Arquivo VEJA |
|
Mais reportagens
Brasil e sociedade Política e economia Internacional Ciência e tecnologia Saúde e sexo Artes e espetáculos Gente e memória Religião e História Esporte e aventura Educação e trabalho Revistas
1997 - 2009 | edições integrais Edição n° 1 Edições extras Edições especiais |
Reportagens 23 de agosto de 1989Um país com medo O número de seqüestros aumenta nas
Como sempre acontece com números envolvendo alta criminalidade, é bom desconfiar dessas estatísticas. Contabilizam-se aí apenas os casos de seqüestro de que a polícia tomou conhecimento. Na realidade, estima-se que seu número seja bem maior - e que de cada três seqüestros ocorridos apenas um seja comunicado à polícia. Nos demais, as próprias famílias das vitimas e as quadrilhas de criminosos acertam suas contas, às escondidas das autoridades. Houve uma época em que os seqüestros eram tão raros que o país conseguia lembrar, por muito tempo, o nome de suas vítimas e o valor pago pelos resgates mais polpudos. Agora, já não é assim. Seqüestrar uma pessoa, mantê-la num regime de cativeiro e depois pedir dinheiro a seus familiares já se transformou numa pequena indústria que, no Brasil, já movimenta milhões de dólares por ano. "A situação no país é muito grave", admite o ministro da Justiça, Saulo Ramos. NO PORTA-MALAS - Na semana passada, em boa parte das grandes cidades do país, havia pelo menos um caso dramático a ser narrado por uma população aflita. Em Feira de Santana, a 116 quilômetros de Salvador, o empresário Edmundo José Falcão foi seqüestrado na manhã de 14 de abril, quando saía da casa de uma amiga de sua família. Nunca mais foi visto, há vários meses que os seqüestradores romperam os contatos com sua família, a polícia baiana não sabe o que fazer para encontrá-lo, e hoje, desesperados, seus parentes espalharam 50.000 cartazes pelo Estado oferecendo uma recompensa de 150.000 cruzados novos a qualquer pessoa que tiver informações sobre seu paradeiro. Seqüestrada há quinze dias por uma falsa babá, a menina Raphaela de Sá Gazire, de 1 ano e 4 meses, continua desaparecida até agora - a suspeita é de que tenha sido vítima de uma quadrilha especializada no tráfico de crianças. Em São Paulo, entra em sua quarta semana o seqüestro do publicitário Luiz Salles, um dos donos da agência Salles Interamericana - até agora, os criminosos que o levaram, a poucos metros de sua casa, no bairro de Alto de Pinheiros, não informaram sequer à família sobre o valor do resgate. Um dos aspectos mais sombrios dos seqüestros que ocorrem no pais reside na tipologia de suas vítimas. Não se seqüestram, apenas, empresários milionários, donos de um patrimônio contabilizado em milhões de dólares. Nem todos os casos mais conhecidos envolvem crianças que, clandestinamente, são vendidas no exterior por quantias como 5.000 dólares. Hoje, seqüestram-se executivos que têm, como bens próprios, o carro do ano e um espaçoso apartamento num bairro valorizado. Às vezes, nem isso. Aos 39 anos, o médico paulista Flavio Zucchi reside num apartamento de três quartos num típico bairro de classe média, a Vila Mariana, que está adquirindo pagando prestações ao Sistema Financeiro de Habitação. Possui um automóvel Escort, comprado num consórcio. Na manhã de quinta-feira da semana passada, Zucchi foi dominado por três marginais quando chegava a seu consultório, algemado e atirado no porta-malas de seu automóvel. O médico só conseguiu salvar-se porque seus seqüestradores não quiseram parar numa barreira policial. Desconfiada, a polícia iniciou uma perseguição ao automóvel, ocorreu uma troca de tiros e o pesadelo de Zucchi só terminou quando os três criminosos resolveram parar o carro num acostamento à beira de uma estrada e embrenhar-se num matagal, deixando-o para trás. "Foi uma experiência terrível", diz Zucchi. NOVE EM CADA DEZ - No desfecho dos seqüestros, há casos que terminaram em tragédias, como o do estudante Celso Vicentin Junior, morto a facada em Junho deste ano, mesmo depois que sua família desembolsou 150.000 cruzados novos de resgate. Também existem mistérios aparentemente insolúveis, como o do ex-vice-presidente do Bradesco Antônio Beltran Martinez, cujo resgate custou 4 milhões de dólares - até agora, nada se sabe sobre a quadrilha que o levou, e o único implicado no caso é um delegado de polícia acusado de forjar provas para achacar um grupo de contrabandistas que nada teria a ver com a história. As autoridades policiais gostam de lembrar que os seqüestros são um tipo de crime que, na maioria das vezes, acaba terminando bem - de cada dez casos registrados, em nove deles a vítima acaba voltando para casa com vida. Essa estatística, no entanto, nada representa para