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Há quatro décadas, a região amazônica era uma área praticamente intocada. O governo Médici decidiu povoar e construir na floresta. A justificativa era de que a estratégia seria adotada em nome do progresso do país. De qualquer forma, as intenções do governo eram recebidas com preocupação – muitos já temiam pela destruição da floresta. Mais de 100.000 famílias foram levadas às margens do imenso vazio populacional até 1975. Três anos antes, ficou pronta a rodovia Transamazônica, fruto do megalomaníaco desejo de integrar todo o norte brasileiro com o resto do país. A via consumiu do país mais de 2 bilhões de dólares naquele tempo. Por não ter pavimentação em toda a sua extensão e por ligar regiões com escassez de terras férteis, a via não fez a promessa do governo se concretizar.
A Amazônia já estava na pauta no governo antes mesmo de Médici assumir a Presidência. Em 1966, o presidente Castelo Branco criou a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), com o objetivo de atrair o interesse de investidores nacionais e estrangeiros por meio de incentivos fiscais. O órgão foi extinto só no governo Fernando Henrique Cardoso, depois de dezenas de anos de denúncias de corrupção. Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou as operações da Sudam, ainda sem resultados práticos claros para o país.
A busca por ouro em Serra Pelada, no Pará, no início dos anos 1980, levou à região mais de 20.000 trabalhadores. Os garimpeiros foram atraidos pelo sonho da fortuna fácil mas, anos depois, a ilusão dourada se perdia. Por causa da sua proximidade com a Colômbia, parte da Amazônia foi palco de conflitos armados. Em 1994, o governo começou a colocar em prática o Sivam, sistema de vigilância por meio de satélites a um preço superior a um bilhão de dólates. Esse projeto de segurança nacional também foi alvo de acusações de irregularidades e ineficácia. No aspecto ambiental, o desmatamento da região é o grande assunto desde os anos 1990. No coração da floresta, as queimadas colocam o Brasil no papel de vilão da ecologia. A destruição da floresta promove a desertificação e compromete a manutenção de ecossistemas importantes. Um dos problemas da Amazônia é a dificuldade de fiscalizar a região, de enorme extensão e difícil acesso. No Ibama, um único funcionário fica responsável por milhares de metros quadrados de floresta. Previsões feitas no início do século XXI pelos cientistas dão conta de que em vinte anos, se o ritmo de destruição continuar elevado, cerca de 95% da Amazônia perderá sua biodiversidade. A atual situação revela que a região amazônica continua prejudicada pela impunidade dos infratores. Os abusos ainda são constantes, mas o desmatamento é regulamentado em algumas áreas. É possível aliar a exploração econômica à preservação, mas isso depende de providências mais eficazes do governo com a preservação da floresta, grande patrimônio natural do país. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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