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24/05/2010

às 6:12 \ Ciência

Genética: descobertas revolucionárias da ciência

Na semana passada, cientistas americanos afirmaram ter desenvolvido a primeira forma de vida completamente artificial, a primeira célula controlada por um genoma sintético. O avanço já está sendo descrito como uma das conquistas científicas mais importantes da história da humanidade. A revolução, entretanto, começou ainda em 1953, quando os cientistas Francis Crick e James Watson anunciaram a foram helicoidal do DNA. Desde então a manipulação do DNA vem se desenvolvendo com extraordinária velocidade.

No fim da década de 1980, a engenharia genética ainda dava seus primeiros passos. “As pessoas estão ávidas para entender como essa nova ciência trabalha, o que ela trará de bom para a humanidade e quanto tempo levará para oferecer todos os frutos que promete”, disse a VEJA Terry Sharrer, pesquisador americano, em 1989. Na época, os serviços genéticos que determinavam a paternidade com certeza absoluta, comuns nos dias de hoje, apenas davam seus primeiros passos no Brasil.

Sete anos mais tarde, cientistas escoceses anunciaram que haviam feito cópias idênticas de uma ovelha em laboratório por meio do processo de clonagem. Essa não era a primeira vez que cientistas produziam cópias de animais ou plantas. Anos antes eles já faziam isso com sapos, insetos e diversos tipos de frutas e verduras. A novidade era a possibilidade de se fizer clonagens em escala industrial. A notícia reacendeu debates éticos e religiosos em torno dos avanços da ciência: os cientistas têm o direito de interferir na natureza a ponto de mudar a reprodução dos seres vivos?

Três anos depois, soube-se que a Dolly era um animal biologicamente envelhecido. Suas características moleculares eram as mesmas do tecido que a originou, retirado de uma ovelha de 6 anos. Além disso, ela trazia as marcas das sucessivas multiplicações celulares por que passou ainda nos tubos de ensaio, antes de se transformar em embrião. O curioso é que Bonnie, o primeiro filhote de Dolly era absolutamente normal.

Evoluindo a passos largos, a engenharia genética impulsionou a área médica. Hoje em dia, a medicina pós-genômica permite que um simples exame do DNA seja capaz de mostrar se o paciente tem propensão para sofrer algumas doenças degenerativas dos rins ou mesmo ter trombose. Já os médicos, sabendo qual é a semente genética que pode explicar a causa das enfermidade, sabem onde fica essa raiz do mal e têm mecanismos para extirpá-la antes mesmo que ela provoque doenças.

Outro campo da medicina revolucionário é o terapia genética, ramo se propõe a tratar as doenças hereditárias onde elas estão instaladas, ou seja, dentro das células. Genes defeituosos, propõe a terapia genética, podem ser neutralizados por substâncias especialmente fabricadas para esse fim. Uma área excitante da ciência há pelo menos duas décadas, a terapia genética até hoje produziu muitas promessas e poucos resultados.

Promessas também não faltam às pesquisas com células-tronco, células empbrionárias que têm a capacidade de se transformar em células específicas de qualquer tecido ou órgão que compõem o corpo humano. Essa versatilidade as torna a grande promessa para o tratamento de doenças graves – problemas cardíacos, câncer, doenças auto-imunes, disfunções neurológicas, distúrbios hepáticos e renais, osteoporose e traumas da medula espinhal. O raciocínio dos cientistas é simples: se elas podem se transformar em todo tipo de célula, por que não usá-las na recuperação de tecidos e órgãos de pessoas doentes? As chamadas células da esperança já estão revolucionando o tratamento de doenças graves, como diabetes, infarto, derrame, câncer, Parkinson e Alzheimer.

Em 15/3/1989:  Atalho para o futuro
Em 13/3/1996: Brincando de Deus
Em 2/6/1999: O paradoxo de Dolly
Em 8/12/1999: Mal cortado pela raiz
Em 29/3/2000: Os limites da revolução
Em 16/1/2002: A célula que pode salvar a sua vida

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