os parentes daqueles seqüestrados que não puderam retornar a seu convívio. Ao final dos dezenove casos de seqüestro ocorridos em São Paulo de um ano e meio para cá, a polícia conseguiu pôr as mãos em pelo menos oito quadrilhas - o que dá uma marca de sucesso numa proporção inferior a dois por um. Pelos números, é certo que o Brasil está longe de disputar os primeiros lugares na lista dos países campeões mundiais de seqüestro, como a Itália ou a Colômbia, por exemplo, onde esses crimes são realizados com freqüência bem maior. Mas é certo, também, que os seqüestros que hoje integram a agenda das preocupações de uma quantidade cada vez maior de pessoas são mais do que uma onda passageira. O temor que existe hoje, na verdade, é de que brasileiros sejam obrigados a conviver com quadrilhas tão aplicadas quanto as italianas e contar, para sua proteção, com uma polícia tão eficiente quanto a colombiana. ROUBAR GENTE - Um bom exemplo do que vem a ser isso ocorreu em Goiânia, por ocasião do seqüestro do menino Said Agel Filho, de 8 anos. Seis dias depois que Said foi apanhado no quintal de sua casa, onde brincava, a polícia conseguiu localizar os bandidos e o garoto - cercou seu esconderijo, no bairro Jardim América, com uma tropa de 100 homens. Os seqüestradores concordaram em libertar Said e até fizeram um desconto na hora de negociar o resgate - em vez dos 500.000 cruzados novos que pediam, originalmente, fecharam negócio por 100.000. Cercados, os criminosos propuseram uma espécie de subseqüestro e foram atendidos - conseguiram fugir no interior de um carro-forte, em companhia de duas jornalistas e de um motorista. Dez dias depois de iniciado o seqüestro, concordaram em abandonar as vítimas do segundo seqüestro - desde que recebessem um helicóptero. O aparelho até chegou, mas estava com defeito, e não se encontrou nenhum mecânico capaz de consertá-lo. Mais tarde, apareceu outro helicóptero - dessa vez, foi o piloto que se recusou a dirigi-lo se os seqüestradores entrassem armados na cabine. Em busca de uma saída, o governo de Goiás emprestou um avião aos seqüestradores, apareceu o prefeito Aniceto Oliveira Costa, de Pontalina, que se dispôs a pilotá-lo em companhia de um auxiliar, o co-piloto Antonio Serigatti. Eles tentaram pousar no interior do Paraguai, mas foram repelidos a tiros. Retornaram ao Brasil e aterrissaram numa pista qualquer - a essa altura, a fuselagem do avião já fora perfurada a bala. O prefeito estava bem de saúde, mas o co-piloto levara um tiro no braço. Atrapalhado, confuso, o seqüestro de Said também trouxe à tona um dado inquietante. Quando perseguia os bandidos em Goiás, a polícia contava com revólveres e fuzis rudimentares para enfrentar seqüestradores equipados com uma submetralhadora israelense - para ajudar os policiais, um fazendeiro da região emprestou-lhes suas próprias armas. Em São Paulo, faltou gasolina para os carros da polícia - mais uma vez, foi preciso pedir socorro aos moradores do lugar. Até o fim de semana, os policiais não tinham a menor idéia do que havia ocorrido com os seqüestradores depois da fuga. Poderiam ter ido para o Paraguai. Quem sabe estivessem escondidos na Argentina. Também era possível que tivessem encontrado refúgio em alguma cidade do norte do Paraná, onde, antes de roubar gente, costumavam ganhar dinheiro roubando automóveis. Por trás dessa escalada de seqüestros, o que se assiste, no país, são os efeitos de uma mudança na criminalidade. Houve uma época em que a opção mais fácil para um bandido ganhar dinheiro consistia em assaltar uma agência bancária. Mais tarde, abriu-se um novo caminho, que era o roubo a residências de famílias abastadas. Hoje, no entanto, esta situação modificou-se. Para proteger seu patrimônio, os banqueiros criaram sistemas de segurança controlados eletronicamente, equiparam as agencias com circuitos de alarme ligados diretamente às delegacias de polícia e até tomaram uma providência banal para transformar um assalto numa operação de alto risco e baixas recompensas - costumam deixar poucas reservas de dinheiro em seus cofres, que são abastecidos várias vezes ao dia por carros-forte, mas não costumam ter grandes somas para serem apanhadas de uma hora para outra. Da mesma forma, mansões onde, anos atrás, podia-se entrar pela porta da frente, tocando-se a campainha, agora estão cercada por muros altos e por complicados sistemas de proteção a seus ocupantes. Muitas viraram ponto comercial, e seus moradores vivem em condomínios fechados. Nessa matéria, o que ocorreu com os assaltos a banco, por exemplo, constitui um caso exemplar. Em 1988 ocorreram exatamente 666 assaltos a banco em todo o Estado de São Paulo. Trata-se, sem dúvida, de um