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16 de dezembro de 1992
O trono detonado

A separação oficial de Charles
e Diana estremece a linha de
sucessão ao trono: ele pode renunciar
e deixar o filho como herdeiro

Inglaterra, ano de 2006. Depois de um longo reinado e 80 anos muito bem vividos, a rainha Elizabeth despediu-se das dores e glórias desse mundo com todas as honras. O país lamentou e vestiu luto durante alguns meses, mas agora todos os olhos estão voltados para a abadia de Westminster. Dois bilhões de pessoas no mundo inteiro sentam-se diante de suas TVs de alta definição, esperando para ver a cerimônia em que Charles, o novo rei, será ungido com óleos santos e solenemente coroado. Aos 58 anos, barriguinha pronunciada e calvície em estado avançado, destacando ainda mais as feições de jabuti e as orelhas de abano, ele chega na sua carruagem. Em seguida, de condução eqüestre própria, vem Diana, a rainha consorte, bela como sempre na maturidade de seus 45 anos. Os dois mal se olham durante a cerimônia, assistida discretamente por Camilla, a quase sessentona favorita do rei, e um dos morenões bem-apanhados que Diana tem sempre ao alcance dos olhos azul-piscina. Terminada aquela chateação toda, cada um vai festejar, com as respectivas cortes, no seu canto no Palácio de Buckingham.

Dá para imaginar? Não dá. E por isso que a separação oficial de Charles e Diana, anunciada pelo primeiro-ministro John Major na quarta-feira passada, não foi recebida apenas como o fim previsível de um casamento que só existia como farsa. Ao contrário dos mortais comuns, que brigam pela partilha de bens e pela guarda dos filhos, mas zeram a conta quando assinam os papéis do divórcio, Charles e Diana não podem seguir cada qual para o seu lado. A separação também não é apenas mais um desses shows de vulgaridade que celebridades de diversas latitudes costumam encenar, e logo são esquecidos em favor de um escândalo mais apimentado. Em Londres, estão em jogo um trono e o futuro da monarquia britânica, uma instituição de mil anos. Não é uma crise tão grave quanto a de 1936, com a abdicação do tio-avô de Charles, Edward VIII, para poder se casar com a amante, a americana divorciada Wallis Simpson, mas chega perto. Naquela época, o primeiro-ministro Stanley Baldwin chegou a ameaçar o rei: se ele insistisse no casamento, o gabinete renunciaria. Charles ainda não é rei, Elizabeth II está forte e sacudida, nunca pensou em abdicar em favor do filho - e agora menos ainda. O problema, no entanto, está criado e tão cedo não se resolve.

ATA DA TRAIÇÃO - O que acontece quando o herdeiro do trono e sua mulher se separam, provavelmente caminhando para o divórcio? Ele pode se casar de novo? Ser rei e Defensor da Fé, um de seus títulos como chefe da Igreja Anglicana (que não aceita o divórcio)? Ter outros filhos? E ela, a mãe amantíssima do próximo monarca? Fica para escanteio? Insufla o herdeiro William contra o pai, como é da natureza humana? É coroada rainha consorte mesmo sem compartilhar mais nem os salões nem a cama real? Continua usando as jóias da família dele?

Ninguém sabe. Na Inglaterra, berço da mais antiga carta de direitos do cidadão do mundo - a Magna Carta, de 1215 -, não há Constituição. As leis são tanto escritas quanto respeitadas apenas pela tradição, motivo pelo qual os peritos em jurisprudência agora ocuparam o lugar de destaque antes reservado aos especialistas em distúrbios conjugais. "Os príncipes não têm planos de divórcio e sua posição constitucional não é alterada", dizia a declaração oficial lida por Major em sessão no Parlamento. Nem uma coisa nem outra é verdade. A sensação de incredulidade ficou mais clara ainda quando Major afirmou não existir motivo algum para que "a princesa de Gales não seja coroada rainha no momento devido".

