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VEJA chegou às bancas no mesmo ano em que o ensino superior passava por uma grande reforma no Brasil. Em 1968, uma lei do governo militar acabou com a cátedra, unificou o vestibular, que passou a ser classificatório, aglutinou as faculdades em universidades, criou sistemas de créditos (permitindo a matrícula por disciplinas) e fez com que a nomeação de reitores e diretores não mais precisasse ser entregue só a membros do corpo docente, mas também a qualquer pessoa de prestígio na vida pública ou empresarial. Três anos mais tarde, o ensino no Brasil passou por novas reformas. Desta vez, elas se estenderam também ao 1º e 2º graus, posteriormente chamados de ensino fundamental e médio. VEJA resumiu uma das principais mudanças com a frase "na nova escola, aulas de trabalho". Com a lei 5.629, de 1971, foi introduzido nas escolas do país o ensino profissionalizante. O antigo 2º grau se caracterizava por uma dupla função: a de preparar para o prosseguimento dos estudos e habilitar para o exercício de uma profissão técnica. Além disso, estabeleceu-se o ensino de primeiro grau de oito anos. Durante o regime militar, os estudantes universitários eram mantidos sob forte vigilância. Em 1979, um decreto chegou a proibir a participação ou representação de diretórios centrais de estudantes (DCEs) ou de diretórios acadêmicos em qualquer entidade de representação estudantil em nível estadual ou nacional. Ainda assim, 343.000 estudantes reuniram-se para participar da primeira eleição direta na União Nacional dos Estudantes (UNE). A chapa vencedora chegou a provocar atritos no Ministério da Educação - era apoiada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B). Em 1982, mais mudanças no ensino: uma nova lei determinou o fim da profissionalização compulsória, fazendo com que cada estabelecimento de ensino ficasse responsável apenas por dar uma formação geral que preparasse o aluno para o ingresso no ensino superior. Passados 14 anos, um novo projeto traria outras reformas para a educação brasileira. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de dezembro de 1996, conhecida como LDB ou Lei Darci Ribeiro, estabelece em seus preceitos dois níveis para a educação: a educação básica e a educação superior; duas modalidades: a educação de jovens e adultos e a educação especial; e uma modalidade complementar: a educação profissional. Definida como complementação da educação básica, a educação profissional pode ser desenvolvida em diversos níveis, para jovens e adultos com escolaridades diversas. Em 1997, num dos muitos balanços que VEJA publicou sobre a situação da educação no Brasil, o resultado foi assustador. No ano anterior, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) havia criado o Provão. O retrato do ensino universitário no país foi medíocre. Das 616 faculdades de administração, direito e engenharia civil submetidas ao exame, quase um terço teve desempenho sofrível: seus alunos não acertaram nem 30% das questões propostas. Em 2008, foi a vez do ensino básico estampar a capa da revista. Novamente, as constatações foram preocupantes. Embora pais, professores e até os próprios alunos estejam satisfeitos com o ensino no país, o Brasil forma alunos despreparados para o mundo atual, competitivo, mutante e globalizado. Em comparações internacionais, os melhores alunos brasileiros ficam nas últimas colocações, abaixo da qüinquagésima posição em competições com apenas 57 países. Os estudantes que se formam hoje no Brasil têm habilidade apenas para decorar a matéria, mas não conseguem estabelecer relações entre o que aprendem e o mundo em que vivem. |
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