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22 de setembro de 1976
Uma visita de bilhões

Distante 18.000 quilômetros
de Brasília, o presidente Geisel
negocia, em Tóquio, acordos
mais vultosos que os celebrados
nas viagens a Paris e Londres

O ar estava úmido e quente no antigo, congestionado aeroporto de Haneda, na tarde da última quarta-feira, quando o Boeing-707 azul e branco aterrissou pontualmente às 16h20 e dele saltou, sorridente e acenando para a pequena multidão, o presidente Ernesto Geisel. Junto, estavam sua mulher e filha - e Geisel não demonstrava nenhum sinal de cansaço depois da longa viagem desde Brasília, a 18 000 quilômetros, iniciada três dias antes e interrompida por um dia de descanso no Havaí. Uma salva de 21 tiros, parcialmente abafada pelo ronco dos aviões na pista, saudou o presidente - e iniciava-se ali a maratona de cinco dias que haveria de selar, no seu final, um dos mais altos lances do comércio internacional brasileiro.

O clima para as negociações e o quanto se esperou delas já haviam sido anunciados nos dias anteriores, com estardalhaço, nas astronômicas tiragens dos jornais japoneses. "O Brasil a caminho de se tornar uma grande potência do século XXI, dizia a manchete do Asahi Shinbum (11 milhões de exemplares). Na prática, isso queria dizer que os ministros que viajaram com o presidente (Azeredo da Silveira, das Relações Exteriores, Severo Gomes, da Indústria e do Comércio, Shigeaki Ueki, das Minas e Energia, e Reis Velloso, do Planejamento) e mais o chefe do Gabinete Militar, General Hugo Abreu, e o senador Virgílio Távora deveriam começar os duros contatos para debater fórmulas capazes de conciliar interesses nem sempre coincidentes.

Os japoneses, aprenderam eles desde logo, são mais obstinados e menos flexíveis que ingleses e franceses, com quem o presidente Geisel negociara em duas viagens anteriores, em abril e maio passado. A missão brasileira, em todo caso, estava preparada para se movimentar nesse clima. E, apesar das dificuldades, na manhã de sexta-feira, enquanto dobrava o fraque usado na cerimônia de cumprimentos do corpo diplomático, com a desenvoltura que lhe garante o exercício da vice-presidência da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Távora garantiu: "Não troco esta viagem pelas de Paris e Londres". Algumas portas adiante, no mesmo 37º andar do imenso Hotel New Otani, o maior da Ásia e pouso da comitiva e do batalhão de 73 jornalistas brasileiros mandados a Tóquio - uma das mais numerosas equipes jamais enviadas ao exterior -, o ministro Severo Gomes vestia a casaca para ser usada na recepção oferecida pelo primeiro-ministro Takeo Miki e também demonstrava otimismo: "A expectativa que trouxemos era de conseguir 6 bilhões de dólares, estamos em 9 e acho que já chega".

Dinheiro de investimento - Estes números não eram, porém, definitivos - e o próprio Severo Gomes, que no banquete da noite de sexta-feira dera evidentes demonstrações de estafa, deveria recomeçar na manhã de sábado os seus encontros com empresários japoneses, o mesmo programa, por sinal, que aguardava seu colega Shigeaki Ueki. Àquela altura, pelo menos nove dos quinze projetos sobre os quais haviam trabalhado os redatores das minutas estavam concluídos. Boa parte desses dólares, por certo, deverá a curto prazo sobrecarregar ainda mais o balanço de pagamentos brasileiro. Para o ministro Reis Velloso, porém, a questão era menos dramática: "Esse é um dinheiro de investimento", disse ele. "Na medida em que os projetos forem sendo implantados, eles se pagarão, tanto o capital como os juros."

