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1997 - 2009 | edições integrais
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 Coleções » Regime militar


  

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Torturas
 

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Geisel
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Geisel
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Figueiredo

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Anistia
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Figueiredo
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Médici e Golbery
 13/10/1993
Araguaia
 9/12/1998
Torturas

Entre 1964 e 1985, o Brasil foi governado pelos militares. Durante esse período, as instituições democráticas sofreram restrições, as liberdades individuais foram limitadas e a imprensa foi censurada. Em contrapartida, a economia do país teve um crescimento inédito. Lançada em 1968, VEJA viveu e registrou durante 17 anos o cotidiano brasileiro sob o comando dos generais. Poucos meses após a estréia da revista, o Ato Institucional nº 5 fechou o Congresso, cassou o mandato de mais de meia centena de políticos e suspendeu as garantias constitucionais. VEJA foi uma das primeiras vítimas do AI-5: a edição sobre o ato que endurecia o regime foi recolhida das bancas em dezembro de 1968. Por uma década, a sigla marcaria a fase mais feroz dos 21 anos de ditadura.


1Agora a coisa vai.1
Frase ouvida de um militar após o AI-5 (19/12/1968)

Se de um lado o estado massacrou liberdades básicas dos cidadãos, de outro, um punhado de jovens radicais e organizações de esquerda entraram no delírio de derrubar o regime na base da luta armada. As diferentes formas de resistência ao governo fardado renderam uma série de capas históricas, como a do congresso clandestino da UNE em Ibiúna, em 1968, ainda antes do AI-5. Ali, só podiam entrar os estudantes que tivessem em mãos um exemplar de VEJA daquela semana - a revista era a "senha". De leitores, os estudantes passariam a protagonistas da revista. Ao serem descobertos e presos, estamparam a capa da semana seguinte.


(...) Os rapazes e moças enrolados em cobertores coloridos, no frio do começo da tarde de sábado passado, não pareciam os perigosos líderes estudantis do Brasil inteiro, presos durante o 30º Congresso da ex-UNE. (...)
"O congresso interrompido", 16/10/1968

Também marcaram época o seqüestro do embaixador americano por um grupo guerrilheiro em 1969 e a perseguição a Carlos Marighella, o mais destacado líder da luta armada. A morte do ex-capitão de infantaria Carlos Lamarca, que trocou a farda pela subversão, também seria destaque em 1971.


(...) Surpreendido numa armadilha, cercado por quase quarenta policiais, Marighella não se rendeu. E foi aniquilado. Nem chegou a pegar sua arma. Está enterrado em cova rasa. (...)
"Estratégia para matar o terror", 12/11/1969

Ainda no fim de 1969, com duas reportagens de capa sobre o tema, VEJA se tornou o primeiro órgão de imprensa do país a investigar de maneira abrangente e detalhada a prática de torturas nos porões do regime militar. Duas décadas depois, já finda a ditadura, a revista publicaria outra capa sobre o assunto, desta vez com a inédita confissão de um torturador.


1 A tortura causa um desgaste muito grande. Nunca me neguei a torturar alguém, mas só fazia quando havia necessidade. Mas a brincadeirinha não tem a menor graça, viu?1
Marcelo Paixão de Araújo, ex-tenente (9/12/1998)

Na primeira metade dos anos 1970, o milagre econômico do governo militar exibia resultados, traduzidos em grandes obras de infra-estrutura, como estradas, hidrelétricas e redes de comunicação. Essa era a face benigna do regime. A maligna começaria a de desintegrar em 1978, com o fim mais do que tardio do AI-5. No mesmo ano, uma sentença que declarou a responsabilidade da União no caso do jornalista Vladimir Herzog - preso, torturado e morto nas dependências do DOI-CODI paulista -, colocou o Brasil no degrau das nações civilizadas, onde a administração pública responde pelos atos de seus agentes.


1A decisão do juiz reabre uma participação real da Justiça na vida do país, como poder independente.1
Raymundo Faoro, da OAB, no caso Herzog (1/11/1988)

A partir de 1979, a anistia foi o tema que dominou os debates. VEJA acompanhou a decisão do presidente Figueiredo desde o nascedouro até a conclusão do projeto de lei. Naquele ano, o general concedeu à revista a primeira entrevista exclusiva formal a um órgão de imprensa desde o golpe militar de 1964. O presidente que assinou a anistia e permitiu a transição para o poder civil foi o militar que mais vezes apareceu na capa de VEJA.


(...)Golbery, de olhos postos no futuro e sobretudo na sucessão presidencial, não parece interessado em discutir suas decisivas passagens pelo poder nos últimos vinte anos. Medici também acompanha com atenção os movimentos na ribalta, mas revela a preocupação de fazer a defesa de seu governo. (...)
"O momento de falar", 16/5/1984

Quando a campanha pelas eleições diretas evidenciava o ocaso do regime, a revista conseguiu também entrevistas históricas com dois personagens fundamentais da história do Brasil: Golbery do Couto e Silva e Emílio Médici, que quebraram o silêncio para uma edição de maio de 1984.


 
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