Os conservadores mais furibundos já pulairam na alva garganta da graciosa princesa. "Se Diana fosse coroada rainha, isso destruiria a monarquia. Seria intolerável", vociferou o parlamentar Tony Marlow. Mesmo com toda sua popularidade, desta vez a opinião pública também está contra a princesa: 80% das 500 pessoas consultadas numa pesquisa do jornal The Daily Mirror disseram que ela não pode mais ser rainha. Cinqüenta por cento acham que Charles perdeu a vez no trono. Na prática, a separação de fato abre um leque de possibilidades que parece não ter fim - a começar pela vida amorosa de Charles e Diana daqui por diante. Ele, aos 44 anos, e ela, aos 31, vão renunciar para sempre à idéia de se casar de novo? Ainda que o fizessem, seria possível manter romances na surdina, perseguidos eternamente pelos impiedosos repórteres da imprensa sensacionalista? Parece piada, mas o jornal Daily Express lembrou, com toda a seriedade, que qualquer homem que se tornasse amante de Diana poderia ser condenado a morte, segundo a Ata da Traição, de 1351. Charles, evidentemente, não está submetido a tais rigores - só não pode ter uma amante oficial. Dificil é definir o que venha a ser uma amante oficial.

RAINHA CASSADA - Pelas leis canônicas, garantem alguns especialistas, o príncipe tem direito ao trono mesmo sendo separado, ou até divorciado. A única exigência absoluta da Igreja Anglicana, nascida do cisma com o Vaticano, é que o monarca "não seja católico romano nem casado com uma católica romana". É uma ironia que a Igreja criada por Henrique VIII, no século XVI, justamente para poder se separar da primeira mulher, Catarina de Aragão, e tentar um herdeiro homem com Ana Bolena (que já estava grávida, mas de uma menina, a futura Elizabeth I, a mais notável rainha da Inglaterra), seja contra o divórcio.

O casamento, diz a lei canônica, significa esposar uma pessoa, com exclusão de todas as outras, para o resto da vida. Na qualidade de supremo governador da igreja, o monarca tem uma responsabilidade especial diante desse preceito. O único precedente parecido, até hoje, foi o do rei Jorge IV - e não tem nada de auspicioso. Casado em 1795 quando ainda era príncipe com uma prima alemã, Carolina de Brunswick-Wolfenbuttel, para descolar uma pensão maior do Tesouro, acredita-se que Jorge só dormiu com ela uma única vez, na noite de núpcias. Os dois se odiavam. Ela foi morar às margens do Lago de Como, onde se amasiou com um "italiano de baixa extração". Quando Jorge, que vivia com a amante fixa com a qual teve dez filhos, subiu ao trono, Carolina voltou disposta a assumir seus direitos. Jorge baixou um decreto para dissolver o casamento e cassar-lhe "o título, as prerrogativas, os privilégios e as isenções de rainha consorte" - mas voltou atrás, diante da oposição da Câmara dos Lordes. A rainha cassada chegou a ser impedida de entrar na abadia de Westminster no dia da coroação (até que o cenário hipotético do ano 2006 não parece tão absurdo assim) e resolveu a pendenga, morrendo dezenove dias depois.

"Com a separação, fica muito difícil Charles assumir o trono", afirmou na semana passada o político conservador Anthony Coombs. "Caso haja um divórcio, fica extraordinariamente difícil." Se quiser se casar de novo, Charles tem de comunicar ao Conselho Privado, o organismo que assessora o monarca em decisões formais, com dois meses de antecedência - e assim mesmo se nesse período as duas Câmaras do Parlamento não manifestarem desaprovação. Pelo clima vigente na semana passada, é difícil que isso aconteça. Exceto se ele abdicar, como Edward VIII, que era pró-nazista na política e masoquista na cama, fez em 1936. Não é nada impossível.

"O príncipe de Gales muito provavelmente vai anunciar que não quer ser rei", garante Harold Brooks-Baker, editor do Burke's Peerage, o mais completo guia da nobreza britânica. A saída já vinha sendo especulada desde antes da separação oficial: Charles renuncia, e seu filho William assume automaticamente o lugar de herdeiro presuntivo da coroa. Se Elizabeth tiver herdado os genes longevos da mãe, que está com 92 anos e nunca dispensa um gim-tônica, haverá tempo suficiente para que o menino de 10 anos cresça e suba ao trono em idade adequada. Até agora, ele tem como único deslustro na biografia o castigo severo que levou no colégio interno por ter enfiado a cabeça de uma coleguinha num vaso sanitário e tentado dar a descarga. Caso a rainha morra antes do previsto, Andrew, seu segundo filho, assume como regente até que o príncipe herdeiro chegue à maioridade.