Os negociadores brasileiros, de qualquer forma, estavam perfeitamente informados das notáveis dificuldades que teriam de vencer para tentar alterar, ainda que a longo prazo, o quadro das relações econômicas entre os dois países, dramaticamente desfavorável ao Brasil. O Japão foi, em 1975, o terceiro maior comprador do Brasil (depois dos Estados Unidos e da República Federal da Alemanha), o que não significa muito em termos globais - ele é apenas o 14º classificado entre os vendedores ao Japão, com 1,5% do movimento total. Por outro lado, o Japão é o terceiro maior fornecedor do Brasil, também logo após Estados Unidos e República Federal da Alemanha. Em 1975, contra 670 milhões de dólares exportados para o Japão, o Brasil importou 1,26 bilhão - e seu saldo negativo foi de 590 milhões.

Por isso, quando a comitiva ministerial desembarcou em Tóquio, na tarde de quarta-feira, ela já consumira muitas horas de viagem desde Brasília na leitura de algumas dezenas de laudas datilografadas, contidas em modestas pastas verdes de arquivo de escritório. Ali estava o texto da minuta da longa nota conjunta a ser divulgada nesta segunda-feira pelos dois governos, o resumo a ser distribuído à imprensa e um memorando preparado pelo secretário geral do Ministério da Indústria e do Comércio, Paulo Vieira Belotti, que esteve em Tóquio até o último dia 10 e levou para o Brasil os temas das últimas negociações realizadas antes da chegada de Geisel.

Pedras no caminho - O conteúdo das misteriosas pastas verdes, por outro lado, teve o dom de provocar o entusiasmo dos dois representantes estritamente políticos da comitiva (além do senador Távora, o deputado Jorge Coutinho, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara). Os dois, mal chegaram a seus apartamentos no Hotel New Otani, receberam as pastas e consideraram o gesto como uma deferência do governo ao Congresso. Na sexta-feira, com a voz cansada de muitas reuniões para as quais talvez nem imaginasse receber um convite, Távora dizia ao enviado especial de VEJA, Carlos Henrique Santos, que o presidente "comprometera o Legislativo nas decisões da política externa adotadas em Tóquio". E deu exemplos: "Quando voltávamos ao hotel pensando em descansar, depois de um dia de trabalho, o presidente nos convidava para novas reuniões".

Quando Belotti saíra de Tóquio, dias antes, deixara vários negócios encaminhados - entre estes, o capítulo especialmente espinhoso do financiamento ao terminal marítimo de Praia Mole, como reforço à siderúrgica de Tubarão. A proposta brasileira de financiamento de 120 milhões de dólares, a juros de 5% ao ano durante quinze anos, foi seguida da contraproposta japonesa que baixava o valor do financiamento para 100 milhões de dólares e o prazo para onze anos, subindo porém os juros para 6%. Sem um acordo entre os dois países, até o fim da semana - embora os japoneses parecessem dispostos a melhorar sua proposta -, o Brasil tinha ainda que se contentar com o fato consumado a que se reduziu o outrora ambicioso projeto agrícola da região do Cerrado, em negociações desde 1974. Seriam 1,5 milhão de hectares de plantações em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, diminuídos drasticamente para 50 000 hectares sob a alegação japonesa de que a recuperação do solo exige um pesado investimento em dinheiro - o atual projeto ficaria em 60 milhões de dólares e poucas certezas sobre a rentabilidade futura.

O espaço da imprensa - Diante dessas dificuldades, o papel reservado ao presidente Ernesto Geisel cresceu enormemente - e ele, em seus discursos e atitudes, em Tóquio, deixou bem claro que estava disposto a comandar todas as negociações. Assim, logo na quinta-feira, num gesto inesperado, ele se animou a visitar o centro de imprensa instalado no 1º andar do Hotel New Otani, sob o protesto unânime dos serviços de segurança brasileiro e japonês: afinal, diziam os agentes, o lugar parecia mesmo um reduto de jornalistas - uma confusão de papéis, máquinas e cinzeiros cheios - e além disso não dispunha de saída de emergência.