número alto. Como boa parte daquilo que se costuma classificar na categoria de boa notícia no Brasil, contudo, trata-se daquele tipo de estatística que pode ser relativamente comemorada. Em 1987, registraram-se mais de 1.200 ocorrências dessa família. PELO INTERFONE - É nessa situação que os seqüestros ganham corpo - pela simples razão de que é bem mais fácil proteger uma agência bancária ou uma residência de luxo, bens que, naturalmente, têm endereço fixo e podem ser vasculhadas ao longo das 24 horas do dia, do que seres humanos, que saem para trabalhar, depois fazem fila no cinema, vão a festas e ainda viajam nos fins de semana. "Quando sabemos que numa determinada região está havendo um aumento na quantidade de assaltos, é só policiar melhor o local que o número de delitos diminui", afirma o delegado Moacir Favetti, superintendente da Polícia Federal do Paraná. "Mas, em relação aos seqüestros, a dificuldade é que é impossível prever quando e onde irão ocorrer, e muito menos adivinhar quem será sua vítima", acrescenta. Habituados à rotina de cidadãos que cotidianamente são lembrados de que podem ser entregues à sua própria sorte, em vários pontos do país há brasileiros que começam a tomar providências destinadas a se proteger. Nessa matéria, a modificação mais visível pode ser observada nas escolas, particularmente nos estabelecimentos freqüentados por alunos de classe média alta. A Escola Americana do Rio de Janeiro, por exemplo, conta com o auxílio de vinte agentes de segurança e dois automóveis para proteger seus 1.000 estudantes. O tradicional Dante Alighieri, de São Paulo, dispõe de seis agentes em cada turno de aula - todos andam armados de revólver. É em Belo Horizonte, no entanto, que se pode encontrar um dos estabelecimentos ainda mais cuidadosos nessa área. Ali, no Instituto Zilá Frota, repete-se, diariamente, uma mesma rotina. Quando vão apanhar seus filhos ao final das aulas, os pais devem se identificar através de interfone e formar uma fila. Um a um, os alunos só podem atravessar a porta de saída depois de serem convocados por alto-falantes, dentro das salas de aula. As precauções não terminam aí, porém. Os pais só podem encontrar-se com os filhos depois que são reconhecidos por uma das professoras. "Com essa onda de seqüestros, a segurança deve ser redobrada", afirma Margarida Mendes, diretora do Zilá Frota. Outra mudança de comportamento, menos visível, diz respeito a boa parte dos grandes empresários do país. É verdade que o maior deles, Antonio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, conserva seus hábitos de caminhar sozinho, a pé, pelo centro de São Paulo - mesmo depois que a polícia pôs as mãos num plano improvisado de um grupo de marginais que pretendia seqüestrá-lo. A realidade, contudo, é que, entre seus colegas, o comportamento começa a se modificar. Na semana passada, por exemplo, ocorreu uma reunião de trabalho no Centro Empresarial de São Paulo. Dez empresários estavam presentes - nove em companhia de guarda-costas. Wolfgang Sauer, ex-presidente da Autolatina, deixou o comando direto da empresa há menos de um mês. Quando era o número 1 da indústria automobilística do país, Sauer dispunha de seis agentes para cuidar de si próprio e de sua família. Agora, não tem mais o cargo mas conserva o mesmo número de agentes. Temerosos com a possibilidade de serem seqüestrados, há industriais que não dão entrevistas e proíbem fotógrafos de entrar em seus escritórios. No Rio de Janeiro, há colunáveis que, no passado, sorriam em todas as festas - hoje, convencidas por seus maridos, levam uma rotina bem mais discreta. Em vários pontos do país, circulam empresários a bordo de automóveis equipados com um aparelho bip que, em caso de seqüestro, dispara automaticamente e permite que o carro seja rastreado à distância. No início desta semana, em Belo Horizonte, o empresário Sallim Mattar, dono da locadora Localiza, muda-se com a família para uma nova residência. Mattar é um empresário ambicioso e bem-sucedido, e sua mansão é avaliada em 2 milhões de dólares. A casa é bastante confortável, mas boa parte de seu investimento foi consumido em cuidados com sua segurança. Além de recursos que já se tomaram corriqueiros em moradias desse padrão, como circuito interno de TV, por exemplo, ele fez questão de instalar alguns equipamentos suplementares. Um deles é um sistema de alarme espalhado em volta de todo o terreno. O outro é um equipamento eletrônico, adaptado a seu telefone, que, ao detectar sinais de que a casa está sendo invadida, dispara cinco ligações telefônicas para cinco números diferentes, reproduzindo uma mensagem gravada de socorro. "Não sou paranóico nem deixo de levar uma vida normal", diz