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Reportagens 20 de dezembro de 1995Os templos da nova riqueza Marca dos milionários dos anos
Em São Paulo, o banqueiro Joseph Safra está construindo no bairro do Morumbi uma mansão de 130 cômodos e nove elevadores que é muito maior do que o Palácio da Alvorada, onde mora o presidente da República. É provável mesmo que Fernando Henrique Cardoso, um homem tão viajado, nunca tenha visto na vida uma residência com o tamanho e o esplendor da futura mansão dos Safra - com exceção dos antigos palácios da nobreza européia, mas esses palácios estão hoje transformados em museus. Em Belo Horizonte, o empresário Armando Gaudêncio, da confecção Divina Decadência, mora numa casa com pirâmide de vidro no teto e uma Bat-caverna cavada na rocha do subsolo para estacionar seus carros. Uma loucura! Em Goiânia, a família Sebba, que fez fortuna com fabricação e venda de material de construção, ergueu num terreno de 17 000 metros quadrados cinco mansões, numa das quais as pias e torneiras dos banheiros são folheadas a ouro. Mansões como essas são a nova fascinação dos ricaços brasileiros dos anos 90. Por todo o país estão surgindo palacetes de dimensões fabulosas que custam 3,4 até 6 milhões de dólares - preços que rivalizam com os das mansões dos milionários americanos na Flórida. Alguns dos proprietários surpreendem pelo exagero elevado ao cubo. Menino pobre na infância, nas duas últimas décadas o deputado federal Wigberto Tartuce, de Brasília, ganhou dinheiro como empreiteiro. Hoje, ele gasta o que ganhou, com o entusiasmo de um xeque árabe. A casa de 3 000 metros quadrados que construiu no Lago Sul, em Brasília, é um monumento ao novo-riquismo. Ao todo são 64 cômodos, 71 janelas e 91 portas. A casa tem dois andares, mas ele instalou um elevador. Apesar do clima quente do Distrito Federal, a mansão tem uma lareira. Boa parte do piso e das colunas da casa foi feita de pau-brasil, madeira de lei considerada em extinção e que, por isso, não pode ser comercializada. Nos churrascos que oferece às terças-feiras, Tartuce promove jogos de futebol no seu campo de grama cor-de-esmeralda, importada dos Estados Unidos. Como as peladas são à noite, o campo é iluminado por 24 refletores com potência suficiente para iluminar um estádio com capacidade para 50 000 pessoas. O complexo esportivo tem ainda duas piscinas, uma quadra de tênis e sauna para vinte pessoas. Para animar suas festas, que muitas vezes contam com a presença de ídolos da música sertaneja como Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano, o magnata brasiliense montou um palco superequipado. O gosto de Tartuce por coisas exóticas fica evidente nos telefones que ele instalou pela casa. O que fica no quarto do filho, Wiguinho, tem o formato de um helicóptero. As filhas Flávia e Roberta ganharam aparelhos na forma de um sapato de salto alto e do gato Garfield, das histórias em quadrinhos. No resto da casa, ele espalhou telefones transparentes, que quando tocam acendem lâmpadas de néon azul. Na sua sala íntima, há um telão de 100 polegadas e uma cascata artificial. A terceira piscina da mansão do deputado, recém-concluída, é toda de mármore italiano e abastecida só com água mineral. Tartuce diz já ter recebido - e recusado - uma oferta de 8 milhões de dólares pela casa. Um gigantesco toldo abóbora intriga os pilotos dos helicópteros que sobrevoam a região do Morumbi, o bairro onde ficam os casarões mais imponentes de São Paulo. Dentro do esconderijo de lona, centenas de operários estão construindo a futura residência do banqueiro Joseph Safra, dono, junto com os irmãos, do Banco Safra. Casado e pai de quatro filhos, o banqueiro está erguendo uma mansão de cinco andares, três dos quais no subsolo, só para a família. Ao todo, são 11 000 metros quadrados de área construída, 50% a mais do que o Palácio da Alvorada. A futura moradia dos Safra, a maior já construída no Brasil, está