FILIPE VILICIC A ORIGEM DOS BYTES

A ORIGEM DOS BYTES

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Filipe Vilicic é jornalista e editor de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de VEJA. É também autor dos livros O Clique de 1 Bilhão de Dólares (Intrínseca), primeiro sobre a criação da rede social Instagram, fundada pelo brasileiro Michel “Mike” Krieger, e de Viva e Deixe Viver (Matrix), sobre a ONG de contadores de histórias de mesmo nome.

O futuro do WhatsApp

Exclusivo: novidades sobre as próximas mudanças a acontecerem no app de troca de mensagens, em conversa com o diretor global de comunicação da empresa.

Por: Filipe Vilicic

Tive a oportunidade de papear com Matt Steinfeld, novo diretor de comunicação global e porta-voz do WhatsApp. Mais que novo, aliás, é o primeiro no cargo. (Sim, um serviço com 1 bilhão de usuários, fundado por uma empresa vendida por quase 20 bilhões de dólares ao Facebook, não tinha um profissional responsável pela área de comunicação há pouco mais de três meses. Por quê? O fato é que o WhatsApp é um gigante que preza – com razão, visto o sucesso – pelo “estilo startup” de empreender, com poucos funcionários, ganhando bem, e produzindo muito.) De volta ao tópico inicial: Matt adiantou, em primeira mão, alguns planos para o futuro do popular app de troca de mensagens. Ao que interessa:

  1. Expandir e aprimorar os negócios no Brasil é a prioridade para 2016. Por que isso é bom? Por exemplo: há um esforço contínuo para adaptar o aplicativo para que ele funcione adequadamente mesmo em sistemas precários de conexão; como a banda-larga (por vezes, nem assim pode ser chamada) e o 3G/4G brasileiros – a 93ª pior conexão do planeta, como mencionei neste post anterior.
  2. Neste ano devem começar a pipocar anúncios no WhatsApp. Para tal, a empresa planeja lançar um serviço adequado para as empresas se comunicarem com largas audiências, expandindo o alcance muito limitado dos atuais grupos de bate-papo do app. Em outras palavras, aceite: haverá publicidade no teu smartphone, guiada de acordo com o comportamento, as preferências, de cada usuário – como é de praxe em redes sociais, como no Facebook, nave-mãe do WhatsApp. É o preço (convenhamos, não tão “caro”) a se pagar pelo programa ser de graça.
  3. Há esforço contínuo de informar os usuários sobre os dados privados coletados pelo serviço – e que podem ser utilizados para, por exemplo, atrair anunciantes – e também sobre como se proteger de spams, hackers e afins enquanto se trocam as mensagens (confira nesta página).
  4. O app pretende lançar, em breve, um novo modelo de criptografia end-to-end – aquele no qual apenas o emissor e o receptor da mensagem conseguem visualizar o conteúdo. Mesmo a empresa, o WhatsApp, em si, não tem fácil acesso ao material. Ou seja, será mais seguro falar pelo app. Ou seja (2), aposto que isso dará fruto a ainda mais discussões acerca do limite à privacidade no mundo conectado, no estilo da que permeia a recente briga da Apple com o FBI (leia aqui). Ou mesmo a questões similares à que se levantou em torno da suspensão temporária, no ano passado, do WhatsApp no Brasil (aqui).

No geral, e num resumo direto, saí da conversa com a sensação de que a empresa está amadurecendo. Não por acaso, fase de crescimento (e, aqui, não falo do lado econômico) pela qual passa também o Facebook.

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Comentários

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  1. […] quem acompanha este blog, não se trata de uma novidade tão grande. Antecipei neste post que o serviço implantaria esse tipo de criptografia. A pergunta que fica, porém: o que você, e todos nós, temos a ver com isso? […]

  2. […] que há muito tempo era especulado pode se concretizar este ano. Em entrevista ao jornalista Filipe Vilicic da VEJA, Matt Steinfeld, novo diretor de comunicação global e porta-voz do WhatsApp, anunciou que em 2016 […]

  3. […] http://veja.abril.com.br/blog/a-origem-dos-bytes/o-futuro-do-whatsapp/ […]

  4. Ricardo

    Não consigo entender como é que se faz uma entrevista e não posta a íntegra da conversa. A pergunta é: que partes foram ditas mesmo pelo entrevistado e que partes foram “interpretação” do entrevistador? Há explicação (ou motivo) pra não se postar a entrevista na íntegra, ainda mais em se falando de internet? (Se fosse na revista ainda dava pra entender… Economia de papel, sei lá).

  5. […] Durante uma conversa pra lá de descontraída, Steinfeld revelou alguns investimentos que o WhatsApp pretende fazer ainda este ano. A matéria foi publicada no portal da Veja. […]

  6. Gomes

    Enfim, o pior aplicativo para comunicação tornando-se ainda pior e invasivo.
    As pessoas precisam entender que se algo é de graça, o indivíduo é produto exclusivo da empresa.
    Procurem pelas alternativas para se comunicarem! Verão o quão ruim o whatsapp é!

  7. JR

    WowApp Messenger possui um modelo interessante para inclusão de publicidade no aplicativo. WowApp é gratuito e compartilha com mais de 70% das receitas/margem de lucros. É possível doar o que ganhar para uma das 2000 instituições de caridade em 110 países ou sacar esse dinheiro. A escolha é do usuário. Para utilizar WowApp é preciso convite, que está aqui: bit.do/wowapp

  8. […] Souza Matt Steinfeld, novo diretor de comunicação global e porta-voz do WhatsApp, confirmou essa previsão: um dos objetivos do app para este ano é mesmo o de começar a exibir anúncios. Ele não […]

  9. Renee vitor balico

    Havera anuncios no WhatsApp tipo depois que eu ver um video ai aparece um anuncio de um jogo ou um aplicativo?

  10. Matheus Santana

    Ele disse algo sobre chamadas em vídeo como o skype ?

  11. MD 1965

    Sei não. Propaganda? Temos outras opções.

  12. Marcelo

    O whatsapp é realmente um grande aplicativo que vem trazendo grandes benefícios a todos os usuários, classes A,B,….Z. Agora convenhamos, o ex-diretor do aplicativo jurar de pé junto que nunca, nunca mesmo, haveria publicidade no aplicativo, mesmo após a sua venda, foi lastimável. A famosa conversa pra boi dormir, ou querer ser o politicamente correto. E cá pra nós, a tal da propaganda enche o saco, principalmente nas telinhas pequenas dos smartphones. Que o diga o chatíssimo google adsense. Acho que essas empresas tem que correr atras pra lucrar porém assumam esta postura desde o inicio.