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05/02/2010

às 6:26 \ Economia

Moedas: o que circulou no Brasil nos últimos anos

Para dificultar o trabalho dos falsificadores, o Banco Central brasileiro lançou esta semana uma nova famílias de cédulas de real. Com tamanho variável – quanto maior o valor, maior a nota – o dinheiro terá vários elementos de segurança. A novidade, no entanto, significa apenas uma mudança na aparência da moeda que circula no país e está longe de sinalizar uma mudança na política econômica brasileira. Caso ocorresse, a mudança não seria surpresa para boa parte da população brasileira, que nos últimos 40 anos viu seu dinheiro mudar de nome – e de valor – seis vezes.

Em 1970, o cruzeiro novo, criado em 1967, passava a se chamar simplesmente cruzeiro. Além do nome, a novidade estava também no formato. Como no anúncio da quarta-feira, as mudanças vinham para dar mais segurança. O formato era mais moderno e simples, com cores suaves e atraentes. Uma das grandes novidades eram as estrias e tramas de linhas no fundo da cédula (em um desenho que se parece a um impressão digital) que eram calculados automaticamente e evitavam cópias. Com as novas cédulas, outra novidade: o Brasil deixava de ser um dos dois únicos países no mundo com mais de 50 milhões de habitantes na época que não fabricava seu próprio dinheiro.

Nas décadas seguintes, o fantasma da inflação assombraria a vida dos brasileiros, inchando os preços e corroendo os salários. Numa tentativa de frear o processo, em 1986 o então presidente José Sarney assinou “a mais revolucionária reforma econômica dos últimos 20 anos”, como destacou VEJA na ocasião. Naquele ano, morria o cruzeiro e nascia o cruzado. “Iniciamos uma guerra de vida ou morte contra a inflação. A decisão está tomada. Agora, cumpre executá-la e vencer”, anunciou na TV a milhões de brasileiros o presidente. Mas essa guerra ainda se estenderia por muitos anos e muitas batalhas ainda estavam por vir.

Três anos depois, o mesmo Sarney voltou à TV para anunciar que entrava em vigor mais um plano para a economia brasileira tentar outra vez driblar o dragão da inflação, que queimava empregos e derretia salários em todo o país. Em 1989, entrava em vigor o Plano Verão e passava a circular o cruzado novo marcando o início de uma “guerra total” contra uma inflação que subia 1% ao dia e esfrangalhava a economia nacional. A nova moeda era nominalmente 1.000 vezes mais forte que a anterior, que faleceu três anos depois de nascer, moída por uma inflação de 5.800%.

O cruzado novo foi mais uma batalha perdida e outra moeda veio em 1990, o cruzeiro, que vigorou apenas três anos. Em 1993, a equipe econômica encontrou a solução para parte do problema que afligia o bolso dos brasileiros e criou o cruzeiro real cortando três zeros do antigo cruzeiro. A medida não tinha nenhum impacto imediato sobre a inflação, mas acabou com um tremendo problema contábil, que estava levando as pessoas ao nervosismo e inviabilizando as operações com quantias muito grandes. A plástica no velho cruzeiro – que havia sido criado primeiramente pelo governo de Getúlio Vargas em 1942 – foi a medida encontrada para que o Brasil não se afogasse em tantos zeros.

Um ano mais tarde, a mesma equipe econômica por trás do cruzeiro real anunciou outra novidade: o Plano Real. Com uma inflação que batia na casa dos 45%, o anúncio foi recebido com ceticismo. “As chances de fracasso do real são maiores que a possibilidades de sucesso. Mesmo assim, o país está diante da maior oportunidade de acabar com a inflação que teve na última década”, publicou VEJA em 1994. Em vigor desde então, o real provou-se eficaz  e tornou-se o cabo eleitoral número um do então ministro da economia, Fernando Henrique Cardoso, que elegeu-se a presidente naquele ano, reelegendo-se para um segundo mandato em 1998 .

Em 8/4/1970: Admirável nota nova
Em 5/3/1986: Revolução na economia
Em 25/1/1989: O Brasil depois do cruzado novo
Em 4/8/1993: O Brasil cai na real

Em 18/5/1994: A hora de enfrentar o dragão

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1 Comentário

  1. samanta

    -

    18/02/2010 às 15:31

    Eu adoro essa revista por causa das novidades sobre tudo e todos.Com essas novas cédulas,eu concordo plenamente que ficará muito mais difícil falsificar.Eu só espero realmente que essa mudança não interfira na economia do nosso país,que vem a cada dia se estabelcendo!
    Obrigado!

 

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