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Reportagens 26 de outubro de 1994A realeza está nua Para manipular a opinião pública,
A monarquia foi abolida. Tocados do Palácio de Buckingham, os Windsor se mudam para um conjunto habitacional onde sobrevivem a duras penas, com uma magra pensão do governo. Charles e Diana brigam por causa do filho, William, e a rainha-mãe, entre doses de gim, dá de apostar nos cavalinhos. O príncipe Philip acaba num asilo. Elizabeth batalha para manter a família unida, enquanto sua irmã, Margaret, vira agiota. Tudo mentira, claro. Essa é a trama da peça A Rainha e Eu. Não é nenhuma obra-prima do teatro. Mas a autora da brincadeira, Sue Townsend, uma escritora de best-sellers, teve sorte de fazer inveja a Shakespeare. Sua peça estreou na semana passada em Londres, num momento em que a dignidade da monarquia, uma instituição de mil anos cuja própria razão de ser está na aura de respeito que evoca, era novamente arrastada na lama. Autor do golpe: o príncipe Charles, o próprio herdeiro da coroa - se conseguir sobreviver ao divórcio cada vez mais inevitável e ao festival de baixarias aparentemente sem limites no qual se transformou o fim de seu casamento com a princesa Diana. Nada pior do que uma guerra de príncipes, advertia Henrique VIII, que implantou o absolutismo monárquico na Inglaterra e rompeu com a Igreja Católica para poder casar-se à vontade, na tentativa de gerar o herdeiro homem que supostamente salvaria a nação do conflito dinástico. A versão contemporânea da guerra dos príncipes hoje contrapõe marido (ainda) e mulher. É travada com livros e jornais, biografias autorizadas, semi-autorizadas e não autorizadas, notícias difamatórias plantadas na imprensa, telefonemas grampeados e confissões de alcova. Parece bobagem, mas não é: com sua guerra de propaganda, que estraçalha o manto de pompa da realeza e a expõe cada vez mais em constrangedora nudez, Charles e Diana lutam pelos corações e pelas mentes dos súditos britânicos. Charles só perde. Sua última tentativa é a prova incontestável da incapacidade crônica de sua alteza real em matéria de relações públicas. Disposto a contrabalançar a imagem de marido frio, indiferente e adúltero, responsável pelo fracasso do casamento, Charles recorreu a um jornalista respeitado, Jonathan Dimbleby, para apresentar sua versão. O resultado foi o livro Príncipe de Gales: uma Biografia, que o jornal The Sunday Times começou a publicar de forma condensada. Foi, também, um desastre total - que deflagrou outra onda de discussões sobre o sentido da monarquia, a ponto de o primeiro-ministro John Major se sentir na obrigação de vir a público defender "a mais antiga das nossas instituições, base da nossa democracia". Desde o anúncio oficial da separação de Charles e Diana, em dezembro de 1992, não se via crise parecida. O que Charles revelou de tão grave? Para o príncipe, que já foi flagrado numa conversa telefônica dizendo sonhar ser o absorvente íntimo da amante, Camilla Parker-Bowles, e que reconheceu publicamente, num programa de televisão, o adultério, parece pouca coisa. Na tentativa de se apresentar como uma alma sensível e atormentada, ele não se limitou a atacar Diana. Como um garotinho mimado da era do psicologismo barato, em que todos os fracassos pessoais são empurrados para cima dos pais, ele desfiou uma ladainha de queixas. Veio com a história de que mamãe não me dava amor suficiente, papai era durão. Mamãe, no caso a rainha Elizabeth II, a quem ele deve deferência como filho e súdito, é descrita como fria e distante, incapaz de defendê-lo das garras do marido, o príncipe Philip, um homem rude e exigente, que chegou a empurrá-lo para um casamento sem amor. É tudo verdade, ninguém duvida. Ninguém, no entanto, sentiu a menor simpatia por esse mandrião de 45 anos de idade, herdeiro do trono e de uma das maiores fortunas do mundo, choramingando sobre a infância infeliz. Para uma celebridade do show business, pode até pegar bem explorar as desgraças do passado e fazer o papel