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1997 - 2009 | edições integrais
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Coleções » Questão agrária Leia as reportagens na íntegra


   
19/6/1985
Reforma agrária
  18/6/1986
UDR e Caiado
  15/8/1990
Confronto no RS
   
24/4/1996
Eldorado dos Carajás
  16/4/1997
Marcha a Brasília
  23/4/1997
Marcha a Brasília
 

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3/6/1998
MST e Stédile
  11/11/1998
Máfia da terra
  13/1/1999
Cecílio Almeida
   
10/5/2000
MST
  18/6/2003
José Rainha
  14/6/2006
MLST

Desde a década de 1960, a questão agrária no Brasil foi motivo de atritos e choques de interesses. Após a criação em 1982 do Ministério de Assuntos Fundiários, a situação ficou mais complicada e o embate entre lavradores e fazendeiros se tornou evidente. Durante seu mandato como presidente, José Sarney anunciou o Plano Nacional de Reforma Agrária, com o objetivo de distribuir ao longo dos anos 130 milhões de hectares ociosos a 1,5 milhão de famílias a cada 12 meses. A grandiosidade do plano foi suficiente para provocar a ira dos proprietários de terras, que exigiam do governo uma distribuição de loteamentos públicos.

A criação da União Democrática Ruralista União Democrática Ruralista (UDR), organização formada por proprietários rurais da direita, buscava arrecadar fundos para eleger parlamentares e garantir os interesses dos proprietários rurais. Também promovia leilões cujas verbas serviram para a compra de armas usadas por capatazes e peões encarregados de defender os latifúndios contra as invasões.

O maior massacre contra trabalhadores sem-terra ocorreu em 1996, em Eldorado dos Carajás, no Pará. O governo do estado deu ordem para que a Polícia Militar liberasse uma estrada bloqueada por manifestantes. Testemunhas disseram que a ação da PM foi logo de início pautada por extrema violência. O confronto deixou 51 feridos e 19 manifestantes foram mortos. Segundo os legistas, dez deles foram executados.

Nesse tempo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra já estava completando seus 12 anos de existência e dispunha de um orçamento de 800.000 reais por ano, dinheiro recebido de organizações nacionais e estrangeiras. A cada família assentada cabe o dever de entregar ao MST 1% da produção. Sua composição inicial foi baseada em antigos militantes comunistas, católicos e petistas e as lideranças mais famosas foram João Pedro Stedile e José Rainha.

O mês de abril de 1997 foi escolhido para uma enorme marcha composta por milhares de sem-terra. A legião rumou de São Paulo a Brasília para protestar contra a política agrária do governo federal. Com um discurso sobre a intenção de atingirem uma sociedade socialista, os líderes do MST passaram a comandar saques, invasões a delegacias e ocupação de agências bancárias. Nem as crianças ficam de fora. Nos grupos escolares o aprendizado é engajado, fundamentado em teorias zapatistas, católicas e sandinistas. Líderes como Che Guevara são exaltados nos acampamentos.

Aproveitando-se da certeza da impunidade, os sem-terra invadiram a fazenda dos filhos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e colocaram fogo em maquinários e casas Brasil afora. Quinhentos militantes desprezaram um símbolo da democracia e destruíram uma parte do Congresso Nacional em 2006. Do governo Lula receberam leves críticas, ou seja, um atestado de que poderão continuar sua devastadora marcha pelo país.


 
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