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O Salão Oval da Casa Branca, em Washington, é o local de trabalho do governante mais poderoso e influente do planeta. Por isso, a cada quatro anos, a eleição presidencial dos Estados Unidos é acompanhada com atenção pelo mundo todo. A primeira edição de VEJA chegou às bancas poucas semanas antes de um desses pleitos: o duelo entre o republicano Richard Nixon e o democrata Hubert Humphrey. A disputa foi o tema da capa da nona edição da revista. Era o fim de uma corrida conturbada, marcada pela decisão do então presidente (Lyndon Johnson) de não tentar a reeleição e pela morte do principal concorrente democrata, Robert Kennedy. Nixon foi o vencedor com uma margem superior a 500.000 votos. Depois de um primeiro mandato marcado pelas agruras da guerra do Vietnã, por uma histórica visita à China comunista e pela assinatura de tratados referentes à paz nuclear com a União Soviética, o controverso Nixon foi reeleito em 1972 com uma votação esmagadora no confronto com o democrata George McGovern. O presidente obteve 61% dos votos populares (contra 37% do rival) e 570 votos no colégio eleitoral (contra só 17 do desafiante). Era difícil imaginar que, apenas dois anos depois, Nixon deixaria a Casa Branca em desgraça, em função do escândalo Watergate. O processo contra o presidente e sua posterior renúncia foram temas de reportagens de capa de VEJA. Depois do breve mandato de Gerald Ford, que assumiu no lugar de Nixon, foi a vez de os democratas retornarem à Casa Branca. A candidatura do sulista Jimmy Carter, que fora governador da Geórgia, mudou o mapa eleitoral americano. Ao contrário do que costuma ocorrer nessas disputas, o concorrente democrata conseguiu vencer em vários estados do sul, enquanto Ford, candidato à reeleição, conquistou a maioria na Califórnia, reduto democrata. Na conta final dos delegados do colégio, Carter levou a melhor. Sua administração, porém, teve vida curta: Carter acumulou uma série de derrotas dentro e fora do país. Quase perdeu a candidatura de seu próprio partido à reeleição: Ted Kennedy, irmão de John e Robert, decidiu enfrentá-lo nas primárias, uma candidatura destacada em uma capa de VEJA. Carter acabou sendo confirmado com candidato democrata, mas a eleição de 1980 teve outro astro: o ex-governador da Califórnia Ronald Reagan, vencedor do pleito, com o ex-diretor da CIA George Bush como vice. Os dois mandatos de Reagan (foi reeleito em 1984, contra Walter Mondale, vencendo em 49 dos 50 estados) foram marcados por um polêmico receituário econômico, que aumentou o déficit fiscal e a dívida pública, e pelo acirramento da Guerra Fria, com uma política externa destinada a derrubar o que Reagan chamava de “império do mal”, o bloco soviético. Deixou o poder em meio aos primeiros sinais da derrocada comunista, e ainda fez o sucessor: George Bush, que governou durante os últimos dias do Muro de Berlim e da URSS. Depois de três mandatos consecutivos dos republicanos, porém, os americanos já não pareciam mais satisfeitos com as mesmas políticas da dupla Reagan-Bush. Aos 46 anos, Bill Clinton, governador do pequeno estado do Arkansas, impediu a reeleição de Bush baseando sua campanha na promessa de uma nova era de prosperidade econômica para os americanos. A bonança econômica chegou, como prometido por Clinton, mas foi acompanhada de um episódio constrangedor no seu segundo mandato: o escandaloso affair com a estagiária Monica Lewinsky, caso que foi tema de duas reportagens de capa de VEJA. Ainda assim, o democrata superou um processo de impeachment e deixou o cargo com boa aprovação – tanto que seu candidato à sucessão, o vice Al Gore, foi o mais votado na eleição presidencial de 2000. Gore, entretanto, jamais assumiu o cargo. A tumultuada votação daquele ano terminou com 48,4% para Gore e 47,9% para George W. Bush, filho do ex-presidente destronado por Clinton. Na contagem dos delegados pelo sistema de colégio eleitoral, porém, Bush acabou sendo declarado vencedor depois de uma intrincada batalha jurídica pelos votos da Flórida, estado que decidiu a parada. Bush tomou o posto em meio às reclamações dos democratas e fazia um governo fraco até que o país foi alvo do maior atentado terrorista da história. Com a população unida em torno da causa da guerra ao terror, Bush ordenou os bombardeios do Afeganistão e, em 2003, do Iraque. A bandeira da segurança nacional acima de tudo rendeu a ele a vitória na eleição de 2004, contra John Kerry. No segundo mandato, contudo, Bush seria desmoralizado por grandes fiascos tanto na política externa quanto na gestão doméstica. Chegou à reta final do mandato com os menores índices de popularidade da história dos presidentes americanos. Na campanha de 2008, foi deixado de lado até pelo candidato governista, John McCain, no duelo contra o jovem fenômeno democrata Barack Obama, primeiro negro indicado à Presidência por um dos grandes partidos americanos.
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