avaliada em 11 milhões de dólares, um décimo do valor estimado do Estádio do Pacaembu, em São Paulo. A mansão está situada num terreno de 22 000 metros quadrados, onde antes havia o casarão de Ermelino Matarazzo - a maior casa feita em São Paulo antes de ser posta abaixo para dar lugar às obras do palácio dos Safra. Ainda que esteja construindo a maior e mais cara casa do Brasil, Safra faz questão de que ninguém a veja. Nem os pilotos de helicóptero. Ele não conta aos amigos mais chegados detalhes do que está construindo. Quem já teve acesso à planta diz que a casa foi inspirada no Palácio de Versalhes, sede da corte francesa no século XVIII, onde morou o rei Luís XVI - degolado com a mulher, Maria Antonieta, durante a Revolução Francesa. Pelo que está descrito no projeto, o palácio de Safra terá mais de 130 cômodos, nove elevadores e uma entrada de energia com capacidade suficiente para abastecer uma cidade de 2 000 habitantes. A casa será cercada por quatro guaritas, cada uma com cerca de 40 metros quadrados, tamanho de um apartamento pequeno. Só para a família, haverá sete suítes. Os aposentos do casal, um para José e outro para a mulher, Vicky, serão maiores do que grande parte dos apartamentos de superluxo em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Além de enorme, cada suíte do casal Safra será servida por dois elevadores, um privativo do dono do quarto e outro para a criadagem. O Brasil sempre teve mansões que, além da elegância e da riqueza que exibiam, foram símbolos de suas épocas. O Solar do Unhão, atual Museu de Arte Moderna da Bahia, foi construído no final do século XVI por Gabriel Soares, um dos principais senhores de engenho daquele tempo. No começo do século, o baronato do café espalhou seus casarões ao longo da Avenida Paulista, em São Paulo. Depois deles, vieram os capitães de indústria, cujo principal exemplar, o conde Francisco Matarazzo, construiu um palacete tão vistoso que, na sua gestão como prefeita, a petista Luiza Erundina resolveu desapropriá-lo para fazer um museu, a Casa do Trabalhador. Erundina não construiu o museu, e a casa, hoje em ruínas, é usada como estacionamento. Nem os moradores de Tamboré, um condomínio de alto padrão nas redondezas de São Paulo, fazem idéia de quem é o proprietário da residência mais espetacular que está sendo construída no lugar. A casa do vidro azul, como foi apelidada, tem cinco pavimentos, num total de 4 000 metros quadrados de área construída. Está avaliada em 5 milhões de dólares. Os vizinhos imaginam que ele seja o dono da Natura ou o presidente da Avon no Brasil. Estão errados. O dono da casa azul é um empresário de 42 anos que ficou rico há pouco tempo e, enquanto a nova casa não fica pronta, mora num bairro de classe média em São Paulo. Tem pequenas empresas que fabricam cosméticos, embalagens de vidro e de plástico. O projeto, encomendado ao arquiteto paulista José Lucena, produziu uma imagem magnífica. A casa azul fica no ponto mais alto de Tamboré, cercado por bosques de eucaliptos. A fachada mistura paredes pintadas na cor terracota com muito vidro azul importado dos Estados Unidos. Esparramadas por seus cinco andares, há treze suítes (quatro só para os empregados), 25 banheiros, três cozinhas, uma discoteca, um salão de festas, uma sala de cinema, duas quadras poliesportivas (uma coberta), uma quadra de squash, duas saunas e duas piscinas, ambas aquecidas. O acesso aos cinco pisos é feito por um elevador panorâmico. O hall social, na entrada da casa, lembra o saguão de um hotel cinco estrelas. É enfeitado por uma fonte e por um jardim interno com 55 metros quadrados, onde foram plantadas seis palmeiras imperiais, com mais de 10 metros. Nesse ambiente, o pé-direito tem cerca de 15 metros de altura. O hall divide a residência em duas partes simétricas, uma privativa para o empresário, a mulher e os três filhos, e a outra metade para os hóspedes. Como o dono do palácio de vidro azul