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1º de janeiro de 1969
Vejam quem chegou de
repente: o futuro

Sábado, primeiro dia após a viagem à Lua,
os astronautas descansaram. Um longo
caminho dos vôos em balão às viagens
espaciais. Agora, a aventura pelos
perigosos e ricos caminhos do futuro

No princípio, o pitecantrópus ergueu sua vista do solo e passou a chamar-se Homem. Viu o céu, as águas, a imensa extensão da natureza à sua frente e achou que tudo aquilo era seu, estava à sua espera. O momento em que descobriu que um osso poderia ser usado como arma ou instrumento de trabalho foi sublime: ele matou, construiu, tornou-se senhor das bestas inferiores. Depois descobriu a forma de lavar suas feridas, de se recompor, tornou-se curioso sobre seu corpo e sobre si mesmo. Sua caminhada foi lenta no começo. A árvore da sabedoria produziu tênues galhos, folhas brilhantes nascendo vagarosamente durante milênios. De repente, explodiu num delírio de folhagem e flores. Da pedra vieram a flecha, o guindaste, o canhão, o foguete, a bomba nuclear; das folhas medicinais vieram os antibióticos, a cirurgia, o transplante; do trenó, a roda, o automóvel, o jato. Entre 1900 e 1950 o homem dobrou o conhecimento que adquirira da natureza durante 100 mil anos. De 1950 a 1960, uma nova explosão de conhecimento, equivalente à dos cinqüenta anos anteriores. O progresso sempre mais rápido, mais rápido: o último salto para tornar-se duas vezes mais sábio exigiu do homem apenas seis anos (de 1960 a 1966, mais uma duplicação de conhecimentos científicos, segundo os sociólogos). Finalmente, um clímax: num sábado, 21 de dezembro de 1968, três homens saíram da Terra pela primeira vez; viajaram sete dias e seis noites no céu, viram a Lua, voltaram. No sábado seguinte, quando aqueles três heróis descansavam, todos os outros homens viram que tinham pela frente o futuro, fascinante, vertiginoso. E quiseram saber aonde os levaria esta corrida sem fim, irrefreável.

AS ESTRADAS DO FUTURO - As respostas do futuro estão nos caminhos percorridos no passado. A evolução de cada ramo da ciência mostra a direção em que o homem faz a sua longa marcha. A caminhada às vezes tem o rumo ao próprio segredo da vida, na tentativa da criatura de recriar-se, de nascer de novo. A possibilidade e as pesquisas para uma segunda gênesis começaram há um século, quando um abade austríaco, Gregor Mendel, descobriu algumas das leis que regem a transmissão de características hereditárias de pai para filho. Em 1931, a possibilidade de o homem intervir neste processo de transmissão de vida foi levantada por Aldous Huxley, no romance "Admirável Mundo Novo". Eis a sala onde os homens do futuro criavam seres humanos com as características exigidas pela sociedade: "O Diretor do Centro de Incubação e Condicionamento de Londres, numa aula a estudantes, mostra as incubadoras, os suprimentos de óvulos e gametas masculinos (células sexuais do homem e da mulher) conservados em temperatura ideal. Explica em seguida a técnica de fecundação artificial: os óvulos considerados perfeitos são imersos num líquido onde nadam espermatozóides. Já fertilizados, separam-se os óvulos em dois grupos: os que gerariam indivíduos superiores, Alfa e Beta, e os inferiores, Delta, Gama e Ipsilon. Estes últimos, submetidos a um processo de divisão, permitem a criação de dezenas de gêmeos idênticos".

