BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade

Arquivo
VEJA
 
Reportagens



Busca detalhada
 
Imagens de capa



Busca detalhada




Mais reportagens
Brasil e sociedade
Política e economia
Internacional
Ciência e tecnologia
Saúde e sexo
Artes e espetáculos
Gente e memória
Religião e História
Esporte e aventura
Educação e trabalho

Revistas
1997 - 2009 | edições integrais
Edição n° 1
Edições extras
Edições especiais
  Reportagens



23 de setembro de 1970
Os irmãos
em guerra

Jordanianos e palestinos:
inimigos na mesma casa

Para a Jordânia, transformada desde 1967 no mais trágico país do Oriente Médio, as misérias da guerra parecem não ter fim. Como num drama que a cada ato revela uma desgraça ainda maior, esse país de desertos e beduínos perdeu sucessivamente a mais rica parte de seu território na guerra contra Israel, viu sua identidade nacional ameaçada pela invasão dos refugiados palestinos - hoje eles constituem 55% da população - e ganhou, nos últimos vinte meses, um segundo inimigo, tão duro quanto os judeus: os guerrilheiros da "libertação palestina", intratáveis, extremistas e cuja luta contra Israel, no momento, deve obrigatoriamente passar pela destruição do regime jordaniano do rei Hussein. Na semana passada, após uma missão de choques cada vez mais graves iniciados em meados de 1968, a Jordânia chegou, finalmente, à guerra civil aberta. Os 58.000 soldados do rei combatiam com todo o seu potencial de fogo os 32.000 guerrilheiros do comando palestino unificado, e até o fim da semana as estimativas indicavam um total de pelo menos 5.000 mortos.

Na noite de sábado, uma ordem unilateral de cessar-fogo, lançada pelo governo jordaniano, parecia abrir as primeiras perspectivas de pacificação, após quase 72 horas de combates ininterruptos. Aceitando a proposta do presidente Nasser, do Egito - que, aterrado com o número de baixas e com a decomposição do clima no mundo árabe, pensava unicamente em interromper a guerra -, o rei Hussein fez um passo em direção aos palestinos. Horas antes, à situação tinha chegado a um ponto máximo de tensão: o comandante-chefe do Exército jordaniano lançara um ultimato de rendição incondicional aos guerrilheiros, e tudo levava a crer que o saldo de mortes continuaria a subir indefinidamente. Com a ordem de cessar-fogo as esperanças de uma trégua puderam, pela primeira vez, ser consideradas. Mas a recusa do comando central dos guerrilheiros em aceitar a proposta (até as últimas horas de sábado, o general egípcio Sadek, enviado à Jordânia por Nasser como mediador, não tinha conseguido se encontrar com o líder palestino Yasser Arafat) sugeria que a pacificação ainda pode estar distante.

LEI MARCIAL - A guerra chegou abruptamente, na madrugada da última quinta-feira, como conseqüência natural de uma situação que se havia tornado insuportável. No dia anterior, numa tentativa desesperada de interromper o crescente delírio dos guerrilheiros palestinos - que quatro dias antes haviam explodido no deserto jordaniano de Zerka três aviões comerciais seqüestrados -, o rei Hussein fez um lance alto: dissolveu o seu Ministério e nomeou o marechal Habis Majali, 57, velho e leal guerreiro beduíno, para o cargo (criado especialmente para ele) de governador militar de toda a Jordânia. Era, na prática, uma declaração de guerra. Majali, homem do deserto, saído de uma das principais tribos beduínas da Jordânia, é portador de uma insuperável aversão pelos palestinos.

Braço direito do lendário Glubb Pachá, criador da também lendária Legião Árabe, que viria a formar o atual Exército jordaniano, Majab é sem dúvida um dos mais valorosos militares de todo o mundo árabe - segundo os próprios israelenses, um dos únicos que souberam realmente lutar com coragem e inteligência na Guerra dos Seis Dias. Pouco depois de sua posse, o guerreiro falou claro e duro. "Vou usar mão de ferro", disse ele, "para colocar ordem neste país". Em seguida, apresentou suas condições: os guerrilheiros palestinos deveriam depor as armas e respeitar um toque de recolher absoluto, 24 horas por dia. Foi declarada a lei marcial e quem quer que saísse à rua seria sumariamente fuzilado.

