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O primeiro grande marco da TV nacional coberto por VEJA foi a chegada da transmissão via satélite ao país, no final da década de 1960. A Rede Globo cuidava dos preparativos para a transmissão ao vivo da Copa de 1970. E foi no início dos anos 1970 que o nível dos programas apresentados pelos canais nacionais entrou na mira do governo, sob forte pressão do presidente Emílio Médici, que anunciou o Novo Código de Censura. A idéia era banir da programação atrações consideradas apelativas. O governo exigia ainda dos donos das emissoras que elas passassem a transmitir imagens em cores durante toda a programação. Em troca, facilitaria a importação da tecnologia necessária. Na direção geral da Rede Globo, Walter Clark investiu em tecnologia de ponta, e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, era o responsável pela programação, garantindo a sustentação da emissora como a maior do país. Na linha de programas de auditório, o veterano Chacrinha acompanhou a popularização de Silvio Santos e Flávio Cavalcanti, que teve seu programa tirado do ar na TV Tupi pela censura durante nove semanas. A simpatia e o carisma tornaram Silvio Santos conhecido em todo o país. Em entrevista publicada nas páginas amarelas de VEJA, Silvio disse que queria montar sua própria emissora de televisão e contratar Flávio Cavalcanti e Chacrinha. Em 1978, a Globo rompe o monopólio das novelas e lança seriados nacionais como Plantão de Polícia, Carga Pesada e Malu Mulher, com Regina Duarte. No jornalismo, o destaque sempre ficou com o Jornal Nacional. No humor, Chico Anísio interpretou dezenas de personagens. Em 1981, Silvio Santos obteve a licença para montar sua própria rede de televisão, o SBT. Em 1983, com apenas dois anos de existência, o SBT já detinha 25% da audiência nacional. O agravamento da crise econômica nos anos 1980 e o aumento da concorrência levam as redes de tevê a mexer em sua programação. Flávio Cavalcanti e Hebe Camargo vão para o SBT. Em 1989 estréia o Domingão do Faustão. A última década do século XX foi importante para a consolidação de Xuxa como principal apresentadora infantil do país. Tom Cavalcante também se destacou com seu humor. Na busca incessante da audiência, programas apelaram ao sensacionalismo e erotismo e derraparam no quesito qualidade, como no caso das atrações de Carlos Massa, o Ratinho. A briga por pontos no Ibope aos domingos fez Gugu Liberato, do SBT, aparecer como um dos destaques da TV no país. Em 2001, ao saber que a Globo havia comprado os direitos de exibição no Brasil do reality show Big Brother, Silvio Santos produziu a toque de caixa uma versão desse sucesso mundial, porém com a presença de celebridades. A exibição da Casa dos Artistas atraiu milhões de telespectadores para o SBT, que ultrapassou o Fantástico com uma audiência excepcional. A partir daí os reality shows como No Limite e, um pouco depois, Big Brother Brasil elevaram anônimos ao papel de astros da televisão e se tornaram a grande sensação em termos de audiência e faturamento para a Globo. Tendo como fonte financeira a Igreja Universal, a Record multiplicou rapidamente seu faturamento e investiu em suas produções, deixando o SBT em terceiro lugar na audiência. A emissora do bispo Edir Macedo espelha-se nas fórmulas de sucesso da Globo para chegar à liderança. Mesmo que a média nacional entre as duas ainda dê muita vantagem para a emissora da família Marinho, a Record parece que não vai desistir tão cedo de seu objetivo. |
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