Mas, mesmo dispondo de seus amplos poderes, a segurança teve de se curvar diante da possibilidade de pelo menos o presidente da República querer ir onde quisesse - e assim Geisel apareceu diante dos jornalistas brasileiros para prometer a entrevista coletiva que concederia na tarde de sábado. No dia 15, ainda na escala no Havaí e com mediação do chefe do Gabinete Militar, general Hugo Abreu, ele já recebera o jornalista Antônio Carlos Drummond, chefe de jornalismo da TV Globo em Brasília, para urna conversa de 20 minutos na suíte 1001 do Hotel Kahala Hilton. Como a Globo não transmitiu as informações que Drummond enviou, as primeiras declarações de Geisel à imprensa brasileira no Japão ficariam mesmo para o fim de semana.

Nesse mesmo local visitado por Geisel, na véspera, pouco antes da chegada do avião brasileiro ao Aeroporto de Haneda, passaram-se cenas tumultuosas entre a pequena multidão de jornalistas brasileiros e os encarregados de disciplinar seu trabalho. Fotógrafos de jornais e revistas, divididos em categorias estéticas de portadores de filmes em preto e branco e de filmes coloridos, disputavam as vagas reservadas ao pessoal da imagem nos exíguos quadriláteros demarcados para a cobertura dos diversos eventos, território também reivindicado pelos cinegrafistas de televisão. Os radiorepórteres, classificados no menos habitado grupo dos profissionais do som, igualmente queriam seus lugares.

Depois de prolongadas explicações do diplomata Guy Brandão, assessor de imprensa do Itamaraty, a poder de giz e apagador, ficou determinada num quadro-negro a posição das autoridades, dos automóveis, das vidraças e dos jornalistas. Mas, logo que todos correram para o aeroporto, a fim de esperar a comitiva presidencial, ruíram os cordões de isolamento que separavam jornalistas brasileiros e japoneses - muitos deles, ao contrário do que teoricamente decretava o protocolo, em casacos listrados, blusões de couro ou mangas de camisa. A partir daí, todos se juntaram numa confusão de máquinas de filmar e fotografar, desesquematizando logo de saída o programa de cobertura da visita.

Cenas do Brasil - Os jornalistas japoneses mereceram, de qualquer forma, as primeiras atenções de Geisel, que foi almoçar no sábado no Nippon Press Center (só no fim da tarde ele receberia os brasileiros). "O meu governo tem a maior preocupação com a verdade", disse ele em seu discurso. "Nenhuma atividade humana mais de perto toca, influencia e molda o comportamento humano do que a transmissão de notícias." Depois de explicar o que foi a Revolução de março de 1964 e da confiança que o governo brasileiro acredita merecer dos investidores estrangeiros, Geisel lembrou ainda que "a segurança é uma condição essencial para o desenvolvimento de qualquer país".

As intenções didáticas do discurso de Geisel dirigiam-se, por certo, ao melhor esclarecimento dos jornalistas japoneses, que estampavam em seus jornais desde elogios abertos ao Brasil até queixas contra a lei de remessa de lucros, que constituiria "um obstáculo para a expansão comercial entre as duas nações". Alguns deles, no meio da euforia, preveniam os viajantes que tomassem muito cuidado no Brasil - os motoristas de táxi e de ônibus correm muito, não se deve beber água da torneira e, particularmente em São Paulo, os "trombadinhas" são muito perigosos. Em compensação, os japoneses tomaram conhecimento de algumas características do Brasil através de um programa preparado pela Rede Globo e transmitido pelo canal 8, TV Fuji, contendo cenas da novela "Saramandaia", de jogos de futebol, do carnaval e do "jogo do bicho", que na tradução local foi polidamente rebatizado de "Ioteria de animais".

"Momento de gala" - As reações da imprensa japonesa, no dia-a-dia, foram de resto sendo traduzidas para o inglês e enviadas a Geisel dentro de uma pasta negra preparada por uma empresa de assessoria local. Entre as notícias mandadas ao presidente estava a do tai-fun, o tufão que, depois de devastar o interior, deveria varrer Tóquio justamente no dia de sua chegada - e a ele se referiu o vice-primeiro-ministro Takeo Fukuda, na primeira reunião do Conselho Interministerial, acrescentando ao fenômeno meteorológico o "tufão político". De fato, com a política japonesa em pleno processo de combustão, treze cabeças ministeriais acabavam de rolar, enquanto se anunciava um aumento de 50% nas tarifas dos trens e telefones.