UNIÃO - Para os guerrilheiros palestinos, era a hora da verdade e da sobrevivência. Divididos entre os grupos ainda eufóricos com as explosões de Zerka e os que condenavam furiosamente os seqüestros (a FPLP de Georges Habash, responsável pelos atos de pirataria, havia sido expulsa do comando geral palestino no início da semana), os guerrilheiros uniram-se apressadamente para enfrentar com armas as disposições do rei Hussein e do marechal Majali. Na madrugada da quinta-feira, após os primeiros tiroteios do dia anterior (os palestinos não haviam tomado conhecimento do toque de recolher), a guerra começava com força total. O Exército jordaniano movimentou seus tanques sobre Amã - rompendo assim o acordo feito com os palestinos pelo Ministério anterior de que as forças blindadas não poderiam entrar na capital - e a partir daí todo o país se transformou num campo de batalha.

Os combates mais duros foram em Amã. Na cinzenta, triste capital da Jordânia guerrilheiros e soldados governamentais travaram as mais violentas batalhas que o país já conheceu. Nas ruas estreitas que sobem em direção às sete colinas da cidade lutava-se casa por casa, com tanques, artilharia pesada e, principalmente, fogo cerrado de metralhadoras. Para os 600.000 habitantes de Amã, a sobrevivência dependia da sorte. Prédios de apartamentos, casas ou mesquitas onde se refugiavam guerrilheiros eram sumariamente bombardeados pelos tanques governamentais. Sair à rua era praticamente impossível: atirava-se com igual meticulosidade tanto no mendigo que procurava esconder-se num prédio em construção como no jornalista sueco que saiu à sacada do Hotel Intercontinental para fotografar os combates na rua em frente.

A luta se estendeu praticamente por toda a capital. De fato, instalados há três anos na Jordânia, com seu quartel-general em Amã, os guerrilheiros palestinos foram pouco a pouco se espalhando por vários pontos da cidade, onde encontravam lugar. Na semana passada, essa disseminação fez com que toda Amã se envolvesse na guerra: havia escombros em todos os bairros e a fumaça dos incêndios formava uma pesada nuvem sobre a capital. Na desolada, arenosa região em torno da cidade, bem como nas ladeiras e vielas que serpenteiam do centro rumo aos bairros de população predominantemente palestina, os cadáveres não eram recolhidos e os feridos não recebiam socorro: nenhuma ambulância podia circular, por causa da intensidade do fogo.

OTIMISMO - Com a energia cortada, os telefones suspensos, as fronteiras fechadas, os circuitos telegráficos interrompidos (para transmitir seus despachos, os jornalistas tiveram de se utilizar dos aparelhos de telex das embaixadas), a Jordânia chegava ao seu terceiro dia de guerra civil, no fim do sábado, numa situação militar aparentemente favorável ao rei Hussein. Com efeito, as tropas do marechal Majali, embora precariamente ainda, já controlavam Amã, enquanto ao norte da Jordânia - onde os combates foram extremamente duros - os guerrilheiros pareciam estar cedendo terreno. Irbid, a segunda cidade do país, com 100.000 habitantes, tinha sido um dos principais redutos dos palestinos no norte, mas nas últimas horas de sábado, após uma pressão ininterrupta de três dias, o governo de Amã podia anunciar que a situação, ali, evoluía em seu favor.

Talvez os boletins de guerra, e os mapas do avanço de tropas jordanianas, divulgados a cada hora pelo comando militar de Amã, contenham um excesso de otimismo e careçam de precisão. Ainda assim, basta um rápido balanço do poderio bélico de ambos os lados para saber que, de um ponto de vista estritamente militar, as forças do rei Hussein levam nítida vantagem sobre os guerrilheiros palestinos. A diferença não é apenas numérica, mas principalmente qualitativa. O Exército jordaniano, distribuído em duas brigadas blindadas, um batalhão de 3.000 homens (também blindado) da guarda real, nove brigadas de infantaria e um regimento de defesa antiaérea, é o mais bem equipado do mundo árabe. Face aos 32.000 combatentes irregulares, com treino efetivo de comando mas sem um único blindado próprio, o rei Hussein talvez nem precise recorrer à sua Força Aérea de 2.000 homens, que dispõe de duas esquadrilhas de caças interceptadores F-104, de onze caças americanos Hunter FGA, de oito aviões de transporte e nove helicópteros Alouette 111.

