalho desse artista. A de Warhol custou quatro vezes mais que a antiga recordista do ícone da pop art (um retrato de Mao vendido por 17,4 milhões de dólares em 2006). Em valores atualizados até 2007, os <em>Girassóis</em> de Van Gogh eram apenas a 26ª tela mais cara do mundo. Entre as 20 primeiras da lista, cinco eram Van Goghs e outras cinco eram Picassos. O quadro mais caro de toda a história é <em>The Card Players</em> ,de Paul Cézanne, vendida por 250 milhões de dólares em 2011 à família real do Catar. A transação, porém, foi privada, e não em leilão. Em disputa aberta entre compradores, o recorde foi batido na noite de 2 de maio de 2012, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/o-grito-de-munch-torna-se-o-quadro-mais-caro-ja-leiloado" target="_blank">quando uma das quatro versões de<em> O Grito</em>, de Edvard Munch, bateu nos 120 milhões de dólares</a></strong> na Sotheby&#8217;s, em Nova York.</p>
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		<title>Malvinas: 30 anos da guerra entre Argentina e Grã-Bretanha</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Apr 2012 10:47:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nathaliagoulart</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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		<category><![CDATA[guerra]]></category>
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		<description><![CDATA[Na última semana, Argentina e Grã-Bretanha iniciaram uma escalada diplomática. Os dois países disputam desde 1833 a soberania das Ilhas Malvinas. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2010/02/guerra-malvinas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-447" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2010/02/guerra-malvinas.jpg" alt="Guerra das Malvinas" width="620" height="295" /></a></p>
<p>As Ilhas Malvinas &#8211; Falkland, em inglês &#8211; ficam a cerca de 500 quilômetros do litoral argentino, mas são administradas e ocupadas pela Grã-Bretanha desde 1883. Por isso, o arquipélago sempre foi motivo de tensão entre os dois países, que entraram em guerra em 1982. Derrotada em dois meses de conflito, a Argentina se rendeu e os britânicos seguiram como donos do território onde vivem hoje cerca de 3.000 pessoas. O confronto completa 30 anos nesta segunda-feira, com um protesto marcado em Buenos Aires. Recentemente, a presidente argentina Cristina Kirchner decidiu reclamar novamente a soberania sobre a ilha, o que reacendeu o clima de tensão entre as duas nações.</p>
<p><span id="more-444"></span></p>
<p>Apesar do impasse, a tensão recente não lembra em nada a estretégia da ditadura do general Leopoldo Galtieri que, em 1982 tomou as Malvinas pela força militar, interrompendo 149 anos de controle da Grã-Bretanha sobre as ilhas. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=710&amp;pg=28" target="_blank">Naquele ano, o mundo assistiu a uma guerra entre dois países separados por 13.000 quilômetros de mar, em um ponto perdido no mapa-mundi e em torno de um objetivo que até então era incapaz de valer um tiro.</a></strong></p>
<p>Desde o início da guerra, deflagrada oficialemente com o primeiro bombardeio britânico, a superioridade estava com a rainha Elizabeth II, que tinha uma frota moderna e centralizada, com navios pequenos e rápidos. Para enfrentar &#8211; e vencer &#8211; essa guerra era preciso ter força econômica, poderio militar e coesão política, tudo que faltava à Argentina e sobrava a sua rival. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=713&amp;pg=28" target="_blank">Com os primeiros ataques ainda vindos do mar, a guerra ameaçava tranformar-se em um pesadelo para o país latino-americano antes mesmo do combate chegar à terra firme.</a></strong></p>
<p>Menos de 20 dias depois do primeiro ataque e de impor um bloqueio naval que isolou a argentina nas Malvinas, os ingleses chegaram ao continente. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=716&amp;pg=36" target="_blank">A</a></strong><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=716&amp;pg=36" target="_blank"> bandeira britânica voltou a tremular no território ocupado até então pela rival. Era o começo do fim da arriscada aventura militar lançada pela Argentina.</a></strong> Era também o clímax da lenta agonia que por quase dois meses arrastou duas nações para uma guerra de carne e osso. A partir de então, Argentina e Inglaterra se enfrentaram com força total. A vantagem estava do lado britânico. Em Buenos Aires, o chanceler argentino Nicanor Costa Méndez sintetizou a situação de seu país nas Malvinas: “Apesar de tudo, acredito em milagres”, disse parafraseando a última página do diário de Anne Frank.</p>
<p>O milagre não veio e a rendição argentina foi assinada em junho de 1982, menos de três meses depois da ocupação. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=728&amp;pg=44" target="_blank">&#8220;Foi duro, muito duro. Para um soldado deve ser o momento mais doloroso da sua vida. O que se deve pensar quando se tem a responsabilidade  de vida e morte sobre 10.000 homens? Frente às evidências, o melhor seria a rendição. Mas uma rendição honrosa&#8221;</a></strong>, disse semanas mais tarde o general  Mario Benjamín Menéndez em entrevista exclusiva à VEJA. Como comandante das forças argentinas nas ilhas, foi ele quem assinou a rendição de seu país.</p>
<p>Revisitada por VEJA quatro anos após o fim do confronto, as Malvinas ostentavam uma condição bastante singular. As ilhas eram então o único teatro de guerra no mundo onde o número de civis mortos se contava nos dedos de uma mão &#8211; três mulheres vítimas de bombardeio &#8211;  e o único também onde as condições de vida melhoraram  tão logo terminou a guerra. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=924&amp;pg=44" target="_blank">Na reportagem, seus habitantes lamentavam a guerra, mas acreditavam que com os britânicos a prosperidade era maior.</a> </strong>As melhorias trazidas pela guerra iam desde a uma agência bancária até um moderno sistema de comunicações. &#8220;Finalmente chegamos ao século XX&#8221; resumiu na época uma morador. &#8220;Existe um futuro bom para nós&#8221;, garantiu.</p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=710&amp;pg=28" target="_blank">Em 14/4/1982: A guerra pelas Malvinas</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=713&amp;pg=28" target="_blank"> Em 5/5/1982: Malvinas, a prova de força</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=716&amp;pg=36" target="_blank"> Em 26 /5/1982: Começa a invasão</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=728&amp;pg=44" target="_blank"> Em 18/8/1982: Moral da derrota</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=924&amp;pg=44" target="_blank">Em 21/5/1986: Agora, melhor que antes</a></em></strong></p>
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		<title>O desastre de Heysel e um renascimento do futebol inglês</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/em-dia/o-desastre-de-heysel-e-um-renascimento-do-futebol-ingles/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 11:18:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giancarlo Lepiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[EM DIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Num intervalo de apenas duas décadas, o futebol na Inglaterra saiu do inferno para o céu. Depois de uma tragédia que traumatizou a Europa, em plena final da Copa dos Campeões, com 38 mortes provocadas pelos hooligans, os ingleses tiveram de revolucionar o esporte no país. Com segurança, organização e competência, voltaram a ter um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2011/05/tragedia-heysel2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7381" title="tragedia-heysel" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2011/05/tragedia-heysel2.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a></p>
<p>Num intervalo de apenas duas décadas, o futebol na Inglaterra saiu do inferno para o céu. Depois de uma tragédia que traumatizou a Europa, em plena final da Copa dos Campeões, com 38 mortes provocadas pelos hooligans, os ingleses tiveram de revolucionar o esporte no país. Com segurança, organização e competência, voltaram a ter um campeonato invejável &#8211; e a disputar as decisões da principal competição do continente. Hoje, o futebol inglês não só é um dos menos violentos da Europa como também um dos mais organizados e rentáveis &#8211; mostrando que a erradicação da selvageria dos torcedores tem impacto direto sobre o sucesso de uma liga nacional. A experiência inglesa serve de lição para o Brasil &#8211; que, se finalmente conseguir se livrar dos bárbaros das arquibancadas, terá grande chance de encher seus estádios e lucrar muito mais com a presença dos torcedores civilizados, que hoje têm medo de acompanhar seus times de perto.</p>
<p><span id="more-7351"></span></p>