CORTE RIVAL - A monarquia inglesa tem uma longa história de sucessões tumultuadas, com rainhas inférteis, pelo menos dois reis homossexuais (Jaime I e Eduardo II, que acabou deposto e depois assassinado, empalado com um ferro em brasa, na confusão causada por um de seus ambiciosos amantes), decapitações, encarceramentos, traições, complôs e até guerras - e sobreviveu a tudo isso. No baixo-astral que se estendeu na semana passada como a nuvem cinzenta que paira eternamente sobre as Ilhas Britânicas, é compreensível que um especialista como Brooks-Baker resmungasse: "Isso é o começo do fim da monarquia". De fato, a monarquia repousa sobre uma delicada estrutura, composta igualmente de tradição e apoio popular. "Se Diana estabelecer uma corte rival, com celebridades do show business freqüentando sua mesa, não vai apenas ofuscar Charles. Vai privar o rei da autoridade e da popularidade, que são pré-requisitos para um monarca bem-sucedido", analisa Anthony Holden, biógrafo do príncipe.

Parece exagero. Mas e se for verdade? O que o mundo perde com isso? Para a imensa maioria da humanidade, que só tem memória de regimes republicanos, soa como um resquício medieval, arcaico e até tolo botar uma coroa na cabeça de um homem ou uma mulher, escolhidos unicamente porque nasceram de quem nasceram, e pretender que "representam" uma nação moderna. Quem se importaria com o fim da monarquia exceto os vendedores de bugigangas bregas com a cara de membros da família real?

REFORÇO DE MESADA - Os ingleses se importariam, e muito. Eles adoram sua realeza. Para eles, a realeza se confunde com a idéia de nação. Tanto que, no casamento de Charles e Diana, as multidões que os viam passar pelas ruas de Londres gritavam "England! England!" Se no Brasil a seleção de futebol é a pátria de chuteiras, para os britânicos a realeza é a pátria de coroa. A monarquia representa a continuidade e a tradição do país, apesar de a família real não exercer nenhum poder político efetivo. A realeza representa o poder nacional, e, nesse aspecto, trabalha bastante. Só no ano passado, a família real (Elizabeth, sua mãe, a irmã, o marido, os filhos e consortes, quando os tem, e os primos em primeiro grau da rainha, os Kent e os Gloucester) compareceu a 3.720 compromissos sociais. Os royals, como são chamados, visitam hospitais, asilos, creches. Inauguram escolas, fábricas, aeroportos. Assistem a premières de espetáculos e presidem jantares beneficentes. Apertam dezenas de milhares de mãos, plantam árvores, cortam fitas e promovem produtos britânicos nas viagens ao exterior. Tudo a pedidos - entusiasmados.

Qualquer evento, por mais banal que seja, ganha um brilho especial com a presença de um royal. É difícil imaginar emoção patriótica maior na vida de um súdito inglês do que ser convidado para uma garden party da rainha, a festa nos jardins de Buckingham em que se servem chá, limonada quente e sanduíches de pepino.

Se os ingleses não quisessem mais a monarquia, bastaria que sua abolição fosse votada no Parlamento. Nessa hipótese, a própria rainha já disse "nós iremos embora calmamente". Elizabeth, é claro, não tem a menor intenção de ver esse dia chegar - e por isso soa muito verdadeira a declaração de que estava "profundamente triste" com a separação de seu herdeiro. O que não se disse é que ela estava também furiosa, tanto com a separação quanto pelas condições em que foi feita.

Foi a desgraça final do "annus horribilis" mencionado pela rainha há três semanas - um ano em que a opinião pública passou a exigir que ela pague impostos (ela vai pagar), a separação de Andrew se confirmou quando Sarah Ferguson foi flagrada de topless, com o amante texano lhe chupando o dedão do pé esquerdo, o casamento de fachada de Charles e Diana naufragou de vez e o Castelo de Windsor pegou fogo. Mas "horribilis" mesmo foi ceder às exigênclas de sua nora mais famosa. Tudo que Diana quis, a começar pela separação, Diana conseguiu. Talvez seja este o verdadeiro conto de fadas dessa história toda. Ela ficou com os filhos, com um palácio (o de Kensington, onde já mora), manteve o título e os privilégios, vai continuar com as atividades públicas, que lhe rendem prestígio incomparável, terá o seu próprio corpo de funcionários especializados e ainda um reforço na mesada bancada por Charles para sustentar isso tudo - provavelmente mais uns 600.000 dólares por ano. Charles fica com a mansão de campo de Highgrove, pertinho da casa da amante, Camilla Parker-Bowles. Quando estiver em Londres, instala-se na casa da avó, a Clarence House.

