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12 de novembro de 1969
Estratégia para
matar o terror

Carlos Marighella está morto, enterrado
numa cova rasa. Sua última batalha
acabou com o mito de que os generais do
terror eram perfeitos estrategistas.

A surpresa, que Carlos Marighella considerava fundamental para o êxito de ações subversivas, foi a arma usada pelo DOPS de São Paulo para derrotá-la. Em seu "Mini­Manual do Guerrilheiro Urbano", o homem apontado como a alma da escalada do terror no Brasil ensinava que "contra a surpresa o inimgo nada pode opor e rende-se perplexo ou é aniquilado". Na noite de terça-feira da semana passada, surpreendido numa armadilha, cercado por quase quarenta policiais, Marighella não se rendeu. E foi aniquilado. Dois tiros atingiram seu rosto, mais um no ventre. E outro - o mortal, segundo a perícia - na perna, perfurando a artéria temural e provocando intensa hemorragia, seguida de morte praticamente instantânea. Ele nem chegou a pegar sua arma. O tiroteio de cinco minutos foi travado entre os policiais e cerca de treze homens que compunham o esquema de segurança de Marighella. Esse esquema falhou. Seu mais eficiente guarda­costas, "Gaúcho", não observou outro ensinamento do Mini-Manual: "O guerrilheiro urbano deve possuir uma grande capacidade de observação, estar muito bem informado de tudo, principalmente dos movimentos do inimigo". Antes de Marighella, "Gaúcho" percorreu a Alameda Casa Branca, onde estava montada a armadilha. Aproximou-se do carro onde Frei Fernando e o ex-Frei Ivo - nas mãos da polícia desde a semana anterior - esperavam Marighella. "Gaúcho" olhou dentro do outro, ocupado pelo delegado Sérgio Fleury, um investigador e duas investigadoras, que pareciam dois inofensivos casais de namorados. Chegou até a alguns metros de onde um grupo de policiais, como operários, fingiam entregar material numa construção. Não percebeu nada de anormal e deu o sinal de que tudo estava bem. Marighella então apareceu: moreno, bem alto, terno claro, camisa branca de riscas azuis, peruca de cabelos castanhos - seu único disfarce.

O RESULTADO DOS ERROS - Sozinho e confiante, Carlos Marighella caminhou para o carro onde morreu. Repetia o erro de "Gaúcho" e de todo o seu esquema de segurança. A armadilha funcionava, deixando claro que as 23 prisões (Frei Fernando, ex-Frei Ivo, doze seminaristas dominicanos, dois jornalistas, sete outras pessoas) feitas em São Paulo e no Rio desde sexta-feira não haviam chegado ao conhecimento do líder maior do terrorismo. Terroristas menores, em São Paulo, aparentemente sabiam das prisões e estavam alertas. A notícia havia chegado até o Rio Grande do Sul. Sete horas antes da morte de Marighella e uma antes da invasão policial ao Seminário Cristo-Rei, na cidade de São Leopoldo, o seminarista dominicano Carlos Alberto Toledo Cristo, "Frei Beto", havia fugido. Ele era o encarregado de providenciar fugas de terroristas para o exterior. Marighella não sabia do que se passava e caminhava para o carro. Então, a encenação policial terminou. Do carro dos "namorados" saltou o delegado Fleury dando voz de prisão. Os "operários" deixaram os materiais de construção e mostraram suas armas. Marighella correu, o ex-Frei Ivo, sentado à direção, abriu-lhe a porta direita e o tiroteio começou. Ivo saiu pela porta esquerda, braços levantados; os homens da segurança de Marighella responderam ao fogo enquanto fugiam; Frei Fernando deitou-se no banco traseiro. Cinco minutos depois estava tudo acabado. Dois mortos: MarighelIa e o protético Friederich Rohmann, que nada tinha com o terrorismo. E dois feridos: o delegado Rubens Tucunduva, com um tiro na perna, e a investigadora Estela Borges Morato, com um tiro na testa (morreu na noite de quinta-feira). Na rua, o investigador Trailer, "namorado" de Estela, resumia a soma dos erros de Marighella: "O homem foi muito folgado. Marcar encontro quase no centro de São Paulo foi demais".