recebe muitos clientes do exterior, resolveu alojá-los na própria casa, em vez de pagar um hotel. O mármore que reveste os banheiros e o piso de boa parte da residência foi importado da Itália, da Espanha e de Portugal. Numa das cozinhas foram instalados um fogão a lenha e um forno também a lenha, só para fazer pizzas. Claro, há fogões modernos nas outras cozinhas. Todos os quartos têm banheira de hidromassagem. As venezianas de todos os quartos, inclusive dos empregados, são automáticas, como os vidros elétricos dos carros. O maior requinte da casa azul talvez esteja no seu conteúdo tecnológico. Quase todas as tarefas do dia-a-dia são comandadas por computador, o que se convencionou chamar de casa inteligente. Os computadores regulam a iluminação dentro e fora, a temperatura dos cômodos e das piscinas, a filtragem das piscinas e a irrigação do jardim e das jardineiras internas. Qualquer problema doméstico, como uma lâmpada queimada ou um vazamento de torneira, aparece assinalado na tela de um monitor. Quando acaba o gás numa das cozinhas, o próprio sistema se encarrega de transferir a captação para outro botijão. Além disso, dá um sinal avisando que é preciso fazer a reposição do botijão vazio. Quem irá controlar tudo isso é a governanta. Além dela, trabalharão na casa pelo menos um jardineiro e duas empregadas. Aquela família de Goiânia, os Sebba, é de comerciantes de origem libanesa que começaram a vida com um armazém de secos e molhados. Os tempos duros já ficaram lá no fundo do passado. Hoje, é luxo só. Num condomínio no bairro Marista, eles ergueram cinco mansões de cinema onde vivem os 21 membros da família. Essas casas, que juntas somam 7 800 metros quadrados de área construída, são alegradas por três boates, quatro piscinas, dois campos de futebol e cinco churrasqueiras. Evidentemente, quem tem um feudo assim não pega no pesado. Os Sebba têm mais de sessenta empregados para servi-los. Das cinco mansões, a mais vistosa é a de Judet Sebba, apelidada de "Casa Branca" pela cor e por uma parte de sua fachada, que é arredondada como a da residência dos presidentes americanos. A casa de Judet Sebba tem 1 800 metros quadrados de área construída, com seis suítes e mais de cinqüenta cômodos. Na frente da casa, Judet mandou instalar uma fonte em que a água esguicha pela boca de uma cabeça de leão, uma homenagem ao signo de sua mulher. Dentro, há uma escadaria ligando o primeiro e o segundo piso inspirada na mansão de Scarlet O'Hara do filme ...E o Vento Levou. Nada porém se iguala às pias e torneiras folheadas a ouro nos banheiros. Nesse particular, Judet só se compara ao irmão Gilberto, que importou uma ostra gigante das Filipinas para usar como pia no lavabo da sala de sua casa. Um traço bem atual dessas novas residências está nos equipamentos extras que reúnem. Os endinheirados de hoje montam suas residências como se fossem pequenos clubes. Um pouco é por medo de assalto ou seqüestro. Mas repete-se nesse detalhe o impulso exibicionista de embasbacar convidados com quadras disso ou daquilo, piscinas cobertas e salões de baralho ou sinuca. Quem tem muito dinheiro não faz mais matrícula em aula de aeróbica ou de musculação. Prefere montar uma academia particular em casa. Também não marca mais encontro com os amigos na porta do cinema - convida-os para assistir a filmes na sua própria sala de cinema. Evidentemente, tudo isso é muito confortável e todo mundo ficaria feliz em ter. Mas, quando se chega a construir coisas como danceteria particular dentro de casa, como está ficando comum, aí então já se ultrapassou de longe a linha do simples conforto. "Para essas pessoas, a diferença de 10 000 para 100 000 é apenas de um zero a mais na folha de cheque", diz o corretor paulista Roberto Capuano. Quando esteve no Brasil, em meados da década de 30, o antropólogo belga Claude Lévi-Strauss surpreendeu-se com uma peculiaridade urbana brasileira, diferente de tudo que ele estava