<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=874&amp;pg=36">Em VEJA de 5/6/1985: Massacre em Bruxelas</a></strong></p>
<p>O clima no Estádio de Heysel, em Bruxelas, exibia a clássica mistura de nervosismo e euforia, temperada pelo ar geral de festa que costuma anteceder os grandes acontecimentos esportivos. O que acabou por assinalar a noite, porém &#8211; uma noite que vai passar para a história do futebol mundial com mais força do que muitas decisões de Copa do Mundo &#8211; não foram os passes inteligentes do francês Platini, o grande astro da Juventus, nem as arrancadas do centroavante Rush, o celebrado artilheiro do Liverpool. Em vez de futebol, o que se viu foi um inédito espetáculo de barbárie, horror e morte &#8211; patrocinado, mais uma vez, pelos torcedores ingleses, que nos últimos dez anos vêm espalhando o terror nos estádios da Europa com seu comportamento selvagem. Foram 38 mortos e 454 feridos, 270 dos quais hospitalizados. A tragédia acendeu potentes holofotes sobre essa nova espécie de bárbaros. Brigas em campos de futebol são frequentes em qualquer país do mundo. Extraordinário é que isso aconteça justamente com os ingleses &#8211; não só os inventores do futebol mas também, como nenhuma outra das nações modernas, os propagadores do respeito aos direitos humanos e da convivência civilizada entre as pessoas. Assim como nas ruas um policial inglês não carrega armas nem um cidadão inglês precisa andar com documentos, no princípio o comportamento da torcida inglesa também configurava um padrão de civilização para o mundo &#8211; e os súditos de sua majestade costumavam olhar com um misto de espanto e superior ironia para os países que tinham o hábito de erguer alambrados em seus estádios, separando os torcedores do campo. Mas o futebol, no país, adquiriu progressivamente os contornos de uma festa de violência, numa escalada que se tornou incontroláveI no final dos anos 70. Hoje, na Inglaterra, dia de futebol é dia de desordens e selvageria.</p>
<h6>&#8230;</h6>
<p><strong>O que aconteceu depois</strong></p>
<p>A tragédia de Heysel marcou o início de uma verdadeira revolução na Inglaterra, um processo que, duas décadas depois, faria do futebol inglês o mais importante, rico e organizado do planeta. A culpa pela tragédia recaiu apenas sobre os torcedores ingleses do Liverpool &#8211; a Uefa, a polícia belga e os responsáveis pelo estádio jamais foram investigados. Dias depois da publicação da reportagem de VEJA, os clubes ingleses foram banidos de todas as competições européias por cinco anos. O Liverpool ganhou uma suspensão adicional de um ano. A polícia britânica investigou imagens da tragédia e conseguiu identificar 27 torcedores, todos detidos sob acusação de homicídio culposo. Em 1989, depois de um julgamento que se arrastou por cinco meses, 14 torcedores do Liverpool foram condenados a três anos de prisão. A Justiça decidiu, no entanto, pela suspensão de metade das penas, e poucos cumpriram a sentença. O estádio de Heysel foi fechado para os jogos de futebol &#8211; durante dez anos, abrigou só competições de atletismo. Em 1995, a construção foi substituída por um novo estádio, e o futebol voltou ao local em 1996. Na Inglaterra, o futebol provocaria outro desastre, em 1989, no estádio de Hillsborough, em Sheffield. Noventa e seis torcedores morreram &#8211; desta vez, todos torcedores do Liverpool. Em Sheffield, porém, não houve briga entre torcidas, mas sim uma grande confusão, que fez com que os seguidores do Liverpool fossem esmagados nas grades do estádio. No final dos anos 80, ameaçado pelos torcedores arruaceiros, por jogadores medíocres e dirigentes ineficientes, o futebol inglês estava à beira da ruína. Empreendeu-se então uma cruzada de salvação.</p>
<p>Em 1990, um inquérito oficial do governo, o Relatório Taylor, determinou grandes transformações nos estádios do país. Por causa desse relatório e dos efeitos da tragédia de Heysel, os estádios ingleses eliminaram as &#8220;gerais&#8221;, onde os torcedores ficavam de pé. A partir dos anos 90, todos os campos do país passaram a ter apenas cadeiras numeradas. As grades foram removidas e os torcedores voltaram a acompanhar as partidas sem qualquer separação para o gramado. Os brigões passaram a ser severamente punidos. Os preços dos ingressos subiram, as catracas e portões receberam dispositivos de segurança e a venda de bebidas alcoólicas foi proibida. Câmeras de vídeo foram instaladas em todas as arquibancadas, com monitoramento permanente pela polícia. Junto da reforma &#8211; e, em alguns casos, até reconstrução &#8211; dos estádios, cada vez mais seguros e confortáveis, ocorreu uma grande transformação nos clubes. Organizados em uma liga independente, assumiram o comando de seus campeonatos. Renegociaram os direitos de televisão e ganharam muito dinheiro. Transformados em empresas, lançaram-se no mercado de ações, levantando milhões para investir tanto na ampliação de seu patrimônio como na aquisição de jogadores. Os investidores não têm do que se queixar. A maioria das ações do futebol teve ganhos extraordinários na bolsa. Em pouco mais de cinco anos, a valorização dos papéis do Manchester United, desde que foram lançados, em 1991, superou os 500%. Hoje, o clube é uma empresa com razão social e um acionista majoritário &#8211; o empresário americano Malcolm Glazer, que pagou 1,4 bilhão de dólares por 98% dos papéis, em maio de 2005. Outro magnata estrangeiro, o russo Roman Abramovich, comprou o Chelsea, de Londres, e torrou quase 500 milhões de libras no clube.</p>
<p>Essas novidades estão animando cada vez mais o futebol inglês. A Inglaterra, até recentemente uma franca exportadora de jogadores para o resto da Europa, passou a importar com furor. Vestem a camisa dos clubes ingleses alguns dos grandes jogadores do futebol mundial &#8211; como Rooney, Balotelli, Agüero, Gerrard, Torres e muitos outros. Com tantas atrações, a liga local virou sucesso de público nos estádios e de audiência nas TVs do mundo todo. Em conseqüência de tudo isso, os ingleses voltaram ao topo do futebol do velho mundo. Em 1999, o troféu da copa dos campeões da Europa (agora Liga dos Campeões) voltou à terra da rainha com a vitória do Manchester United. E o Liverpool, cuja torcida protagonizou a tragédia de Heysel, foi o campeão em 2005, vinte anos depois do desastre (em 29 de maio daquele ano, o estádio de Heysel inaugurou uma escultura em memória das vítimas, com luzes para simbolizar cada um dos mortos). Nas quartas-de-final do torneio, o Liverpool voltou a encontrar a Juventus, no primeiro jogo entre as equipes desde a morte dos torcedores na Bélgica. Desta vez, a torcida inglesa ergueu cartazes formando a palavra <em>amicizia</em>, &#8220;amizade&#8221; em italiano, em homenagem aos visitantes. Na edição de 2007 da Liga dos Campeões, três dos quatro semifinalistas eram ingleses (Chelsea, Manchester United e Liverpool), deixando claro o domínio do país no cenário europeu. No ano seguinte, a final foi toda inglesa, algo inédito no torneio (o Manchester United derrotou o Chelsea). Em 2011, a final da Liga dos Campeões aconteceu na própria Inglaterra, no Estádio de Wembley &#8211; e um dos times presentes à decisão era o Manchester, derrotado pelo Barcelona. Desnecessário dizer que tudo transcorreu sem nenhum problema, e que as medidas de segurança implementadas desde 1985 afastaram qualquer risco de violência.</p>
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		<title>Ayrton Senna: ídolo brasileiro e mito da Fórmula 1</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 09:51:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nathaliagoulart</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não fosse a batida na Itália, que acabou com a vida do piloto, Ayrton Senna da Silva, piloto brasileiro tricampeão mundial, completaria no próximo domingo 50 anos de idade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-687" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2010/03/ayrton-senna.jpg" alt="Ayrton Senna comemora mais um vitória na F-1" width="620" height="429" /></p>
<p>O Brasil teve três campeões mundiais de Fórmula 1. Todos foram heróis nacionais, mas nenhum conquistou tamanha idolatria quanto Ayrton Senna. Estrategistas frios, Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet não se incomodavam em chegar em segundo, terceiro ou quarto lugar porque sabiam que a regularidade era o mais importante para vencer um campeonato. Senna era diferente &#8211; queria ser sempre o primeiro, correr sempre na frente, quebrar todos os recordes. Não fosse a batida na Itália, que acabou com a vida do piloto, Ayrton Senna da Silva completaria 52 anos nesta quarta-feira.</p>