de vítima. De um príncipe, sustentado pelo dinheiro público do berço ao caixão a título de encarnar os mais altos padrões éticos da nação, espera-se um pouco mais de dignidade. Num país onde 9% dos trabalhadores estão desempregados e os efeitos perversos da recessão desfiguram as cidades onde mais de 8.000 desabrigados dormem na rua a temperaturas que já nesta época do ano caem abaixo de zero, as extravagâncias da realeza, com seus palácios, iates, roupas engraçadas e viagens à custa dos contribuintes, são admitidas e até admiradas. Afinal, faz parte do show. Difícil de engolir é a vulgaridade atroz que torna seus membros o que não são, ou não deveriam ser: pessoas comuns, sem respeito pelo que o ex-presidente José Sarney chamava de liturgia do cargo, lavando roupa suja em público. Em lugar de comover a opinião pública com seus queixumes, Charles passou a imagem de homem angustiado, deprimido, imaturo, inseguro e corroído pela autocomiseração. Em suma, um fraco. Exatamente como seu pai sempre achou que era. "Nunca discuti assuntos privados e acho que tampouco a rainha o fez", vociferou o príncipe Philip quando indagado sobre as reclamações do filho. "Bem poucos membros da família real fizeram isso." Charles podia-se preparar para um sabão daqueles quando Elizabeth e Philip voltassem da viagem à Rússia. A visita, que deveria marcar oficialmente o fim do ressentimento da família real com o país onde seus parentes distantes, o czar Nicolau e a imperatriz Alexandra, foram fuzilados durante a revolução bolchevique, foi tumultuada pelas trapalhadas do filho chorão. Charles tem bons motivos para arrancar os cabelos cada vez mais ralos. Quando Diana estava acuada, prestes a se separar, usou uma estratégia parecida. Por meio de amigos fiéis, contou ao jornalista Andrew Morton a sua versão do casamento fracassado, descrita no livro Diana: Sua Verdadeira História. Apresentou-se como uma esposa infeliz, desprezada e enganada, a ponto de sofrer ataques constantes de bulimia - um distúrbio psicológico que leva a pessoa a se empanturrar de comida e depois vomitar - e encenar débeis tentativas de suicídio, para chamar a atenção do marido. Eram revelações fortes, o tipo de intimidade que nunca se esperaria de uma princesa. Mas todo mundo ficou morrendo de pena. Com seu carisma e fascínio que exerce sobre o público, Diana parece compartilhar com o ex-presidente americano Ronald Reagan o miraculoso efeito Teflon: nada do que fazem contra ela ou do que ela faz contra si mesma, incluindo um longo romance com um cafajeste como o major James Hewitt, capaz de contar tudo em troca de dinheiro, parece colar. A versão de Charles sobre o casamento infeliz, com resultados diametralmente opostos, apresenta mais ou menos os mesmos fatos. A diferença está na interpretação. Segundo o livro, Diana era bulímica, desequilibrada, uma verdadeira neurótica, por isso o casamento não deu certo. As patéticas encenações de suicídio com canivetes e até um esmagador de limão são apresentadas com uma impiedade de gelar a alma. "Os cortes eram sempre menos sérios do que pareciam à primeira vista: jorravam sangue, mas um curativo de plástico invariavelmente bastava para interromper o processo", diz o livro escrito sob encomenda. Nas cartas particulares colocadas à disposição do autor, Charles se imagina uma espécie de Hamlet, personagem certamente muito mais interessante do que o príncipe que queria ser Tampax. "Freqüentemente me sinto numa espécie de jaula, andando para cima e para baixo e desejando ser livre", resmunga numa delas. "Como é horrível a incompatibilidade e como pode ser terrivelmente destrutiva para os atores neste drama extraordinário. Tem todos os ingredientes de uma tragédia grega", continua, dessa vez encarnando nos clássicos. "É como ficar preso num beco sem saída. Nunca pensei que fosse terminar assim. Como tudo pode dar tão errado?" Como, realmente, tudo pode dar tão errado, perguntam-se os súditos, submetidos ao constante espetáculo de strip-tease - moral ou literal - oferecido