'MENINA CANSATIVA' - "As condições foram todas ditadas por Diana", garante um informante ligado ao palácio. É impressionante. A "boboca total", segundo a definição do escritor John Pearson, da época do casamento do século, a mocinha virginal de sorriso tímido e intelecto reconhecidamente limitado, virou uma mulher capaz de dobrar a sogra, uma jararaca que em seus quarenta anos de reinado conheceu nove primeiros-ministros, obtendo o respeito - quando não o temor - de todos eles. "A vida ficou mais difícil depois que essa menina cansativa apareceu", comentou certa vez Elizabeth. No braço de ferro entre sogra e nora, que nunca se bicaram, Diana, a tolinha preocupada com chapéus e vestidos, venceu Elizaheth Alexandra Mary Windsor, descendente de Guilherme, o Conquistador. "Ela revelou-se uma mulher de vontade e habilidades inesperadas", comenta Pearson, para acrescentar, com todo o veneno do insuportável preconceito de classe que existe na Inglaterra: "É muito engraçado que esta menina, considerada no passado absolutamente inofensiva pela família real, tenha se comportado como uma caixeirinha ambiciosa".

MADRASTA ODIADA - Segundo Andrew Morton, o jornalista e autor do livro Diana: Sua Verdadeira História, que precipitou a crise final no casamento, o acordo inicial de separação, amistoso, feito pelo casal infeliz foi detonado pelos sogros. Elizabeth e Philip exigiram que Diana se comprometesse a abandonar as atividades públicas. Se se casasse de novo, teria que deixar a Inglaterra, e os filhos. Charles encontrou-se com a mãe pela primeira vez, para discutir a separação, no dia 12 de junho. Elizabeth comentou que Diana era mesmo "temperamentalmente inadequada" para ser rainha, mas mandou o filho esperar. Três dias depois aconteceu o segundo encontro, desta vez entre a rainha, o marido, o filho e a nora. Philip estava furioso. Elizabeth, gelidamente objetiva. Propôs que o casal, separado na prática - expressão que passa pelo leito conjugal - pelo menos desde 1987, desse um tempo de três ou até seis meses.

Não tinha mais jeito. No fim, os bem informados sobre os meandros da Casa de Windsor acreditam que Charles foi quem quis encerrar o assunto - e por isso Diana conseguiu impor suas condições. Agora que o conto de fadas, segundo o clichê infindavelmente repetido, acabou, todo mundo está concluindo que não podia mesmo ter dado certo. "Ambos tiveram infância difícil e precisavam do tipo de apoio emocional que nenhum dos dois podia dar para o outro", teoriza William Ress-Mogg, ex-editor do Times. Põe infância difícil nisso. Antes mesmo de ser gerada, Diana Spencer já era rejeitada. Depois de duas filhas e um menino que viveu apenas dez horas, os pais dela, Frances e John, precisavam desesperadamente de um homem para herdar o condado de Spencer - e todo o considerável patrimônio da família, uma das mais ilustres da Inglaterra, já que os Spencer compraram a ascensão à nobreza em 1603, com dinheiro do comércio de carneiros.

O nascimento de Diana foi uma decepção. O pior, no entanto, ainda estava por vir. Em 1968, Frances e John se separaram. Ela, apaixonada por outro, também casado, fez de tudo para ficar com os filhos menores. Ele, com fúria vingativa de marido traído, jurou que só sobre seu cadáver. Foram à Justiça - e Frances perdeu. Diana tinha 7 anos e já consolava o irmão caçula, Charles, o esperado herdeiro nascido dois anos depois, que todas as noites derramava-se em prantos, implorando: "Eu quero minha mamãe, eu quero minha mamãe". Submetida à impiedosa educação dos ingleses de classe alta - isolada na nursery, com as babás, colégio interno aos 9 anos -, ela lembra como momentos privilegiados, e o irmão também, as raras oportunidades de chegar perto do pai. Depois de tirar-lhe a mãe e negar-lhe a mais mísera manifestação de afeto, o pai fez a traição final: casou-se com uma madrasta odiada, Raine Cartland (ex-condessa de Dartmouth, também processada por adultério pelo marido quando começou o caso com Spencer).