<p><span id="more-686"></span>Nascido em São Paulo, Senna começou sua carreira na F-1 em 1984, pela Toleman, uma equipe inexpressiva. No ano seguinte, já na Lotus, ele conquistaria sua primeira vitória em um Grande Prêmio. Em 1988, transferiu-se para a McLaren, equipe com a qual foi campeão naquele mesmo ano. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1053&amp;pg=82" target="_blank">Combinando técnica e audácia, o piloto acelerou na chuva e chegou ao seu primeiro título.</a></strong> Com apenas cinco anos de F-1, Senna mostrou ao mundo que em situações adversas e arriscadas seu talento transbordava.</p>
<p>Conforme colecionava vitórias nas pistas, a vida pessoal de Senna começava a chamar atenção. Apesar da curiosidade, Senna sempre cuidou de revestir a vida e a carreira de muita publicidade, mas sempre uma publicidade que ele mantinha sob estrito controle. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1118&amp;pg=54" target="_blank">O temperamento difícil também passava ser conhecido.</a></strong> Ao longo dos anos, acumulou desafetos, como o rival Nelson Piquet – acusado de espalhar o boato de que Senna era homossexual. Nas pistas, obsessão. &#8220;Ele trabalha 24 horas por dia. Alan Prost só perde pra ele porque trabalha 17 e dorme outras 7&#8243;, resumiu um jornalista português.</p>
<p>Além do primeiro campeonato, outros dois vieram - em 1990 e 1991. Senna queria mais, sempre mais. Não apenas vitórias &#8211; conquistou 41 &#8211; mas algo muito maior: a incessante superação do próprio limite. Mas sabia que para voar em direção ao infinito precisava assumir um risco. E esse risco se chamava morte. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1338&amp;pg=6&amp;pub=2" target="_blank">Em 1º de maio de 1994, na sétima volta do GP de San Marino, na Itália, Senna passou direto pela curva Tamburello, a 300 quilômetros por hora, e chocou-se contra o muro de concreto.</a></strong> Pouco depois, o tricampeão mundial foi declarado morto. Naquele momento, ninguém simbolizava melhor a comoção que tomou conta do mundo do que a imagem de Prost chorando em um dos boxes de Ímola.</p>
<p><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1339&amp;pg=14" target="_blank"><strong>A notícia do acidente de Ayrton Senna deixou o Brasil pasmo.</strong> </a>Mesmo os que ainda não haviam se levantado, ou não acompanhavam a transmissão do GP, logo souberam o que se passava. Aos poucos uma corrente de emoção e dor tomou conta do país. Em um domingo de clássico entre Vasco e Flamengo no Maracanã, após o minuto de silêncio, as torcidas rivais se uniram em um coro de &#8220;Olê, olê, olê, olá/Senna&#8221; entoado por 100.000 pessoas. Naquele trágico domingo, Senna havia sentado no cock pit com medo da morte.</p>
<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2004&amp;pg=92" target="_blank">Somente em 2007, a justiça italiana concluiria que o responsável pela morte do piloto brasileiro era o diretor de engenharia da Williams, Patrick Head.</a></strong> Na tentativa de esclarecer as causas do acidente, o carro de Senna foi submetido a uma perícia pelas autoridades de Bolonha, em cuja região fica o autódromo. Os técnicos descobriram que a coluna de direção do veículo havia sofrido um reparo malfeito e rompera-se quando o piloto estava a 310 quilômetros por hora. Por isso ele não conseguiu fazer a curva. O crime, no entanto, ficou sem castigo porque havia prescrito três anos antes.</p>
<p>A morte de Ayrton Senna solidificou-o no imaginário popular brasileiro como um herói especial. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1849&amp;pg=70" target="_blank">Talvez seja por isso que somente dez anos depois da tragédia na Itália, tenha sido publicada uma biografia à altura do personagem: <em>Ayrton, o Herói Revelado</em>.</a></strong> Escrito por Ernesto Rodrigues, o livro mostrava pela primeira vez um Senna humano, contraditório e, portanto, mais real do que o mito voador das pistas. A parte mais surpreendente do livro é a que esmiúça a vida amorosa de Ayrton. De acordo com o livro, pelo menos cinco mulheres tiveram relevância para ele: Lilian de Vasconcellos, Adriane Yamin, Xuxa, Cristine Ferracciu e Adriane Galisteu.</p>
<p><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=890&amp;pg=3" target="_blank"><strong>Às páginas amarelas de VEJA, Ayrton falou ainda no início de sua carreira, em 1985.</strong> </a>Na época, era comparado ao mítico escocês Jim Clark, outro que pisava até o fundo no acelerador. Todos já sabiam que estavam diante de um futuro campeão. Na entrevista, ele falou sobre o relacionamento com Piquet, do prazer pela velocidade e o medo de bater. &#8220;As coisas acontecem muito rápido na pista. Em uma batida não dá para sentir nada. Só depois que o carro pára é que sinto um frio na barriga.&#8221;</p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=890&amp;pg=3" target="_blank">Em 25/9/1985: O campeão do futuro</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1053&amp;pg=82" target="_blank">Em 9/11/1988: O voo heróico</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1118&amp;pg=54" target="_blank">Em 21/2/1990: Luz verde para Senna</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1338&amp;pg=6&amp;pub=2" target="_blank">Em 3/5/1994: A morte antes da curva</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1339&amp;pg=14" target="_blank">Em 11/5/1994: O povo presta sua homenagem</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1849&amp;pg=70" target="_blank">Em 14/4/2004: Os segredos de Senna</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2004&amp;pg=92" target="_blank">Em 18/4/2007: Enfim, o culpado</a></em></strong></p>
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		<title>Ricardo Teixeira: 23 anos de poder e polêmicas no futebol</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Mar 2012 11:02:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giancarlo Lepiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[cbf]]></category>
		<category><![CDATA[copa do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[ricardo teixeira]]></category>
		<category><![CDATA[Ronaldo]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de 23 anos, a bola mudou de dono no futebol brasileiro. A controversa e turbulenta gestão de Ricardo Teixeira na CBF terminou]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2012/03/ricardo-teixeira-cbf.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9751" title="ricardo-teixeira-cbf" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2012/03/ricardo-teixeira-cbf.jpg" alt="" width="597" height="336" /></a></p>
<p>Depois de 23 anos, a bola mudou de dono no futebol brasileiro. A controversa e turbulenta gestão de Ricardo Teixeira na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) terminou na segunda-feira, quando seu sucessor no comando da entidade, José Maria Marin, divulgou a renúncia do cartola que estava no poder desde 1989. Durante mais de duas décadas, Teixeira acumulou vitórias e vexames com a seleção (ganhou duas Copas do Mundo, mas perdeu quatro, três delas com campanhas muito fracas) e foi alvo de numerosas acusações de corrupção. Também foi apontado como grande responsável pelas falhas na administração do esporte mais popular do país &#8211; Teixeira estimulou a manutenção de um sistema quase amador na gestão dos clubes, onde a troca de favores e o jogo político ainda têm peso maior que a gestão profissional da modalidade. Ao longo de mais de duas décadas, VEJA registrou os percalços da trajetória do cartola mais poderoso do país, desde a chegada ao poder pelas mãos do ex-sogro João Havelange até as mais recentes denúncias de fraude.</p>
<p><span id="more-9731"></span></p>
<p>Em sua edição de 25 de janeiro de 1989, uma reportagem da revista mostrava como <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1064&amp;pg=72" target="_blank">um golpe político em outro cartola, Otávio Pinto Guimarães, tinha possibilitado sua vitória na eleição para presidente da CBF</a></strong>. Ao ser eleito, Teixeira também escolheu o desconhecido Sebastião Lazaroni para treinar a seleção &#8211; e o técnico foi responsável pelo primeiro fiasco de sua gestão, com a eliminação precoce contra a Argentina na Copa de 1990. Mesmo com a derrota, Teixeira logo manobrou para continuar no poder &#8211; em 1991, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1064&amp;pg=65" target="_blank">deu um golpe branco, antecipou as eleições na entidade e ganhou mais quatro anos de mandato</a></strong>. As primeiras denúncias de corrupção na CBF sob o comando de Teixeira surgiram através de ninguém menos que o maior jogador de futebol da história. Em dezembro de 1993, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1317&amp;pg=111" target="_blank">Pelé acusou um dos subordinados do dirigente de extorsão</a></strong>. &#8220;A CBF conseguiu fazer comigo o que os zagueiros estrangeiros sempre tentaram: afastar-me do futebol brasileiro&#8221;, disse o rei. Teixeira respondeu com um processo por calúnia e difamação contra Pelé. No ano seguinte, Teixeira voltou à mira mesmo com a conquista do tetra, na Copa dos EUA: <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1350&amp;pg=26" target="_blank">o escândalo da muamba no voo de volta ao país</a></strong> ofuscou o brilho da festa pela vitória do time comandado por Romário e Bebeto.</p>