A ORIGEM DA MÍSTICA - O comentário reflete, de certo modo, uma mudança na forma de encarar as figuras do terror. Houve tempo em que os bem sucedidos assaltos a bancos, os atentados sem pistas creditavam aos terroristas a fama de serem homens dotados de astúcia e sangue-frio fora do comum. Em contrapartida, os órgãos de repressão pareciam envolvidos numa massa informe de informações contraditórias, lutando contra a precariedade de dados incompletos e inseguros. Os esquemas contra o terror, praticamente, eram acionados somente depois de uma ação subversiva. As investigações se processavam com excessivo número de organismos policiais, sem coordenação geral. Os terroristas se aproveitavam dessa circunstância, tornando-se cada vez mais ousados. Chegaram ao requinte de promover ações simultâneas, verdadeiras operações de guerrilha. Em maio, dois bancos foram assaltados ao mesmo tempo, por dezesseis terroristas, na Rua Piratinga, uma das mais movimentadas de São Paulo. Foi uma manobra estrategicamente sem falhas. Oito homens entraram num banco, sete no outro, enquanto um só garantia a cobertura: era o ex-Capitão Carlos Lamarca, pela primeira vez reconhecido num assalto, temido pela sua pontaria (foi campeão de tiro do II Exército e costumava se distrair matando ratos com tiros na cabeça). No assalto, exibiu sua habilidade: quando o guarda-civil Orlando Pinto Saraiva, correndo, se aproximava do local, Lamarca disparou dois tiros certeiros com seu revólver 38, um na nuca, outro no queixo. Além de ousados, os terroristas davam a impressão de estarem bem informados. Em junho, na cidade de Osasco, próximo de São Paulo, assaltaram, também ao mesmo tempo, dois bancos que dispunham de sistema conjugado de alarme (se um fosse assaltado, o outro ficaria sabendo imediatamente). O ataque simultâneo neutralizou esse sistema. Além de bem informados, pareciam solidamente estruturados. As prisões penosamente conseguidas não conduziam aos verdadeiros chefes. Geralmente os presos eram simples executores, ignoravam a identidade dos planejadores. As próprias autoridades admitiam estar lutando contra um inimigo poderoso.

O FIM - Desde a semana passada, no entanto, as opiniões são diferentes. A morte de Carlos Marighella, se não significa o fim do terrorismo, põe por terra pelo menos a impressão de uma estrutura sólida e imbatível da subversão. Em todo o país, as declarações de autoridades policiais, militares e de políticos revelam essa tendência otimista para o combate ao terror. Alguns são radicais em seu otimismo, como o General Sílvio Corrêa de Andrade, chefe da Polícia Federal em São Paulo. Para ele, a morte de Marighella representa um tiro de misericórdia no terrorismo. Em Minas, no saguão do DOPS, uma cruz vermelha foi riscada sobre a foto de Marighella num cartaz de terroristas procurados, com a explicação embaixo: "falecido". Os agentes mineiros afirmam que a subversão perdeu sua liderança consciente e passará a agir isoladamente, "sem o comando de um homem tarimbado e experiente na luta clandestina. Vai se entregar a atos isolados até ser totalmente desarticulada pelo esquema repressivo". No Congresso, o Deputado Padre Medeiros Neto quebrou a tradição de fazer elogio póstumo de seus ex-companheiros da Constituinte de 1946. Limitou-se a comentar: "O Marighella até que era um homem afável, mas a sua morte deverá contribuir para esfriar o terrorismo no Brasil. Pois ele representava o suporte ideológico, justamente o mais importante".