VIRGEM GARANTIDA - Com base nesse prontuário infeliz, esboça-se uma interpretação da personalidade de Diana. Abandonada pela mãe, rejeitada pelo pai indiferente, ela encontrou em Charles, um príncipe, futuro rei, o máximo de projeção de figura paterna que Freud poderia conceber. Sonhava talvez que finalmente teria o conforto e o amor - para não mencionar a coroa - de que tanto carecia. Uma amiga da família acredita que Diana se apaixonou de verdade por Charles, e fez tudo para fisgá-lo. "Ela acreditava realmente que era amor. Amor verdadeiro. Felizes para sempre", diz a amiga. "Mas esperava que esse amor orbitasse totalmente ao seu redor, o tempo todo. Queria a confirmação de que era o centro do mundo."

Emocionalmente imatura, cheia de idéias românticas na cabecinha-de-vento, Diana não poderia ter encontrado alguém mais inadequado do que Charles para preencher suas carências infantis. Primeiro, porque nenhum herdeiro do trono tem em mente um casamento de classe média, com conceitos como intimidade, carinho e companheirismo, quando escolhe uma esposa. Segundo, porque mesmo que quisesse, Charles, treinado para ser rei num ambiente emocional estéril (ele disse certa vez que nunca se lembrava de ter brincado ou dado uma risada com o pai), não poderia dar o que Diana esperava dele. O que ele esperava dela era bem mais claro: uma mulher saudável, e virgem garantida, para gerar herdeiros e se acomodar nos casamentos de conveniência que são praxe na realeza. "Porque ele a escolheu, em lugar da mulher inteligente e mais velha de que precisava? Talvez porque, quando decidiu que estava na hora de escolher, a maioria das mulheres de sua idade já estava casada", especula Robert Massie, autor de um recente livro sobre a rainha.

'CARA DE PEIXE' - Sem contar que a "mulher inteligente e mais velha", além de casada, já existia em sua vida - Camilla. "Ele é um homem encantador, que se casou com uma criança e nunca explicou as regras", analisa outra amiga da família real. Uma das regras mais evidentes, sob a ótica do principe e da classe alta inglesa em geral, é que relações extraconjugais são uma realidade tão corriqueira quanto os jogos de pólo, contanto que discretas. Segundo Andrew Morton, a atitude de Charles, ao se espantar com o fato de que Diana tivesse ciúmes doentios da amante do marido, que a levou ao desequilíbrio total. Seis meses depois do casamento, ela fez a primeira das cinco "tentativas de suicídio" - gestos patéticos para comover o marido. Ficou com bulimia, um distúrbio psicológico que leva mulheres, geralmente jovens, a se empanturrar de comida e depois vomitar. Deu para consultar videntes, astrólogos, cartas de tarô. Charles, apelidado por ela de "Cara de Peixe", assistia a tudo, primeiro com indiferença, depois com hostilidade. O casamento estava terminado.

As aparências ruíram quando Diana "plantou" o livro de Morton, para apresentar-se como mártir e intrigar a opinião pública contra Charles. O jornal The Sun, eufórico com a separação - afinal, os tablóides, tão criticados, estavam certos na marcação cerrada sobre o casal real -, reservou a ambos palavras de uma dureza que não se vê na imprensa de nenhum país democrático no mundo no trato com seus governantes. "Diana fez uma tentativa selvagem de destruir seu marido e mudar a estrutura da família real", disparou Stuart Higgins, subeditor do Sun. Em outra seção, o jornal frita o príncipe: "Charles é um homenzinho fraco, lúgubre, arrogante, com um intelecto de terceira categoria. Se tivesse alguma fibra, teria sido contra esse casamento arranjado e completamente inadequado. Em vez disso, aceitou Diana e a usou como parideira. Assim que ela teve os filhos e herdeiros, dispensou-a". Agora, com sua querida monarquia estremecida pelos escândalos sucessivos dos filhos da rainha, os ingleses que se virem para preservar a instituição. Soluções à moda antiga não valem mais. Mas Barbara Cartland, mãe da odiada madrasta de Diana e célebre escritora de romances para moças, deixou no ar uma sugestão: "Henrique VIII teria mandado cortar as cabeças deles todos".


 
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