<p>Às vésperas de mais uma conquista de Copa, no Japão e Coreia do Sul, em 2002, os rolos de Ricardo Teixeira na CBF foram tema de uma reportagem de capa de VEJA. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1729&amp;pg=40" target="_blank">Documentos revelados pela revista indicavam que o cartola lavava dinheiro e usava recursos da CBF</a></strong>. Nesse caso, assim como em todos os outros relatos de corrupção envolvendo seu nome, Teixeira conseguiu se safar de condenações na Justiça, mesmo com uma <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1730&amp;pg=138" target="_blank">CPI de grande repercussão que terminou incriminando dezessete cartolas</a></strong>. Depois de sobreviver às denúncias mais uma vez, Ricardo Teixeira obteve uma de suas maiores vitórias no comando da CBF: garantiu ao Brasil a chance de sediar a Copa do Mundo de 2014. Em entrevista exclusiva a VEJA em 2007, quando a escolha do país foi anunciada pela Fifa, Teixeira dizia não saber quanto custaria o Mundial no Brasil, mas <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2034&amp;pg=11" target="_blank">assegurava que os cofres públicos não colocariam um centavo sequer nas obras</a></strong> necessárias para receber o torneio. Passados cinco anos, sabe-se que quase todos os investimentos ligados à Copa sairão dos bolsos do contribuinte. Na tentativa de salvar a imagem negativa da organização do torneio, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2246&amp;pg=76" target="_blank">Teixeira alistou como laranja o ex-craque Ronaldo</a></strong>, mas não resistiu a mais uma denúncia: <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2257&amp;pg=52" target="_blank">envolvido em escândalo de corrupção e chantageado por antigos aliados</a></strong>, deixou a presidência da CBF dois anos antes da Copa do Mundo no Brasil.</p>
<p><em><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1064&amp;pg=72" target="_blank">Em VEJA de 25/1/1989: Bola dividida</a></strong></em><br />
<em><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1064&amp;pg=65" target="_blank">Em VEJA de 24/7/1991: Golpe branco<br />
</a></strong></em><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1317&amp;pg=111" target="_blank">Em VEJA de 8/12/1993: Pelé acusa dirigente</a></em><br />
<em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1350&amp;pg=26" target="_blank">Em VEJA de 27/7/1994: Craques da muamba<br />
</a><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1729&amp;pg=40" target="_blank">Em VEJA de 5/12/2001: Máquina de fraudes</a><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1730&amp;pg=138" target="_blank">Em VEJA de 12/12/2001: A CBF perde votação de goleada<br />
</a></em></strong><em><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2034&amp;pg=11" target="_blank">Em VEJA de 14/11/2007: O dono da bola<br />
</a></strong><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2246&amp;pg=76" target="_blank">Em VEJA de 7/12/2011: O laranja do cartola<br />
</a></strong><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2257&amp;pg=52" target="_blank">Em VEJA de 22/02/2012: Jogo encerrado?</a></strong></em></p>
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		<title>Quando o Rio foi a capital do mundo</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Mar 2012 14:20:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoerthal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[aquecimento global]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[bush]]></category>
		<category><![CDATA[eco-92]]></category>
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		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rio+20]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Luís Bulcão O dia 11 de junho de 1992 amanheceu diferente. As ruas estavam ocupadas por 15 mil homens do Exército ostentando fuzis. Tanques foram posicionados ao longo de vias expressas. O espaço aéreo ficou restrito a voos oficiais e de rota comercial. As escolas suspenderam as aulas. O governo decretou ponto facultativo. Peças [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9611" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2012/03/Eco-92-1.jpg"><img class="size-full wp-image-9611" title="Eco-92" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2012/03/Eco-92-1.jpg" alt="Encontro de líderes na ECO-92 (Foto: Oscar Cabral/15-06-1992)" width="620" height="349" /></a><p class="wp-caption-text">Encontro de líderes na ECO-92 (Foto: Oscar Cabral/15-06-1992)</p></div>
<p><strong><em>Por Luís Bulcão</em></strong></p>
<p>O dia 11 de junho de 1992 amanheceu diferente. As ruas estavam ocupadas por 15 mil homens do Exército ostentando fuzis. Tanques foram posicionados ao longo de vias expressas. O espaço aéreo ficou restrito a voos oficiais e de rota comercial. As escolas suspenderam as aulas. O governo decretou ponto facultativo. Peças de teatro foram canceladas e emissoras de TV suspenderam gravações de novelas. O aparente estado de sítio foi a medida adotada para garantir a segurança dos 108 chefes de estado — presidentes, primeiros-ministros, emires, ditadores e monarcas das mais diferentes nações — que circulariam pelo Rio na <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1237&amp;pg=52">ECO-92</a></strong>. Um decreto presidencial determinava que, depois de 62 anos, o Rio voltava a ser a capital do Brasil — pelo menos por alguns dias. Durante quatro dias, eles se reuniriam para definir rumos para uma sociedade global mais justa e sustentável. Era a última etapa das negociações travadas desde o dia 3 daquele mês por milhares de diplomatas e membros de delegações de 172 países em salas montadas nas dependências do Riocentro, na zona oeste da cidade.</p>
<p>Quando os chefes de estado começaram a desembarcar, os principais documentos a serem produzidos pela Eco 92 — A Convenção sobre Biodiversidade, a Convenção sobre Mudança Climática, a Agenda 21 e a Declaração do Rio — já estavam escritos e havia consenso sobre a maior parte do conteúdo. Mas alguns pontos fundamentais ficaram para a decisão dos líderes.</p>
<p><span id="more-9591"></span></p>
<p>Pelo menos três questões contribuíam para as olheiras dos diplomatas, que entravam as madrugadas em negociações infindáveis. A primeira delas era o financiamento para os projetos ambientais da Agenda 21. O documento, que estabelecia diretrizes para as políticas internacionais rumo ao desenvolvimento sustentável, implicaria no comprometimento dos países desenvolvidos de atrelar 0,7% do seu PIB até o ano2000 aprogramas que promoveriam os esforços previstos na agenda. A proteção das florestas tropicais era outro ponto conflitante. Malásia, Índia e Paquistão, preocupados com a soberania de suas florestas e, principalmente a primeira, com o lucro das exportações de madeira, eram contrários a um documento que os limitasse. A terceira questão não deixava por menos. Os países travavam uma batalha — que perduraria pelos próximos 20 anos — para a definição de metas para reduzir a emissão de gases causadores do aquecimento global.</p>
<p>Enquanto os integrantes do então chamado G-77, o grupo dos países subdesenvolvidos, salivavam com a possibilidade de um acordo para o financiamento da Agenda 21 — a ONU esperava gerar por ano 128 bilhões de dólares com a medida — para investimento no terceiro mundo, detentor da maior parte da flora e fauna naturais, circulava pelas ruas uma limusine blindada de sete toneladas. Era o carro oficial do vilão da conferência, presidente dos Estados Unidos, George Bush (pai), em campanha pela reeleição. Bush ganhou a alcunha por ser contrário às principais propostas da Eco 92, visto como inimigo do meio ambiente. Naquele ano, ele acabou derrotado pelo democrata Bill Clinton – aguardado para a Rio+20.</p>
<p>Enfrentando um período de recessão em casa e encaminhando sua campanha para a reeleição Bush só veio ao Rio depois que seus diplomatas conseguiram retirar da Convenção sobre Mudança Climática todo e qualquer parágrafo que fizesse com que os americanos se comprometessem com metas ou dinheiro para a redução da emissão de poluentes. Para piorar a sua situação, o Japão, então a segunda maior economia do mundo, e a Comunidade Europeia (então com 12 países membros) comunicaram que iriam assinar a Convenção sobre Diversidade Biológica, deixando os EUA, maiores poluidores do planeta, isolados.</p>
<p>Bush não se comoveu. Dedicou-se, durante a conferência, a cobrar de países de terceiro mundo a preservação de florestas tropicais e repetiu que não se comprometeria com qualquer medida ambiental que afetasse a economia do seu país. Em discurso na cúpula, não demonstrou arrependimento: &#8220;Não é fácil ficar só por princípio. Mas algumas vezes, a liderança leva a isso&#8221;.</p>
