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"Os guerrilheiros das outras organizações terroristas prometem a tempestade. E cumprem. Mesmo sabendo que essa tempestade cai não apenas sobre os israelenses, mas também sobre eles próprios." Essas frases, retiradas de uma edição de VEJA de 1969, poderiam ter sido escritas nos dias de hoje. Naquele ano, começavam a ganhar força as organizações terroristas muçulmanas que passariam a assombrar Israel e o resto do mundo. A maior e mais importantes delas, o grupo Fatah do líder palestino Yasser Arafat, contava com cerca de 7.000 homens naquele tempo. O mundo passou a conhecer seus guerrilheiros como os fedayeen, ou "redentores", um grupo de combatentes clandestinos na melhor tradição das guerrilhas, hábeis e eficientes na arte da sabotagem e do terrorismo. Os atentados terroristas passaram a ser cada vez mais sofisticados nos anos seguintes. Em 1972, durante os Jogos Olímpicos de Munique, onze esportistas israelenses foram assassinados por terroristas palestinos que se disfarçaram de atletas. "Por que nos fizeram isso? Logo a nós?", perguntavam-se os alemães por toda a parte, segundo o relato do correspondente de VEJA no país, Carlos Struwe. O terrorismo, porém, nunca esteve restrito somente aos países do Oriente Médio - e foi praticado também no Brasil, durante o regime militar (1964-1985). Movimentos de esquerda se especializaram em roubar, seqüestrar e explodir bombas pelo país afora. Carlos Marighella e Carlos Lamarca (mortos em 1969 e 1971, respectivamente) foram as figuras mais famosas do terrorismo no combate aos governos dos generais. Lamarca desertou do Exército para se tornar guerrilheiro da Vanguarda Revolucionária Nacional. A habilidade como atirador e uma série de operações espetaculosas (certa vez comandou um assalto simultâneo a dois bancos, numa rua movimentada de São Paulo, e parou o trânsito com rajadas de metralhadora) levaram o nome de Lamarca às manchetes dos jornais e à posição de principal líder do terrorismo no Brasil. Em 198 No cenário internacional, o terrorismo se espalhou por vários continentes. Na Itália, por exemplo, o ex-primeiro-ministro Aldo Moro foi seqüestrado e morto pelas Brigadas Vermelhas. No Egito, o presidente Anuar Sadat foi eliminado em público pelos extremistas. Na década de 1990, os Estados Unidos entraram na lista de países que foram alvos do terror. Em 1993, um ataque ao World Trade Center, em Nova York. E em 1995, uma carnificina num prédio do governo em Oklahoma. O autor da matança, porém, não era um louco de turbante, mas sim um americano contrário ao poder de Washington. Nada disso prepararia os americanos para o que viria em 11 de setembro de 2001, quando o país se tornaria palco do maior atentado terrorista da história. Quase 3.000 pessoas morreram em função dos ataques com aviões que se chocaram contra as torres do World Trade Center, em Nova York, e contra o Pentágono, em Washington. A ação evidenciou a vulnerabilidade dos EUA e despertou a ira do governo americano, que anunciou o início de uma guerra contra o terror. Washington invadiu o Afeganistão à procura de Osama Bin Laden, o mentor do 11 de Setembro e, mais tarde, o Iraque, sob o pretexto de que Saddam Hussein escondia armas de destruição em massa. Os ataques mudaram o curso da história, e seus efeitos são sentidos até os dias de hoje. Um clima de insegurança se propagou, a vigilância sobre as pessoas cresceu. Como definiu VEJA, as mudanças atingem valores e visões de mundo. "A religião se misturou novamente de maneira perigosa com a política, o Ocidente e o Islã se chocaram. Outras mudanças dizem respeito às relações internacionais. Na resposta à ameaça terrorista, os Estados Unidos se assumiram como império, e isso teve impacto em suas relações com todos os demais países - sejam eles aliados, sejam eles inimigos." |
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