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No início da década de 1970, a economia brasileira chegou a um patamar de crescimento de dois dígitos - e não dava sinais de que arrefeceria o ritmo nos anos seguintes. Era o auge do milagre econômico do governo militar. Na primeira metade da década, o milagre traduziu-se em grandes obras de infra-estrutura, como estradas, hidrelétricas e redes de comunicação, além de um grande desenvolvimento no setor industrial (com as montadoras de automóveis, por exemplo). Cansado de ser "o país do futuro", o Brasil montara um projeto autônomo de desenvolvimento para tentar sair do Terceiro Mundo. O país queria ser uma ilha auto-suficiente. Importava pouquíssimo. Tentava produzir tudo em casa. Funcionava sob comando estrito do governo militar, que punha dinheiro público em projetos industriais, aumentava o tamanho das empresas estatais, dava subsídios a empresários brasileiros - tudo isso segundo um grande plano elucubrado em Brasília pelos estrategistas da época. No entanto, nunca mais os números de crescimento apresentados nas antigas reportagens de VEJA se repetiriam. A conta do estrondoso desempenho da economia no período seria paga na década seguinte, na forma de inflação galopante. Nos anos 1980, o Brasil sofreu para vencer o monstro. Em contraste com o crescimento espetacular da década de 1970, viria a maior inflação do século. Enquanto não domou a fera nos 15 anos seguintes, não houve muita história de crescimento para se contar, apenas de estagnação. O Brasil só pôde experimentar novamente os períodos de pujança quando o Plano Real de Fernando Henrique Cardoso acabou com a disparada dos preços. Os novos horizontes se abriram durante a explosão do processo de globalização. O Brasil, que tinha uma das economias mais fechadas e cartoriais do mundo, abriu-se à competição estrangeira, em meio a uma série de outras transformações que, no conjunto, mudaram dramaticamente o país. Os investimentos produtivos externos multiplicaram-se. Inseridas no contexto global, grandes empresas brasileiras participaram da onda de fusões responsável por criar as maiores corporações da história do capitalismo mundial. E ao longo dos anos 1990, a privatização de dezenas de empresas estatais ajudou o governo a enxugar parte de seus gastos e a se concentrar em melhorar os serviços que sobraram sob sua administração. No século XXI, a economia brasileira começa a colher os melhores frutos de mais de uma década de apostas corretas dos governantes na condução das contas públicas. Tudo graças à independência operacional do Banco Central e sua missão precípua de controlar a inflação, ao compromisso com a produção de superávits primários, à atenção ao cumprimento dos contratos e à crescente abertura da economia para o exterior. A maturidade atingida pelo mercado de capitais brasileiro coloca o país no rumo dos grandes investidores externos. Mas nem tudo está resolvido. Nos últimos anos, VEJA se dedicou ao desafio de compreender os entraves ao crescimento sustentável da economia. Isso porque, apesar das boas mudanças, a atividade empresarial no país segue sendo vítima de uma combinação de fatores institucionais adversos quase sem paralelo no mundo: Justiça lenta, leis trabalhistas retrógradas, burocracia dantesca e desestimuladora. Não fosse por isso, o país cresceria num ritmo ainda mais intenso. |
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