<p>Em quatro dias, <a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1239&amp;pg=38">a cúpula de líderes não encontrou solução para as poucas — mas fundamentais — divergências e as concessões transformaram a conferência em um vácuo de ações concretas</a>. Os países desenvolvidos não concordaram com a meta de atrelar 0,7% do seu PIB para projetos ambientais até2000. AConvenção sobre Biodiversidade ficou sem a assinatura do detentor da maior indústria biotecnológica do mundo, a americana, que via o acordo como uma ameaça à propriedade intelectual. A Convenção sobre Mudança Climática incluiu os Estados Unidos, mas não estipulou metas e não contou com compromissos jurídicos. As ações efetivas das convenções foram deixadas para acordos futuros a serem realizados em conferências dos países signatários — o que se provou ineficiente, pois metas para emissões de gás e acordos biotecnológicos concretos ainda não entraramem vigor. Ainda, sob o lobby dos países liderados pela Malásia, o que era para ser a convenção sobre a proteção às florestas virou uma mera declaração de princípios.</p>
<p>Nem a iniciativa da Comunidade Europeia e do Japão  de investir aproximados 10 bilhões de dólares em projetos ambientais, muito aquém do valor necessário estimado pela ONU, nem o anúncio unilateral de última hora de alguns países em direção ao estabelecimento de metas para reduzir emissões de gases fizeram muito para amenizar a impressão de que a Eco 92 não passou de um compêndio de boas intenções sem compromissos práticos.</p>
<p>Mas as intenções em si já eram históricas. Vinte anos passados da Conferência de Estocolmo, que deu início ao diálogo internacional em relação ao meio ambiente, as ideias estavam amadurecidas. O Relatório Brundtland, ou Nosso Futuro Comum, publicado em 1987, foi um documento chave para a conscientização mundial em torno da preservação e utilização adequada dos recursos da Terra. Era a pedra fundamental para a aceitação do conceito de desenvolvimento sustentável.</p>
<p>A Eco 92 sacramentou a ideia. Pela primeira vez, o comprometimento político internacional em torno do tema foi formalmente atestado em dois documentos da conferência, a Declaração do Rio e a Agenda 21. Através deles, os governos admitiram que as políticas de hoje deveriam se preocupar de forma igual com as gerações presentes e futuras. Reafirmaram a importância da proteção à atmosfera, às florestas, à biodiversidade e aos ecossistemas. Admitiram a necessidade de uso sustentável dos recursos naturais, do solo, da água doce, dos oceanos e dos mares. Declararam fundamentais o combate à miséria e o controle demográfico.</p>
<p>Para quem esperava grandes iniciativas que colocassem tudo isso em prática, o encontro do Rio acabou sendo mais coerente com o ritmo lento dos mecanismos da ONU do que com a urgência reivindicada pelas previsões catastróficas mais radicais. Mas a ideia estava lá. O mundo poderia ser exatamente o mesmo quando os aviões oficiais decolaram do Rio, devolvendo à cidade sua rotina de insegurança e desigualdade. Mas pensava diferente.</p>
<p><strong><em><br />
</em></strong></p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong></p>
<p><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1237&amp;pg=52">O mundo se encontra no Rio</a></p>
<p><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1239&amp;pg=38">O Rio já é história</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>ENT</strong><strong>REVISTAS:</strong></p>
<p><strong>2012</strong></p>
<p>Achim Steiner, secretário geral do PNUMA, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente<br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=2256&amp;pg=17">“É hora de um acordo global”</a></p>
<p>Thomas C. Heller, da Universidade de Stanford<br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=2251&amp;pg=15">“A dependência entre economia e meio ambiente atingiu o ápice. Para progredirmos, teremos que usar os recursos naturais com máxima eficiência”</a></p>
<p><strong>2010</strong><br />
Pavan Sukdhev, economista do Deutsche Bank e coordenador do estudo <strong><em>A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade</em></strong><br />
<a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=2168&amp;pg=156">“A verdadeira inovação é fruto de limitações. Em uma economia verde, haverá ainda mais inovação, porque as empresas terão que fabricar os mesmos produtos sem poluir”</a></p>
<p><strong>2009</strong><br />
Elisabeth Laville, autora do livro <strong><em>A Empresa Verde</em></strong><br />
<strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=2130&amp;pg=19">“Plantar árvores não é suficiente para uma empresa convencer o consumidor de que protege o ambiente. É preciso fazer mais”</a></strong></p>
<p><strong>2007</strong><br />
Fábio Barbosa, presidente da Febraban<br />
<strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=2004&amp;pg=11">“É possível respeitar o meio ambiente e ser lucrativo, crescer e ser socialmente responsável”</a></strong></p>
<p>Alain Belda, presidente da Alcoa<br />
<strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1995&amp;pg=11">“A redução das emissões é urgente, e quanto antes começarmos, melhor para os negócios”</a></strong></p>
<p><strong>2006</strong><br />
Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos<br />
<strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1977&amp;pg=11">“Investir no meio ambiente dá lucro e é ótimo para o planeta. Os políticos estão começando a perceber isso”</a></strong></p>
<p><strong>1997</strong><br />
Edward Wilson, biólogo e pesquisador da Universidade de Harvard<br />
<strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1513&amp;pg=9">“Nós e as formigas participamos da mesma empreitada biológica na Terra”</a></strong></p>
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		<title>Nos 60 anos das novelas, os folhetins que marcaram época</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 09:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carolinafarina</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A primeira novela brasileira foi ao ar há exatamente  60 anos, em 21 de dezembro de 1951, pela TV Tupi: "Sua Vida me Pertence" marcou não apenas a estreia deste gênero de entretenimento no país, como também o primeiro beijo transmitido em um programa de TV no Brasil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2010/11/Em-Fina-Estampa-Griselda-ataca-vilã-Teresa-Cristina-em-festa-do-condomínio.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9561" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2010/11/Em-Fina-Estampa-Griselda-ataca-vilã-Teresa-Cristina-em-festa-do-condomínio.jpg" alt="" width="620" height="400" /></a></p>
<p>A primeira novela brasileira foi ao ar há exatamente  60 anos, em 21 de dezembro de 1951, pela TV Tupi: &#8220;Sua Vida me Pertence&#8221; marcou não apenas a estreia deste gênero de entretenimento no país, como também o primeiro beijo transmitido em um programa de TV no Brasil. O folhetim foi protagonizado por Vida Alves e Walter Forster e estendeu-se até fevereiro do ano seguinte. Em setembro de 1975, VEJA mostrou como esse tipo de atração na TV se tornara parte do cotidiano dos brasileiros. <a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=366&amp;pg=70"><strong>Sob o título &#8220;O país das telenovelas&#8221;</strong></a>, a reportagem descreve a história do gênero, que havia chegado ao país muitos anos antes. No início da década de 70 existiam 3,5 milhões de televisores no Brasil. Em 1974, esse número já ultrapassava os 10 milhões de equipamentos. Na época, Globo e Tupi eram os canais que investiam cada vez mais no setor.</p>
<p><span id="more-1374"></span></p>
<p>Um dos primeiros grandes sucessos de audiência do país foi <strong><a href="http://%20http//veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=35&amp;pg=26">a novela do cafajeste bicão Beto Rockefeller</a></strong>, que atraiu um público até então distantes dos folhetins: os homens. &#8220;Por ser fraco e humano, Beto seduziu novos espectadores, muitos jovens e maridos que só pressionavam os botões da tevê para os vídeotapes do futebol ou noticiosos&#8221;. Assim VEJA descrevia o sucesso da trama, em maio de 1969. Como destacou a reportagem, as novelas já haviam se tornado uma “epidemia nacional”. Naquele ano, no horário nobre da televisão brasileira (das 18h30 às 22h), 80% dos televisores do país estavam sintonizados em novelas.</p>
<p>Em 1972, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=215&amp;pg=68">Selva de Pedra conseguiu um dos primeiros marcos na história das novelas no país</a></strong>. O último capítulo da trama de Janete Clair obteve audiência total em uma cidade, o Rio de Janeiro. Naquele dia, 77% das 1,158 milhões TVs cariocas estavam sintonizadas na Globo, enquanto as concorrentes, Tupi e Rio, tinham 0% de audiência. Apesar do crescente domínio da TV Globo na teledramaturgia, em 1973 a Tupi conseguiu retomar seu espaço. Com o mistério envolvendo as gêmeas Ruth e Raquel, personagens de Eva Wilma, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=245&amp;pg=75">Mulheres de Areia voltou conquistar 20% da audiência no horário das oito</a></strong>.</p>