A crise, disse Fukuda, fora contornada - um acontecimento que, coincidência ou não, os japoneses procuraram sempre lembrar como prova de seu empenho na viagem do presidente brasileiro. Todas as eventuais tempestades políticas do país, porém, pareciam definitivamente fora de propósito na manhã de quinta-feira, quando o imperador Hiroíto e a imperatriz Nagako foram ao Palácio Akasaka encontrar Geisel e dona Lucy. Eles avançaram até o meio do jardim por entre as duas filas formadas por 45 soldados com bandeirinhas dos dois países na mão, que flutuavam suavemente no céu limpo de verão - e os dois casais ouviram o hino do Brasil e o do Japão, o Kimigayo.

Depois, todos partiram de carro para o Palácio Imperial, onde o presidente condecorou a imperatriz com a Ordem do Cruzeiro do Sul, a mesma que já havia sido dada ao imperador em 1955. Geisel foi agraciado com o colar da Suprema Ordem do Crisântemo e a primeira dama brasileira com a Ordem Primeira da Sagrada Coroa. À noite, o imperador ofereceu aos visitantes um banquete para 132 pessoas, descrito pelo jornal Mainichi Shinbum como "um momento de gala". Os convidados comeram melão, sopa de ovos e feijão-soja, carne, salada de frutas. Geisel, em seu discurso de agradecimento, lembrou que "o Japão não é apenas uma grande potência econômica. Sua maior riqueza é a disciplina ética de sua gente, sua dedicação à pátria". E fez um brinde ao casal imperial.

Os dois "milagres" - Geisel falaria ainda mais duas vezes durante a visita, uma ao primeiro-ministro Takeo Miki, com quem se encontrou em duas ocasiões, e outra aos industriais reunidos na sede da Keidanren, a Federação das Organizações Econômicas do Japão, no coração de Marunouchi, o solene bairro financeiro de Tóquio. Ao premiê, Geisel disse que "a finalidade do diálogo entre Brasília e Tóquio não se esgota no plano de interesses bilaterais e imediatos; na esfera da política internacional, os dois países encontram motivos reais para o diálogo e entendimentos construtivos". Aos industriais referiu-se ao saneamento da economia brasileira nos últimos anos, usando - como nos outros discursos -

a palavra "racional" para caracterizar a política econômica do governo. Ele demonstrou que faz restrições ao termo "milagre" que costuma ser usado tanto para o Japão quanto para o Brasil - e disse que "indispensável, em ambos os países, foi a tomada de consciência, pelo povo todo, da idéia de desenvolvimento".

Na tarde de sexta-feira, finalmente, o quadro das negociações tornou-se mais claro. Naquele dia, atraindo pela primeira vez a atenção dos jornalistas até então mesmerizados por uma refulgente cornucópia de cifras e projetos, dona Lucy e Amália Lucy foram fazer compras na maior loja de departamentos de Tóquio, a colossal Takashimaya, que fechou suas portas laterais e confinou os transeuntes ao outro lado da calçada. Um pequeno batalhão de jornalistas percorreu, então, três andares da loja, onde dona Lucy comprou brinquedos, Amália Lucy experimentou sapatos e ambas ganharam de presente uma boneca vestida de gueixa. Nos gabinetes de trabalho, porém, continuava-se a fazer somas e a calcular condições.

Os resultados - Na mesma sexta-feira, de fato, com os acordos ainda em andamento, um primeiro balanço dos resultados começou a ser tentado em várias frentes. Sentado em sua suíte do hotel, no 37º andar, contemplando a imensidão de Tóquio sob o sol da tarde, o ministro Shigeaki Ueki fazia uma promessa. "Quando acabar a última reunião, na segunda-feira, vou comemorar com um drinque", disse ele ao enviado especial de VEJA, Almyr Gajardoni. A euforia do ministro se explica pela cifra - 9 bilhões de dólares - de negócios fechados só na área de minas e energia.