habituado a ver na Europa. Ele observou que a transição entre a rua e o interior das casas era tênue. Em vez de muros altos ou paredes que se erguiam de forma abrupta - como na Europa -, as casas brasileiras tinham quintais, varandas e janelas que se abriam para fora. Lévi-Strauss deu aulas na Universidade de São Paulo e escreveu um livro clássico de antropologia sobre a cultura tropical brasileira. Se retornasse hoje ao país e observasse as mansões que os milionários estão construindo por toda parte, certamente teria de rever seus conceitos. As novas mansões servem para manter seus moradores distantes da rua. Servem de quartel, clube de recreação, bunker - e até de residência. São ilhas da fantasia, isoladas do mundo que as cerca. No início dos anos 90, a apresentadora Xuxa Meneghel comprou um terreno de 72 000 metros quadrados, com uma casa dentro, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. A residência foi reinaugurada em março do ano passado, quando Xuxa fez 31 anos, depois de dois anos de reformas. Xuxa não conta quanto investiu, mas construiu no Recreio um miniclube avaliado em 5 milhões de dólares. Entre a casa principal, a de hóspedes, a academia de ginástica e as moradias dos caseiros são 5 000 metros quadrados de área construída. Junto da piscina, da sauna e da quadra de tênis a estrela mandou construir um terraço com uma caixa-d'água abastecida com água do mar e uma bica. Ali ela toma banho com água salgada. Por quê? Porque gosta, ora. Tem também um lago artificial com flamingos, cisnes e patos. A apresentadora entregou a decoração a um profissional, mas depois resolveu montar a casa sozinha. "Tudo o que o decorador colocou lá dentro ela tirou", diz uma amiga. Trouxe móveis e objetos de arte da Argentina e dos Estados Unidos. Todos os cômodos são espaçosos, mas um dos xodós é seu cinema particular, com vinte poltronas. No momento, a apresentadora se prepara para mais uma reforma. Como a quadra de tênis ficou sobrando depois que ela teve um problema na coluna, dois anos atrás, Xuxa vai aproveitar o espaço para construir um estúdio de gravações só seu, equipado com o que há de mais moderno no mundo. Aquela casa com a Bat-caverna, do empresário mineiro Armando Divina Decadência Gaudêncio, está avaliada em 6 milhões de dólares. É um projeto futurista, espetado no ponto mais alto da Serra do Curral, na região nobre de Belo Horizonte. Parece uma construção de filme de ficção científica, um caixote de quatro andares, com 1 200 metros quadrados e fachada recoberta por alumínio polido. Gaudêncio importou boa parte do material de acabamento interno, e a mobília foi comprada na Itália e nos Estados Unidos. O que mais surpreende são as coisas que o empresário inventou do lado de fora. A 10 metros da casa, ele construiu um elevador panorâmico com 22 metros de altura que é ligado a três andares da residência por tubos de vidro. Para fazer a sua Bat-caverna no subsolo, mandou escavar rochas de modo a ter a imitação da garagem do super-herói Batman. O elevador panorâmico começa na Bat-caverna e sobe perfurando a rocha. No teto, ele instalou uma pirâmide de vidro. Nas noites mais agradáveis, quando tem convidados em casa, Gaudêncio aciona o controle remoto e impressiona a visita deslocando a pirâmide para o lado. Outro dado impressionante é o batalhão de empregados necessário para manter essas casas em ordem. "Casas com mais de 1 500 metros quadrados costumam ter, pelo menos, seis funcionários, sem contar a turma da segurança", diz a empresária Maria Laura Bortolai, dona da Help Home, uma empresa paulista que contrata e administra empregados que trabalham para ricaços. Em média, a equipe custa cerca de 4 000 reais por mês. Isso dentro de um padrão econômico. Quando o dono é chegado em mordomias e não olha o preço, então a conta vai às nuvens. Nem todo ricaço gosta de morar em mansões como essas. Alguns preferem a privacidade e a segurança dos condomínios