A INVERSÃO DA TÁTICA - Sérgio Paranhos Fleury, 36 anos, e Rubens Cardoso de Mello Tucunduva, 40 anos, os delegados que comandaram o cerco a Marighella, têm fama de "homens duros", que gostam de comandar as ações pessoalmente. Usaram sua experiência no combate a marginais comuns. Para eles, a motivação política era secundária. Um assalto a banco, praticado por terrorista, deveria ser investigado como um assalto comum. O terrorista que roubasse um automóvel deveria ser procurado como qualquer "puxador". A tática usada no cerco de Marighella, segundo um delegado do DOPS, foi a mesma empregada normalmente na captura de marginais: "Quando a gente prende um malandro, ladrão ou assassino, enfim um bandido, e a gente sabe que ele tem um companheiro, obrigamos o preso a nos levar até o barraco onde o outro mora. O bandido vai lá, bate na porta, o outro pergunta 'Quem é?', e o bandido responde 'Sou eu'. O camarada abre a porta e entram dez policiais junto com o bandido".

Agindo assim, Fleury e Tucunduva conseguiram uma média ótima no combate a terroristas: em cada dez saídas, sete eram proveitosas. Mas não são eles os únicos responsáveis por esses êxitos. Existe toda uma reformulação feita no DOPS paulista a partir do mês de agosto. Com a mudança do secretário da Segurança (desde então, o secretário é o General Viana Moog), a diretoria do DOPS passou ao delegado Benedito Nunes Dias, parente do ex-Ministro da Justiça Gama e Silva. Foi ele quem escolheu todos os policiais que trabalham atualmente no DOPS, preferindo homens novos, que tivessem vontade de fazer carreira dentro da polícia (todos os que participaram do cerco a Marighella serão promovidos). Seu sonho, ao assumir a diretoria do DOPS, era localizar Marighella. Mas a reforma do DOPS é apenas parte de um esquema maior, de âmbito nacional, para o combate ao terror. Esse esquema determinava a centralização dos órgãos repressivos e orientava-os para que assumissem a ofensiva. A estrutura terrorista, até então sólida, começaria a sofrer infiltrações profundas. Desde 1967, quando Carlos MarighelIa montou a Frente de Libertação Nacional, suas idéias de subversão violenta geraram uma série de grupos ativos. Uma de suas preocupações essenciais, expressa no "Mini-Manual", era manter-se na ofensiva: "Como se sabe, a defensiva é a morte para nós, que somos inferiores ao inimigo em potência de fogo, não dispomos de recursos nem da força do poder e não temos como nos defender de um ataque concentrado". O receio de Marighella começou a se confirmar. Na ofensiva, os órgãos de repressão foram acumulando informações de um modo racional. Antes de partir para uma ação, cada informação era analisada pelos serviços de inteligência policias e das Forças Armadas. Representando 80% da eficiência de um trabalho, a informação ajudou decididamente no cerco de Vila Cosmos, no Rio de Janeiro, e na armadilha preparada contra Marighella. Em São Paulo, a Operação Bandeirante, organização criada pelo comando do II Exército com a função exclusiva de prender terroristas e subversivos, tinha um caráter mais ou menos autônomo. Mas recebe e continua recebendo grande quantidade de informações da Guanabara, onde se localiza o cérebro das ações antiterroristas, representado principalmente pelo Serviço Secreto do Exército, Centro de Informações do Exército (CIE) e Centro de Informações da Marinha (Cenimar). Uma participação menos ativa neste cérebro é a do Centro de Informações da Aeronáutica, que colabora mais com o fornecimento do transporte aéreo. Apoiando todos esses órgãos existe ainda o Serviço Nacional de Informações. Em Minas funciona o mesmo entrosamento policial-militar, sustentado pelo serviço de rádio da Polícia Militar, que funciona dia e noite e, em meia hora, pode deslocar tropas para qualquer ponto do Estado. Assim, fecha-se o que o "Mini-Manual" de Marighella chama de "triângulo de sustentação do sistema estatal brasileiro e de dominação norte-americana no Brasil", representado por Rio, São Paulo e Belo Horiwnte, e indicado como um dos objetivos principais da ação do guerrilheiro urbano.