pela realeza. "A franqueza é importante, mas nunca existe uma versão definitiva em briga de casal. Tentar apresentar a sua versão como a verdade é uma ingenuidade", suspirou, num debate de televisão, o comentarista Charles Moore, do conservador The Sunday Telegraph, para quem Charles cometeu "um grave erro, uma desconsideração" que os súditos não mereciam. A sucessão de escândalos e besteiras dos príncipes pode levar os ingleses a concluir, às vésperas do terceiro milênio, que não precisam mais da monarquia. O próximo teste se aproxima: Charles e Diana desmentiram de pés juntos, numa raríssima manifestação de unidade, mas o divórcio parece inevitável. A partir do próximo dia 9 de dezembro, quando se completam dois anos da separação oficial, eles podem divorciar-se sem pendengas jurídicas, alegando simplesmente diferenças irreconciliáveis. Segundo a revista francesa Voici, que teve acesso ao próximo livro de Andrew Morton (sabe-se lá como: um funcionário da revista foi preso sob a acusação de tentar vender um original roubado, e chovem processos dos dois lados do Canal da Mancha), já está tudo acertado. Diana renunciará ao título de nobreza e devolverá as jóias da coroa. Em troca, terá a liberdade e uma gorda bolada. O livro, que será lançado no próximo dia 15, promete outro festival de inconfidências. Consciente, como admite Charles em sua própria versão, de que foi escolhida apenas para gerar herdeiros e nunca conquistou o coração do marido, ela desabafa logo de início: "Eu sou a maior prostituta do mundo". O que há mais para saber sobre os príncipes em guerra? Charles já foi exposto no telefonema erótico-escatológico em que explicitava suas preferências sexuais com o tipo de detalhe que as pessoas normalmente não sabem nem sobre seus conhecidos mais íntimos. Novas intrigas de alcova sobre Diana (os amantes, antecipa-se, somam quatro)? Por cortesia de James Hewitt, já se sabe que ela gosta de ser agarrada pelos cabelos quando faz sexo. O diálogo atribuído aos agentes do outrora orgulhoso serviço secreto de Sua Majestade, que dizem ter filmado uma dessas cenas, ao ar livre, é uma das coisas mais humilhantes (ou hilariantes, dependendo de que lado se esteja) já reveladas sobre uma figura pública. "E agora, o que estão fazendo?", pergunta a central de comunicação ao sargento Glyn Jones, um dos arapongas em campo. "Estão-se beijando", responde ele. "E agora?", pergunta de novo a central. "Deitaram-se na grama", informa o leal súdito. "E agora?", insiste o curioso. "Bem, agora estão, ahnnn, estão..." A central é impiedosa: "Prossiga, diga como estão vestidos". Sargento Jones: "Bem, não estão vestindo quase nada. Ela está de casaco de montaria e pouco mais, ele só de camiseta". O problema de Charles não é ter uma esposa adúltera - é ter uma ex-esposa. Como tudo na vida dele, isso é uma herança de seus antepassados. Ao romper com o papa em Roma, Henrique VIII fundou a Igreja da Inglaterra e, naturalmente, colocou-se como seu chefe máximo. Essa semiteocracia sobrevive até hoje, deixando a Grã-Bretanha em situação não muito diferente da de países como o Irã. O monarca acumula os títulos de Defensor da Fé e Governador da Igreja - uma igreja que, ironicamente, não endossa o divórcio nem aceita um segundo casamento de pessoas separadas. Ou não aceitava. Na ânsia de garantir uma sucessão tranqüila, as autoridades anglicanas estão fazendo qualquer negócio. Na terça-feira passada, o bispo de St. Albans, reverendo John Taylor, antecipou que o Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra deverá aprovar, no mês que vem, uma moção pela qual se admite o casamento de divorciados. "Será possível, de acordo com a lei canônica, que, em circunstâncias excepcionais, uma pessoa divorciada que casou de novo seja ordenada", disse Taylor. "Por analogia, se o mesmo for aplicado ao soberano, ele será inteiramente aceito pela Igreja da Inglaterra." Outra opção, da qual Charles não quer nem ouvir falar, seria humilhante. A rainha nomearia sucessor o neto William. Charles, o