Facebook: novos recursos de prevenção ao suicídio

Este blog antecipa ferramentas que serão lançadas e avalia como o site tem criado leis e formas de monitoramento, como se fosse mesmo uma nação (virtual)

Este blog antecipa: nos próximos dias o Facebook anunciará uma série de recursos que visam auxiliar na prevenção ao suicídio dentro da comunidade virtual. A notícia vem em um momento no qual a rede social tenta provar que consegue monitorar e controlar atividades polêmicas que ocorrem no site; apesar de a novidade usar como gancho o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, que ocorre no próximo domingo (10). Já foram anunciadas, por exemplo, formas de combater lives (os vídeos ao vivo) que exibem atos criminosos, ações potencialmente terroristas e bullying. Recentemente, tem se tornado comum a divulgação de lives de suicidas, como no caso de um músico de Memphis, nos EUA, que ateou fogo em si enquanto se filmava. Conforme os usuários começam a utilizar a rede para fins mais preocupantes, acendendo debates em torno de quão seguro (ou perigoso) é mergulhar no mundo do Facebook, a empresa procura controlar a situação.

“Estamos em uma posição única para ajudar”, disse a este blog a diretora global de segurança do Facebook, Antigone Davis. “Trabalhamos em conjunto com especialistas em prevenção ao suicídio que apontam que uma das melhores formas de auxiliar pessoas que querem se machucar é promover o contato delas com entes queridos. Justamente o que nossa rede pode fazer, estimulando que familiares e amigos deem o suporte necessário”. Faz dez anos que o Facebook elabora formas de agir nesse sentido. Antes, entretanto, de maneira mais singela.

A empresa começou oferecendo respostas prontas a quem detecta um possível suicida relatando seu sofrimento na timeline. Exemplo: como achar um especialista para ajudá-lo? Qual seria o contato desse expert? Neste ano, após outros aprimoramentos, o Facebook divulgou que deu início ao teste de um sistema de inteligência artificial capaz de monitorar posts e lives em busca de potenciais casos de indivíduos que estariam próximos de se machucar. “Conseguimos, por exemplo, analisar os comentários em um vídeo, para ver se há pessoas dizendo algo como ‘valorize-se’, e assim detectar situações delicadas e agir de acordo”, completou Antigone.

Agora, as novidades são: uma nova seção na Central de Segurança do site, na qual usuários podem se orientar sobre como agir quando notam que alguém está em perigo, ou se a própria pessoa tem tido pensamentos suicidas; uma campanha de marketing para propagandear as ferramentas de prevenção ao suicídio; lives com especialistas das organizações Centro de Valorização da Vida (CVV) e SaferNet. O Facebook ainda conta com um time de 300 profissionais aptos a atender os usuários nos casos mais drásticos, 24 horas por dia.

A notícia é boa, claro, pois lida com um problema real da sociedade. Porém, levanta preocupação. A primeira delas: será que as pessoas querem escancarar tanto a própria privacidade, a ponto de o Facebook saber de seus momentos mais depressivos? “Procuramos balancear dois elementos de suma importância para nós, a segurança e a privacidade”, responde Antigone. “Por isso temos o suporte de profissionais que lidam com a prevenção ao suicídio todos os dias, para saber qual é o limite.”

Contudo, até onde é possível confiar no julgamento do Facebook? Essa é uma pergunta em aberto. Casos do passado, porém, colocam a empresa em dúvida. Por exemplo: em 2014, com a divulgação de um estudo, soube-se que a companhia do Vale do Silício realizou um experimento com quase 700 000 pessoas, sem avisá-las. Nessa pesquisa, manipularam-se os posts que apareciam nas timelines desses indivíduos, para concluir se ver mais mensagens de tom negativo influenciaria o humor de quem navega pelo site. Resultado: sim, ver posts depressivos deixam as pessoas… depressivas. A pergunta que ficou: foi ético, por parte do Facebook, induzir a infelicidade em parte de sua comunidade?

Outra preocupação: até onde divulgar medidas de prevenção não pode acabar por incentivar suicidas? E seria a internet o ambiente certo para tal? Com a palavra, Antigone, como voz do Facebook: “Sabemos que as pessoas que recebem apoio tendem a não cometer o ato drástico. Além disso, o Facebook é uma rede onde as pessoas usam seus nomes reais e são autênticas, revelando-se de forma verdadeira. Por isso, sim, somos uma plataforma única para auxiliar nesse problema.”

LEIA
Como o ambiente de Facebook, Twitter e afins alimenta os radicais

Há um mérito indiscutível do Facebook. Conforme ele cresce, cada vez mais, hoje com acima de 2 bilhões de usuários mensais (seria o maior país do planeta), ele se torna também cada vez mais similar a uma nação. Com muitos problemas, a exemplo de criminalidade, de atividades terroristas etc. Mas, também, buscando soluções, estipulando leis e monitorando (com limites, espera-se) seus cidadãos virtuais.

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