AS DERROTAS DO TERROR - Bem informados, os órgãos de repressão foram somando vitórias, principalmente em São Paulo e no Rio (em Minas Gerais, desde janeiro, o terrorismo já estava desarticulado e os outros Estados não sofreram a ação sistemática de grupos terroristas). Vários "aparelhos" - casas ou apartamentos usados como esconderijos - foram eliminados, num trabalho freqüentemente facilitado pelas falhas dos próprios terroristas. O aluguel da casa onde ficou o Embaixador Charles Burke Elbrick, seqüestrado em setembro, foi pago com cheque de um dos seqüestradores. A casa, muito grande, era habitada por uma só pessoa, a única mulher do grupo. Os vizinhos, pensando que ela estivesse montando uma casa suspeita, denunciaram. No seqüestro, a terceira falha: alguém do grupo fez comentários a respeito, num bar de Ipanema, e o Exército acabou sabendo. Em São Paulo, o terror cometeu outros pecados. Uma série de prisões teve início a partir do momento em que os terroristas foram buscar dois carros (um Volks e um Corcel) abandonados numa rua da cidade depois de um assalto a banco.

Um por um, foram cometidos os "sete pecados do guerrilheiro urbano", enumerados por Carlos Marighella: 1) inexperiência, que leva a deixar pistas; 2) vangloriar-se de suas ações, espalhando-as aos quatro ventos; 3) envaidecer-se, tornar-se cego pelos êxitos obtidos; 4) exagerar suas forças, querer fazer aquilo que não pode; 5) precipitação, não ter paciência; 6) atacar o inimigo quando este está assanhado; 7) agir na base da improvisação.

EQUILÍBRIO DE FORÇAS - A inversão de táticas, provocando a sucessão de derrotas parciais dos terroristas, demonstra que o esquema de repressão está agora, pelo menos, emparelhado com o do terror. Até agosto, os choques diretos entre as duas forças eram raros, sistematicamente evitados pelos terroristas. A partir de então, os órgãos repressivos passaram a buscar seus inimigos, forçando-os a um combate aberto. Na sexta-feira, o DOPS paulista fez uma trégua em sua luta, para enterrar a investigadora Estela Borges Morato. Delegados e investigadores levaram o corpo para o cemitério de Campo Grande, em Santo Amaro, debaixo de forte chuva (que um investigador, falando de improviso, junto ao túmulo, chamou de "lágrimas de Deus"). Os terroristas, porém, não pensaram em trégua. Na mesma sexta-feira, três homens, armados de fuzis-metralhadoras, assaltaram a Kombi de um banco, na Freguesia do Ó. Deixaram o motorista -que estava desarmado - a pé e levaram dinheiro (NCr$ 40.000,00). Esse assalto reforça o ponto de vista das autoridades, como o secretário da Segurança da Guanabara, General Luís França de Oliveira, para quem a morte de Marighella está longe de representar uma vitória definitiva "nesta guerra de proporções continentais". Os policiais cariocas, tanto da DOPS como da Polícia Federal, observam que as organizações terroristas, divididas em pequenos grupos estanques, dissidências ideológicas e diferentes linhas de ação, não podem ser destruídas com a morte de um único líder, por mais importante que seja. Mesmo divididos, os grupos do terror seguiam as idéias e os planos de outros homens, além de Marighella. Ele era o líder mais importante, o único que reunia qualidades indispensáveis para comandar a subversão violenta. Tinha longa experiência de luta clandestina, possuía habilidade política e era um homem de ação, que inspirava confiança em seus comandados.