CONTA PREMATURA - Os 250 fuzileiros navais da Marinha real também eram supérfluos, até a noite de sábado passado. Na marcha pela reconquista de seu país, Hussein continuava se apoiando exclusivamente nos seus 329 tanques Patton, Centurion ou Charioteer, ou nos 150 carros blindados Saladin e Ferret, adquiridos nos Estados Unidos e Inglaterra. Todos esses dados certamente já eram conhecidos dos palestinos antes do desencadear sem retorno da guerra total. Nos QGs da FPLP e do El Fatah sabia-se também que os 7.500 membros da polícia jordaniana e os 30.000 membros da Guarda Nacional, aliados do Exército real no seu ressentimento contra os palestinos, descarregariam suas armas desde as primeiras horas de luta, em defesa das quatro cores da Jordânia.

Mas, no conselho de guerra que tiveram antes do amanhecer de quinta-feira, no campo de Wahdat, Georges Habash e Yasser Arafat fizeram outros cálculos. Segundo eles, boa parte dos soldados de origem palestina que integram o Exército jordaniano (60%) passariam, no decorrer da luta, para as suas fileiras ou pelo menos se recusariam a levantar as armas contra o povo irmão. Além disso, encorajados pelas declarações de apoio incondicional provenientes de Bagdá, os palestinos contabilizaram prematuramente a seu favor o poder de fogo dos 12.000 soldados iraquianos acantonados em território jordaniano, nas imediações do núcleo guerrilheiro de Zerka. A principal atração dessa "Legião Saladina", para os palestinos, não estava na sua capacidade de combate (embora treinadas por instrutores ingleses e russos, as três divisões de infantaria do Iraque nunca participaram de guerra no Oriente Médio), mas sim no seu equipamento.

RETIRADA - Com efeito, dotados de tanques russos T-54 médios com canhões de 100mm e de artilharia pesada, as tropas iraquianas poderiam diminuir perigosamente a hegemonia blindada dos jordanianos. Entretanto, passadas as primeiras 48 horas de luta, e com o saldo de mortes aumentando unilateralmente no campo palestino, as únicas notícias das famosas tropas do Iraque indicavam sua retirada silenciosa da zona de combate, em direção da fronteira com o seu país. Mas, se para o govêrno "baathista" do general El-Bakr um comportamento tão inglório não causa maiores danos internos (o Iraque é o único país da região a não ter refugiados árabes em seu território), o mesmo não acontece com a Síria e o Líbano, que abrigam, respectivamente, 158.000 e 175.000 palestinos irrequietos. Qualquer "traição" por parte dos governos de Damasco ou de Beirute poderia trazer aos presidentes Noureddin Atassi e Suleiman Frangié os mesmos problemas de manutenção do poder e da ordem acumulados pelo rei Hussein.

Nesse sentido, os governos da Síria e do Líbano se mostraram compreensivos e cautelosos. Quando, na quinta-feira passada, a Embaixada da Jordânia em Damasco foi ocupada por guerrilheiros palestinos, que lançaram à rua todos os emblemas do regime de Amã e destruíram a centena de retratos do rei Hussein, as autoridades sírias nada fizeram para contê-los. Da mesma forma, nem um único soldado ou policial libanês interrompeu o espetáculo de violência montado de improviso em Beirute por uma força combinada de guerrilheiros e estudantes radicais: violando todos os pontos do acordo de coexistência firmado pelo governo de Frangié e os comandos palestinos, duzentos guerrilheiros invadiram calmamente os escritórios da representação jordaniana e o apartamento do embaixador, enquanto uma centena de estudantes ocupava, "até que seja deposto o rei Hussein", os pavimentos superiores. Antes do fim da semana, a ocupação já se estendia a todo o setor da Embaixada, com metralhadoras pesadas espalhadas pelos telhados e balcões de uma dezena de prédios adjacentes.

