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Desde 1980, o Iraque se envolveu em três guerras num intervalo de apenas um quarto de século. Bombas endereçadas por três nações diferentes (Irã, Israel e Estados Unidos) atingiram seu território. Os motivos de cada conflito variavam, mas o personagem central era sempre o mesmo: Saddam Hussein, o tirano de Bagdá, figura truculenta, incendiária e sedenta de poder. Na primeira vez que o país foi tema de uma reportagem de capa, Saddam havia acabado de invadir o vizinho Irã. A guerra se estenderia por anos, com resultados desastrosos para toda a região. No ano seguinte, o Brasil ouviu falar do Iraque de maneira inesperadamente próxima, já que uma aliança entre os dois países era denunciada por um jornal britânico. A acusação tratava de remessas sigilosas de material bélico de aeroportos brasileiros com destino ao Oriente Médio. Essas cargas poderiam capacitar os iraquianos a conseguir a temida bomba atômica. VEJA mostrou o documento em que o governo de Israel incluía o Brasil entre o grupo de países que poderiam fornecer urânio ou equipamentos de enriquecimento da substância para o Iraque. Também divulgou a resposta do Itamaraty, que reagiu de imediato e disse que não tinha nenhuma relação obscura com o país de Saddam. Para garantir que o tirano não conseguisse produzir a bomba, Israel bombardeou uma central nuclear no Iraque. A ousada ação militar só chegou ao conhecimento dos americanos, aliados incondicionais de Israel, quatro horas após seu êxito completo. Uma década depois, as notícias que tomavam as páginas de VEJA tratavam da guerra que o ditador iraquiano desencadeou ao invadir e ocupar o Kuwait. Saddam botou o governo dos emires para correr, provocou uma alta do preço do petróleo e mostrou que, mesmo com a oposição conjunta dos Estados Unidos e da União Soviética, não desistiria de sua política expansionista no Oriente Médio. A reação americana: um bombardeio com nome de filme ("Tempestade no Deserto"), assistido ao vivo por todo o mundo. O objetivo era dobrar o ditador e forçá-lo a retirar suas tropas do país invadido. Em menos de seis horas o Iraque de Saddam invadiu e ocupou o Kuwait. Em menos de seis meses os EUA de George Bush forjaram uma aliança de 28 países para pressionar Saddam a sair do Kuwait. Em seis semanas do maior bombardeio aéreo já visto até então a aliança dizimou as instalações militares iraquianas e transformou em escombros a infra-estrutura do país. A derrota humilhante incluiu a rendição em massa dos integrantes da Guarda Republicana, a suposta força de elite de Saddam. Os americanos poderiam ter marchado até Bagdá e eliminado o tirano. Preferiram se retirar com o Kuwait libertado e deixaram para os próprios iraquianos a tarefa de derrubar Saddam. A missão, evidentemente, era impossível. O ditador controlava o país com mão-de-ferro e não sucumbiria a qualquer revolta interna. Mais uma década se passou. Relativamente esquecido nesse período, Saddam Hussein continuou submetendo seu povo à repressão e à pobreza, apesar da abundância de petróleo. Seu nome voltou a entrar na lista de alvos dos americanos quando quatro aviões foram seqüestrados no dia 11 de setembro de 2001. O maior atentado terrorista da história convenceu George W. Bush, filho do presidente que comandou a primeira invasão ao Iraque, de que era hora de eliminar os inimigos espalhados pelo mundo antes que eles ajudassem o terror a atacar os EUA. O 11 de setembro de 2001 mostrou que os americanos eram vulneráveis. Seria preciso se antecipar às possíveis ameaças. Depois que o Talibã foi derrotado no Afeganistão, ainda em 2001, todas as atenções se voltaram para o vilão da hora: mais uma vez, Saddam Hussein. Apontado como integrante de um "eixo do mal", o tirano era acusado de fabricar armas de destruição em massa que poderiam ser entregues a terroristas dispostos a atingir os americanos. A guerra começa em 2003. Assim como em 1991, o bombardeio americano contra Bagdá é transmitido ao vivo pela TV - e com uma violência ainda maior do que na primeira Guerra do Golfo. Também se repetiu a vitória fácil das tropas dos EUA, a maior máquina de guerra da história, contra as tropas de Saddam. Ao contrário do ocorrido na década anterior, entretanto, os americanos só parariam em Bagdá, com Saddam deposto. O tirano fugiu. Foi encontrado escondido numa toca, em dezembro de 1993, e executado três anos depois. Mas os americanos não estavam livres do problema. Removido o poder de Saddam, surgiu outro ainda mais perverso: o terrorismo islâmico que mergulhou o país num mar de sangue. Restou a Bush, desmoralizado pelos fiascos dentro e fora dos EUA, tentar encontrar uma saída honrosa para os americanos no atoleiro da guerra.
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