<p>Já sem a concorrência da Tupi, a Globo emplacou, em 1985, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=891&amp;pg=132">sua novela de maior audiência até então: Roque Santeiro</a></strong>, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva. A trama atraiu a curiosidade de 60 milhões de pessoas, que diariamente acompanhavam as peripécias de personagens como a viúva Porcina (Regina Duarte) e Sinhozinho Malta (Lima Duarte).</p>
<p>Em 1990, foi a vez da TV Manchete dar dor de cabeça à concorrência. Apoiada na sensualidade da personagem Juma, interpretada por Cristiana Oliveira, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1129&amp;pg=54">Pantanal tornou-se um fenômeno avassalador</a></strong>. Um ano depois, foi o SBT que atingiu índices superiores a 20 pontos de Ibope ao colocar no ar uma novela mexicana para o público infantil. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1186&amp;pg=78">Carrossel fez com que os pais cedessem o controle remoto para os filhos </a></strong>e deixassem um pouco de lado <em>O Dono do Mundo</em>, exibida pela Globo, para acompanharem com toda a família os discursos da professora Helena e as travessuras de seus pupilos.</p>
<p>Em 1995, apostadores de todo o Brasil deram seu palpite sobre <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1416&amp;pg=116">a identidade do assassino da novela A Próxima Vítima</a></strong>. Depois de 150 horas de mistério, a trama global conseguiu sustentar o suspense e a audiência – que atingia até 60 pontos – e chegou ao fim sem que os espectadores tivessem alguma prova concreta contra o responsável pela morte de onze pessoas. Nomes de suspeitos como o de Carmela, Alfredo, Juca, Nina e até a &#8220;bonitona do Morumbi&#8221; eram ouvidos em supermercados, restaurantes e rodas de conversas. Num procedimento inédito, o nome do assassino foi soprado pelo diretor Jorge Fernando no ouvido do detetive exatamente na hora de solucionar o grande mistério.</p>
<p>Os anos 2000 também tiveram tramas marcantes – embora tenham sido marcados por uma queda geral na audiência das novelas. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1810&amp;pg=68">Os temas polêmicos tratados em Mulheres Apaixonadas</a></strong> fizeram com que a novela batesse o recorde de 35 milhões de espectadores. Em julho de 2003, VEJA mostra como assuntos como violência doméstica, lesbianismo e alcoolismo garantiram à novela de Manoel Carlos uma média de 50 pontos de ibope (com picos de 58). A <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1891&amp;pg=58">marca seria batida dois anos depois, por Senhora do Destino</a></strong>. As intrigas entre a mocinha Maria do Carmo (Suzana Vieira) e a vilã Nazaré (Renata Sorrah) foram assistidas por 45 milhões de pessoas.</p>
<p>Com <em>Passione</em>, em 2010, o autor Silvio de Abreu conseguiu emplacar mais uma novela de sucesso na TV – e a rede Globo recuperou os bons índices de audiência de suas novelas das oito. Em novembro do mesmo ano, o canal pafo Viva reexibiu um grande sucesso dos anos 80: a novela Vale Tudo. O folhetim logo virou um fenômeno de comentários nas redes sociais e garantiu à emissora a liderança de audiência na TV por assinatura. Vinte e dois anos depois de achincalhar o país em grande estilo e <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1059&amp;pg=124">ser vítima do assassinato mais célebre das telenovelas</a></strong>, a vilã Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall, voltou a divertir &#8211; e horrorizar &#8211; os brasileiros. Escrita por Gilberto Braga em colaboração com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, <em>Vale Tudo</em> alimenta a nostalgia dos antigos fãs e desperta o interesse de uma nova geração. A novela foi pioneira ao colocar em pauta a discussão de assuntos polêmicos como o alcoolismo, os direitos dos homossexuais e a exploração de crianças &#8211; temas que seriam explorados por muitos outros folhetins de sucesso.</p>
<p>Em 2011, a novela <em>Fina Estampa</em>, de Agnaldo Silva, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2243&amp;pg=146">arrancou o horário das 9 de um longo período de estagnação</a></strong>, no qual a Globo, ainda que mantendo sempre a liderança diante das concorrentes, patinava em audiências tíbias. No seu primeiro terço, a média do folhetim foi de 38 pontos, e os episódios mais recentes têm ficado acima dos 40. Parece pouco na comparação com os mais de 90 pontos que Roque Santeiro chegou a alcançar na década de 80. Mas a realidade hoje é outra: a concorrência entre emissoras está mais pulverizada, a televisão a cabo está se disseminando e há novas formas de informação e entretenimento &#8211; especialmente através da internet.</p>
<p>A capacidade que as novelas da Globo sempre tiveram de influenciar nas mudanças de comportamento e lançar modas &#8211; basta lembrar os brincos gigantes popularizados pela viúva Porcina de <em>Roque Santeiro</em>, ou a voga de adereços &#8220;orientais&#8221; na trilha de <em>O Clone</em> &#8211; hoje parece bem mais limitada. Nessas condições, é tanto mais impressionante o feito de <em>Fina Estampa</em>: a novela incorporou a heroína Griselda, interpretada por Lília Cabral, ao imaginário dos brasileiros. Trata-se de uma figura que ao mesmo tempo encarna a novidade &#8211; os valores do expressivo contingente de brasileiros que nos últimos anos ingressou na sociedade de consumo &#8211; e representa tradições que muitos teriam por antiquadas: a retidão moral, a autoridade (amorosa, mas inabalável) que se impõe na educação dos filhos.</p>
<p><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2243&amp;pg=146">Em 16/11/2011: Pereirão, esse mulherão </a></em><br />
<em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=35&amp;pg=26">Em 7/5/1969: Beto Rockefeller<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=215&amp;pg=68">Em 18/10/1972: Selva de Pedra<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=245&amp;pg=75">Em 16/5/1973: Mulheres de Areia<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=891&amp;pg=132">Em 2/10/1985: Roque Santeiro<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1059&amp;pg=124">Em 21/12/1988: Vale Tudo<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1129&amp;pg=54">Em 9/5/1990: Pantanal<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1186&amp;pg=78">Em 6/6/1991: Carrossel<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1416&amp;pg=116">Em 1/11/1995: A Próxima Vítima<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1682&amp;pg=86">Em 10/1/2001: Laços de Família<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1810&amp;pg=68">Em 9/7/2003: Mulheres Apaixonadas<br />
</a></em><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1891&amp;pg=58">Em 9/2/2005: Senhora do Destino</a></em></p>
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		<title>Em Dia: 30 anos depois, futebol atrai patrocínios milionários</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 11:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giancarlo Lepiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há exatos 30 anos, em 13 de dezembro de 1981, o melhor time da história do Flamengo conquistava o principal título da galeria de troféus do clube: o Mundial de Clubes. A vitória por 3 a 0 contra o Liverpool, da Inglaterra, consagrou a geração comandada por Zico. Isso não quer dizer, no entanto, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2011/12/zico-ronaldinho.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9511" title="zico-ronaldinho" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2011/12/zico-ronaldinho.jpg" alt="" width="620" height="348" /></a><br />
Há exatos 30 anos, em 13 de dezembro de 1981, o melhor time da história do Flamengo conquistava o principal título da galeria de troféus do clube: o Mundial de Clubes. A vitória por 3 a 0 contra o Liverpool, da Inglaterra, consagrou a geração comandada por Zico. Isso não quer dizer, no entanto, que o clube tenha conseguido fazer fortuna com essa façanha. Por causa da legislação da época, o Flamengo perdeu a chance de ganhar muito dinheiro com uma proposta que surgiu ainda na viagem ao Japão, onde a decisão aconteceu.</p>
<p><span id="more-9471"></span></p>
<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=694&amp;pg=74" target="_blank">Em VEJA de 23 de dezembro de 1981: Campeão tolhido</a></strong><br />