DIÁSPORA - Mas, na urgência da guerra, essas manifestações de solidariedade pesam pouco, assim como os 2.000 soldados sírios mal equipados que se encontrmi na Jordânia desde 1967. Yasser Arafat, que, além de líder do El Fatah, também é o chefe de fato da Organização de Libertação da Palestina (entidade suprema dos 2,5 milhões de palestinos espalhados pelos países árabes), tentou mudar a tempo o fecho previsível da guerra. Na noite de sexta-feira solicitou reforços ao Exército da OLP (que conta com mais de 20.000 homens dotados de armamento pesado) e já nas primeiras horas de sábado os primeiros 5.000 soldados dessa diáspora de refugiados entravam em território jordaniano através da fronteira síria. Com seus carros blindados, artilharia pesada e alguns tanques, tomaram posição na região de Ramtha, 80 km ao norte de Amã, e se lançaram na defesa da região, proclamada, talvez apressadamente, "território libertado" - onde os palestinos afirmam ter formado um governo rebelde sob a chefia de Mahmoud Roussan, ex-embaixador da Jordânia nos Estados Unidos e ex-membro do Parlamento jordaniano.

A simples evocação desse território de traçado e características ainda incertos (ele compreenderia a área que vai de Jarash, 35 km ao norte de Amã, até a fronteira síria, ao norte, e até a linha de trégua com Israel, a oeste) surtiu o efeito imediato de fortalecer ainda mais as fileiras intransigentes dos chefes beduínos. Quando, duas semanas atrás, o representante da FPLP, Ahmed Al-Yamani, declarou que os aviões seqüestrados por sua organização tinham aterrado na "zona liberada" de Zerka, eles já haviam se revoltado. Apontando para o vasto mapa da Jordânia afixado no gabinete do rei Hussein, demonstraram com insistência calculada o rápido esfacelamento da autoridade real sobre o país: com a Guerra dos Seis Dias, foi-se a margem ocidental do rio Jordão (Cisjordânia); logo em seguida, o vale do rio Jordão passou de fato para as mãos dos guerrilheiros; ao mesmo tempo, para os regimentos jordanianos acantonados no norte do país, a palavra do soberano ficou, pouco a pouco, subordinada às ordens dos seus oficiais.

PORTA-SEIOS - Não foi difícil, assim, convencer o rei de que a Jordânia já tinha encolhido o suficiente e de que chegara o momento de reconquistá-la. Principalmente porque o próprio Hussein, durante sua última inspeção antes da guerra a unidades da primeira divisão blindada, recebeu manifestações incontroladas de rebelião: quatro oficiais rasgaram suas insígnias de comando na sua frente, e um quinto havia pendurado um porta-seios na antena de seu tanque. "Somos mulheres", disse ele ao rei. "Não temos nenhuma força." Em outras palavras, todos queriam dizer que se consideravam insultados pela divisão do poder real com os palestinos.

De fato, ao longo dos últimos vinte meses, e mais acentuadamente desde os violentos choques de fevereiro e junho últimos, a ascensão política e administrativa dos guerrilheiros na Jordânia foi tão marcante quanto seu crescimento militar. Reagrupados em doze organizações tão variadas como a Ansar (cinqüenta combatentes sustentados, armados e politizados diretamente pelo Kremlin), a Frente Democrática de Libertação da Palestina, do trotskista Nayef Hawatmeh (que equipa seus 1.000 guerrilheiros com armas compradas em mercados europeus), ou o El Fatah (20.000 combatentes sem ideologia política mas com fabricação própria de foguetes), os "fedayin" ostentavam sua presença em todos os 100.000 quilômetros quadrados da Jordânia.