OS HERDEIROS DO TERROR - Agora, quem tem condições para substituir Carlos Marighella e tentar o que ele não conseguiu - a união das várias facções? O primeiro nome que surge é o do ex-capitão Carlos Lamarca. O delegado David Hazan, do DOPS mineiro, considera-o "inexperiente, despreparado para a luta clandestina. Não está acostumado a viver nos subterrâneos da subversão". Mas, segundo informações de vários órgãos de segurança, Lamarca teria conseguido, justamente em Minas, reunir em torno de si dois grupos então desfalcados com as prisões de muitos de seus membros: Comando de Libertação Nacional (Colina) e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Da união nasceu a Vanguarda Armada Revolucionária "Palmares". Pelo menos no momento, porém, Lamarca não poderia assumir a liderança. Há informações seguras de que está no Uruguai, para onde fugiu levando o dinheiro arrecadado em assaltos a bancos. Não se sabe se ele foi para ficar ou para encontrar-se com Joaquim Câmara Ferreira, o "Velho", ou "Toledo", braço direito de Carlos Marighella. Este é o segundo nome que surge em todas as considerações a respeito do novo líder do terror. Fugiu para o Uruguai na semana passada, levado pelo seminarista dominicano "Frei Beto", que primeiro o escondeu no Seminário Cristo-Rei, em São Leopoldo. Toledo é considerado o lntelectual do comunismo violento. Acompanhou Marighella em todas as dissidências abertas no movimento comunista brasileiro, sempre partidário de uma radicalização. Foi ele quem elaborou o plano do seqüestro do Embaixador Charles Burke Elbrick, considerado o mais arrojado de todos os planos do terror. O episódio do seqüestro serviu inclusive para marcar algumas divergências entre ele e seu chefe. Toledo achava que a união das esquerdas, inclusive a ortodoxa russa, era a solução para a guerra revolucionária no Brasil. Marighella discordava, apontando a linha cubana como a única solução para o movimento revolucionário. Quando soube que Toledo, fazendo prevalecer a sua posição, organizou a lista dos subversivos a serem trocados pelo embaixador americano, incluindo Gregório Bezerra (da linha ortodoxa russa), Marighella não se conteve e chamou-o de "insubordinado, que não respeitava mais a idéia do chefe".

A DUPLA NO COMANDO - Além de Toledo e Lamarca, os outros nomes apontados são os de Leonel Brizolla e Onofre Pinto. Em seus discursos no tempo em que era deputado federal, Brizolla já defendia soluções violentas para os problemas nacionais. Por isso, desde a Revolução de 64, seu nome sempre surge quando se fala em movimentos para a retomada violenta do poder. O general Luís França de Oliveira, respondendo a uma pergunta sobre os rumos da subversão, disse que "seu foco atualmente está localizado no Sul. E é alimentada (a subversão) de fora das nossas fronteiras". A afirmação continha uma insinuação clara à pessoa de Leonel BrizolIa, exilado no Uruguai. Onofre Pinto, atualmente banido em Cuba, é lembrado por ter sido o criador da VPR e o doutrinador de Lamarca. Na verdade, a possibilidade de Brizolla ou Onofre Pinto assumir a liderança é bastante remota. A Brizolla são debitados os fracassos de duas tentativas de guerrilha rural: uma no Sul, comandada pelo ex­Coronel Jefferson Cardim de Alencar, e outra em Minas, na serra de Caparaó. Tais fatos o tornam desacreditado entre as esquerdas do Brasil. Quanto a Onofre Pinto, a distância geográfica parece ser o principal obstáculo para que venha a assumir imediatamente o lugar deixado por Marighella. Resta, então, a hipótese considerada mais viável de Lamarca e Toledo dividirem a liderança. Seria uma forma de reeditar a dupla Toledo-Marighella, onde o terrorista morto era o homem de ação, enquanto Toledo planejava. Mas se dúvidas existem quanto ao novo líder, há a certeza de que a luta vai continuar. Como dizia um delegado do DOPS de São Paulo, "entre os terroristas e a polícia, o que se vê é uma partida de xadrez. Acabamos de derrubar uma torre, um bispo ou talvez a dama dos terroristas. Mesmo o pior jogador prevê, no mínimo, três jogadas adiante. Agora, eles vão dar um lance de bispo ou peão. Pode ser um seqüestro ou um atentado a bomba". Mas a posição das peças no tabuleiro ainda não permite prever o xeque-mate.


 
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