Enquanto Zico levantava o troféu, diretores do clube carioca eram abordados por representantes da Toyota, patrocinadora da final contra o Liverpool, com uma proposta irresistível: a de que o Flamengo passasse a usar um símbolo da empresa em seu uniforme contra o pagamento de 100.000 dólares por mês, durante o ano de 1982. Se o Flamengo pudesse aceitar a proposta da Toyota, teria garantido um terço do orçamento que pretende gastar com o time no ano que vem. Mas a Toyota começa a se desinteressar do negócio. O Conselho Nacional de Desportos (CND) decidiu revogar a proibição para o uso de propaganda nas camisetas dos jogadores brasileiros em jogos internacionais amistosos. Mas o CND ainda faz estudos para liberar a propaganda nas camisas também nos jogos domésticos, o que, por enquanto, não é permitido. &#8220;Haverá uma regulamentação&#8221;, explica o advogado paulista Henri Aidar, conselheiro do CND, &#8220;proibindo publicidade de produtos como cigarros e bebidas, e limitando a 100 centímetros quadrados a área que ela pode ocupar nos uniformes&#8221;.</p>
<p><strong>O que aconteceu depois</strong><br />
Três décadas depois, a publicidade nas camisas não apenas está liberada como também é uma das principais fontes de receita dos clubes, que fecham contratos milionários com grandes empresas multinacionais para exibir suas marcas nos uniformes dos jogadores. Se em 1982 o Flamengo ganharia 1,2 milhão de dólares pelo ano todo exibindo o logotipo da Toyota, neste ano o clube lucrou 6,6 milhões de reais por poucos meses estampando marcas da Procter &amp; Gamble &#8211; e esse foi apenas um dos contratos fechados pelo clube. Agora, os times brasileiros costumam negociar pelo menos três espaços para patrocínio (sem contar os contratos de fornecimento de material esportivo, que também rendem milhões). Além do peito, das costas, do ombro e da barra da camisa, alguns vendem até o espaço logo abaixo das axilas (caso do Corinthians, patrocinado pelo desodorante Avanço) ou a parte traseira dos calções (que muitos clubes já cederam a fabricantes de cuecas). Se em 1981 as autoridades ainda estudavam se permitiriam ou não o uso das camisas pela publicidade, hoje só restou uma das proibições da época: ainda não se pode colocar uma marca de cerveja ou cigarro num uniforme de time de futebol.</p>
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		<title>Sócrates: o brilho na Copa-1982 e a briga pela democracia</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 11:34:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giancarlo Lepiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, Sócrates se destacou dentro e fora do campo. O ex-jogador, que comandou a seleção numa de suas Copas mais marcantes e liderou um movimento inovador no esporte nacional, morreu na madrugada de domingo, em São Paulo, aos 57 anos, deixando para trás uma trajetória cheia de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2011/12/socrates-brasil-argentina-copa-1982.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9441" title="socrates-brasil-argentina-copa-1982" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2011/12/socrates-brasil-argentina-copa-1982.jpg" alt="" width="620" height="349" /></a></p>
<p>Um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, Sócrates se destacou dentro e fora do campo. O ex-jogador, que comandou a seleção numa de suas Copas mais marcantes e liderou um movimento inovador no esporte nacional, morreu na madrugada de domingo, em São Paulo, aos 57 anos, deixando para trás uma trajetória cheia de grandes momentos &#8211; muitos deles, contados em reportagens de VEJA.<span id="more-9431"></span>A primeira vez que Sócrates apareceu na revista foi <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=518&amp;pg=102">em sua contratação pelo Corinthians, em 1978</a></strong>. O jogador revelado pelo Botafogo de Ribeirão Preto era recebido pelo então presidente do clube, Vicente Matheus. Depois de despontar como craque e ídolo no clube paulista, assumiu papel de destaque na seleção brasileira. A campanha na Copa de 1982 foi brilhante <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=723&amp;pg=52">até a eliminação na partida contra a Itália</a></strong>. Apesar da derrota, o time treinado por Telê Santana entrou para a história como uma das melhores seleções de todos os Mundiais. No ano seguinte, Sócrates voltou a escrever seu nome na história &#8211; desta vez, fora dos gramados, como um dos líderes do movimento que ficou conhecido como Democracia Corintiana. Em março de 1983, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=758&amp;pg=130">o craque redigiu um artigo para VEJA</a></strong>, explicando como funcionava a participação dos jogadores na tomada de decisões no clube. &#8220;Ainda falta muito, mas pretendemos chegar lá&#8221;, escreveu. Participante da campanha das Diretas Já, Sócrates ficou desiludido com a derrota da emenda que pretendia devolver aos brasileiros o direito de votar para presidente. <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=821&amp;pg=76">Decidiu se transferir para a Itália</a></strong>, onde defendeu a Fiorentina por apenas uma temporada. Seu futebol, porém, decepcionou os torcedores italianos &#8211; <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=845&amp;pg=90">Sócrates não se adaptou ao campeonato local</a></strong>. De volta ao Brasil, o meia defendeu o Flamengo, mas também não chegou a brilhar como antes &#8211; problemas físicos impediram que ele tivesse uma boa sequência de jogos. Ainda assim, Sócrates voltou a ser um dos destaques da seleção brasileira na Copa de 1986, de novo sob o comando de Telê Santana. Mais uma vez, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=929&amp;pg=58">o Brasil jogou bem mas não alcançou a final</a></strong>. No ano seguinte, VEJA mostrava Sócrates sofrendo com as contusões &#8211; <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=73&amp;pg=968">e já falando em parar de jogar</a></strong>. O Doutor esticaria a carreira até 1989, antes de se despedir de vez.</p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=518&amp;pg=102">Em 9/8/1978: Apenas lenda</a></em></strong><br />
<strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=723&amp;pg=52">Em 14/7/1982: A morte na praia<br />
</a><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=758&amp;pg=130">Em 16/3/1983: A democracia funciona<br />
</a><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=821&amp;pg=76">Em 30/5/1984: O novo Medici</a></em></strong><br />
<strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=845&amp;pg=90">Em 14/11/1984: Bagagem errada<br />
</a><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=929&amp;pg=58">Em 25/6/1986: Uma nobre despedida<br />
</a><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=73&amp;pg=968">Em 25/3/1987: Malas prontas para parar</a></em></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Muamar Kadafi: 42 anos de uma ditadura com mão de ferro</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 11:45:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Fuentes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Após seis meses de revoltas populares, iniciadas em fevereiro de 2011, o mundo finalmente vê o velho coronel, agora com 68 anos, perder o comando de um país que comandou com mão de ferro (e uma interminável coleção de excentricidades).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2011/08/kadafi-protestos-20110223.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9151" src="http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/files/2011/08/kadafi-protestos-20110223.jpg" alt="" width="620" height="350" /></a></p>
<p>Em 1969, aos 27 anos, o jovem militar Muamar Kadafi deu início a um golpe de estado contra o rei Idris I, na Líbia. O monarca foi deposto, e ao assumir o poder, em 1º de setembro daquele ano, <a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=100&amp;pg=42"><strong>Kadafi colocou em prática uma ditadura</strong></a> que perduraria por mais de quatro décadas, batendo todos os recordes de duração de uma tirania, tanto na África como no mundo islâmico. Após oito meses de revoltas populares, iniciadas em fevereiro de 2011, o mundo finalmente vê o velho coronel, agora com 68 anos, ser capturado pelos seus opositores em um país que comandou com mão de ferro (e uma interminável coleção de excentricidades).</p>
<p><span id="more-9111"></span></p>
<p>No início da década de 1970, o governo militar líbio &#8211; que se definia como socialista, e não marxista -, <a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=121&amp;pg=32"><strong>nacionalizou todas as companhias de seguro e bancos</strong></a>, inclusive os estrangeiros. As <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=175&amp;pg=29">posições em política interna e externa de Kadafi</a></strong>, além de seu comportamento religioso, já se mostraram extravagantes desde o início. O chefe de estado <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=194&amp;pg=34">prometeu, por exemplo, reformar a legislação líbia</a> </strong>e<strong> </strong>implantar uma Constituição baseada exclusivamente nos preceitos do islamismo.</p>
<p>Em <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=234&amp;pg=3">entrevista concedida a VEJA em fevereiro de 1973</a></strong>, Kadafi falou sobre a revolução na Líbia, os preceitos do Corão e as polêmicas questões diplomáticas que envolviam o país. Para esclarecer sua própria filosofia política à ocasião, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=254&amp;pg=14">Kadafi escreve seu Livro Verde</a></strong>, apresentando uma alternativa nacional ao socialismo e ao capitalismo, combinada com aspectos do islamismo. Em 1986, VEJA traçou um <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=917&amp;pg=38">perfil do &#8220;vilão do deserto&#8221;</a></strong>, na qual descreve a personalidade do dirigente líbio e sua forma de governar.</p>
<p><strong>Imperialismo -</strong> Em 1970, Kadafi, ao lado dos presidentes do Egito e do Sudão, realiza o último sonho de Gamal Abdel Nasser, o adorado líder egípcio e nacionalista árabe. O trio anuncia a <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=115&amp;pg=53">formação de uma confederação entre os três países</a></strong>. No ano seguinte, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=138&amp;pg=41">a Líbia se une ao Egito e à Síria</a></strong> para constituir a Federação das Repúblicas Árabes. Devido à ofensiva diplomática da Líbia, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=228&amp;pg=38">países da África negra também rompem relações com Israel</a></strong>, aumentando o peso do bloco árabe nas votações da ONU.</p>
<p>Já em 1973, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=255&amp;pg=39">Kadafi chegou a promover uma marcha popular de Trípoli ao Cairo</a> </strong>para convencer o Egito da necessidade de fusão entre ambos os países, mas o governo egípcio fechou a fronteira e deteve a marcha. O presidente egípcio se sentiu <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=261&amp;pg=33">pressionado a assinar o acordo</a></strong>, mas tentou adiar o compromisso ao máximo. A disputa pela liderança entre os países árabes só <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=262&amp;pg=52">ressaltou a importância do petróleo como forma de pressão</a></strong> nas relações exteriores. A Líbia também <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=281&amp;pg=36">tentou se fundir com a Tunísia</a> </strong>e a <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=627&amp;pg=50">Síria</a></strong>, para formar a República Árabe Islâmica. E as <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=677&amp;pg=44">ambições expansionistas de Kadafi continuaram</a>.</strong></p>
<p>A <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=286&amp;pg=36">Líbia se &#8220;reconciliou&#8221; com o Egito e a Arábia Saudita</a> </strong>somente em 1974. Mas em 1976, a aliança entre os governos do Egito, do Sudão e da Arábia Saudita <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=413&amp;pg=36">tentou promover a derrubada de Kadafi</a></strong>. No mesmo ano, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=420&amp;pg=45">Kadafi falou a VEJA sobre a situação de seu governo</a></strong>, sua relação com os países árabes e seu apoio de movimentos revolucionários de outros países. Em 1979, o ditador também discorreu sobre um possível <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=564&amp;pg=3">embargo às exportações de petróleo aos EUA</a></strong> pela Líbia.</p>
<p><strong>Terrorismo &#8211; </strong>Em 1972, Kadafi anunciou sua <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=198&amp;pg=35">disposição de apoiar a luta dos terroristas do Exército Republicano Irlandês (IRA)</a></strong> contra a Inglaterra e dos negros americanos. Mais tarde, foi acusado de <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=664&amp;pg=42">incentivar o terrorismo internacional ao apoiar a URSS</a> </strong>e <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=688&amp;pg=34">preparar planos terroristas contra embaixadas americanas</a></strong>, em 1981. Nesse período, <a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=690&amp;pg=47"><strong>Kadafi reforça sua segurança pessoal</strong></a>.</p>
<p>No fim do ano, os americanos também denunciaram um <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=693&amp;pg=36">plano da Líbia para assassinar o então presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan</a></strong>, que adotou medidas segurança e fez ameaças à Kadafi. O serviço secreto americano detectou e impediu ainda a concretização de um <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=755&amp;pg=32">golpe de estado arquitetado pelo governo líbio</a></strong>. Em 1984, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=819&amp;pg=32">Kadafi escapou de um ataque de terroristas</a></strong> ao quartel em que residia. O atentado teve sua autoria assumida pela Frente Nacional de Salvação da Líbia.</p>
<p>As <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=905&amp;pg=28">relações de Kadafi deterioram-se ainda mais</a></strong> com o ataque aos aeroportos de Roma e Viena. E a situação se intensificou quando uma <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=918&amp;pg=38">bomba explodiu num Boeing 727 da TWA em pleno ar</a></strong>, matando quatro americanos &#8211; Células Revolucionárias Árabes assumiram o atentado. Como vingança, os <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=920&amp;pg=36">EUA atacaram a Líbia na tentativa de eliminar Kadafi</a></strong>, uma operação denominada Eldorado Canyon.</p>
<p>Em 1992, <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1500&amp;pg=38">Kadafi se recusou a extraditar dois terroristas</a></strong>, foi punido com embargo pela ONU e reagiu com vandalismo contra embaixadas no país. Em 1999, após três décadas de financiamento a revoluções e terroristas, o <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1610&amp;pg=58">ditador líbio finalmente tentou romper o isolamento de seu país</a></strong>. E a <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1876&amp;pg=118">aceitação de Kadafi pela Europa como um bom companheiro</a></strong> culmina num cenário em que ele foi <strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2207&amp;pg=58">adulado pelos esquerdistas ingleses e tido na ONU como defensor dos direitos humanos</a></strong>. A reabilitação de Kadafi, porém, foi por terra no momento em que começou a revolta que conseguiria, enfim, derrubá-lo.</p>
<p><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=100&amp;pg=42"><strong><em>Em 5/8/1970: Tensão na Líbia</em></strong></a></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=115&amp;pg=53">Em 18/11/1970: União a três</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=121&amp;pg=32">Em 30/12/1970: Socialismo fardado</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=138&amp;pg=41">Em 28/4/1971: Tríplice ameaça</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=175&amp;pg=29">Em 12/1/1972: O estilo Kadafi</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=194&amp;pg=34">Em 24/5/1972: Volta à lei de Alá</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=198&amp;pg=35">Em 21/6/1972: Sede da revolução</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=205&amp;pg=36">Em 9/8/1972: Miragem política</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=228&amp;pg=38">Em 17/1/1973: O ouro de Kadafi</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=234&amp;pg=3">Em 28/2/1973: Diplomacia é hipocrisia</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=254&amp;pg=14">Em 18/7/1973: Trechos do Livro Verde</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=255&amp;pg=39">Em 25/7/1973: Marcha e dinamite</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=261&amp;pg=33">Em 5/9/1973: País sem nome</a></em></strong></p>
<p><em><strong><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=262&amp;pg=52">Em 12/9/1973: Todos ameaçam</a></strong></em></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=274&amp;pg=39">Em 5/12/1973: Um intelectual</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=281&amp;pg=36">Em 23/1/1974: O país difícil</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=286&amp;pg=36">Em 27/2/1974: A penitência</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=564&amp;pg=3">Em 27/6/1979: Viveremos sem petróleo</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=920&amp;pg=36">Em 23/4/1986: Guerra ao tirano do terror</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1500&amp;pg=38">Em 8/4/1992: Na cola de Kadafi</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1610&amp;pg=58">Em 11/8/1999: A reabilitação de Kadafi</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1876&amp;pg=118">Em 20/10/2004: Kadafi é bom companheiro</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=2207&amp;pg=58">Em 9/3/2011: O xodó da esquerda ocidental</a></em></strong></p>
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