PRIVILÉGIO - No centro de Amã ou nos dezesseis distritos adjacentes, nos vinte campos que abrigam 506.000 refugiados ou nas proximidades de Hommar - onde reside o rei Hussein, que lá instalou um verdadeiro posto de comando ligado diretamente aos QGs da guerra -, eles se misturavam à população beduína nas suas ocupações mais prosaicas. Descontraídos em aparência, circulavam de ônibus ou táxi com suas metralhadoras checas, participavam de discussões de rua ou faziam suas compras em mercados públicos carregando fuzis soviéticos.

Em muitos setores administrativos, substituíram os mecanismos do Estado jordaniano. Ainda recentemente, o diretor do maior banco de Amã comentava resignado que, no lugar de funcionários do Ministério do Trabalho, treze membros da FPLP haviam assumido a tarefa de solucionar problemas trabalhistas no seu estabelecimento. Por outro lado, sempre que os jornalistas e gráficos do país entravam em greve, cabia ao El Fatah o privilégio de publicar o único jornal diário de Amã ("El Fatah"). Ao que tudo indica, esse monopólio guerrilheiro da informação pode revelar-se particularmente útil em momentos de crise. Assim, na semana passada, enquanto a rádio oficial de Amã transmitia apenas música de harmônica ou comunicados sobre a luta contra a cólera no país, a Voz da Tempestade, do El Fatah, continuou no ar com mensagens em código ou apelos à sublevação para o povo jordaniano.

Encorajados por essa evolução, os palestinos concentraram naturalmente toda a sua combatividade para defender, a qualquer preço, a conquista do que consideram seus direitos. E, para isso, segundo o próprio Abu Iyad, assessor direto de Yasser Arafat, 70% dos guerrilheiros têm estado permanentemente ocupados em choques com tropas da Jordânia ou do Líbano (onde seu estatuto é semelhante), em detrimento de suas atividades contra Israel.

RECOMPOSIÇÃO - Mas, a partir de agosto, justamente quando o Estado jordaniano parecia se desintegrar com a superposição do "poder fedayin" ao da monarquia hachemita, o rei Hussein iniciou discretamente sua recomposição, em busca da autoridade perdida. De uma só vez, readmitiu dois velhos inimigos da causa palestina, afastados menos de dois meses antes: o general Zeid Ben Chaker, que, de comandante da 3ª Divisão Blindada, passou a chefe adjunto do Estado-Maior real, e o seu próprio tio Nasser Ben Jamil, o detestado (pelos guerrilheiros) ex-comandante-chefe da Jordânia. Capitalizando, com essa inesperada prova de autonomia, o indispensável apoio de seus militares mais influentes - e ao mesmo tempo mais intransigentes -, Hussein selou a dependência de sua sobrevivência política a esses elementos. A nomeação, na semana passada, de Habis Majali, foi, antes de tudo, o pagamento real desse engajamento, em troca de uma ampla liberdade de movimento na condução da guerra aberta que já se anunciava.

Quanto a Israel, beneficiário inesperado da cruzada de tanques na Jordânia, soube se mostrar ao mesmo tempo discreto e generoso: não enviou pára-quedistas nem tropas do Exército através do Jordão, apesar de já ter declarado repetidas vezes que "não permaneceria indiferente a qualquer ameaça palestina contra o rei Hussein", e ainda libertou 307 árabes que permaneciam detidos em represália pela detenção de 54 reféns pela FPLP. Dessa forma, Tel Aviv levantou o principal obstáculo externo para a devolução dos passageiros - que, de seqüestrados, passaram a reféns. Fortaleceu, ao mesmo tempo, a justificativa do governo americano para uma eventual operação militar de resgate (dos reféns, 38 são americanos). E, de pouco antes de receber a visita oficial de Golda Meir, portadora de extensa lista de compras militares, o presidente Richard Nixon se reuniu por três horas com o Grupo de Ação Imediata - o mesmo que equacionou a operação cambojana de maio último. Talvez desnecessariamente. A "revolução palestina", aceitando ou não o cessar-fogo, se condenou a promover periodicamente uma guerra civil na Jordânia - ou a retornar à mesma solidão e clandestinidade que conheceu antes de 1967.


 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |