| |
17 de março de 1971
Universo em expansão
A boa renda para aumentar a receita
"Ninguém será isento de contribuir
para as despesas do estado em proporção dos seus haveres".
(Constituição Imperial de 1824)
Foram 7 milhões e pouco o ano passado.
Serão outros tantos milhões de declarantes este ano.
Um deles comenta: "É duro a gente ter mulher, dois filhos
um país para sustentar". Renato Côrte Real, com
suas tiradas engraçadas, ganha a vida e paga o imposto de
renda. E os demais, pensarão da mesma forma? Ademir Basílio,
42 anos, casado, três filhos, operário em São
Paulo, salário de 600 cruzeiros por mês, sorri e responde
compenetrado: "Imposto de renda é uma medida certa pela
qual o governo tira daquele que ganha mesmo. É igual ao dízimo
na igreja evangélica". E acrescenta: "Ouvi dizer
que segredo do sucesso dos Estados Unidos foi o Fisco". Mas,
mesmo lá, esse tributo dividiu opiniões. Criado em
1864 por causa da Guerra de Secessão, ele foi considerado
inconstitucional por pressão popular e deixou de existir
quando a guerra acabou. Só ressurgiria 50 anos depois, em
caráter definitivo. Atualmente, representa mais de 70% da
receita nacional. Na tentativa de seguir o exemplo, o Brasil - onde
o imposto de renda foi instituído em 1924 -vem adotando providências
para aumentar seu percentual, que foi de apenas 27% no ano passado.
A liderança do imposto de renda na composição
da receita brasileira permitiria uma metódica e razoável
redução dos chamados impostos indiretos. Como o IPI,
imposto sobre produtos industrializados, que onera a todos por igual,
ricos, remediados ou pobres. Uma igualdade que atinge, às
vezes, os próprios produtos de consumo: a tributação
é quase igual para a cerveja e o uísque. O que não
acontece com o imposto de renda, que incide sobre cada um segundo
suas posses e exerce, paralelamente, a função de redistribuidor
da riqueza. Por isso, "é o imposto dos impostos",
garantem alguns. "A longo prazo deve se constituir no imposto
básico da nossa estrutura tributária", afirma
Adilson Gomes de Oliveira, chefe de grupo do de Política
Tributária, da Secretaria da Receita Federal. Será,
pois, por seu intermédio que o governo tentará aumentar
a receita sem aumentar a carga tributária. Pois no universo
do imposto de renda há sempre lugar para um contribuinte.
E, "onde todos pagam, todos pagam menos".
A nova mentalidade
Em 1965, somente 354 000 pessoas apresentaram
sua declaração. Em 1970, esse número multiplicou-se
por 20. É o resultado da luta empreendida pelo Fisco para
desencorajar certas atitudes inibidoras da taxa de crescimento contribuintes:
a sonegação, a omissão e até mesmo a
ingênua ignorância de que existe algo chamado imposto
de renda. Nessa batalha, a ação fiscal, como lembra
Guy de Oliveira Lima, da Assessoria de Estudos, Planejamento e Avaliação
da Receita Federal, "não seguiu esquemas policialescos
ou folclóricos". A eficiência operacional da máquina
fiscal, prevista como um dos itens do Plano Geral de Administração
dos Tributos Federais - Plange, está sendo alcançada
com a introdução de modernas técnicas de racionalização
do trabalho, acompanhada de atualização da infra-estrutura
administrativa, quer no setor de material, quer no de pessoal.