HOMENS EM SÉRIE - O processo de fabricação de homens em série pode ter começado em 1963, quando F.C. Stewart, professor na Universidade de Cornell, nos EUA, fez experiências inéditas com cenouras. Retirou células de uma raiz desse vegetal, colocou-as num banho nutritivo contendo, entre outros ingredientes incomuns, água de côco. Como os velhos alquimistas, pôs a mistura num tubo a girar lentamente. Em menos de três semanas, muita massa nascia das células de cenoura e o pêso do tubo cresceu oitenta vezes. Novas experiências e surgiram botões, raizes, monstros de cenoura que atingiram tamanhos gigantes. Seus rebentos colocados em solo fértil produziram cenouras normais, iguais à primeira. A idéia de ter muitos seres iguais a partir de um único fascinou John Gurdon, de 35 anos, da Universidade de Oxford, Inglaterra. Usando as células do intestino de uma rã e com elas fecundando os óvulos da mesma rã, ele conseguiu fabricar uma espécie de batráquio semelhante ao ser que lhe era ao mesmo tempo pai e mãe. Aperfeiçoando a técnica chegou a múltiplas rãs, rigorosamente sósias.

Com um método semelhante, num futuro próximo, as células de um Pelé poderiam produzir onze Pelés iguaizinhos, ou mais, para quantos times se quisessem. O que aconteceria ao futebol, não se sabe, mas a ciência já vê o dia em que isso será possível. Quando? O Professor Warwick Kerr, geneticista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, sabe que o futuro nasceu e caminha rápido. "Hoje não se pode dizer o que é um futuro longínquo. As conquistas da ciência nuclear pareceram por demais remotas para um homem de trinta anos atrás. O mesmo pode acontecer no campo da Biologia e da Genética."

Este rumo de seu caminho preocupa o homem. Alguns podem querer fabricar cem Einsteins, cem Pelés, cem Bachs. Outros desejariam em série cem Mussolinis. No fim da semana passada, em Dallas, nos EUA, cientistas se reuniram: exigiam uma política para evitar os perigos do progresso da Genética. O Professor Harold Green, de Washington, disse que a recente tecnologia das transformações genéticas "torna possível a criação de uma espécie infra-humana próxima da escravidão", os homens Delta, Gama e Ipsilon, do pouco admirável mundo novo de Huxley. Mas, ao conceder o prêmio Nobel de Medicina de 1968 a Robert Holley, Marshall Niremberg e Har Khorana, por seus trabalhos de decifração do código genético, a Academia Sueca pensava na criação dos homens Alfa e Beta. Acreditava na eliminação das doenças hereditárias, que são como erros na impressão do código, perpetuados cegamente pelas células, de pai para filho.

DEPOIS DOS TRANSPLANTES - Além de ser o ano da viagem à Lua, 1968 foi também o ano dos transplantes. Os médicos caminharam aos saltos, passaram da fase mitológica da Medicina a dias em que já se fala de um homem totalmente reconstruído. Até recentemente, o tratamento dos doentes era uma ciência mal dominada pelo homem. Para combater disenteria em 1599, os "doutores" aconselhavam "el estiercol fresco de caballo mesclado con caldo y vino", como conta Bernardo Vargas Machuca, capitão espanhol, autor de "Milicia y Description de Indias". Com passadas rápidas, os médicos chegaram a hospitais como o de Colônia, na Alemanha Ocidental, onde atualmente se utilizam isótopos radiativos para diagnóstico de doenças de rins, pâncreas, tireóide e anemias. Na Inglaterra, computadores verificaram a pulsação cardíaca do doente, sua pressão arterial, sua circulação durante as cirurgias. Cursos universitários ensinam aos doutores as aplicações médicas do computador, que crescem à medida do desenvolvimento da eletrônica. A automoção não se restringe ao diagnóstico e ao tratamento. Entra dentro do homem na forma de peças artificiais. Hoje é possível encontrar na rua um cidadão cujo coração seja regulado por marca-passos eletrônicos, com córnea e globo ocular de plástico, cartilagem do nariz e traquéia de silástico, estimulador elétrico da bexiga, artéria de dracon, fêmur e articulações do ombro e do cotovelo de metal e maxilar de ceresium. O Dr. Geraldo de Campos Freire, do Hospital das Clínicas de São Paulo, um dos mais bem sucedidos transplantadores de rins de todo o mundo (70% de sucesso em operações com doadores vivos, 50% no caso de doadores mortos), diz que a Sociedade Internacional de Transplantes acredita que brevemente o homem poderá receber transplantes de órgãos de animais estocados em bancos frigoríficos.

