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O desafio de escolher uma carreira promissora e conseguir uma vaga numa universidade é um tema que une todas as gerações surgidas desde o lançamento de VEJA, em 1968. Está enganado quem pensa que há 40 anos o ingresso em uma faculdade pública era muito mais fácil que nos dias de hoje. Poucos chegavam ao vestibular, mas a concorrência era grande perante o número de vagas. Os cursinhos pré-vestibulares ainda eram novidade. Hoje, são uma etapa comum no caminho para o ensino superior. Naquele tempo, o mercado de trabalho concentrava suas melhores oportunidades no setor industrial, e os cursos que mais formavam profissionais eram os de Letras, Pedagogia, Direito e Administração de Empresas. Já na década de 1980, a informática se destaca como curso mais promissor. Carreiras como Arquitetura, Engenharia e Medicina estavam com procura em queda. Matemática, História e Direito tinham demanda em alta. A procura pelas carreiras, porém, sempre variou de acordo com o contexto econômico e social do período. Uma profissão que parece estar em baixa numa década pode ressurgir com força na outra. VEJA publicou diversas reportagens especiais sobre a escolha da carreira, indicando quais profissões ofereciam as melhores oportunidades para o futuro. A revista também mostrou as mudanças que afetaram o mercado de trabalho como um todo. No início dos anos 1990, muitas empresas foram obrigadas a terceirizar serviços, fechar departamentos e demitir um contingente grande de funcionários. Profissões clássicas como engenheiro, médico e administrador de empresa se adaptaram às mudanças econômicas e tecnológicas. Em alta ficaram o marketing, o direito trabalhista, a hotelaria e outras áreas ligadas ao comércio e à prestação de serviços. A revista também registrou as mudanças nos grandes centros empregadores do país. O interior de São Paulo, os estados do Norte e Nordeste e o Rio Grande do Sul surgiam como alternativas ao saturado mercado de trabalho da capital paulista na década. A partir desse mesmo período, os empregadores buscavam cada vez mais um perfil profissional que não se resumia à simples capacidade de executar uma tarefa. Fatores como capacidade de liderar e lidar com o trabalho em equipe, visão global das coisas e inteligência emocional tornaram-se decisivos nos processos de seleção de pessoal das grandes empresas. Com a exigência crescente de uma boa formação acadêmica, disparou a demanda por vagas em cursos superiores no país. O aumento da oferta de vagas aconteceu principalmente com a abertura de milhares de instituições particulares por todo o Brasil. Professores antigos da rede pública de ensino migraram para as faculdades privadas pelos melhores salários e condições de trabalho. Na briga pelas vagas nas melhores universidades, o ritmo de estudo é intenso, mas ainda é possível conciliar essa missão com a vida social, como mostraram os campeões dos vestibulares numa reportagem de capa publicada em 2002. Outra reportagem especial produzida em 2003 contou os segredos apontados pelos especialistas para que os jovens ampliem suas chances numa etapa ainda mais difícil que entrar na faculdade: conseguir o ingresso no mercado de trabalho, agora mais competitivo que o vestibular. Também na década de 2000, outro tema de destaque nas discussões sobre vestibulares e carreiras é a política de cotas, instituída desde 2004 por algumas universidades. O sistema, que visa o aumento de estudantes negros ou de outras minorias no ensino superior, até agora tem chamado a atenção por promover aquilo que mais abomina: a discriminação. Além disso, é cheio de falhas, como mostra a reportagem de capa de VEJA sobre os irmãos gêmeos idênticos candidatos a uma vaga na UnB. Um deles foi considerado negro; o outro, branco. |
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