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A China chegou ao final dos anos 1960 envolvida em um conflito com a União Soviética, fruto de uma década marcada por disputas nas quais estava em jogo a expansão das influências na Ásia. Foi esse o assunto da primeira capa de VEJA que tratava do país. Os dois lados registraram baixas, mas os estragos poderiam ter sido ainda maiores. Tanto chineses como russos ameaçaram lançar armamentos nucleares contra os territórios vizinhos. Um acordo diplomático pôs fim ao conflito. Na década de 1970, o anúncio da visita do presidente americano Richard Nixon, grande inimigo do comunismo, representou uma aproximação entre os dois países. Com a expulsão de Taiwan da ONU, a China passou a fazer parte da organização em 1971. Os momentos que antecederam a visita de Nixon foram de suspense e muita ansiedade. O histórico encontro colocaria frente a frente representantes de ideologias opostas: o presidente americano e Mao Tsé-tung. No final do encontro, havia sinais de entendimento entre os dois gigantes. A morte de Mao, em 1976, significou o fim da Revolução Cultural na China, que viveu a partir desse momento uma estratégia política diferente. A moderação do regime foi a marca desse período. Deng Xiaoping comanda a maior população mundial e estabelece o programa das Quatro Modernizações (Agricultura, Ciência e Tecnologia, Indústria e Defesa). No governo eclodem denúncias de corrupção e surge a idéia de uma economia mais aberta. No fim da década de 1980, o país volta a ser tema da capa de VEJA com um episódio brutal. A repressão contra um grupo de estudantes que defendiam a democracia na Praça da Paz Celestial, em Pequim, chocou o mundo. Uma imagem marcante do século XX: o desconhecido da camisa branca que se posicionou no caminho de tanques de guerra. Visto por milhões de pessoas no mundo todo, tornou-se um símbolo da resistência ao autoritarismo. A China entra no novo século como uma grande promessa: tornar-se a maior economia do mundo. O crescimento verificado nas duas décadas passadas reafirma a ambição chinesa, mas também expõe um desenvolvimento desigual. As constantes violações dos direitos humanos e as condições degradantes de trabalho despertam repulsa por parte da comunidade internacional. Grande parte da população chinesa ainda vive abaixo da linha de pobreza. Há o problema da escassez de mulheres e da grande quantidade de pessoas idosas. Mesmo assim, a China comemora a dependência crescente dos EUA e de diversos outros importantes países do mundo. Em 2008, a China aproveitou a maior festa esportiva do planeta, a Olimpíada, para mostrar seu projeto de grandeza ao mundo. A China gastou 40 bilhões de dólares para maquiar sua paisagem urbana e fazer estádios estupendos, mas a grande obra mesmo é a de engenharia social para reformar o coração e a mente da população. No final da Olimpíada, uma reportagem especial de VEJA constatou que o partido comunista chinês é a mais formidável máquina de cooptação social já criada: mudou a China para que tudo continuasse como era. |
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