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Quando VEJA chegou às bancas, em 1968, o papa era Paulo VI. Seu pontificado (1963-1978) foi marcado pelo estabelecimento de relações diplomáticas entre o Vaticano e os países muçulmanos, entre outras mudanças. Em 1970, o papa, o italiano Giovanni Battista, sofreu um atentado nas Filipinas - um punhal chegou a tocar seu corpo. Meses antes, sua comitiva fora apedrejada por um grupo de anarquistas. Paulo VI se mostrou sereno diante de tanta fúria. Ainda redigiu um documento que excluía os cardeais com mais de 80 anos das eleições papais.

Seu sucessor, João Paulo I, liderou a Igreja Católica por apenas 34 dias. Morreu em decorrência de um enfarto agudo do miocárdio, aos 65 anos. Os familiares do papa revelaram na ocasião que a saúde dele sempre foi motivo de preocupação. Em tão pouco tempo Albino Luciani conseguiu passar a imagem de um papa jovial, afetivo e muito sorridente.

Karol Wojtyla, o papa polonês, foi eleito em 1978 e escolheu como nome João Paulo II. Em 79 esteve na América e logo na sua chegada encantou a todos ao ajoelhar-se e beijar o solo. Ele falou com exclusividade a VEJA sobre a Igreja no Brasil: "Ela ocupa uma posição excepcional, sem dúvida. Sobretudo como país, como território, o Brasil é um continente. É uma Igreja com 300 bispos! Tem, também, todos os problemas do desenvolvimento contemporâneo. Por conseguinte, o Brasil tem problemas sociais. Há enormes diferenças entre ricos, uma minoria como classe social, e pobres".

A visita do papa ao Brasil em 1980, registrada em duas capas de VEJA, mostrou que a igreja era a instituição com maior capacidade de mobilizar a sociedade. Ele visitou treze cidades e pelos milhares de quilômetros que percorreu apresentou uma resistência física surpreendente. Na ocasião, a música A Bênção, João de Deus foi cantada por multidões de fiéis. No ano seguinte, João Paulo II sofreu um atentado na Praça de São Pedro, no Vaticano. Atingido por três tiros diante de 10.000 peregrinos, indagou: "Por que eu?" O mundo inteiro se comoveu e, em estado de choque, passou a rezar pela saúde do pontífice.

O papa fez mais duas visitas ao Brasil, em 1991 e 1997. Já perto do ano 2000, o papa apresentava sérios sintomas do mal de Parkinson. Um dos maiores desafios de seu pontificado foram as acusações de pedofilia que envolveram membros da Igreja por todo o mundo, assunto que também estampou uma capa de VEJA. João Paulo II foi o primeiro a pedir desculpas por esse e por outros erros históricos da Igreja Católica.

Wojtyla deixou claro seu sofrimento quando estava muito próximo da morte. As cenas de dor e agonia foram mostradas em todo o planeta. Em vigílias, os fiéis rezavam pela saúde do papa. Em sua última aparição, no final de março de 2005, ele não conseguiu pronunciar palavra alguma, cena registrada numa marcante capa de VEJA. Sua morte, em 2 de abril do mesmo ano, encerrou um pontificado marcado pelo papel de destaque na queda do comunismo, pela defesa de dogmas superados pela vida moderna e, claro, por suas freqüentes viagens internacionais e grande carisma.

Os funerais do papa emocionaram o mundo e a Igreja se viu diante da duríssima tarefa de escolher um substituto. Em 19 de abril de 2005, o conclave para a escolha do sucessor de Bento XVI chegou ao fim e o nome do alemão Joseph Ratzinger foi o escolhido. Ele escolheu o nome Bento XVI. A nomeação do 265° papa mostrou que o catolicismo continuaria fiel às suas tradições. "Mudar para continuar", resumiu a capa de VEJA. Bento XVI visitou o Brasil, país com maior contingente católico do mundo, em maio de 2007, quando promoveu em São Paulo a canonização de Frei Galvão, o primeiro santo de origem brasileira.


 
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