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As diferentes manifestações do lado mais sombrio e violento do ser humano foram alvo de dezenas de capas de VEJA. Desde o seu lançamento, a revista sempre deu atenção para a escalada da violência no Brasil, especialmente em suas grandes cidades. Foram muitas as reportagens sobre crimes famosos e o medo dos moradores das grandes cidades. Nas duas primeiras décadas de vida de VEJA, contudo, a grande maioria dos crimes que mereceram destaque na capa da revista tinha cunho político, pois eram ligados ao regime militar. Na década de 1970, alguns casos ganharam as atenções do país, especialmente o assassinato da socialite Ângela Diniz pelo namorado Doca Street, cujo julgamento foi acompanhado de perto por milhões de brasileiros. Mas os crimes capazes de chocar e fascinar toda a população pela simples brutalidade de sua natureza explodiram mesmo a partir dos anos 1990, quando tornou-se mais comum ver nas capas de VEJA histórias de homicídios e abusos cometidos por psicopatas cada vez mais perversos. Um caso exemplar foi o do cacique caiapó Paulinho Paiakan, que torturou e estuprou uma jovem estudante branca em 1992. Herói dos ambientalistas de então, Paiakan viu a notícia de seu crime chegar ao país no exato momento em que líderes de todo o mundo se encontravam no Rio para discutir questões ambientais na Eco 92. Comoção muito maior provocou o assassinato da jovem atriz Daniela Perez, furiosamente estocada pelo ator e colega de novela Guilherme de Pádua e sua mulher Paula Thomaz. Com uma tesoura e uma chave de fenda, os psicopatas ceifaram a vida de Daniela em janeiro de 1993. O crime foi assunto de três reportagens de capa de VEJA. Cinco anos mais tarde, a polícia de São Paulo prenderia o motoboy Francisco de Assis Pereira, o maníaco que violentava e matava mulheres no Parque do Estado. Após negar, em suas primeiras declarações, ser o autor dos crimes, o maníaco do parque admitiu a VEJA ter assassinado nove mulheres. A confissão, obtida com exclusividade, estarreceu o país. A perplexidade e a sensação de insegurança voltaram a assombrar os brasileiros em novembro de 1999, quando o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, de 24 anos, invadiu uma sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, e disparou a esmo contra a platéia. Três pessoas morreram e cinco ficaram feridas. Tão desajustada quanto Mateus era a estudante de direito Suzane von Richthofen, que em 31 de outubro de 2002 abriu a porta de casa para que o então namorado, Daniel Cravinhos, acompanhado do irmão, Cristian, entrasse no quarto de seus pais e os assassinasse a golpes de barras de ferro. Quatro anos depois, Suzane recebeu VEJA para uma entrevista em que tentou convencer a todos que era uma menina perturbada. Ela tentava evitar uma condenação judicial mais rigorosa. Outro crime monstruoso a paralisar o Brasil foi o assassinato da menina Isabella Nardoni, morta em 2008, aos 5 anos de idade, após ser espancada e jogada da janela de seu apartamento, no 6º andar. Em vez de filhos matando pais, foi o pai da menina, Alexandre Nardoni, e sua mulher Anna Carolina Jatobá, que atiraram a criança para a morte, segundo os laudos da polícia. |
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