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Coleções » Crises financeiras Leia as reportagens na íntegra


   
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Crise asiática
  19/11/1997
Crise asiática
   
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Crise cambial
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Crise argentina
 

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28/3/2001
Turbulência externa
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24/9/2008
Crise nos EUA
  1/10/2008
Crise nos EUA
  8/10/2008
Crise nos EUA
       
15/10/2008
Crise nos EUA
       

A principal tempestade financeira do século XX, o Crash da Bolsa de Nova York, em 1929, não provocou só a Grande Depressão nos Estados Unidos. Os efeitos da queda espetacular dos preços das ações americanas se estenderam ao Brasil, que era o grande produtor de café do planeta – a demanda externa do produto despencou e o país também acabou sendo tragado pela tormenta. No final do século, com uma economia cada vez mais globalizada, tornou-se cada vez mais comum ver o Brasil amargar o impacto negativo das crises nos mercados dos outros países. O que mudou foi o grau de vulnerabilidade do país frente aos abalos externos: a economia nacional ficou mais preparada para enfrentar os tempos ruins.


1Para o capital internacional, os países são todos iguais: quando oferecem oportunidades de lucro, tornam-se atraentes. Quando transmitem insegurança, afugentam.1
Paulo Ferraz, economista (5/11/1997)

Nos anos 1990, os brasileiros sentiram os choques originados em mercados de várias partes do globo. Um grande susto destacado numa reportagem de capa de VEJA foi a quebradeira do México, que sacudiu todo o sistema financeiro internacional, afetando negócios que somavam trilhões de dólares. Depois veio a crise asiática, que teve repercussões graves no país. Tailândia e Hong Kong ruíram, e o Brasil mostrou-se perigosamente vulnerável. Com o susto nas bolsas, a perda de reservas com uma repentina fuga de dólares e um aumento de juros, o país teve de abandonar a ilusão do real como um super-herói do capitalismo globalizado. O Brasil foi o país que pior se saiu na crise, cujos efeitos foram sentidos até o ano seguinte.


1Se um banco concede um
empréstimo sem saber se o cliente pode pagar, quem vai saber? O governo? Impossível.
1
Alan Greenspan, ex-presidente do Fed (24/9/2008)

O mundo ainda tentava se recuperar quando foi abatido por um golpe ainda mais duro: o calote da Rússia de Boris Ieltsin. Se a crise asiática de outubro produziu uma boa trepidação nos países emergentes, o presidente russo fez pior. O míssil russo caiu até em paraísos de tranqüilidade econômica, como os mais ricos países europeus. Em janeiro de 1999, o Brasil assumiu o centro de uma crise mundial. Para evitar a quebra do país, o governo abriu mão da moeda atrelada ao dólar e liberou o câmbio. Uma sensação de alívio foi o primeiro impacto da decisão. O mercado deu um inequívoco sinal positivo ao Brasil depois da desvalorização mas não deixou de lado a implacável cobrança de reformas capazes de tornar o país governável financeiramente.

Dois anos depois, o Brasil voltou a ser ameaçado pela instabilidade financeira, dessa vez com origem num país vizinho. Com a economia mergulhada até o pescoço numa crise profunda, era a Argentina que puxava o Brasil para baixo. Antes, quando o Brasil espirrava, a Argentina, tão dependente que era da economia brasileira, caía de cama com pneumonia. A situação em 2001 era bem pior. O quadro ganhava tons mais cinzentos em decorrência do desânimo que atacava algumas nações ricas. O Japão enfrentava a estagnação, enquanto os Estados Unidos e a Europa caminhavam a passos lentos. Sem a força desses motores, fica difícil reerguer os países pobres. No começo dos anos 2000, o Brasil sofria com a fortíssima influência dos fatores externos sobre sua condição econômica. Felizmente, o país chegou ao fim da década muito mais preparado para aguentar os trancos.

Os escudos para proteger o país incluem uma política econômica sólida e mais previsível, reservas internacionais reforçadas, o crescimento de seu mercado consumidor e a riqueza em recusos naturais e agronegócio. A maior vulnerabilidade é a gastança do próprio governo. No fim de setembro de 2008, a capacidade de defesa do país frente às crises externas foi testada mais uma vez com o agravamento da crise de crédito americana, iniciada no ano anterior. Na maior tempestade nas bolsas desde o Crash de 1929, bancos como Lehman Brothers e Merrill Lynch, astros de primeira grandeza do sistema financeiro, estavam no centro da tormenta. Depois de um esforço inicial desastroso, os Estados Unidos começaram a consertar a engrenagem de crédito de sua economia e, em conseqüência, a da economia mundial. Com a aprovação do pacote de ajuda, Tio Sam salvou o mundo do colapso e será possível, primeiro, medir o tamanho do estrago e, em seguida, empreender a caminhada de volta na reconstrução dos mecanismos americanos e globais de produção de riqueza. Nesse processo, alguns países sofrerão mais. Outros menos. Mas nenhum escapará ileso aos efeitos desse cataclismo.


 
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