O ESQUELETO DO SUPER-HOMEM - No princípio, as máquinas foram feitas para fazer força. E aprenderam a fazer muito bem este serviço. Hoje, uma máquina chamada "esqueleto externo" transforma um homem qualquer, franzino, fraco, num hércules capaz de levantar com as mãos uma tonelada de granito, segurá-la sobre a cabeça e sair correndo pela rua com sua estranha carga. O esqueleto externo, ou "amplificador do homem", é uma espécie de roupa de braceletes de couro e peças e articulações de metal, acionadas por um pequeno motor hidráulico, que está sendo desenvolvido no Laboratório de Cornell, perto de Nova York. O "esqueleto" parece um aparelho ortopédico para todo o corpo ou partes. Não impede nenhum dos movimentos habituais de uma pessoa e - como seu segundo nome indica - amplia a força de todos os seus movimentos. O homem, assim, passa a ser, literalmente, uma peça de uma máquina, que combina a flexibilidade dos movimentos do ser humano com a força que um homem não pode ter. Mas o "esqueleto" veste o homem sem se aventurar pelos seus sentimentos. E é neste outro ângulo que a eletrônica está interessada: quer ter o direito aos sentimentos humanos.

TRISTEZAS DE MÁQUINAS - E o homem moderno aceitou a ambição eletrônica como um dos caminhos do futuro conjunto do homem e da máquina. No Texas, os cientistas fizeram máquinas capazes de expressar os mais nobres sentimentos de amor, dedicação e desinteresse. E outras, que vivem em eternos conflitos psicológicos ou são tão arredias, que não se dão bem com nenhuma outra máquina.

Uma dessas máquinas texanas é Aldous, um simples computador binário construído pelo psicólogo John C. Loehlin, da Universidade de Austin. O objetivo de Loehlin é treinar seus alunos para os contatos com os pacientes. Assim, Aldous foi programado para reagir "emocionalmente" a estímulos "emocionais". Apresenta-se, por exemplo, a Aldous o objeto 111 - na verdade, um programa que Aldous já conhecia. Aldous então afirma: "A última situação me pareceu levemente familiar. Senti-me atraído: não tive medo, nem senti raiva. Não senti nenhum conflito. Não fiquei sob tensão" - é o que se lê no seu telex. Mas, quando apresentaram ao pobre Aldous um programa que ainda não conhecia, o objeto 112, ele primeiro pareceu bastante curioso: "A última situação me pareceu inteiramente nova. Senti-me bastante atraído". Quando, porém, o objeto 112 lhe foi levado duas ou três vezes, Aldous teve outra reação: "A última situação me pareceu levemente familiar. Senti-me pouco atraído; tive um pouco de medo e não senti raiva. Senti um conflito. Fiquei sob tensão".

RELAÇÕES ENTRE MÁQUINAS - Loehlin construiu depois novo modelo de Aldous e pôs um em ligação com o outro. Ele conta a história: "Houve uma fase inicial de lua-de-mel, altamente positiva; em seguida, um período de ajustamento, durante o qual os computadores tiveram de aprender a lidar com a eventual hostilidade um do outro. Finalmente, desenvolveram-se atitudes crescentemente positivas da parte dos dois modelos". Um outro computador texano, ainda sem nome, construido por K.M. Colby, é um verdadeiro modelo de personalidade neurótica, segundo a teoria psicanalítica. Quando se programa uma pergunta sobre a sua "vida familiar", assim responde, no telex, o computador neurótico: "Meu pai e minha mãe não se davam bem. Ele não era uma pessoa fácil de se lidar, porque tinha uma personalidade muito dominadora. Eu não sou como meu pai, se bem que ele gostasse de pescar e eu também. Na verdade, eu não admiro muito meu pai, porque no fundo ele era um fraco". Loehlin espera construir no futuro verdadeiras réplicas mecânicas das personalidades de seus pacientes. Assim será possível experimentar na máquina vários tratamentos psiquiátricos, até encontrar um exatamente adequado à personalidade do paciente - sem que os tratamentos errados causem nenhum trauma no doente, como hoje é comum.

