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  30 de maio de 1973
A dura estréia de Cámpora

Eram 8 horas da noite em Buenos Aires quando mais de 40.000 pessoas cercaram, na última sexta-feira, o Instituto de Detenção da Capital Federal, no bairro de Villa Devoto. Dentro do presídio, 276 presos políticos não demoraram a perceber que a multidão viera libertá-los - e, imediatamente, começaram a ocupar todos os pavilhões do edifício. De fato, numa explosão incontrolável de revolta, a massa começou a forçar as portas da prisão, e o tumulto já ameaçava assumir proporções de tragédia quando uma comissão de deputados peronistas chegou anunciando que "o companheiro Cámpora" estava prestes a conceder o indulto para todos os presos políticos do país. E às 10h30 da noite, realmente, o novo presidente da Argentina assinava o indulto, para salvar pelo menos alguma aparência de legalidade. Horas depois de empossado na presidência da Argentina, Héctor Cámpora via-se forçado, assim, a abrir as portas das prisões políticas do país - tal como prometera durante sua campanha eleitoral, mas para evitar que elas fossem derrubadas pela massa popular, numa versão portenha da Queda da Bastilha.

A fúria libertadora dos atacantes de Villa Devoto foi uma das mais autênticas manifestações do desabafo ao qual se entregou grande parte dos 24 milhões de argentinos na sexta-feira, antes, durante e depois da posse de Cámpora, relata o enviado especial de VEJA a Buenos Aires, Wilson Palhares. Essa explosão, alimentada pe1as comemorações da volta do peronismo ao poder depois de dezoito anos de proscrição da vida pública argentina, serviu também para deixar clara a repulsa dos peronistas ao regime militar que, após sete anos de golpes e crise política permanente, entregava o poder a um presidente eleito pelo voto popular. E a festa peronista que cerca de 500.000 pessoas esperavam presenciar na posse de Cámpora acabou sendo tumultuada e truncada por dezenas de atos de violência, que até a tarde de sábado tinham feito pelo menos cinco mortos, dezessete feridos e consideráveis prejuízos materiais.

Desde o início, a tensão parecia dominar o grande dia do peronismo. Depois de prestar juramento no Congresso, às 8 horas da ensolarada manhã de sexta-feira, Cámpora teve de valer-se das freqüentes interrupções provocadas pelos aplausos em seu discurso de três horas para fazer apelos ao povo, bem como aos policiais e soldados do Exército, para que refreassem os atos de violência.

Na saída do Congresso para a Casa Rosada, o tumulto popular obrigou-o a deixar o automóvel bloqueado na Plaza de Mayo e tomar um helicóptero, para o curto trajeto de algumas centenas de metros até a Casa Rosada, sede do poder presidencial. E convidados, como o secretário de Estado americano, William Rogers, que teria uma acidentada permanência em Buenos Aires, foram obrigados a desistir da cerimônia, que só pôde começar com duas horas de atraso.

GÁS E TIROS - Ante a crescente excitação popular, Cámpora achou prudente cancelar o desfile militar marcado para as 15 horas, após a cerimônia na Casa Rosada, bem como uma extravagante marcha de archotes programada para a noite, em homenagem a Eva Perón, a falecida esposa do ex-ditador Juan Domingo Perón - o grande patrono da festa, que acompanhava seu desenrolar pelas fitas do teletipo instalado na rica mansão de Puerta de Hierro, nos subúrbios de Madri, onde passa os últimos dias do longo exílio político iniciado com sua deposição em 1955.

Perón, que deve regressar definitivamente a Buenos Aires no próximo dia 10, era, naturalmente, o grande personagem por trás de Cámpora. Já às 11h30 da manhã, durante a cerimônia no Congresso, onde pouco antes prestara juramento como 36° presidente da Argentina, Cámpora proclamava pelos alto-falantes: "Es la hora de Perón". Defronte, na Plaza de Mayo, as 48.000 palavras do discurso do novo presidente eram respondidas com cânticos e slogans peronistas, entoados por uma multidão de mais de meio milhão de pessoas.