Mattar. "Mas tomo esses cuidados porque hoje em dia todo mundo deve se prevenir." TRÊS BIOTIPOS - Na bibliografia dos seqüestros brasileiros, já se produziram estudos que reúnem os grandes biotipos das vítimas. O mais conhecido deles é o chamado de alto risco. integrado por milionários capazes de desembolsar grandes somas para salvar a própria vida. Para cuidar de sua segurança, uma personalidade nessa categoria pode ser obrigada a desembolsar, todos os meses, uma bolada de 40.000 cruzados novos - dinheiro com o qual pode comprar, em empresas especializadas da área, um pacote anti-seqüestro que inclui dois automóveis com quatro seguranças armados durante as 24 horas do dia, inclusive domingos e feriados. O segundo biotipo é o chamado de médio risco, no qual se encontram executivos de sucesso, pessoas que têm uma conta bancária respeitável e um padrão de vida vizinho daquele levado pelos milionários de verdade. Nesse caso, pode funcionar um pacote mais econômico - 10.000 cruzados novos por mês, que dão é companhia de dois guarda-costas armados. Outra possibilidade são os cursos de defesa pessoal, que andam com o prestígio em alta. "Todos os meses recebo cinqüenta consultas sobre planos de segurança", afirma o empresário Dilson Macedo, dono da Nordeste Segurança, empresa do Recife que possui 700 funcionários. "Os seqüestros são uma realidade tão comum como os roubos e os assaltos", acrescenta. O terceiro biotipo das vítimas de seqüestro é o azarado. E aquele sujeito se equilibra para pagar as contas no fim do mês, só se lembra que acontecem seqüestros quando assiste ao noticiário da TV, imagina que nunca irá passar por essa experiência nem pode pensar em contratar um guarda-costas porque mal consegue honrar os salários da cozinheira. Mesmo assim, um dia, pode acabar sendo seqüestrado, ou ter problemas em casa. Na semana passada, no bairro de Água Fria, que reúne modestas casas de classe média baixa no Recife, a dona de casa Valdete Oliveira Braga teve sua filha de 3 anos seqüestrada, em troca de um resgate de 20.000 cruzados novos - horas mais tarde, a criança seria recuperada pela polícia. Na Zona Sul de São Paulo, uma dona de casa foi acordada por um telefonema logo de manhã, feito de um orelhão, no qual uma voz masculina informava que seu marido, amarrado no porta-malas de um automóvel, só seria devolvido em troca de uma quantia equivalente a 10.000 cruzados novos. Um dos aspectos perversos dessa escalada criminosa reside nesse ponto. As polícias do mundo inteiro sabem que esse tipo de crime tem laços de parentesco com o tráfico de drogas, no sentido de que é preciso combatê-lo em todas as oportunidades, é possível derrotá-lo em várias ocasiões - mas não se descobriu, ainda, a fórmula de eliminá-lo por completo. A realidade, no entanto, é que as pessoas com maiores recursos, e que são os alvos preferenciais dos criminosos, dispõem de meios para se proteger. O chamado cidadão comum, no entanto, enfrenta uma situação oposta - não pode contratar ninguém para defendê-lo e tampouco dispõe de auxílio policial para garantir sua proteção. Uma das situações mais comuns vividas pelos brasileiros, há bastante tempo, também se repete agora, diante do drama dos seqüestros. Sempre que enfrentam dificuldades para cumprir suas obrigações, as autoridades descobrem um jeito de transferir responsabilidades. Quando o assunto é seqüestro, toca-se numa das queixas favoritas da máquina policial do país - aquela que reclama que o Brasil possui leis excessivamente brandas. "Para coibir a realização de seqüestros, seria necessário adotar penas mais duras", afirma o advogado Luiz Antonio Fleury Filho, secretário de Segurança de São Paulo. "Uma das medidas adotadas poderia ser a pena de morte para crimes de seqüestro seguido de morte", acrescenta. "A liberalidade da lei acaba transformando o seqüestro num bom negócio", afirma o ministro da Justiça, Saulo Ramos. É verdade que um debate desse tipo ainda não foi feito, em larga escala, junto às grandes camadas da população do país. Também é verdade que uma pessoa condenada por seqüestro pode pegar no máximo vinte anos de prisão - se for réu primário e tiver bom comportamento, estará de volta às ruas apenas seis anos mais tarde. Pode gostar ou detestar as leis em vigor, mas a verdade, no entanto, é que a questão mais urgente não é essa. O nome do problema urgente é Raphaela, Luiz Salles e José Falcão. Para essas pessoas e suas famílias, o seqüestro é uma realidade, e o centro das dificuldades é conseguir fazer com que as autoridades descubram um meio de cumprir melhor sua obrigação de zelar pela segurança dos cidadãos. |
VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter | ![]() |
|