QUEM SABE MAIS? - Essas máquinas emotivas, que o homem criou à sua imagem e semelhança, apenas simulam as emoções e, sem dúvida, não sentem nada. Mas não existe nada de simulado na capacidade dos computadores digitais. Por exemplo, enquanto, no cérebro do homem, uma célula nervosa leva um milésimo de segundo para transmitir uma informação à célula seguinte, um elemento binário num computador moderno transmite cada informação a uma velocidade 100 mil vezes maior. O cérebro humano tem porém uma vantagem: enquanto o computador só pode realizar uma operação de cada vez, a mente humana está sempre realizando milhões de operações simultaneamente. Além disso, o homem filtra as informações que recebe. Cada olho do homem recebe por segundo 1 bilhão de impressões luminosas, das quais são aproveitadas dez ou vinte. O computador, entretanto, só pode receber informações já selecionadas.

A LENTIDÃO E A CAPACIDADE - Mas, além da velocidade, o computador tem outras vantagens sobre o cérebro humano. Existem dois tipos de memória: a curto e a longo prazo. A memória a curto prazo do homem é muito fraca. Por exemplo, ao somar várias parcelas, o homem tem de anotar a lápis o resultado de cada uma das colunas antes de começar a somar a coluna seguinte, enquanto o computador "recorda" facilmente desse resultado e só precisa anotar o resultado final. Assim, quanto à memória a curto prazo, até uma máquina comum de somar leva vantagem sobre o homem. Quanto à capacidade de guardar informação - a memória a longo prazo -, nem o computador nem o homem levam vantagem. Isso porque o computador é capaz de armazenar 1 milhão de informações por segundo, enquanto o homem só é capaz de guardar para sempre na memória apenas uma dos bilhões de impressões que recebe por todos os sentidos em cada segundo. Mas, assim mesmo, um homem que chegue aos setenta anos passando acordado dezesseis horas por dia conseguiu ter na cabeça 1 bilhão de informações - por informação. os técnicos de computadores entendem cada resposta "sim" ou "não", excluídas as respostas "não sei", a qualquer pergunta que se possa fazer. E os melhores computadores de hoje em dia ficam tecnicamente saturados quando o número de informações que têm de armazenar chega a 30 milhões. Para os próximos anos, porém, se prevê que será possível construir computadores com maior capacidade e aptos a lidar com toda uma série de problemas.

ELAS LÊEM E FALAM - Assim, pouco a pouco o homem se irá aproximando da solução final: a construção de uma máquina mais inteligente do que ele. Aí estarão resolvidos todos os problemas, pois, se o homem for capaz de construir um computador que o supere em inteligência, é claro que esse computador será capaz de criar um computador ainda mais inteligente. Aí não haverá nada que a humanidade - e sua criação, a máquina - não possa fazer. Por enquanto, porém, os computadores têm uma capacidade bem restrita. Um computador capaz de ler manuscritos em letra desconhecida - tal como uma pessoa tenta ler os garranchos de um médico que nunca consultou antes - ainda está para ser construído, se bem que nenhum técnico considere isso tarefa teoricamente impossível. Computadores que falam já são hoje coisa comum, pelo menos nos países desenvolvoos. São computadores que transmitem informações "oralmente" e não por escrito. O problema para os técnicos está sendo construir computadores que falem exatamente como uma pessoa. Isto é, que hesitem, repitam palavras, não concluam frases e mudem de entonação. Isso porque as pessoas que têm de atender a instruções do computador falante ficam ressentidas ao ouvir as vozes atuais, monótonas e sempre "seguras de si".