Por esse caminho procurou-se fechar para
a população economicamente ativa as portas que possibilitariam
a evasão do imposto de renda. Colocado, assim, diante da
única saída disponível, que é a de declarar
e eventualmente pagar o tributo correspondente, o contribuinte irá
perceber que o Fisco não o espera como uma fera pronta para
devorar o animal acuado. Na verdade, por trás das providências
imediatas, a ambição das autoridades é maior
e mais complexa: a de melhorar as relações entre o
Fisco e os contribuintes. Um assessor de Amílcar de Oliveira
Lima, secretário da Receita Federal, dizia que na reforma
implantada na máquina tributária podia se sentir a
"marca de formação humanística do seu
autor" - o próprio Amílcar, formado em ciências
sociais na França. Segundo esse informante, "hoje o
contribuinte é tratado como uma unidade tributária
e não como aquela imagem picassiana, que é retalhada
entre os diversos departamentos". Amílcar mesmo reconhece
que antes da reforma o contribuinte olhava o Fisco com raiva, temor
e desconfiança. E acha que o Fisco até gostava de
ser olhado dessa maneira aterrorizante. "Nós quebramos,
acredito que positivamente, essa barreira de gelo e terror",
afirma ele, "levando ao contribuinte uma mensagem nova do imposto
que deixava de ser simples instrumento para atender os gastos estatais,
e sim para financiar o desenvolvimento".
É inegável, porém,
que a mudança se processou de parte a parte. O professor
Gilberto de Ulhoa Canto, que participou da comissão elaboradora
do Código Tributário Nacional, se lembra do tempo
em que o imposto de renda era uma instituição nebulosa:
declarava-se ou não se declarava renda, pagava-se ou não
se pagava o imposto. O risco era apenas teórico. "Não
ficava bem ao faltoso confessar aos seus amigos mais puritanos que
ele era um sonegador", comenta o professor, "mas em muitos
círculos, até bem conceituados, sempre era uma atração
a narrativa de uma sonegação bem-sucedida". Ele
identifica, também, numa geração registrada
antes da implantação do atual sistema tributário.
Na época em que a inflação oscilava em níveis
elevados, não se tinha confiança na estabilidade das
instituições e da estrutura financeiro-econômica
do país. "Essa inflação desenfreada de
antes de 1964, contra a qual o governo não se preocupou em
fazer alguma coisa, foi um estímulo que, se não justifica,
pelo menos explica o fato de ter sido a sonegação,
durante muitos anos, um estado de espírito comum do empresário,
do profissional liberal ou de quem, em suma, exerce funções
remuneradas no país". Gilberto de Ulhoa Canto cita,
a propósito, a afirmação do economista Alexandre
Kafka, do Fundo Monetário Internacional, de que se o empresário,
naquela ocasião, não tivesse sonegado impostos, intensa
e sistematicamente, teria sucumbido.
O inimigo persistente
Mário Amato, 52 anos, casado, três
filhos, vice-presidente da Fiesp-Ciesp (Federação
e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), dirigente
de várias empresas (entre elas a Drury's) também se
recorda do tempo em que era generalizada a idéia de sonegação
como meio de sobrevivência. "Agora, porém",
afirma ele, "uma vez que o governo deu a reavaliação
do ativo e está reduzindo pela primeira vez o ICM (Imposto
sobre Circulação de Mercadorias), chegamos a uma conclusão:
o imposto de renda deve ser encarado como patriotismo. Porque, hoje,
ele dá condições de pagamento e de sobrevivência".
E vai mais longe no seu raciocínio. Acredita mesmo que já
há uma consciência de que o imposto de renda não
é um castigo, mas um prêmio, "pois só pode
pagar aquele que ganha; ele está sendo premiado na sua capacidade".
Embora expresse desse modo o seu otimismo, Mário Amato não
tem dúvidas de que a sonegação ainda existe.
Este é um ponto manso e pacífico.
Mário de Oliveira Marques, superintendente regional da Receita
Federal, em São Paulo, compara a sonegação
à prostituição e ao contrabando: sempre existiu.
"Eu duvido", acrescenta ele, "que se possa eliminar
totalmente a sonegação, em todos os países
ela tem seus cultores". Harry Schuller, chefe do setor de Fiscalização
da Receita Federal, contudo, não pretende dar-lhes tranqüilidade.
Há toda uma estratégia de trabalho e de tecnologia
moderna para se chegar até o mais hábil e imaginativo
sonegador. Seria uma questão de tempo.
Aceitam-se críticas
Esse rigor, no entanto, não será
aplicado contra o contribuinte sem instrução, que
não compreende bem a legislação fiscal. Para
ele, Schuller informa que o tratamento a ser dispensado será
complacente. Poderá dispor de orientação, campanha
educativa, plantões fiscais e todos os meios disponíveis
para cumprir sua obrigação. Inaceitável para
o chefe da Fiscalização é a alegação
de que a lei do imposto de renda é injusta. Trata-se de um
ônus que a sociedade civilizada deve arcar para tornar a vida
mais fácil de ser vivida, para que o governo possa construir
estradas, abrir escolas, cuidar da saúde pública,
estimular o desenvolvimento. Isso não significa, no seu entender,
que se deseje "um contribuinte bitolado, subjugado; queremos
um contribuinte ativo, que pense". As portas da Receita Federal,
ainda segundo ele, estão abertas para o diálogo em
que o contribuinte se defenda honestamente das distorções
legais, ajudando a tornar o imposto de renda cada vez mais justo
cada um pagando efetivamente em função do seu ganho.
As possibilidades de um entendimento só estarão vedadas
para os que insistem em não pagar os impostos devidos, tentando
ludibriar o Fisco.
Casado, sete filhos - o que durante
algum tempo lhe garantia não ter imposto a pagar além
do descontado na fonte -, André Franco Montoro, 54 anos,
eleito senador pelo MDB de São Paulo, nas últimas
eleições, não tem dúvidas de que o imposto
de renda é o mais justo dos impostos. Mas, como deputado,
defendeu sempre a tese de que salário não é
renda: "Consegui incluir na legislação o preceito
de que os limites para pagamento do imposto sejam fixados na base
do salário mínimo e de que, até limites razoáveis,
salário não é renda. Em regra, o chefe de família
só começaria a pagar imposto a partir de uma renda
de cinco salários mínimos. Abaixo disso, ele não
teria capacidade para contribuir". Todavia, o senador entende
que a evolução do salário mínimo tem
sido marcada por uma redução progressiva em termos
reais e a conseqüência é o rebaixamento, na prática,
desse teto. "Por isso", afirma ele, "pode-se dizer
que o imposto de renda atualmente comprime o contribuinte de menor
renda, o assalariado em geral". E para acabar com essas distorções
sugere um princípio, formulado em termos bastante simples,
para orientar a política do imposto de renda: "Quem
mais pode mais paga, quem pode menos paga menos, quem não
pode não paga". Pessoalmente, vivendo de seus proventos
de parlamentar e professor de Direito, e tendo ainda dois de seus
sete filhos como dependentes, o senador diz que, "como a maioria
dos contribuintes, acho que pago muito imposto proporcionalmente
ao que recebo".
Paulo Vellinho, 43 anos, presidente em
exercício da Federação das Indústrias
do Rio Grande do Sul, concorda em parte com o senador Franco Montoro:
"Acho que pago o justo imposto de renda, mas entendo que as
pessoas de rendimento baixo pagam demais, enquanto os que ganham
mais pagam menos do que deveriam".
Bem mais moço que o senador e o
empresário gaúcho, Sérgio Amaro de Lolio, paulista
de 25 anos, casado, um filho de três meses, gerente da Divisão
de Operações da Corretora Itaú, fala com a
mesma desenvoltura sobre o imposto de renda, do qual é contribuinte
desde 1967. "O imposto de renda tem de existir, não
há escapatória", afirma ele. "Mas acho errado
não poder deduzir os gastos com aluguel e remédios.
Por outro lado, acho que, na minha faixa, o imposto é muito
alto e os descontos por dependente abaixo da parcela real de gasto".
De qualquer modo, sua impressão é que o imposto melhorou,
porque a imagem do governo melhorou: "Você está
pagando mas está vendo que o dinheiro vem sendo aplicado.
Há um melhor desempenho do dinheiro".
Coexistência pacífica
Para o secretário da Receita Federal
não é possível julgar, objetivamente, se o
imposto de renda é alto ou baixo. "Eu tenho as minhas
idéias pessoais sobre o problema", afirmou Amílcar
de Oliveira Lima ao repórter de VEJA, Ismar Cardona. "Há
uma série de variáveis aí que não são
comparáveis. Para se saber se uma carga tributária
é mais forte ou mais pesada, depende-se, em grande parte,
de seus próprios níveis de rendimento, da estrutura
de distribuição de renda do país, e, depois,
do grau de eficiência do governo". Mas ele entende que,
se o contribuinte sente estar o governo conseguindo um razoável
índice de aplicação e retorno em benefícios
sociais ou econômicos do dinheiro arrecadado, é bem
provável que não considere a carga tributária
pesada. Numa comparação com a tabela progressiva nos
Estados Unidos, o secretário da Receita Federal explica que,
naquele país, ela se inicia com 5% e termina em 70%, ao passo
que a tabela brasileira vai de 3% a 50%. "Então eu poderia
dizer", conclui ele, "desse ponto de vista, que o nosso
contribuinte é menos onerado, ou seja, ficam maiores disponibilidades
em suas mãos, isso sem contar com os incentivos fiscais".
Fábio Fanucchi, professor de Direito
Financeiro em São Paulo, entusiasta dos incentivos fiscais
no imposto de renda, diz que eles estão ensinando o brasileiro
a fazer economia. "É como dar um doce a uma criança
para que ela sinta o gosto e veja que é bom". Com 54
anos, casado, dois filhos e dois netos, Brenno Andrade, diretor
da Brasa, revendedora Volkswagen, praticamente descobriu o mundo
dos investimentos pelas mãos do imposto de renda. E está
satisfeito. "Além dos rendimentos da aplicação
e do desconto no imposto", diz, "houve um decréscimo
na taxação pela mudança da alíquota".
Mas nem todos os contribuintes experimentaram
o sabor do doce como Brenno. Conta José Luís Moreira
de Souza, empresário financeiro do Rio: "Setenta a oitenta
por cento das pessoas que procuraram a nossa empresa no ano passado
para apresentar declaração não sabiam do significado
do Decreto-Lei 157. Aproximadamente 40% dos que podiam não
se valeram do incentivo. Houve até alguns casos, poucos,
é verdade, de pessoas que conscientemente deixaram de aproveitar
o benefício por razões ideológicas: não
desejavam colaborar com o capitalismo".
Aliado ao incentivo fiscal, o governo usou
de outra arma eficiente para motivar os declarantes. A simplificação
no cumprimento da tarefa, com a entrega do formulário e folhetos
explicativos na própria residência do interessado,
e sua devolução, devidamente preenchido, através
da rede bancária.
Ficam eliminadas, desse modo, as penosas
e quilométricas filas, suficientes para desanimar o mais
abnegado dos contribuintes. Não é sem razão
que o mineiro Eduardo Gonçalves de Andrade, 24 anos, o tricampeão
mundial de futebol "Tostão", costuma dizer que
a situação do contribuinte hoje, é melhor do
que antes. Considerado pelas próprias autoridades um disciplinado
cumpridor de suas obrigações para com o Fisco, ele
declara: "Pago imposto de renda há seis anos e a tendência
é melhorar cada vez mais. Atualmente, os modernos processos
de recolhimento e de computação já superam
os antigos problemas burocráticos. E os que ainda existem
vão desaparecer logo". A clareza e convicção
com que expressa seu pensamento só se torna mineiramente
cautelosa quando lhe perguntam quanto irá pagar este ano
de imposto. "Não dá para calcular", responde
sorrindo. E quanto pagou o ano passado? De novo o sorriso e a mesma
resposta reticente: "Com toda essa história de deduções
e tal, não me lembro mais".