pai, ficaria para escanteio. Contando com a excelente saúde da avó, o principezinho, hoje com 12 anos, teria tempo de ser preparado para os deveres do trono. Tarefa difícil: com uma mãe cabeça-de-vento e um pai apatetado, ambos adúlteros, o menino já promete ser um prato-cheio para o tipo de problema que hoje atormenta a realeza. Neste fim de semana, Charles deveria contar pessoalmente ao filhos, William e Harry, o que os jornais (censurados no colégio interno dos meninos) apregoaram sem parar: papai nunca amou mamãe. Uma terceira saída foi proposta na semana passada pela revista The Economist, num editorial no qual define a monarquia como uma idéia ultrapassada: um plebiscito, agora ou quando chegar a hora da sucessão. A própria revista, que se define como contrária à monarquia, reconhece que o sistema, defendido no século passado por consagrar "o domínio de uma elite educada e o medo de dar poder às massas incultas", continua popular. Segundo as pesquisas de opinião, entre 70 e 75% da população é a favor da manutenção da monarquia, por mais que seus representantes se empenhem em desmoralizá-la. A instituição, que sobreviveu a insurreições, golpes, soberanos malucos ou simplesmente idiotas e até uma abdicação, está acima das trapalhadas dos príncipes. Pelo menos, até este domingo. No dia em que Diana estiver voltando da visita à amiga Lúcia Flecha de Lima, a embaixatriz brasileira em Washington, que já é chamada pela imprensa de "mãe adotiva" da princesa, outra bomba já terá estourado. O Sunday Times vai publicar um novo capítulo da biografia de Charles, com "toda a verdade sobre Camilla".
O príncipe Philip é um daqueles pais que fazem a festa dos consultórios de psicologia. Nascido na Grécia, num palácio arruinado, sem água nem luz, ele deu o golpe do baú do século ao se casar com a jovem Lilibet, herdeira do trono inglês e depois rainha. Para proteger o ego lesado do marido, perpétuo número dois, ela lhe entregou o comando dos assuntos de família. Foi um desastre. Perfeccionista e intolerante, ele quis criar filhos fortes, viris e atléticos. Só funcionou com Anne e, talvez, com Andrew, limitado demais para mergulhar em estados d'alma. Com os mais sensíveis, Charles e Edward, deu tudo errado. Submetido a rigor extra, na qualidade de futuro rei, Charles penou o diabo, segundo desabafa na biografia autorizada. "Tímido e passivo, ele era facilmente intimidado pela personalidade forte do pai", diz o livro. Philip chamava a atenção do filho em público e até fazia troça dele, arrancando lágrimas sentidas. A mãe, soberanamente distante, que só via o filho durante uma hora, no período da manhã, e mais uma hora e meia no fim da tarde, deixava-o aos cuidados das babás ou da disciplina rígida do pai. Mas dureza mesmo foi o colégio interno na Escócia, Gordonstoun - o mesmo freqüentado por Philip. Submetidos a um regime espartano, os meninos usavam calças curtas e tomavam banho gelado todas as manhãs. Os coleguinhas de Charles eram cruéis. Ridicularizavam suas orelhas de abano. Adoravam cair de pancada em cima dele na hora dos esportes só para sair gritando: "Demos um soco no futuro rei da Inglaterra". No dormitório, mais apropriado para uma prisão, ele mal conseguia pregar os olhos. "Como eu ronco, eles me batem na cabeça a toda hora. É um inferno total", escreveu certa vez o jovem príncipe infeliz. Mesmo depois de bem crescidinho, Charles continuava a "ansiar pelo afeto e apreço que seu pai - e sua mãe - pareciam não poder ou não querer lhe dar". Nunca conseguiu e nunca os perdoou, como se vê pela insinuação de que foi praticamente obrigado por Philip a se casar com Diana, debaixo de uma ameaça: ou propunha casamento ou deixava de vê-la, para não comprometer a reputação da moça com seus encontros freqüentes. É a desculpa mais ridícula da biografia autorizada. Quem não tinha experiência alguma, desabafou Diana na intimidade, com toda razão, era ela, uma menina de 20 anos. Charles, um marmanjo de 32 anos, herdeiro da coroa, devia saber o que estava fazendo.
Ao contrário de Charles e Diana, e da maioria dos casais da realeza, o último czar da Rússia, Nicolau II, e sua mulher, Alexandra, antepassados dos Windsor, viveram um grande amor. Em 24 anos de casamento, trocaram cerca de 15.000 cartas apaixonadas. Resgatados das profundezas dos arquivos soviéticos, onde permaneceram por mais de setenta anos, as cartas e os diários dos Romanov serão publicados no ano que vem na Inglaterra. Escritas em inglês, idioma da corte imperial russa, as cartas revelam uma paixão intensa. "Eu beijo as suas partes mais íntimas", escreve Alexandra. "Como tenho saudade de sentir você." Explícitas mas elegantes, as cartas destoam do estilo neo-escatológico do príncipe Charles proclamado ao telefone para a amante Camilla. "Nem por um segundo a imagem de seu rosto angelical sai da minha mente", escreve o czar. Dias mais tarde veio a resposta de Alexandra. "Era uma noite de solidão. Cada vez que eu acordava e estendia a mão, tocava em um travesseiro frio, em vez da sua mão quente e querida." Por pouco essa paixão não se realizou. Neta da rainha Vitória da Inglaterra, protestante, Alexandra relutou em se converter à Igreja Ortodoxa Russa. "Não posso me casar contra a minha consciência", escreveu em 1893. Ele a convenceu numa carta febril, encerrada com uma declaração irresistível: "O seu eternamente apaixonado Nicolau". O casamento realizou-se em 1894, ano em que Nicolau se tornou czar após a morte do pai, Alexandre III. Tinha 26 anos. Uma carta da época revela o desespero do jovem e reconhecidamente obtuso herdeiro diante do poder. "Não estou preparado para ser imperador. Não sei nada." Era o prenúncio da tragédia. Nicolau e Alexandra foram executados, com toda a família, em 1918, depois da Revolução Comunista.
Anne, a princesa geniosa e autoritária que o pai sempre preferiu ao sensível Charles, está muito bem com seus dois maridos. O primeiro, Mark Phillips, continua a morar perto da casa que ela agora divide com o segundo, Tim Laurence. Quando o ex-casal se cruza, como aconteceu na semana passada, os dois trocam gentilezas civilizadas. Sarah Ferguson, flagrada no início de sua separação de topless, com um bonitão texano sugando-lhe o dedão do pé na frente das filhas pequenas, fez as pazes com o ex, o príncipe Andrew. Eles passam fins de semana juntos com as meninas e se dão tão bem que precisaram desmentir uma reconciliação. Vão mesmo se divorciar. Com Charles e Diana, a guerra é total. Além da animosidade mútua, os dois, envolvidos diretamente na sucessão ao trono, têm muito mais em jogo: os filhos, William e Harry, que pela lei pertencem à Coroa. Segundo a revista francesa Voici, a mesma que garante que o divórcio sai em março do ano que vem, a divisão dos bens materiais já está acertada. Pelas contas da revista, que diz ter colhido as informações no novo livro, ainda inédito, do jornalista Andrew Morton, a princesa de Gales sairia do casamento infeliz com uma bolada de 35 milhões de dólares. Deixaria o Palácio de Kensington, recebendo em troca uma mansão em Londres, avaliada em 10 milhões de dólares, além de uma casa de campo no País de Gales ou na França, onde preferir. Em compensação, Diana não seria mais princesa. As jóias que recebeu da família dele, propriedade da coroa britânica, seriam devolvidas, incluindo a tiara da rainha Mary, como é conhecido o deslumbrante diadema de pérolas, que voltaria aos cofres da sogra, Elizabeth. O famoso broche de diamantes, que ela transformou em gargantilha, seria devolvido à rainha-mãe. Charles e Diana garantem que é tudo mentira: não discutiram o divórcio nem nenhum acordo financeiro. Diana foi além, afirmando que jamais abrirá mão da guarda dos meninos, para salvá-los da "fria máquina palaciana". "Como herdeiros do trono, inevitavelmente sua educação seria controlada com rigidez. Diana quer ter a certeza de que isso nunca acontecerá, mesmo que tenha de sacrificar a sua liberdade, evitando a separação definitiva", declarou um assessor dela. Na guerra de propaganda que os príncipes travam, pode ser, excepcionalmente, verdade. Diana, garantem os que a conhecem, nunca entregará os filhos. Forçá-la a isso seria um grave erro: não existe opinião pública no mundo que fique contra a mãe. |
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