O FUTURO DAS MÁQUINAS - Já são comuns as máquinas que falam pelo telefone. E também as máquinas que lêem, mais do que o homem. Milhões e milhões de documentos científicos, técnicos e econômicos são publicados diariamente e nem todos os homens do mundo - há tantos analfabetos - poderiam lê-los, traduzi-los e arquivá-los. A maior parte desse trabalho é feita por computadores. A cada ano surgem, na Europa, nos Estados Unidos e na União Soviética, fábricas inteiramente controladas por máquinas. A "mão-e-olho" do Instituto Tecnológico de Massachusetts - um enorme braço dirigido por computador ligado a uma câmara de televisão - é capaz de resolver obstáculos não previstos em sua programação. Ela tem de agarrar blocos em lado de um salão e levá-los a outro lado; lá ela os coloca corretamente sobre outros blocos, montando uma estrutura pré-determinada. Se surgem obstáculos imprevistos no caminho, muitas vezes se detém indecisa e perplexa - e não cumpre a tarefa; mas outras vezes ela tateia até superar o obstáculo desconhecido. Há computadores que jogam xadrez em nível de campeonato mundial e outros que "aprendem" a reconhecer padrões tão complexos como uma fotografia de um rosto entre milhares de outras. Breve verá máquinas capazes de prever o tempo. Diz Marvin Minsky, professor de Engenharia Eletrônica no Instituto Tecnológico de Massachusetts: "Hoje as máquinas resolvem problemas principalmente de acordo com os princípios que nelas introduzimos. Breve poderemos aprender a pô-las a trabalhar para resolver um problema muito especial - o de desenvolver a capacidade da máquina de resolver problemas. Passando de um certo limite, isso poderia levar a uma espiral de aceleração e pode ser difícil restringi-la. Seria bastante prudente e recomendável que isso fosse tomado em consideração".

O POÇO DA VERDADE - Mas a verdade mora num poço e, para conhecê-la, quem iniciou o mergulho viaja cada vez mais rápido, sem oportunidade para muitas reflexões, sem possibilidade de saber se os companheiros criados no caminho podem traí-lo, indo cada vez mais fundo, mais fundo. Logo depois que Borman, Lovell e Anders desceram no Pacífico, os sorridentes diretores da NASA - Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço, dos EUA - anunciaram em Houston mais cinco Apollo para 1969 (fevereiro, dia 28; maio, dia 25; meados de julho; segunda quinzena de setembro e primeira semana de dezembro). Pelo menos dois desses Apollos descerão na Lua, que não será um ponto de parada, mas de partida.

Comentando de Paris o sucesso da viagem da Apolo-8, Wernher von Braun, um dos pais dos foguetes espaciais, disse que, entre 1985 e 1990, o homem estará em Marte e também não se deterá ali. Os astrônomos Carl Sagan, americano, e Iosef Shklovskii, russo, chegaram a calcular as despesas para  criar vida e preparar planetas para uma subseqüente colonização humana. Se Marte não tiver seres vivos, animais vegetais (isto será descoberto provavelmente no começo deste ano: os americanos lançam ainda em janeiro um foguete em direção ao planeta vermelho para procurar vida), uma bomba bacteriológica o povoaria com os primeiros habitantes - formas primitivas de vida - e a evolução se encarregaria do resto.

Paradoxalmente, no momento em que o homem começa a raciocinar em termos cósmicos, quase como o Senhor do seu sistema planetário, ele é tomado por um sentimento de humildade, vendo a Terra e os planetas do Sol como grãos de areia do Universo. Kenneth Gatland, vice-presidente da Sociedade Interplanetária Britânica, dizia sábado passado: "Saudamos os bravos exploradores do espaço. Sua façanha reduziu a Mãe-Terra, berço da humanidade, às proporções de uma esfera compacta contra um fundo de estrelas". Esta humildade sugerida por Gatland é um bom estado de espírito para o homem receber o futuro.


 
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