Mas o carioca Millôr Fernandes, embora
considere "do ponto de vista social, a cobrança do imposto
de renda fundamental", acha que a coisa ainda é muito
complicada. "Exige-se demais da pessoa física. No meu
caso, eu proporia um acordo entre mim e o Fisco: eles descontariam
pura e simplesmente 20% de tudo aquilo que eu recebesse. Isso evitaria
um montão de aborrecimentos". Na Receita Federal, essa
proposta pode ser encarada até com muita seriedade. Um projeto,
já anunciado pelo ministro da Fazenda Antônio Delfim
Netto, tem pontos de semelhança com a idéia do Millôr:
é o do pagamento antecipado do imposto de renda, conhecido
por "pagamento em bases correntes". Basicamente, funciona
assim: num determinado mês - que pode ser janeiro ou fevereiro
-, o contribuinte apresenta uma estimativa de seus rendimentos ou
renda para os 12 meses subseqüentes. Sobre essa estimativa,
ele começaria a pagar o imposto imediatamente, na base de
1/12. Durante esse período, se a estimativa se alterar em
mais de 20% ou 30%, o contribuinte terá de reformular a sua
previsão. De qualquer forma, no fim do ano, haveria um acerto
de contas, para saber se a renda ou rendimento efetivamente recebido
correspondeu exatamente à estimativa. Uma alternativa para
o sistema seria o chamado de autolançamento. A cobrança
seria também por estimativa, tomando-se por base a declaração
do ano anterior, com pequeno acréscimo. O que se pode afirmar
por ora, segundo os técnicos da Receita Federal, é
que não se chegou ainda a nenhuma conclusão sobre
qual dos dois sistemas será adotado. Mas o pagamento do tributo
no próprio exercício é uma idéia já
aprovada.
Essa preocupação do governo
em facilitar ainda mais o sistema de arrecadação do
imposto revela os esforços que vêm sendo desenvolvidos
para que no relacionamento Fisco-contribuinte passe a imperar uma
confiança cada vez maior. Prova disso é o fato de
que o Fisco vem procedendo à imediata restituição
do imposto pago a mais, fiando-se na declaração do
contribuinte, antes que os dados ali registrados tenham passado
por uma rigorosa análise.
O orgulho da estréia
Além do contribuinte atual, o Fisco
procura, desde já, conquistar a simpatia dos que serão
em breve habitantes do universo do imposto de renda. Nas escolas
primárias e nos ginásios, livretos como "Dona
Formiga, Mestra Tatu e o Imposto de Renda", de Cecília
Lopes da Rocha Bastos, e concursos de redação e desenho
procuram despertar o interesse das crianças para a existência
de um tributo importante para o desenvolvimento econômico
do país e para a administração pública.
O paranaense César Guimarães Rodrigues, de dez anos,
assimilou bem a mensagem. Na redação com que venceu
o concurso promovido pelo Ministério da Fazenda, ele diz
que "o governo está nos ensinando que quando cada um
dá um pouco do que tem, estamos despertando o grande gigante
que é o Brasil. Por isso é que a dia temos mais escolas,
hospitais, rodovias e os brasileiros do norte ao sul podem gozar
de progresso e alegria. E é através do imposto de
renda que a gente se dá as mãos e faz uma arrancada
pra frente". Como que para ilustrar essa redação,
a menina Flávia dos Santos Jotha, de Niterói, circundava
o mapa do Brasil com inúmeros bonequinhos mãos dadas,
num desenho que vencia o concurso infantil de cartaz do imposto
de renda.
Com o mesmo entusiasmo desses dois meninos,
vencedores de concurso, a universitária Maria da Graça
Barreto, de dezoito anos, solteira, auxiliar do Departamento de
Pessoal da Sabrico, em São Paulo, espera o momento de fazer,
pela primeira vez, sua declaração de rendimentos.
Mas garante que não terá problemas. Como funcionária
do Pessoal, já no ano passado ela ajudou outros empregados
a preencherem o formulário. Em todo caso, a emoção
da estréia não faltará. Seus olhos parecem
brilhar e há uma ponta de orgulho quando ela confessa: "É
tão emocionante fazer a declaração, porque
a gente depois recebe um cartãozinho (CIC - Cartão
de Identificação do Contribuinte) e se sente uma pessoa
fazendo parte da sociedade".
|
|