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Em 1985, quando VEJA publicou sua primeira reportagem de capa sobre a aids, o Brasil tinha apenas 384 casos diagnosticados da doença, que fora descoberta dois anos antes. O texto alertava para o fato de que o número de infectados pelo vírus HIV dobrava a cada dez meses e muitos hospitais estavam despreparados para lidar com os doentes. Na década de 1980 não se tinha notícia de que pacientes infectados sobrevivessem mais de quatro anos depois dos primeiros sintomas da doença. O cantor Cazuza foi a primeira figura pública a admitir, em 1989, que sofria de aids. Em entrevista a VEJA, ele falou abertamente sobre sua vida sexual. Cazuza lutava também contra o alcoolismo e as crises de depressão. Quando descobriu a doença, Cazuza pesava 68 quilos. Em pouco tempo chegou a ficar com 40. Ele morreu em julho de 1990, no Rio de Janeiro.
Nos Estados Unidos, o caso mais marcante da epidemia foi o do astro do basquete Magic Johnson, que surpreendeu o mundo em 1991 ao contar que estava com aids. Ele encarou o problema com otimismo e chegou a disputar os Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona. Foi medalha de ouro. Com a ajuda dos avanços dos tratamentos contra o vírus HIV, Johnson conseguiu sobreviver à doença sem apresentar sintomas. Também criou uma fundação.
Atriz e símbolo sexual nos anos 1980, Sandra Bréa soube em março de 1993 que era portadora do vírus HIV. Ela reuniu a imprensa em sua casa alguns meses depois para anunciar sua doença. Seu relato foi importante para alertar que a incidência da aids aumentava cada vez mais entre as mulheres. Sandra se negava a passar por tratamento médico. Ela morreu em 2000, afastada dos amigos e da TV, vítima de um câncer no pulmão. Já na segunda metade da década de 90, cientistas descobriram um coquetel de remédios capaz de conter o crescimento do vírus letal no organismo humano. O desafio da medicina era manter o corpo dos pacientes forte o bastante para suportar os fortes efeitos colaterais da terapia. O cientista americano Robert Gallo, o primeiro a vincular a doença ao vírus HIV, falou a VEJA em 1996. “Até agora, as drogas têm funcionado muito melhor do que o esperado. Mas eu ainda me preocupo com a mutação do vírus, com a possibilidade de que ele se torne resistente às novas drogas. Afinal, essas drogas são potencialmente nocivas ao organismo”, lembrou ele. No mesmo ano da entrevista, o mundo já contava com 21 milhões de soropositivos e mais um cantor brasileiro, Renato Russo, morreu em decorrência da aids. Ele nunca tornou pública sua doença, mas admitia ter uma vida sexual promíscua. Em 1998, VEJA apresentou um grupo de mulheres que contraíram o vírus HIV em relações sexuais com os próprios maridos. Esse fenômeno derrubava o preconceito em torno da doença, geralmente identificada aos homossexuais, bissexuais e usuários de drogas injetáveis. Na primeira década do novo século, o foco dos cientistas que se dedicavam ao assunto era o desenvolvimento de super-remédios capazes de impedir a entrada do vírus HIV nas células. A luta é para que, enquanto a cura não chega, a aids possa ser controlada totalmente pelo resto da vida dos portadores da doença. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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