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Lula reeleito

Num país onde a história foi muitas vezes escrita à base de golpes, renúncias, regimes autoritários e governantes que não completaram seus mandatos, falar de eleições sempre demandou certa sensibilidade, dada a estranheza do tema para algumas gerações de brasileiros. O país passou quarenta anos sem eleger o presidente. VEJA nasceu no auge do governo militar. Teve de esperar até a década de 1980 para, assim como todos os brasileiros, exercer plenamente a sua vocação democrática.


(...) Na manhã de 15 de novembro de 1989, estará provado que existe uma grande fatia da população brasileira capaz de ter idéias que dão certo. Cinco anos atrás, em 1984, esses brasileiros, que reunidos formam aquela parte da nação chamada povo, entenderam, apoiaram e deram vida a uma idéia - promover eleições diretas para presidente da República. (...)
'Uma idéia que deu certo', 15/11/1989

A emergente democracia brasileira ganharia contornos mais fortes só em 1989, ano das primeiras eleições diretas para presidente desde o regime militar. Em disputa com o ex-metalúrgico petista Lula no segundo turno, Fernando Collor saiu vencedor. VEJA registrou o caráter acirrado da campanha ao observar que Collor triunfara em um país dividido. Envolvido em escândalos de corrupção generalizada, ele foi defenestrado do poder em 1992 - e foi por seu impeachment, e não pelo fato de ter sido o primeiro presidente eleito pela população em 39 anos, que Collor marcou uma nova era na política e nos costumes nacionais.


Esse resultado me dá ainda
mais ânimo para cumprir minha
missão como presidente.

Fernando Collor, ao ser eleito (24/12/1989)

A queda do marajá da Dinda teve influência direta no pleito presidencial seguinte. Com Collor fora do cenário, o claudicante Itamar Franco que assumiu a presidência teve como grande mérito de seu curto governo a nomeação de Fernando Henrique Cardoso ao Ministério da Fazenda. Ali, debelou a inflação com o seu Plano Real e pavimentou o caminho para uma vitória tranqüila na eleição de 1994 - um massacre sobre Lula, derrotado ainda no primeiro turno. FHC foi o primeiro presidente eleito a cumprir seu mandato na íntegra desde que Juscelino Kubitschek passou a faixa a Jânio Quadros, em 1961. E ao contrário de JK, ele ainda teve a oportunidade de transmitir o mandato a si mesmo, ao vencer de novo em 1998, depois da polêmica aprovação da emenda da reeleição, um ano antes. Lula foi outra vez o adversário nas urnas. De novo, vitória do tucano no primeiro turno.


(...) O pior dia da campanha do presidente eleito, Fernando Henrique, foi o último. A vaidade, um pecadilho confesso, não foi suficiente para afugentar os fantasmas daquela noite de véspera de eleição. Temia que sua vitória no primeiro turno não se confirmasse. "Só vou acreditar no resultado final", disse. Foi dormir com
a dúvida na cabeça. (...)

'FHC afia as armas do seu triunfo', 12/10/1994

A persistência de Lula levou o petista a concorrer pela quarta vez à Presidência em 2002. Domando a ala radical do PT e afirmando o compromisso de manter as conquistas políticas e econômicas da era FHC, Lula finalmente chegou ao Planalto, ao derrotar o tucano José Serra. Na ocasião, VEJA observou que a conquista atestava a qualidade da democracia brasileira, certificada pela alternância de poder. A alucinante sucessão de escândalos do governo petista que abalou o Brasil na segunda metade do mandato não foi suficiente para impedir uma nova vitória de Lula no pleito de 2006, desta vez contra Geraldo Alckmin. Com a democracia brasileira finalmente consolidada, a eleição rendeu a Lula 58 milhões de votos, a segunda maior votação de um governante nas democracias ocidentais até aquele tempo.


Os brasileiros vão vencer,
seja quem for o vencedor
das eleições
presidenciais.
FHC, sobre a disputa Lula x Serra (30/10/1989)

 


 
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