Ueki lembrou então que não existem, no mundo, dois países mais distantes, geograficamente, que o Brasil e o Japão. Os japoneses, além disso, têm um estilo que definiu como "muito peculiar" para negociações - isto é, tradicionalmente as decisões são tomadas por um consenso de vários níveis, que pode incluir até mesmo a opinião de um engenheiro nesse ou naquele projeto, tornando todo o processo bastante demorado. Apesar disso, Ueki acha que o quadro das relações entre os dois países é muito promissor. Outro ministro, Reis Velloso, ressaltou que os resultados da semana passada começaram a ser perseguidos há muito tempo - uma antecedência indispensável, quando se trata de Japão.

"Eu mesmo estive aqui em 1971", lembrou Velloso, recordando uma temível, estafante maratona de negociações. "Em menos de cinco dias fizemos mais de cinqüenta conferências." Velloso, como Ueki, lembrou o problema da distância entre os dois países e os progressos feitos nos transportes, com a Companhia Vale do Rio Doce conseguindo reduzir o custo do frete do minério de 12 para 2 dólares por tonelada. E ambos citaram os principais acordos conseguidos até o último sábado:

  • Fornecimento adicional de 250 milhões de toneladas de ferro às indústrias japonesas, nos próximos vinte anos, o valor aproximado de 4,5 bilhões de dólares.
  • Exportação de 6 milhões de toneladas de minério de ferro paletizado, num prazo de quinze anos e no valor de 2,7 bilhões de dólares.
  • Exportação de 255 000 toneladas de celulose branqueada, no valor de 1 bilhão de dólares, em quinze anos.
  • Exportação de produtos agrícolas - especialmente soja, milho e açúcar - no valor de 600 milhões de dólares.
  • Constituição de uma joint-venture entre a Vale do Rio Doce e grupos japoneses, para a construção de uma usina metalúrgica capaz de produzir 320 000 toneladas de alumínio em 1981.
  • Construção da usina de Tubarão (ES), capaz de produzir 3 milhões de toneladas de aço, ao custo de 1,9 bilhão de dólares.
  • Crédito de 110 milhões de dólares à Usiminas para compra de equipamentos japoneses e expansão das instalações.

Com os quatro primeiros desses acordos, o Brasil incluiu-se no restrito círculo de "fornecedores especiais" de matérias-primas ao Japão, formado pelos Estados Unidos, Canadá, Indonésia e Austrália. Era o suficiente para que tomasse forma, junto a alguns brasileiros, um clima de flamejante retórica. O senador Távora, por exemplo, cujo entusiasmo crescia à medida que os dias passavam, dizia no sábado que o governo indonésio estava atacado de insônia - não dorme desde que Geisel chegou ao Japão".

Além da expectativa - Nesta segunda-feira, finalmente, quando termina oficialmente a visita de Geisel ao Japão, será assinado um acordo de cooperação tecnológica entre os dois países - um documento que vinha sendo arduamente negociado desde o dia 15 de agosto, em Tóquio, por uma missão especial chefiada pelo secretário da indústria e tecnologia do Ministério da Indústria e do Comércio, José Walter Batista Vidal. O acordo atualmente em vigor, descrito como "tipicamente paternalista" por membros desta missão, será substituído pelo novo - considerado um dos principais frutos da viagem. Entre outros pontos, ele prevê o desenvolvimento de tecnologias em áreas como a da indústria química (que poderia servir, por exemplo, à central de medicamentos do governo), metais refratários, controle da poluição industrial e tratamento de dejetos industriais.

Em todas essas transações, conforme observam os negociadores, a presença do presidente Geisel foi um fator decisivo, além de ter dado o lastro político que elas exigiam. Velloso, que chega mesmo a admitir uma futura saturação de investimentos japoneses na Ásia, ressalta que no Brasil o quadro é inteiramente diverso em relação a esses investimentos.

Sobre a viagem que agora termina, conclui Velloso: "Afinal, nós conseguimos fazer tudo o que esperávamos e mais alguma coisa".


 
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