Mas o entusiasmo do "pueblo peronista", como o chamava Cámpora, não tardaria a ser engolfado pela violência. Na Plaza de Mayo, as lágrimas da multidão não vinham da emoção, e sim da tênue nuvem de gás lacrimogêneo que avançava do Paseo Colón, por detrás da sede da governo. Pior ainda, logo vieram os primeiras tiras. E a 50 metros da entrada dos fundos da Casa Rosada, no fim das cerimônias da manhã, quatro jovens peronistas estavam mortos, e dezessete feridos. Era o saldo inicial do excesso de entusiasmo com que os "muchachos peronistas de Perón" interpretavam a crença, manifestada em dezenas de faixas, de que a partir daquele dia a regime militar estava terminado "para sempre". Um quinto jovem tombaria morto mais tarde, no assalto ao presídio de Villa Devoto.

CONTRA A BANDA- Na madrugada de sábado, quando morriam as últimos ecos das comemorações, ainda não se tinha esclarecido o que realmente ocorreria. Segundo as primeiras versões, um grupo de jovens peronistas teria causado os choques na Plaza de Mayo ao manifestar seu desagrado pela presença de chefes militares na festa de posse de Cámpora. Ao reconhecerem o almirante Carlos Guido Natal Coda, o ministro da Marinha, que integra juntamente com o presidente, general Alejandro Agustín Lanusse, e o brigadeiro Carlos Alberto Rey, a junta militar que governou o país nos últimos 26 meses, os peronistas começaram a apedrejar o carro em que chegara à Casa Rosada para recepcionar o presidente eleito. A escolta do chefe naval respondeu a tiros, matando os quatro jovens e ferindo outros.

Outras versões diziam que a agressão dos jovens se voltara contra a banda da Escola de Mecânica da Marinha, que se preparava para atacar a marcha de saudação ao presidente da República. Quando os jovens tentaram envolver com uma bandeira argentina um policial que procurava contê-los, este abriu fogo. O certo é que imediatamente se ampliou a confusão, com os manifestantes incendiando quatro automóveis de particulares, estacionados nas proximidades. Só com um dilúvio de granadas de gás lacrimogêneo, lançadas pelas forças de segurança, a ordem foi restabelecida, e a festa peronista pôde prosseguir.

TERCEIRA POSIÇÃO - Foi uma longa festa, preparada cuidadosamente durante os dois meses e meio que separaram a vitória eleitoral de 11 de março da entrada de Cámpora no Salão Branco da Casa Rosada, onde recebeu das mãos dos comandantes das Forças Armadas os símbolos do poder. Durante todo esse tempo, os organizadores da festa empenharam-se em tirar o máximo efeito possível do acontecimento, procurando encaixá-lo dentro das obscuras linhas da chamada "Terceira Posição" - alguma coisa "intermediária entre o comunismo e o capitalismo", que o ex-presidente Perón diz haver formulado quando ainda não se cogitava da expressão "Terceiro Mundo".

Assim, passando por cima do rígido cerimonial argentino, a Frente Justicialista de Libertação, coligação de diversos partidos e movimentos políticos, com hegemonia peronista, convidou para a cerimônia de posse desde bispos do "Terceiro Mundo" até ex-presidentes exilados, como o ex-general Juan José Torres, da Bolívia, e representantes de governos com os quais a Argentina não mantém relações, como o presidente Osvaldo Dorticós, de Cuba. (Torres chegou a visitar Buenos Aires, mas retornou ao exílio no Chile uma semana antes da posse. Segundo rumores que corriam na capital argentina, teria aproveitado o convite apenas para conspirar com outros militares bolivianos, exilados em Buenos Aires, contra o seu sucessor, o general Hugo Banzer.)

Entretanto, o comparecimento de alguns convivas extra-oficiais chegou a causar situações embaraçosas. Na quinta-feira, por exemplo, um exausto, tenso presidente Lanusse foi aguardar com duas horas de antecedência, no porto de Buenos Aires, sobre o rio da Prata, o presidente uruguaio Juan Maria Bordaberry. Teria sido um pretexto, comenta-se, para deixar de ir receber no aeroporto internacional de Ezeiza o presidente Osvaldo Dorticós, de Cuba, convidado especial de Cámpora. O próprio Bordaberry, sentado sexta-feira na tribuna de honra do Congresso, ao lado de Dorticós e do presidente Salvador Allende, do Chile (os três únicos chefes de Estado que aceitaram o convite para a posse), viu-se incomodamente instalado diante da galeria em que estava o senador oposicionista Enrique Erro, figura central da crise político-militar que agita atualmente o Uruguai.

TIROTEIO - A antevéspera da festa peronista foi pontilhada de outros acontecimentos não programados. Rompendo a aparente calma a que se haviam reduzido pouco após a eleição de Cámpora, as guerrilhas peronistas, encabeçadas pelos Montoneros e pelas Forças Armadas Peronistas, ressurgiram durante a semana. Alguns se contentaram em ocupar estações ferroviárias e fábricas, para ler manifestos subversivos, mas outros comemoravam a vitória do movimento de forma bem mais incisiva. Na terça-feira, o secretário-geral do Sindicato de Mecânicos e Afins do Transporte Automotor, em La Plata, o "moderado" Dirk Henry Kloosterman, foi metralhado quando saía de casa. E no dia seguinte uma reunião peronista no restaurante Nino, em Buenos Aires, terminou em tiroteio quando o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores, José Rucci, chegou ao local. Recebido aos gritos de "traidor" pelos "agressivos" que acreditam ter ele dialogado demais com o governo que expirou, o "moderado" Rucci acabou sendo agredido. Seus guarda-costas reagiram a bala e foram atacados da mesma forma.

Por sua vez, os guerrilheiros deram mais um passo para a institucionalização dos seqüestros no país, antes da volta ao regime de representação popular. Depois de um atentado sem causar mortes, contra dois altos funcionários da Ford Motor da Argentina, a organização trotskista Exército Revolucionário do Povo exigiu da direção da empresa uma "doação" a hospitais infantis, no valor de 6 milhões de cruzeiros, incluindo medicamentos, instrumentos cirúrgicos e ambulâncias, além de alimentos para moradores de favelas. A exigência foi atendida na quinta-feira, quando já começava a festa da volta peronista.

"EL TIO" - Nesse ambiente de tensão progressiva, os incidentes do dia da posse dificilmente poderiam ter sido evitados. Mas, apesar do nervosismo, houve sempre lugar para as manifestações de puro e simples contentamento. Assim, o sol ainda projetava sombras alongadas da tarde sobre a Plaza de Mayo, na quinta-feira, quando os primeiros grupos de manifestantes, com bandeiras e faixas comemorativas, começaram a concentrar-se defronte à Casa Rosada, esperando a jornada do dia seguinte. Enquanto isso, jovens peronistas se alojavam nas escadarias do Congresso, onde "El tio" Cámpora deveria ingressar triunfante, com seu terno cinza escuro, gravata cinza clara, às 8 horas do dia seguinte para jurar, "por Deus, Nosso Senhor e os Santos Evangelhos, desempenhar com lealdade e patriotismo o cargo de presidente da nação".

Cámpora teve dificuldade para passar pela massa compacta que procurava abraçá-lo enquanto percorria a passarela de 20 metros de tapete vermelho no plenário da Câmara de Representantes. Quando finalmente proferiu o juramento, com dez minutos de atraso, um brado uníssono de "Viva Perón" ecoou ao longo dos dez quarteirões que separam o Palácio do Congresso da Casa Rosada. Os vivas e a marcha peronista, cantada ao som de milhares de bumbos, se repetiriam ao longo do colossal discurso de Cámpora. Cada citação do nome de Perón - "o brilhante estrategista", "o timoneiro sagaz e previdente" - era saudada com cânticos e gritos ensurdecedores, e a frenética agitação de milhares de bandeiras argentinas e faixas de grupos peronistas.

"A pacificação do país requer o esquecimento de ódios", disse Cámpora em certo trecho de seu discurso, tocando num ponto capital. Mas os presentes não pareciam dispostos a esquecer nenhuma das promessas anteriores de Cámpora. Momentos depois, o novo presidente era saudado com uma grande ovação, quando anunciou que entregaria ao Congresso um projeto de "anistia ampla e generosa" para todos os presos políticos do país. À noite, o assalto de Villa Devoto deixaria claro que Cámpora havia sido superado pelos seus seguidores - impacientes diante da tramitação legal do projeto, eles acabariam impondo o indulto pela força.

ROGERS BARRADO - Ao final do discurso, Cámpora estava pronto para iniciar a marcha em direção à sede do governo. A maré humana dificultava seu avanço em carro aberto, mas com um sorriso permanente e acenando com os dedos em "V", ele aguardava pacientemente. Afinal, era uma espera curta para quem finalmente alcançava o prêmio de trinta anos de fidelidade sem restrições a Perón, que com ele voltava ao poder. Todavia, depois de duas horas de atraso, percebeu-se que alguma providência teria de ser tomada, e um helicóptero foi convocado para levar o presidente para a cerimônia de transmissão do poder na Casa Rosada.

Mas nem todos conseguiram transpor tão facilmente os obstáculos desse curto trajeto. Um batalhão de fuzileiros navais que deveria abrir o desfile da comitiva presidencial foi forçado pela multidão a escapar da avenida de Mayo pelas ruas laterais. E William Rogers teve de dar meia volta e rumar para a Embaixada dos Estados Unidos, quando se viu barrado na rampa lateral de acesso à Casa Rosada. Um cordão da Juventude Peronista incumbia-se, ali, de selecionar a entrada dos convidados. Allende e Dorticós foram admitidos e saudados com aplausos. Quando Rogers chegou, porém, os jovens peronistas colocaram-se à sua frente, cuspindo em seu carro e gritando "que se vaya, que se vaya".

Cámpora ainda estava no helicóptero quando a Casa Rosada foi totalmente ocupada pelos peronistas. Em meio a grande alarido, um porta-voz da Juventude Peronista anunciou: "Dialogamos com a repressão e assumimos o controle das entradas da Casa Rosada". Minutos depois, o presidente ingressava no Salão Branco para aquele que seria o momento culminante da festa: no mais solene ato do dia, os três comandantes militares, em uniforme de gala, passaram a Cámpora os símbolos do poder executivo na Argentina.

DE VOLTA A CASA - Primeiro, o brigadeiro Rey e o almirante Coda colocaram em Cámpora a faixa presidencial, que teve de ser arranjada uma segunda vez, porque ficara torta. Em seguida, o general Lanusse, com algum constrangimento, entregou-lhe o bastão presidencial. Por alguns instantes, o ar se tornou irrespirável, devido ao calor das luzes dos refletores da televisão. Foi preciso abrir as janelas que dão para a esquina de Rivadavia e Paseo Colón e, com isso, começaram a entrar na sala emanações do gás lacrimogêneo lançado nas ruas.

Durante a cerimônia, Dorticós parecia deslocado, pois não conhecia quase nenhum dos presentes. Allende apresentou-lhe, então, os comandantes militares argentinos. E logo depois Dorticós e Allende foram convidados a assinar a ata de posse. O presidente uruguaio, Bordaberry, que a exemplo de Rogers fora impedido de entrar na Casa Rosada, assinou a ata à noite, quando Cámpora foi visitá-lo e pedir desculpas pelos excessos de seus partidários.