verticais. Para esses, existem os superapartamentos, tão grandes, suntuosos e caros quanto os palacetes térreos. Os apartamentos mais caros ficam no eixo Rio-São Paulo e são chamados pelos corretores de "puros-sangues". O "puro-sangue" mais valioso do país é a cobertura do edifício Villa América, na região dos Jardins, em São Paulo, avaliada em 5 milhões de dólares. É um apartamento dúplex, com 1 300 metros quadrados de área útil, e foi comprado por Albino Bacchi Júnior, dono das lojas de móveis e decoração Artefacto. Mesmo numa capital de porte médio, como Porto Alegre, hoje é possível encontrar apartamentos que valem 2,5 milhões de dólares. É o caso do edifício Georges V, o mais chique da capital gaúcha. Um de seus moradores, o empresário Luís Felipe Osório, dono da empresa de cosméticos Pierre Alexander, ocupa um apartamento de 770 metros quadrados. Em Curitiba, Dinorah Vieira, cunhada do ministro da Agricultura e banqueiro José Eduardo Vieira, mora numa cobertura de 1 700 metros quadrados, no edifício Royal Garden, avaliada em 1,5 milhão de reais. Só a sacada do apartamento tem 40 metros quadrados de área. Entende-se agora por que o ministro José Eduardo nem quer ouvir falar de repartir latifúndios com os sem-terra.
O refúgio dos milionários paulistanos Toda sexta-feira à tarde há uma revoada de milionários paulistas em direção ao interior do Estado. De helicóptero ou carrão importado, eles tomam o rumo de Indaiatuba, cidade na região de Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo. Ali fica Helvétia, um bairro rural, com meia dúzia de ruas asfaltadas e o resto de terra batida. É um lugar protegido por cercas vivas e muros altos que escondem uma das maiores concentrações de mansões e palacetes do país, refúgio de gente conhecida como os irmãos Alcides e Arnaldo Diniz, Ricardo e Carlos Alberto Mansur, a família Souza Aranha, os Bueno Vidigal e os irmãos Pinheiro, donos do banco BMC. REVÓLVER E GARRAFADA - "O pólo é uma paixão. Aqui ninguém consegue falar ou pensar em outra coisa", diz o proprietário de um dos palacetes de Helvétia. O pólo é jogado num campo seis vezes maior que o de futebol. Cada equipe tem quatro jogadores, que disputam a partida em seis tempos de sete minutos. Como os cavalos são trocados a cada intervalo, o jogador precisa ter seis cavalos para entrar no jogo. Ou seja, é um esporte de gente muito endinheirada. Nos torneios mais disputados, os donos dos times mais badalados, como os Diniz ou os Mansur, trazem jogadores profissionais da Argentina e dos Estados Unidos para reforçar suas equipes. Nessas ocasiões, Helvétia vira uma festa, com jantares e churrascos muito concorridos. É por causa desse esporte que até hoje os Diniz e os Mansur não se bicam. Ricardo Mansur, dono de várias empresas, entre as quais os laticínios Vigor e um banco de investimentos, certa vez sacou um revólver contra Alcides Diniz e, em outra ocasião, atingiu a cabeça de Arnaldo Diniz com uma garrafa de água mineral, dentro de uma churrascaria de São Paulo. As duas brigas foram conseqüência de desentendimentos dentro do campo de pólo. "Isso é coisa do passado. Hoje, os filhos deles jogam juntos sem problema nenhum", conta um parceiro de equipe dos Mansur e dos Diniz. A turma do pólo é a mais barulhenta de Helvétia, mas nem todas as propriedades pertencem a pessoas ligadas ao esporte. à medida que o lugar foi ganhando charme colegas da alta sociedade acabaram descobrindo Helvétia e construindo casas de fim de semana. Ali os paulistanos ricos se sentem à vontade para andar a cavalo, fazer caminhadas e deixar os filhos passear de minibuggy. No local onde eles construíram seus casarões o bairro parece uma zona de segurança. Muitas casas são protegidas por guardas armados e a Polícia Militar coloca viaturas para circular constantemente por ali, mesmo durante a semana, quando a turma do pólo está trabalhando em São Paulo. |
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