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29/03/2011

às 15:04 \ Brasil

Nas páginas de VEJA, a luta de Alencar contra o câncer

O ex-vice-presidente José Alencar perdeu nesta nesta terça-feira a batalha que travava há mais de 10 anos contra o câncer. Ele morreu vítima de falência múltipla dos órgãos no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Sua luta contra a doença teve início em 1997, quando ele extirpou um tumor no rim e outro no estômago. Em 2000, foi detectada uma anomalia na próstata. Já com a saúde fragilizada, Alencar teve uma participação discreta na campanha do ex-presidente Lula à reeleição, em 2005. A situação dele ficou ainda mais delicada em 2006, quando o vice recebeu o diagnóstico de um sarcoma, um câncer agressivo e recidivo, na região do abdômen. Um ano após o diagnóstico, os médicos informaram a Alencar que a doença é incurável.

Ainda, assim, o espírito de luta do ex-vice sempre foi impressionante. Assim como a presidente Dilma fez em 2010, seu antecessor prestou uma homenagem a Alencar em seu discurso de posse, em janeiro de 2006. “Quero de público aqui agradecer a participação jovial do meu vice-presidente da República. Por onde eu andava, o Zé Alencar já tinha participado como se fosse um menino de 18 anos”, afirmou Lula. Naquele ano, Alencar embarcou para os Estados Unidos para fazer um tratamento no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, um dos mais respeitados centros oncológicos do mundo. Lá, foi operado por Murray Brennan, um especialista em sarcomas.

Mesmo diante de diagnósticos negativos, Alencar era um paciente que sorria, animava a família e até os médicos. O ex-vice mostrou isso em entrevista concedida a VEJA em 2008. “Não penso na morte”, afirmou Alencar a revista. “O negócio é muito simples: todo mundo vai morrer. Por isso, não tem de ter medo. No dia em que Deus quiser me levar, não precisa nem de câncer”.

Em doze anos, Alencar passou por 13 cirurgias para retirada de tumores. Ele já havia perdido o rim direito, a próstata e dois terços do estômago. A mais delicada das intervenções, porém, foi realizada em janeiro de 2009. Foi a mais complexa porque envolveu uma sequência de procedimentos raramente adotados numa única cirurgia. Em dezessete horas e meia, os médicos retiraram quinze nódulos malignos da região abdominal de Alencar e submeteram o ex-vice-presidente, ainda durante a cirurgia, a um tipo inovador de quimioterapia preventiva: a hipertérmica, técnica que, embora eficaz, oferece riscos severos aos pacientes.

Meses após a cirurgia, ele partiu para mais uma etapa de sua batalha, tornando-se um dos cerca de trinta voluntários dos estudos clínicos com um remédio de ação inédita, cujo nome provisório é R7112. Os testes foram conduzidos por uma equipe do hospital MD Anderson, centro de excelência em pesquisas oncológicas. Pertencente à classe dos medicamentos de terapia-alvo e administrado por via oral, o R7112 tem um mecanismo de ação inédito: ele regula o funcionamento de uma proteína envolvida no processo de multiplicação celular e cujo defeito está presente em metade de todos os casos de câncer. Alencar, porém, não respondeu ao medicamento.

O ex-vice foi, então, submetido a um novo tratamento, baseado em quatro sessões semanais de quimioterapia. Em setembro de 2009, ele recebeu VEJA para mais uma entrevista. Alencar disse que nunca passou por momentos de angústia e revelou que se sentia preparado para a morte. “Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio. Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena. Até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente”, afirmou.

Em 8/11/2006: A batalha do vice
Em 20/8/2008: “Saudade de Minas”
Em 4/2/2009: “Vamos agora ao jogo da vida”
Em 3/6/2009: A força de Alencar
Em 9/9/2009: “Estou preparado para a morte”

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6 Comentários

  1. Alírio Lucas

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    01/05/2011 às 16:22

    Grande nome para o Brasil, fez muito por nosso país. Esse sim merece todo o respeito das pessoas!

  2. Milton Lisanti

    -

    31/03/2011 às 13:50

    Martir ou herói?Como ex-presidente poderia ter feito esforços na área da saúde´para proporcionar aos humildes as mesmas condições que ele teve para enfrentar sempre sorrindo a doença.Se ele com o poder que tinha tivesse proporcionado ao povo um atendimento digno,aí seria um herói preferiu se martir,só falta santifica-lo.Chega de “babação de ovo”

  3. walter francisco barros

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    29/03/2011 às 18:01

    A palavras dignidade e honradez no Brasil tem um significado impar José Alencar.

  4. José Geraldo Sampaio

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    29/03/2011 às 17:22

    Estou muiito triste com a morte de José de Alencar. Fou um grande política, grande estadista e muiito querido no Brasil e, por que não, no mundo. Que o bom Deus receba sua alma e o descanso eterno. de oração, Sampaio.

  5. VICTOR CRESPO

    -

    29/03/2011 às 16:55

    Vá com Deus José Alencar. Um dos poucos políticos dígnos que este país já têve e com uma história de vida marcante. De família pobre se fez a custa de muito trabalho. Chegou onde chegou por mérito.

  6. Estres Lopes

    -

    29/03/2011 às 16:23

    Sr.Jose Alencar ,” Um homem bom , não se pode derrubar , pois ele torna a ficar erguido” mas o senhor ja nao esta mais conosco , o que ficara para mim , foi o seu exemplo de vida , perceverança,grandiosidade , trabalho ,de luta e o mais importante de não se entregar. Que o Senhor Jesus abençoe e conforte todos os seus familiares e entes querido.

 

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