Uma vez empossado Cámpora, os presentes no Congresso começaram a cantar o hino nacional, acompanhados por um impressionante coro de milhares de vozes concentradas na Plaza de Mayo. Logo depois, extinta a Junta Militar, Lanusse saía até a Esplanada do Paseo Colón, acompanhado por Cámpora, e tomava um automóvel para casa, sem ser molestado. Mas Rey e Coda acharam mais prudente tomar um helicóptero, que decolou aos gritos da multidão ("se ván, se ván, y nunca volverán") e uma vaia da qual dificilmente uma pessoa poderá se esquecer.

EM LIBERDADE - À noite, enquanto Cámpora recebia os representantes de países estrangeiros no Palácio do Congresso, a festa culminou com o grande drama de Villa Devoto. Parte do público que se concentrava na Plaza de Mayo rumou para o presídio e, ante sua ameaça de arrombar as portas, Cámpora capitulou, assinando o indulto que pretendia fazer aprovar judiciosamente pelo Congresso. Na prática, isso significa a libertação imediata de todos os políticos - inclusive crime de morte, como é o caso da brasileira Guiomar Schmidt. A concessão, porém, acabou indo de encontro à própria declaração de Cámpora, no discurso de posse, de que não haveria trégua para "os que torturaram e assassinaram o povo". Isso porque havia alguns policiais detidos como torturadores, entre os primeiros prisioneiros a serem postos em liberdade. Casos como esse poderão ser reexaminados, mas oferecerão dificuldades, pois não será fácil localizar novamente os acusados.

O número de prisioneiros políticos beneficiados pelo indulto é incerto. Calcula-se que varie entre 750 e 2.000, dentre os quais os da colônia penal de Rawson, na Patagônia, que começaram a desembarcar de aviões em Buenos Aires no sábado à tarde. Por outro lado, a notícia de que os presos estavam sendo libertados causou na sexta-feira amotinamentos em diversas prisões do país. Na de Caseros, na capital , houve um princípio de incêndio e dezessete detentos foram postos em liberdade. Em Córdoba e Tucumán, prisões chegaram a ser cercadas por grupos de populares, mas a notícia de que o indulto tinha sido concedido serenou os ânimos.

"HORA AUGUSTA" - No sábado de manhã, Buenos Aires já havia reassumido seu ar ordeiro de cidade européia, machucado aqui e ali por carcaças de carros incendiados e pelas vidraças quebradas do Hotel Sheraton, no elegante bairro de Retiro - peronistas exacerbados tinham ido até lá à caça de William Rogers, mas como o secretário de Estado se hospedara em outro hotel, contentaram-se em gritar "fora a ITT", proprietária do estabelecimento.

Os cânticos da multidão peronista e a sinfonia de buzinas, que durante quase vinte horas ininterruptas soaram pela cidade, também já haviam cessado. A limpeza pública removia panfletos, faixas, retratos de Perón e de Eva, os últimos traços visíveis de um acontecimento talvez sem precedentes na história do país. Fechava-se o capítulo da posse e abria-se o do governo de Cámpora, em meio a muitas dúvidas e incertezas quanto aos rumos futuros que o peronismo ressuscitado imprimirá à Argentina. Será capaz de ordenar o caos econômico? Poderá pôr fim à crise social que ameaçava resvalar rapidamente para a luta de classes? Conseguirá superar a frustrada animosidade das Forças Armadas?

Em lugar de respostas, Cámpora oferece, sem dúvida, muita esperança para grande parte da população. Mas, com episódios de insurreição como o de Villa Devoto acontecendo logo no primeiro dia, ninguém poderá antecipar até quando vai durar esse enlace entre povo e governo, que o novo presidente definiu pomposamente como "a hora augusta do reencontro argentino".

 
     
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